
A pertinência da reflexão sobre o futuro da educação e, especificamente, sobre o futuro da infância, fica demonstrada se tivermos em conta que, em março de 2021, quase metade dos alunos em todo o mundo ainda era atingida pelo encerramento parcial ou total das escolas e que, adicionalmente e em resultado da pandemia, mais de 100 milhões de crianças iriam inevitavelmente baixar para níveis mínimos a proficiência em leitura. No entanto, existem sinais animadores quanto ao futuro. No plano europeu, por exemplo, a divulgação do Plano de Ação para o Pilar Europeu dos Direitos Sociais vinculou a União Europeia à redução do número de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social até 2030, incluindo 5 milhões de crianças. A aprovação, em dezembro de 2021, da primeira Estratégia Nacional de Combate à Pobreza em Portugal fixou como objetivo retirar da pobreza 170 mil crianças até 2030. Por outro lado, após dois anos de trabalho, a comissão internacional da UNESCO que coordenou a iniciativa “Futuros da Educação”, e que tinha por objetivo repensar a educação e moldar o futuro, lançou, em novembro de 2021, o relatório “Re-imaginando nossos futuros juntos: Um novo contrato social para a educação”. Este relatório alimenta a visão de que o conhecimento e a aprendizagem constituem os maiores recursos renováveis da humanidade para responder aos complexos desafios e inventar alternativas sustentáveis. Nós comungamos desta visão.
Este texto resulta de diversas comunicações no âmbito da preparação e da celebração do Centenário de Paulo Freire em 2020 e 2021 e pretende partilhar a contribuição político-pedagógico de Paulo Freire na formação de educadores em Cabo Verde e suas repercussões nas políticas educativas, tendo como base a minha tese de Doutoramento em Educação (Varela, 2018). País arquipelágico, africano e saheliano, Cabo Verde é um dos raros países que desenvolveu uma política de educação e formação de adultos, original, com uma continuidade notável, um subsistema de educação extraescolar, paralelo e equivalente ao subsistema escolar, com um currículo e um programa específico, uma carreira de educadores integrada na carreira do pessoal docente e um sistema de reconhecimento e certificação. O trabalho realizado que conduziu à tese, propõe-se a contextualizar historicamente a formação de educadores e analisar os seus resultados, utilizando o estudo de caso, com caráter essencialmente descritivo. No que respeita à contribuição político-pedagógico de Paulo Freire, os resultados apontam que a formação de educadores teve repercussões positivas, nomeadamente, no desenvolvimento de conhecimentos para o exercício da profissão, na democratização do acesso à educação, na valorização da carreira profissional do Educador de Adultos e no fortalecimento do sistema educativo nacional.
Tornar as aulas de educação artística mais participativas, exige mais do que uma simples vontade de querer fazer dessa forma. Será possível abalar as hierarquias e os poderes, na relação entre professores e alunos, ou relativizar os discursos instituídos do artístico? Como é que o estudo das práticas artísticas participativas poderá contribuir para o pensamento de outras dinâmicas em educação artística? Neste artigo reconheço a utopia da ideologia participativa e os riscos da sua reprodução no contexto educativo. Procuro perceber, como é que nós professores de educação artística podemos problematizar a questão da participação com os estudantes nas nossas aulas. Temos que aceitar este, como um problema complexo e premente de questionamento na educação artística, para além do binómio da atividade-passividade.
Tornar as aulas de educação artística mais participativas, exige mais do que uma simples vontade de querer fazer dessa forma. Será possível abalar as hierarquias e os poderes, na relação entre professores e alunos, ou relativizar os discursos instituídos do artístico? Como é que o estudo das práticas artísticas participativas poderá contribuir para o pensamento de outras dinâmicas em educação artística? Neste artigo reconheço a utopia da ideologia participativa e os riscos da sua reprodução no contexto educativo. Procuro perceber, como é que nós professores de educação artística podemos problematizar a questão da participação com os estudantes nas nossas aulas. Temos que aceitar este, como um problema complexo e premente de questionamento na educação artística, para além do binómio da atividade-passividade.Palavras-Chave: Participação; Educação Artística; Práticas Artísticas Participativas; Ensino ArtísticoKeywords: Participation; Art Education; Participatory Art Practice; Art TeachingAbstractTo turn art education classes participatory, requires more than a simple will to do it that way. Could it be possible for us to shake the power and hierarchy stablished on a classical art classroom between teachers and students? How could the study of participatory art practices contribute to rethink procedures in art education on that matter? In this article, I recognize participatory ideologies’ utopias and the risk of their reproduction in art and school context. I search through understand, how we, as art teachers, could think on different ways of understanding and dealing with participation in school programs, with a special focus on students, and class planning. We need to realize the concept of participation beyond the activity-passivity binomial, understanding the complexity of the problem, and asking for more questioning in art education field.