
Este trabalho analisa as desigualdades sociais associadas à exposição à fumaça do tabaco entre adultos residentes nas capitais brasileiras. Utilizam-se dados de um inquérito telefônico nacional realizado em 2023 com indivíduos de dezoito anos ou mais. A exposição à fumaça do tabaco no domicílio e no ambiente de trabalho é analisada segundo sexo, idade, cor da pele, escolaridade e macrorregião de residência. O status de tabagismo atual e prévio foi avaliado exclusivamente para fins descritivos e não foi incluído em nenhuma análise de associação. A exposição é mais frequente entre homens, adultos jovens e pessoas com menor escolaridade. Os resultados indicam que a exposição à fumaça do tabaco permanece concentrada em grupos socialmente vulneráveis, apesar dos avanços nas políticas de controle do tabagismo. Conclui-se que a exposição à fumaça do tabaco apresenta distribuição desigual nas capitais brasileiras, indicando a necessidade de fortalecer políticas públicas e ações intersetoriais voltadas à redução das iniquidades sociais e à proteção de ambientes domésticos e de trabalho.
A vida universitária é um período marcado por muito aprendizado, mas também de grandes pressões que podem proporcionar situações de estresse, afetando todo o organismo. Assim, este trabalho buscou entender como o estresse aparece entre os alunos e de que forma ele pode interferir na saúde. A pesquisa, de caráter quantitativo e observacional, avaliou 112 estudantes universitários de uma instituição no Sul de Minas Gerais, por meio de um questionário online autoaplicado. O questionário abordou o nível de estresse, os principais fatores que o causam e as estratégias que os alunos utilizam para lidar com esse fator. Os dados foram analisados qualitativamente e quantitativamente por meio de testes estatísticos, considerando nível de significância de p < 0,05. Os resultados mostraram que o estresse está presente de forma constante na vida acadêmica e aumenta de maneira importante durante os períodos de avaliação. Pela Escala Visual Analógica, a média fora do período de provas foi de 4,28, enquanto durante os exames subiu para 7,61, associado a quadros de insônia e ansiedade. Além disso, os estudantes que reconheceram o impacto do estresse sobre o sistema imunológico tiveram 2,73 vezes mais probabilidade de recorrer a medicamentos ou outras formas de alívio. Os resultados indicaram que o estresse durante a graduação não se limita ao aspecto psicológico. Ele tem efeito direto na saúde e pode comprometer o desempenho e o bem-estar dos estudantes. Portanto, entender o estresse nessa etapa da vida de formação é fundamental para garantir um ambiente educacional de qualidade.
Este artigo teórico investiga os desafios colocados pela Inteligência Artificial generativa ao Jornalismo Científico e à Divulgação Científica, à luz dos modelos de comunicação da ciência. Adota-se um estudo bibliográfico teórico ancorado em dois movimentos: a revisão de escopo de Santos (2026), que sistematizou 23 modelos em três blocos (transmissão, mediação, transformação); e uma revisão narrativa da literatura recente (2025-2026) sobre IA e Jornalismo Científico, que identificou quatro tensões centrais: automação, viés algorítmico, desinformação e limites éticos da mediação artificial. Argumenta-se que a automação tende a reproduzir o modelo de déficit cognitivo quando desacompanhada de mediação humana crítica. Em contrapartida, propõe-se o Modelo Dialógico, fundamentado em Paulo Freire, como eixo ético-epistemológico para orientar práticas comprometidas com a horizontalidade, a escuta dos territórios e a valorização de saberes plurais. Conclui-se que a IA mostra-se estruturalmente limitada para realizar o diálogo freireano, que exige abertura ao outro, problematização compartilhada e assunção da inconclusão dos sujeitos. Defende-se uma agenda de pesquisa para um Jornalismo Científico criticamente orientado na era da automação, que reconheça a Divulgação Científica como práxis educativa situada e dialógica.
O objetivo dessa pesquisa é avaliar o efeito da aplicação superficial de remineralizador sobre as características químicas do solo. A pesquisa foi conduzida em uma área de pastagem localizada no município de Mirante do Paranapanema, SP. O remineralizador utilizado foi obtido por meio do pó de rocha proveniente do município de Narandiba, SP. A área experimental foi subdividida em 25 parcelas, distribuídas em cinco tratamentos correspondentes a doses crescentes de remineralizador de solo, com cinco repetições por tratamento. As doses avaliadas foram: T1 = 0 kg ha⁻¹, T2 = 2500 kg ha⁻¹, T3 = 5000 kg ha⁻¹, T4 = 7500 kg ha⁻¹ e T5 = 10000 kg ha⁻¹. 240 dias após a aplicação do remineralizador foi realizada a coleta de solo na camada de 0–10 cm, em cada parcela experimental, onde foram avaliados os atributos pH, Ca, Mg, Al e V%. A análise estatística foi conduzida através de uma análise exploratória dos dados, com obtenção de medidas de tendência central e dispersão. Em seguida, os atributos químicos do solo foram submetidos à análise de variância. Nenhum dos tratamentos gerou ganhos significativos na melhoria da qualidade química do solo, porém, isso não descarta a utilização do pó de rocha, desde que seja respeitado o tempo ideal para sua solubilização. O pó de rocha é uma alternativa econômica e sustentável para correção da acidez e fornecimento de macro e micronutrientes, entretanto seu uso está limitado ao tempo, fonte mineral, presença de cobertura vegetal e matéria orgânica.
A incontinência urinária é caracterizada por qualquer perda urinária causada pela fraqueza da musculatura do assoalho pélvico, influenciada por fatores predisponentes multifatoriais, como número de partos, envelhecimento, menopausa, e outros fatores. Avaliar a função muscular do assoalho pélvico em mulheres com incontinência urinária, e descrever os fatores de risco. Estudo exploratório clínico do tipo transversal constituído por 40 mulheres com incontinência urinária. Todas as participantes realizaram uma avaliação fisioterapêutica inicial, seguida do exame de palpação digital para obtenção dos valores do Esquema New Perfect. Maioria das mulheres apresentaram incontinência urinária de esforço (65%) e fatores associados, como histórico familiar, obstétrico e queixas sexuais associadas. No Esquema New Perfect os valores foram significativos de performance/força (p<0,001), endurance (p=0,010) e repetitions (p=0,007), os quais sugerem diminuição da força de contração, resistência e repetição das contrações mantidas dos músculos do assoalho pélvico. O assoalho pélvico com função muscular prejudicada é um fator relevante para piora da incontinência urinária, o qual sofre influência por vários fatores agravantes como envelhecimento, número de gestações e predisposição genética.