A ejaculação retrógrada é uma disfunção ejaculatória caracterizada pelo desvio total ou parcial do sêmen para a bexiga, resultante da falha no mecanismo de fechamento do colo vesical durante a fase emissiva da ejaculação. Embora seja um processo fisiológico indolor, sua relevância clínica é acentuada pelo impacto direto na fertilidade masculina e pelo desconforto psicológico causado pela ausência de fluido ejaculado (orgasmo seco). As causas variam desde iatrogenias cirúrgicas e neuropatias diabéticas até o uso de medicações específicas, como os alfabloqueadores. Este estudo teve como objetivo realizar uma revisão sistemática da literatura brasileira sobre os mecanismos fisiopatológicos da falha do colo vesical e as estratégias terapêuticas disponíveis, incluindo o manejo farmacológico e técnicas de recuperação de espermatozoides para fins reprodutivos. A análise dos dados reforça que o diagnóstico preciso, por meio da análise de urina pós-ejaculatória, é fundamental para o sucesso do manejo clínico. Conclui-se que a abordagem deve ser individualizada, priorizando a correção da causa base e o aconselhamento para a preservação do potencial de fertilidade do paciente.
O envelhecimento feminino, particularmente durante a transição menopausal, está associado a alterações hormonais que intensificam processos inflamatórios e desfechos cardiometabólicos. Esta revisão objetiva analisar a relação entre a terapia hormonal, a menopausa, o estilo de vida e o risco cardiometabólico em ensaios comunitários controlados. Consiste em uma revisão integrativa da literatura, desenvolvida a partir de buscas realizadas em dezembro de 2025 nas bases de dados LILACS, MEDLINE e PubMed.Os estudos mostram que a combinação entre terapia hormonal e mudanças no estilo de vida reduz o risco cardiometabólico em mulheres na menopausa. Os melhores resultados ocorrem com indicação adequada, início oportuno e abordagem multiprofissional, favorecendo adesão e melhores desfechos em saúde. Assim, a combinação entre a terapia de reposição hormonal e intervenções no estilo de vida promove benefícios consistentes na redução do risco cardiometabólico em mulheres na menopausa, sobretudo quando a terapia é indicada de forma adequada e iniciada precocemente. Essa estratégia integrada mostra-se viável em contextos comunitários e reforça a importância de abordagens individualizadas e multiprofissionais para a promoção do envelhecimento saudável.
As doenças reumáticas autoimunes sistêmicas (DRAS) frequentemente apresentam manifestações neurológicas, sendo a cefaleia uma das queixas mais prevalentes e desafiadoras na prática clínica. Este estudo realizou uma revisão sistemática da literatura para analisar a correlação, a fisiopatologia e o manejo das cefaleias em pacientes com patologias reumatológicas. A metodologia baseou-se na análise de artigos publicados nos últimos dez anos em bases de dados nacionais e internacionais. Os resultados indicam que a cefaleia nestes pacientes pode ser uma manifestação direta da doença (como no Lúpus Eritematoso Sistêmico ou vasculites) ou secundária a tratamentos e comorbidades. Conclui-se que o diagnóstico diferencial é complexo e exige uma abordagem multidisciplinar, sendo fundamental distinguir cefaleias primárias daquelas que sinalizam atividade de doença sistêmica, visando a instituição de terapêutica imediata e a redução de danos neurológicos permanentes.
O presente estudo revisa a literatura científica sobre as alterações na assimetria cerebral observadas em pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem (TDL). A lateralização hemisférica é um processo neurobiológico fundamental para o processamento linguístico eficiente e a integração de informações sociais. Através de uma revisão sistemática, verificou-se que indivíduos com essas condições apresentam, frequentemente, uma redução na assimetria funcional e estrutural típica, especialmente nas regiões perissilvianas e no planum temporale. Os resultados sugerem que a organização cerebral mais simétrica, observada nestas populações, está correlacionada a déficits na fluência verbal e na capacidade de integração social. Conclui-se que a plasticidade cerebral e a neurobiologia da lateralização são campos promissores para o desenvolvimento de intervenções clínicas mais eficazes.
ABSTRACT Introduction: Artificial Intelligence (AI) has been progressively incorporated into medical education, modifying how knowledge is accessed and utilized. Objective: To analyze medical students’ perceptions regarding the use of Artificial Intelligence in the learning process. Methods: A descriptive, cross-sectional study with a mixed-methods approach was conducted with 108 medical students. Data were collected through an online structured questionnaire and analyzed using descriptive statistics and thematic content analysis. Results: Most participants (97.2%) reported using AI tools, with ChatGPT being the most frequently used (95.4%). The main applications included tutoring (84.3%), academic activities (65.7%), and basic disciplines, particularly anatomy/morphofunctional sciences (50.9%) and physiology (41.7%). Reported benefits included improved understanding of complex content (85.2%), time optimization (78.7%), and rapid access to information (63%). Concerns were identified regarding information reliability, algorithmic bias, and technological dependence. Most students (79.6%) showed a preference for hybrid learning methods. Conclusion: Artificial Intelligence is widely integrated into students’ academic routines and is perceived as a complementary tool whose use requires a critical approach.