Resumo: O triunfo da tecnologia da informação é, sem sombra de dúvida, uma das transformações a pôr em xeque os arranjos democráticos, ameaçados hoje, entre outras coisas, pela violência coletiva virtual propiciada por máquinas algorítmicas especializadas em cálculos utilitários. Este artigo pretende sustentar, a partir do debate político corrente, como esse fenômeno concorre para a formação de circuitos de comunicação isolados, que impedem a política deliberativa de funcionar adequadamente, contribuindo, ainda, para a intensidade e simultaneidade da ocorrência do populismo nas democracias constitucionais contemporâneas, operando como um meio de enfraquecimento da representação tradicional e/ou de fortalecimento da representação direta. Tomando respectivamente a teoria reconstrutiva da democracia de Jürgen Habermas e a teoria construtivista da representação de Nadia Urbinati, o objetivo deste artigo é esclarecer duas dimensões em que as novas tecnologias digitais parecem atuar: Habermas analisa seus impactos para a esfera pública democrática; Urbinati enfatiza os problemas para a realização do momento da vontade política e seus desdobramentos para a institucionalidade dos Estados constitucionais. Por fim, apontamos como a soberania popular aparece implicada, em ambos os casos, pela ascensão das novas tecnologias digitais.
Este artigo propõe uma leitura não convencional da obra de Chantal Mouffe, abordando conjuntamente duas dimensões frequentemente tratadas de forma isolada pelos comentadores: seus diagnósticos normativos e suas respostas estratégicas à chamada “crise das democracias liberais”. A primeira, de caráter teórico, problematiza as teorias deliberacionistas e expõe o que denominamos “centrismo normativo”. A segunda, voltada à intervenção política, critica o “centrismo político”, caracterizado pela hegemonia da “terceira via” e pela ausência de projetos alternativos que possam radicalizar os princípios ético-políticos da democracia. Diferentemente da tendência predominante na literatura secundária, que enfatiza um ou outro aspecto da obra de Mouffe, esse estudo demonstra como, em seus textos de análise conjuntural, a autora mobiliza os conceitos fundamentais de sua teoria – antagonismo, poder e pluralismo social – para apresentar alternativas concretas de mobilização política. Ao articular essas duas dimensões, evidenciamos a coerência teórica subjacente ao seu pensamento e exploramos alguns questionamentos para atualizar seu diagnóstico à luz da conjuntura contemporânea.
This paper assesses the impact of alternative assets on the performance of Brazilian asset portfolios. Although alternative assets are largely studied throughout the world, that is not the case for Brazil as there are just a few studies on the topic. As the Brazilian capital markets are growing at a fast pace, the high correlated aspect of the market calls for measures to ensure balanced returns for the long run, therefore, the insights of the study may support investors during the process of asset allocation. In this study the alternative assets were divided into two categories: Brazilian alternative assets and international alternative assets. Performance measures were obtained from a portfolio comparison and through a Markowitz frontier analysis. The results show that adding alternative assets (Brazilian or international) to a portfolio usually generates higher returns with lower risks, leading to better risk adjusted results and an overall more balanced portfolio.
This study analyzes the relation between firm performance and top management team turnover, moderated by corporate governance and control variables. We use a unique dataset of CEO and executive turnover of Brazilian firms from 2010 to 2017, including companies that voluntarily adopt good governance practices through listing on “Novo Mercado” segment. We document a significant growth in top management turnover activity throughout the sample period and find a negative relation between firm performance and CEO turnover. We also document that family firms listed in the “Novo Mercado” segment have greater CEO turnover performance sensitivity than family firms not listed in “Novo Mercado.”
Processes from different origins and dimensions —institutional, economic, political and social— expose questions about the quality of democracies and their normative foundations, marking the so‑called «democracy crisis». On the axis of political processes, especially in relation to the construction of collective subjects and their representation in democratic contexts, populism has been mobilized as an important explanatory key and different diagnoses have been offered about it: on the one hand, there are those who interpret it as a dimension of politics and they bet on its ability to radicalize democracies, as seen in the theories of Ernesto Laclau and Chantal Mouffe; on the other hand, there is the interpretation that populism alters the nature of democracies, above all, disfiguring it by disputing its distinctive normative elements, as in Nadia Urbinati's analysis. Both positions, however, resume the notion of popular sovereignty, disputing the role of populism in the constitution of (new) forms of political mobilization and activation of different collective identities in current political conflicts. This article seeks to take up such interpretations to problematize this aspect of the complex relationship between populism and democracy.