This chapter examines the use of aesthetic and discursive elements in the production of a narrative about República, a district in the central area of São Paulo (Brazil) that has been transformed through a real estate boom in the past ten years. We focus on newly built studio apartments, and on the efforts to differentiate them from the quitinetes, apartments with similar features built in the 1950s and 1960s that have been heavily stigmatized. We situate our analysis of this purposeful urban transformation within a context intertwined with urban marketing, publicity, and image making. Our research shows the strong presence of an industrial aesthetic in the area, which we understand as being a deliberate echo of the gentrification process that took place in SoHo in New York City in the 1970s.
Resumo Desde o início dos anos 2000, o setor imobiliário brasileiro tem se aproximado do mercado financeiro mediante aberturas de capital, emissões de dívidas e Fundos de Investimento Imobiliário. Recentemente, destacou-se a articulação entre incorporadoras de capital aberto e agentes financeiros no desenvolvimento de ativos de locação residencial. Este artigo objetiva compreender o papel das grandes incorporadoras nacionais na formação do mercado de propriedades residenciais em conjunto com os FIIs e investidores globais. Argumenta-se que, devido às particularidades do caso brasileiro, as incorporadoras são essenciais no fornecimento de habitações em escala necessária para os investidores financeiros, contribuindo para a estruturação de um novo mercado. Ademais, essa união permite às empresas realizarem seus estoques ou obterem ganhos rentistas. O artigo investiga dois dos principais FIIs ligados às incorporadoras abertas e discute novos enlaces dessas empresas com investidores institucionais, particularmente as Asset Managers, demonstrando a relevância das incorporadoras na reestruturação do segmento de locação residencial.
This article aims to discuss the significant transformations in the production and operation of infrastructure, recognizing this process as the metamorphosis of infrastructure valorization. Taking into account the socioeconomic differences among Latin American countries, we intend to consider some general reflections about the particular impacts of this global process on the urbanizationUrbanization of the region. Renewing urban spoliation as a historical feature of Latin American urbanizationUrbanization, the metamorphosis of infrastructure will provide important insights into the updating of critical debates on Latin American urbanizationUrbanization and in the understanding of privatization as a relevant dimension of UrbicideUrbicide.
A noção de “complexo” nos estudos urbanos e regionais brasileiros foi relevante no contexto agroexportador e industrial nos séculos XIX e XX, respectivamente, ao revelar arranjos sociais da urbanização nesses momentos históricos. Na interpretação das transformações urbanas contemporâneas, sustenta-se que a noção do “complexo imobiliário-financeiro”, concebida no Norte Global, deve considerar as especificidades de cada formação social particular. Este trabalho busca compreender a formação e a atuação de um complexo em decorrência do desenvolvimento dos Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs). Investigam-se os principais marcos institucionais do instrumento e os agentes envolvidos em seus desenhos, de modo a problematizar as essências constitutivas do complexo que suporta o instrumento e as transformações no espaço. A pesquisa identifica o domínio das instituições financeiras nacionais, em articulação com as finanças globais, sobre a indústria de FIIs e propõe a categoria de “complexo financeiro-imobiliário”, a qual indica a subordinação dos interesses do setor imobiliário aos financeiros.
Resumo Este artigo discute como o avanço das relações capitalistas na produção imobiliária através da consolidação econômica e política de grandes incorporadoras tem interferido na condução de políticas públicas. Partindo da noção de formas de produção (Jaramillo, 1982), sustentamos que as grandes incorporadoras, ao articularem a sofisticação dos mecanismos de produção imediata (controle econômico direto) com o crescente poder enquanto grupo de interesse na definição das políticas de financiamento e urbana (controle econômico indireto), têm consagrado o segmento econômico como principal produto da política habitacional. Esse movimento, ao ampliar a mercantilização da cidade e o controle da política pública por poderosos agentes privados, tem inviabilizado a estratégia de desmercantilização da moradia por meio da ação direta do Estado na produção habitacional.
Resumo A produção de infraestruturas no Brasil vem passando por importantes transformações desde os anos 1990, articulando-se com o alinhamento do país a uma agenda neoliberal. A adoção de políticas anticíclicas como resposta à crise de 2008 expande e torna mais complexa a natureza desses processos. Na compreensão das condições particulares engendradas nesse momento, destacam-se o papel histórico do BNDES na condução dos processos de privatização e o crescente poder econômico e político das grandes empreiteiras nacionais. Partindo de um diálogo com o debate internacional sobre privatização e financeirização das infraestruturas, procuramos compreender o caso brasileiro, problematizando a crescente centralidade de uma lógica rentista. O artigo desenvolve-se por meio da análise dos arranjos institucionais, dos agentes dominantes e das estratégias de acumulação, considerando a sistematização e interpretação crítica da bibliografia, documentos e dados referentes à transformação do setor.
