
RESUMO O artigo investiga as primeiras comemorações das Independências do Brasil na imprensa do Maranhão, incorporado ao Império em 28 de julho de 1823. Os anos seguintes à Independência assistiram à construção do estado imperial, também do ponto de vista simbólico. Já em 1823, o 7 de setembro e o 12 de outubro emergiram como marcos da emancipação recém-conquistada, datas a que se somaram variantes provinciais, como o 28 de julho. No Maranhão, entre a aclamação do Imperador em 1826 e a abdicação, em 1831, as comemorações dessas três datas pautaram as disputas pelo passado a ser rememorado, com a predominância do 12 de outubro até 1829, tempo de emergência do 28 de julho. A comparação com as comemorações no Rio de Janeiro e, em menor proporção, na Bahia com o 2 de julho, reforçam a perspectiva de “mosaico” que orienta a abordagem. Em suma, é plausível supor que as comemorações de cunho nacional referenciadas no conjunto de episódios ocorridos em 1822/1823 também tenham o formato de “mosaico”, chave conceitual para pensar um território enorme e díspar, cujas peças mal se acomodavam, de modo assimétrico, na emergência de um estado distinto do português e que, aos poucos, ganhava operacionalidade.
RESUMO Cabe como objetivo deste artigo apresentar as variações e a complexidade do tempo, aplicadas à obra de Gilberto Freyre (1900-1987). Propõe-se o exame da percepção acerca do tempo, nas obras de Freyre, como forma de compreender como o sociólogo pernambucano oferecia alternativa à modernidade como meio de desenvolvimento e para o progresso. Ao se operar desta forma, no entanto, há o cuidado de observar as interações de Freyre com seu contexto de produção, os interesses e questões que o sociólogo buscava responder. Portanto, compreende-se a categoria “tempo”, como objeto de disputa de classe. Logo se opera com as categorias de tempo e espaço como objeto de análise e como método de referenciar o autor com suas obras. Serão utilizados para esta análise a vasta produção bibliográfica de Freyre entre os anos 1930 e 1970, assim como as suas colunas publicadas no DIÁRIO DE PERNAMBUCO e no JORNAL DO BRASIL.
RESUMO Este artigo investiga o uso da História Oral como ferramenta didática na pesquisa histórica entre 2008 e 2023, com destaque para uma experiência realizada em 2023 junto a estudantes dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental da rede pública do município de Boqueirão-PB. O estudo aborda memórias alimentares e curativas relacionadas ao uso de cactos e bromélias, problematizando como a escola pode contribuir para a formação da consciência histórica acerca do Semiárido brasileiro. Argumenta-se que o estudo dessas memórias favorece a segurança alimentar e a diversidade nutricional, valoriza as propriedades curativas das plantas da Caatinga, contribui para o enfrentamento das mudanças climáticas e possibilita reflexões sobre os problemas de saúde associados à alimentação. Para acessar e analisar essas memórias, adotou-se a metodologia da História Oral. Os resultados indicam que a História Oral constitui uma ferramenta política de educação pela pesquisa, relevante no contexto escolar, capaz de enfrentar desafios socioambientais, promover alternativas sustentáveis e dar visibilidade às propriedades curativas das plantas nativas da Caatinga.
RESUMO O artigo analisa as interações entre memória, patrimônio e historiografia pública em Aracati, Ceará, explorando como esses elementos moldam as narrativas sobre as relações étnico-raciais e o legado da escravidão. A pesquisa abrange os séculos XVIII ao XXI, focando no Instituto Museu Jaguaribano (IMJ) e na cidade de Aracati como espaços de construção de memória. As fontes incluem documentos históricos, censos, registros de batismo e entrevistas, confrontando representações tradicionais com evidências documentais da presença de negros e indígenas. O argumento central destaca a reificação de memórias elitistas e a omissão das histórias de resistência negra e indígena. As conclusões apontam para um regime de apagamento sistemático, reforçado por práticas negacionistas e racismo cotidiano, revelando desafios para uma historiografia engajada que busca ressignificar o passado e promover reparação histórica.