Objetivo: Analisar as evidências científicas sobre as repercussões psiquiátricas associadas ao uso de tirzepatida em adultos com obesidade. Métodos: Revisão de escopo realizada entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, conduzida conforme as recomendações do Joanna Briggs Institute e reportada segundo o PRISMA-ScR, com protocolo previamente registrado na Open Science Framework. A pergunta norteadora foi estruturada pela estratégia PCC (População: adultos com obesidade em uso de tirzepatida; Conceito: repercussões psiquiátricas associadas ao tratamento; Contexto: uso clínico). Foram incluídos estudos completos, publicados nos últimos cinco anos, de acesso livre, em todos os idiomas, abrangendo ensaios clínicos, estudos observacionais, farmacovigilância e revisões. As buscas ocorreram nas bases PubMed, Medline, Scopus, Embase e Cochrane Library, com complementação no Google Acadêmico. A seleção e extração foram realizadas por dois revisores independentes, com síntese qualitativa dos achados. Resultados e Discussão: Doze estudos compuseram a amostra final. Ensaios clínicos indicaram eficácia consistente para perda ponderal e melhora metabólica, sem aumento robusto de ideação suicida, embora com limitação para detecção de eventos raros. Dados observacionais e de farmacovigilância revelaram baixa frequência de sintomas depressivos, ansiosos e suicidalidade, sem causalidade definida, coexistindo com relatos de melhora de bem-estar e qualidade de vida. Evidências mecanísticas sugerem possível modulação de circuitos de recompensa e processos inflamatórios, ainda sem confirmação clínica direta. Fatores como uso off-label, automedicação, produtos falsificados e alta prevalência de transtornos mentais reforçam a necessidade de triagem psiquiátrica prévia, monitorização longitudinal e fortalecimento da vigilância sanitária. Conclusão: A tirzepatida apresenta perfil global de segurança psiquiátrica favorável, porém com incertezas relacionadas a eventos raros e subgrupos vulneráveis. São necessários estudos prospectivos com desfechos psiquiátricos primários, comparações entre agonistas incretínicos e integração entre farmacovigilância, regulação e prática clínica, a fim de qualificar a avaliação de segurança mental no uso do fármaco.
A disfagia orofaríngea é frequente na população idosa e pode comprometer a segurança e a eficiência da alimentação por via oral, associando-se à desnutrição, à pneumonia, à maior utilização de serviços de saúde e à mortalidade. No domicílio, esses riscos são influenciados pela fisiopatologia da deglutição, pelas condições de saúde bucal e pela forma como as orientações profissionais são executadas no cotidiano. O objetivo desta revisão integrativa com busca estruturada foi analisar como a articulação entre assistência fonoaudiológica, cuidados odontológicos e atuação do cuidador familiar pode contribuir para a segurança da alimentação por via oral de pessoas idosas com disfagia. A busca foi atualizada em 20 de agosto de 2026 nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO e Cochrane Library, complementada por documentos oficiais brasileiros e rastreamento de referências pertinentes. O corpus final reuniu 17 publicações científicas, de 2018 a 2026, e três documentos oficiais/normativos. As evidências sustentam o papel central da Fonoaudiologia na avaliação e no manejo da deglutição; indicam associações entre condições dentárias, protéticas, salivares e de higiene bucal e aspectos da função oral; e mostram que o cuidador familiar desempenha papel operacional relevante na aplicação cotidiana do plano e na comunicação de mudanças clínicas à equipe. Conclui-se que a segurança da alimentação por via oral no domicílio depende de cuidado integrado, individualizado e reavaliado periodicamente, sem atribuir a uma única conduta a capacidade de prevenir complicações multifatoriais, como a pneumonia aspirativa.