Infrastructure production in Brazil has undergone important transformations since the 1990s, articulating itself with the country's alignment with a neoliberal agenda. The adoption of countercyclical policies in response to the 2008 crisis, expands and makes the nature of these processes even more complex. The historical role of the BNDES in conducting the privatization processes and the growing economic and political power of the major national contractors are taking is central elements to understand this process. Discussing with the international debate about privatization and financialization of infrastructures, we seek to understand the Brazilian case in order to problematize the increase centrality of rent accumulation. The article is developed through the analysis of institutional arrangements, dominant agents and accumulation strategies, considering the systematization and critical interpretation of the bibliography, documents and data referring to the transformation of the sector.
In the period of recent intensification of real estate production in Brazil, the largest national contractor companies augmented their role in real estate production. As autonomous developers, these companies increased investments and profit in space production, tightening the relationship between real estate and infrastructure. This article aims to understand the performance of the contractors in the real estate production and their articulations with the production of infrastructure, using the Sao Paulo case for analysis. In this metropolis, this action has a decisive impact on the processes of urban restructuring, particularly in the Operaciones Urbanas Consorciadas. The process of expansion and collapse of these companies is central to the interpretation of the disputes at stake in the scenario of economic and political crisis, articulating with perceptible dynamics in several countries of Latin America that points towards a radicalization of neoliberalism and financial dominance.
Gentrification is reshaping cities worldwide, resulting in seductive spaces and exclusive communities that aspire to innovation, creativity, sustainability, and technological sophistication. Gentrification is also contributing to growing social-spatial division and urban inequality and precarity. In a time of escalating housing crisis, unaffordable cities, and racial tension, scholars speak of eco-gentrification, techno-gentrification, super-gentrification, and planetary gentrification to describe the different forms and scales of involuntary displacement occurring in vulnerable communities in response to current patterns of development and the hype-driven discourses of the creative city, smart city, millennial city, and sustainable city. In this context, how do contemporary creative practices in art, architecture, and related fields help to produce or resist gentrification? What does gentrification look and feel like in specific sites and communities around the globe, and how is that appearance or feeling implicated in promoting stylized renewal to a privileged public? In what ways do the aesthetics of gentrification express contested conditions of migration and mobility? Addressing these questions, this book examines the relationship between aesthetics and gentrification in contemporary cities from multiple, comparative, global, and transnational perspectives.
En el período de reciente intensificación de la producción inmobiliaria en Brasil, las grandes compañías contratistas nacionales ampliaron su actuación a la producción inmobiliaria. Constituyéndose como empresas de desarrollo autónomas, establecieron un nuevo nivel de inversiones y ganancias en la producción del espacio, profundizando las relaciones entre bienes raíces e infraestructura. Tomando como desafío teórico la aproximación a estas dos áreas de estudio, el artículo tiene como objetivo comprender la actuación de las contratistas en la producción inmobiliaria y sus articulaciones con la producción de infraestructura, tomando para el análisis el caso de São Paulo. En esa metrópoli, esa actuación repercute de manera decisiva en los procesos de reestructuración urbana, particularmente en las Operaciones Urbanas Consorciadas. El proceso de expansión y colapso de estas empresas se sitúa como objeto central en la interpretación de las disputas en juego en el escenario de crisis económica y política, articulándose con dinámicas visibles en varios países de América Latina, que apuntan hacia una radicalización del neoliberalismo y del predominio financiero.
Sobre as participantes: Laisa Stroher e arquiteta e urbanista, doutora em Planejamento e Gestao do Territorio pela UFABC, com doutorado sanduiche em Geografia Economica na Katholieke Universiteit Leuven (KU Leuven). E mestra pela FAU na area de Planejamento Urbano e Regional e pesquisadora do Laboratorio de Estudos e Projetos Urbanos e Regionais (LePur) da UFABC, atuando nas areas de Neoliberalizacao e Financeirizacao da Producao do Espaco. Ela tambem atua como professora e consultora nas areas de Planejamento Urbano e Habitacional. Fernanda Pinheiro da Silva e geografa e mestra em Geografia Humana pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciencias Humanas da USP (FFLCH-USP). Ela se dedica a tematicas relacionadas a Producao do Espaco e desenvolve pesquisas sobre a urbanizacao de Sao Paulo. Um dos destaques de seu trabalho fica por conta da analise de grandes projetos urbanisticos, a normatizacao juridica e as estrategias de expropriacao. Atualmente, integra a equipe de pesquisa sobre desastres socioambientais, no Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV. Beatriz Rufino e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Sao Paulo (FAU/USP) e do Programa de Pos-graduacao em Arquitetura e Urbanismo da mesma Instituicao. Participa e coordena pesquisas nacionais e internacionais na area de Planejamento Urbano, focando nos temas: Politicas Habitacionais, Parcerias Publico- Privadas e Producao Imobiliaria e de Infraestruturas. Ela e membro do Laboratorio de Habitacao e Assentamentos Humanos da USP (LabHab). Lucia Shimbo e arquiteta e urbanista pela FAU e doutora em Arquitetura e Urbanismo pela Escola de Engenharia de Sao Carlos (EESC) da USP. Realizou pos-doutorado no LabHab e no Laboratorio de Pesquisa Interdisciplinar Cidade, Espaco, Sociedade da Universidade de Lyon (Franca). Foi pesquisadora convidada do Collegium de Lyon entre 2018 e 2019 e, atualmente, e professora do IAU.
O PMCMV foi lançado em 2009 com o objetivo ampliar o mercado habitacional para população de menor renda, considerando inclusive a população mais vulnerável, com renda até R$ 1.600,00 reais. Por esse Programa, a forma condomínio, existente nas cidades brasileiras desde a década de 1930, disseminase como novidade para os mais pobres. Por um lado, representa a forma mais econômica e atrativa ao mercado. Por outro, impõe novos custos e relações de sociabilidade aos moradores, reforçando a privatização da urbanização e a emergência de conflitos. Para o aprofundamento destas questões, este artigo busca compreender o processo de produção e apropriação da forma condomínio para a população de baixa renda no PMCMV e discutir suas limitações.Palavras chaves: Política habitacional; gestão condominial; produção imobiliária.
A produção do espaço urbano se alterou profundamente e o domínio da financeirização impõe novos desafios analíticos para a compreensão dos fenômenos em curso. O objetivo deste artigo é problematizar conceitos relacionados à interpretação da urbanização contemporânea que, de certo modo, ocultam as relações sociais, as formas de espoliação e a reprodução de desigualdades. Trata-se de uma análise dos debates ocorridos na Escola de Ciência Avançada “Produção Imobiliária: desigualdade, financiamento e planejamento territorial na América Latina” ocorrida em 2017 na Universidade de São Paulo e que reuniu pesquisadores do Brasil, Chile, Argentina, Venezuela e México, associada a uma revisão bibliográfica dos principais estudos latino-americanos sobre produção imobiliária e infraestrutura urbana.
A producao do espaco urbano se alterou profundamente nos ultimos trinta anos diante da implementacao de agendas neoliberais de desenvolvimento economico e de politicas publicas e do aumento da importância dos circuitos transnacionais das financas. Nesse processo, o setor imobiliario ganhou relevância na transformacao estrutural do capitalismo contemporâneo, reconhecida por autores de diversos campos do conhecimento, como financeirizacao. De modo geral, a financeirizacao vem sendo tratada por tres abordagens principais na literatura internacional: como regime de acumulacao de capital; como logicas e praticas de corporacoes pautadas pelo valor do acionista (shareholder value, “financeirizacao das corporacoes”); e como praticas das familias (“financeirizacao do cotidiano”) (Van de Zwan, 2014; Aalbers, 2016). Mais especificamente, em relacao aos estudos urbanos, a financeirizacao vem sendo estudada por quatro escolas principais: economia do mercado imobiliario, infraestrutura urbana, politicas publicas e habitacao (Attuyer e Halbert, 2016). Em comum, esses estudos revelam que a cidade nao e mais somente financiada e produzida por atores urbanos historicos, tais