A nutrição durante a gestação exerce influência direta sobre a saúde materna e o desenvolvimento fetal, sendo o estado nutricional pré-gestacional, o ganho de peso gestacional, os padrões de consumo alimentar e o acesso a informações nutricionais fatores determinantes para desfechos materno-infantis. Apesar da existência de recomendações específicas, a adesão às orientações nutricionais ainda representa um desafio, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. O objetivo do estudo foi avaliar o estado nutricional pré-gestacional, o ganho de peso gestacional, os padrões de consumo alimentar, a adesão às recomendações nutricionais, bem como as fontes de informação utilizadas e sua confiabilidade, entre gestantes da Baixada Fluminense. Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem quantitativa, realizado com 44 gestantes com idade igual ou superior a 19 anos, em diferentes semanas gestacionais, cujos dados foram coletados por meio de questionário estruturado online. Observou-se elevada prevalência de excesso de peso pré-gestacional e maior frequência de ganho de peso gestacional acima do recomendado. Apesar da elevada importância atribuída às recomendações nutricionais, muitas gestantes relataram dificuldades para segui-las. Profissionais de saúde foram considerados as fontes mais confiáveis de informação nutricional. Conclui-se que há necessidade de fortalecimento do acompanhamento nutricional e de estratégias de educação alimentar e nutricional adequadas à realidade socioeconômica das gestantes.
As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs) representam uma das principais causas de morbimortalidade mundial e constituem importante desafio para a saúde pública. Entre os fatores de risco modificáveis associados ao seu desenvolvimento destacam-se o sedentarismo e os hábitos alimentares inadequados. Nesse contexto, intervenções nutricionais associadas à prática regular de atividade física têm sido amplamente recomendadas para prevenção e controle dessas enfermidades. O presente estudo teve como objetivo analisar evidências científicas sobre os efeitos dessas estratégias em adultos sedentários. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura realizada por meio de buscas nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO, Biblioteca Virtual em Saúde e Google Scholar, contemplando publicações entre 2014 e 2024. Os estudos analisados demonstraram que a combinação de alimentação adequada e atividade física promove melhorias significativas no controle glicêmico, perfil lipídico, composição corporal, sensibilidade à insulina e marcadores inflamatórios. Além disso, observou-se redução do risco de desenvolvimento e progressão de doenças como diabetes mellitus tipo 2 e doenças cardiovasculares. Conclui-se que a associação entre estratégias nutricionais e prática regular de atividade física constitui ferramenta eficaz para a promoção da saúde, prevenção das DCNTs e melhoria da qualidade de vida da população adulta.
Este estudo analisa a influência da pré-eclâmpsia na mortalidade materna e sua incidência entre gestantes. Trata-se de uma revisão bibliográfica de caráter descritivo e abordagem qualitativa. A coleta de dados foi realizada no Google Acadêmico, selecionando artigos publicados em português. A análise seguiu os preceitos de Whittemore e Knafl e Webster e Watson para garantir rigor científico e organização temática. Os resultados e a discussão foram estruturados em três categorias, evidenciando que a pré-eclâmpsia é condicionada pelo desequilíbrio angiogênico e por fatores como idade avançada, obesidade e trombofilias. Os achados confirmam nexo causal com a prematuridade, restrição de crescimento intrauterino e riscos cardiovasculares futuros. No manejo clínico, ratificou-se o uso do sulfato de magnésio como padrão-ouro e a quimioprofilaxia precoce com ácido acetilsalicílico e cálcio. Todavia, a persistência da mortalidade materna no Brasil decorre de falhas na implementação de diretrizes e na lentidão regulatória para a atenção terciária, além de alarmantes disparidades raciais e iniquidades estruturais no acolhimento do Sistema Único de Saúde. Conclui-se que o enfermeiro exerce papel estratégico na vigilância epidemiológica e na detecção precoce de agravos por meio de consultas pré-natais sistemáticas e ações contínuas de educação em saúde direcionadas ao autocuidado. O fortalecimento da prática de enfermagem baseada em evidências e o enfrentamento dos nós críticos de gestão são indispensáveis para garantir a equidade na assistência obstétrica e reduzir desfechos materno-fetais adversos.