como, proprietarios, incorporadores, construtoras, Estado, bancos e, muitas vezes, habitantes (Lorrain, 2011). Uma das maiores transformacoes esta relacionada ao aumento progressivo do papel dos investidores financeiros na elaboracao de grandes projetos urbanos e nos empreendimentos imobiliarios. Mesmo em relacao aos atores historicos, e possivel notar adaptacoes e alteracoes em suas logicas e praticas dentro desse contexto financeirizado, sejam eles privados (como no caso, os incorporadores – Coulondre, 2016) ou publicos (por exemplo, governos locais - Weber, 2015). Aalbers (2016) destaca que a habitacao e um tema menos estudado no debate sobre financeirizacao, mas que vem ganhando destaque nos ultimos anos considerando o contexto pos-crise subprime e os trabalhos sobre financiamentos e securitizacao de hipotecas, ao planejamento urbano, as residencias privadas aliadas a servicos especificos e as politicas de subsidio. Paralelamente a esse debate europeu, a literatura latino-americana tambem vem se dedicando a analise sobre a heterogeneidade nas formas de producao e de consumo da urbanizacao na regiao (Pirez, 2016). A intensificacao da producao imobiliaria e a expansao dos investimentos em infraestrutura nos paises da America Latina, alem de reforcarem a importância dessas atividades para a compreensao das mudancas urbanas e territoriais mais amplas, tem indicado uma crescente articulacao entre os ramos e setores, impondo novos desafios para a compreensao da producao do espaco urbano, com crescente associacao de agentes publicos e privados, que ora combatem a desigualdade – que no caso latino-americano, e estrutural - ora procuram se beneficiar. Neste sentido, ha estudos que procuram associar ciclos imobiliarios e crises economicas (Daher, 2013; Socollof, 2015), valorizacao imobiliaria e metamorfose urbana (Mattos, 2016), Estado e agentes privados na producao e na gestao de infraestrutura urbana (Conolly, 2015; Catenazzi, 2013). No Brasil, o forte aumento do setor imobiliario suportado tanto pelo movimento importante de abertura de capital de grandes incorporadores e construtores quanto pela politica habitacional e demais mecanismos institucionais de dinamizacao do setor, alimentou um campo academico que vem se mobilizando recentemente. De um lado, ha pesquisas sobre a aproximacao entre setor imobiliario e financa, enfatizando a circulacao de capitais e os efeitos territoriais das atividades imobiliarias (Fix, 2011; Sanfelici, 2013; Hoyler, 2014; Rufino, 2017). De outro, a construcao da habitacao e as estrategias das grandes empresas desde o canteiro de obras vem ganhando destaque como objeto primordial de analise (Moura, 2011; Shimbo, 2012; Baravelli, 2017). Alem disso, ha os trabalhos que vao explicitar a financeirizacao da producao urbana (Sanfelici e Halbert, 2015; Rolnik, 2015) e da politica da habitacao (Royer, 2014). Se a questao da financeirizacao da producao urbana esta bastante consolidada no debate europeu, a identificacao das convergencias e dissonâncias entre os estudos latino-americanos e entre eles e o debate internacional ainda precisa ser discutida e amadurecida. Afinal, trata-se de uma reestruturacao capitalista e de reconfiguracao de cidades em nivel mundial. Neste sentido, este Seminario procura cruzar os olhares europeus e latino-americanos sobre as alteracoes estruturais ocorridas no setor imobiliario e de infraestrutura urbana desde os anos 1970. Busca, dessa forma, apresentar trabalhos que vem se destacando nos estudos urbanos e discutir sua articulacao com as tendencias que se fazem presentes no debate sobre a financerizacao, em dois eixos: i) Circuitos de capital, atores e conflitos na reconfiguracao das cidades e ii) Estado, promocao imobiliaria e valorizacao financeira. Em termos metodologicos, este Seminario se organiza em dois momentos. O primeiro ocorrera no periodo da manha e se organiza em conferencias de convidados internacionais, seguidas de mesas redondas com pesquisadores nacionais e internacionais, que sao referencias no debate contemporâneo nos estudos urbanos e financeirizacao. O periodo da manha sera finalizado por um debate, procurando garantir uma articulacao com as questoes aqui propostas. O segundo momento sera composto de tres Grupos de Trabalho, em que o Comite Cientifico escolhera 15 trabalhos sobre o tema do evento, procurando identificar pesquisas realizadas e em andamento e aumentar a interlocucao academica entre jovens pesquisadores da area. Ao final, havera uma conferencia de encerramento seguida de uma discussao geral, com mediacao da Comissao Coordenadora, que buscara sintetizar as questoes apresentadas e discutir agendas futuras de pesquisa. Os anais estao disponiveis no link: http://www.iau.usp.br/seminariofinanceirizacao/index.php/anais/