
Este artigo examina um anúncio publicitário da empresa Nissin Brasil no qual o chef Erick Jacquin, ligado à alta gastronomia e célebre por ser jurado de um programa de TV, anuncia a linha de sabores “café da manhã” do macarrão instantâneo. Tendo como corpus o vídeo publicitário e 70 comentários relacionados a ele, propomos uma análise da produção de sentidos, baseada no modelo praxiológico da comunicação, a partir das contradições identificadas no anúncio. O caso revela a contradição como ponto incontornável e combustível para o capitalismo, além de demonstrar como celebridades reforçam este cenário na era das redes sociais digitais.
Este artigo discute as transformações da publicidade contemporânea, considerando forma e conteúdo, diante das alterações nas práticas de produção para o ambiente digital. Parte-se da hipótese da desconfiguração da comunicação publicitária revelada por indícios de uma crise de criatividade. A partir de um quadro teórico-metodológico composto pelas contribuições de McLuhan, Lipovetsky, Carrascoza, Rocha, entre outros, o artigo descreve e analisa a “anti-campanha” do produto Coat Spray Tresemmé, observando como ela tensiona códigos tradicionais da linguagem publicitária. A análise aponta mudanças significativas em aspectos estéticos, discursivos e criativos da publicidade, que assegura sua eficácia disfarçando sua vocação comercial.
O texto explora a relação entre cristianismo e marxismo, a partir da trajetória de Thomas H. Guback, herdeiro e continuador da tradição de estudos da Economia Política da Comunicação, tornado padre episcopal aos 64 anos. Trata-se de um bom exemplo de “velho” que, assim como Paulo Freire e Terry Eagleton, permaneceu militante tanto com Cristo, quanto com Marx e, ademais, soube enfrentar com lucidez o “horror metafísico”.
Este artigo questiona o conceito de tecnofeudalismo e propõe o tecnocapitalismo periférico como alternativa analítica. A partir de uma perspectiva marxista articulada à Economia Política da Comunicação latino-americana, argumenta-se que o capitalismo digital não supera, mas reconfigura a lógica capitalista. Avançando em relação a Morozov (2022; 2023) e Yan (2024), o artigo integra a materialidade institucional das plataformas, o papel constitutivo da atenção e da desinformação na valorização digital e as formas específicas de dependência infraestrutural, assimetria regulatória e colonialismo de dados que marcam a inserção do Sul Global no tecnocapitalismo.
Há convergência nas avaliações do campo de que a emergência nos estudos em comunicação do que, ao se constituir como uma espécie de subcampo, se denominou como economia política da cultura e da comunicação foi tardia em relação a outras perspectivas. César Bolaño, Guillermo Mastrini e Francisco Sierra (2005, 18) traçam um quadro regional de referências de seu desenvolvimento. Assinalam que os “dois principais grupos” que lhe conferiram status disciplinar foram a “escola norte-americana” de Dallas Smythe e Herbert Schiller e — embora acreditem que não se possa falar em sentido estrito de uma escola — o grupo europeu: por um lado, os britânicos Nicholas Garnham, Peter Golding e Graham Murdock; e, por outro, os teóricos franceses Patrice Flichy, Bernard Miège e Dominique LeRoy, entre outros. Os autores acrescentam a contribuição latino-americana, embora mais heterogênea e difusa, remontando-a às análises econômicas da Cepal, passando pelos questionamentos feitos pelas teorias da dependência às perspectivas desenvolvimentistas e pela contribuição latino-americana ao debate sobre a Nova Ordem Mundial da Informação...
Este artigo analisa a publicidade como discurso de hegemonia no neoliberalismo brasileiro, sob uma abordagem teórico-crítica. Baseado em autores como Arruda, Bolaño e Gramsci, argumenta que a publicidade opera como linguagem ideológica na formação de subjetividades neoliberais. Discutem-se quatro dimensões: o consenso pelo desejo, o consumo como cidadania, a positividade que apaga o conflito e a diversidade estetizada como governamentalidade. Conclui-se que a publicidade, ao traduzir imperativos do capital em afetos e narrativas, é central na consolidação da hegemonia neoliberal, exigindo nova crítica teórica.
O objetivo deste texto é fazer uma breve apresentação da atual transição do sistema global de cultura como parte da reestruturação capitalista, mobilizando o conceito de Sohn-Rethel de economia dual de transição, em que convivem duas leis econômicas contraditórias, caracterizando a situação crítica vivida pelo sistema desde a transição do século XX.
Com base em dados setoriais, este artigo examina dois mercados mediados por plataformas com trajetórias contrastantes no Brasil. O setor de mecanismos de busca (search engine) ilustra uma fase inicial de surgimento de plataformas domésticas, seguida por rápida aquisição por grandes empresas de tecnologia estrangeiras e subsequente monopolização do mercado. Em contraste, o setor de marketplaces de varejo evoluiu para o domínio de plataformas mais diversificado do país, caracterizado por intensa competição entre empresas internacionais e nacionais, bem como por iniciativas emergentes voltadas para o desenvolvimento de uma plataforma pública de varejo.
Entrevista com Alfredo Saad-Filho: A aliança entre finanças, tecnologia e militarização moldam a nova fase autoritária do neoliberalismo
O dia 31 de outubro de 2025 faleceu na França Armand Mattelart, aos 89 anos. Nascido na Bélgica em 1936, estudou direito e demografia antes de se radicar no Chile em 1962, onde assessorou o governo Allende. Após o golpe de Estado de 1973, foi exilado na França com sua família. Em sua vasta obra, muitas vezes junto com Michèle Mattelart, analisou os vínculos entre comunicação, economia e hegemonia global. Também investigou os imaginários sobre a comunicação e o papel das tecnologias no controle social. Foi um intelectual comprometido, ativo na esfera pública e próximo dos movimentos culturais emergentes.
El artículo analiza la hegemonía digital de Estados Unidos como un modelo estructural de poder que articula infraestructura tecnológica, regulación estatal y capital financiero. Desde la economía política de la comunicación, revisa políticas, procesos históricos y dinámicas de mercado que consolidaron el capitalismo de plataformas. Examina la privatización de infraestructuras, la expansión global de las grandes tecnológicas y los cambios en regulación y competencia. Sostiene que la crisis actual no implica colapso, sino reconfiguración del liderazgo. Propone una reconstrucción democrática del ecosistema digital: limitar la extracción masiva de datos, fortalecer la soberanía tecnológica y promover la justicia informacional.
A questão da economia digital retoma um debate central sobre o papel do Estado e do planejamento na condução do desenvolvimento econômico em setores estratégicos, o que envolve a regulação das plataformas digitais. Nosso trabalho objetiva analisar políticas de desenvolvimento da República Popular da China (RPC), tendo em vista o papel do Estado na regulação das plataformas como garantia da soberania digital. O texto analisa o desenvolvimento da China, a partir da leitura dos Planos Quinquenais 13º (2016-2020) e 14º (2021-2025), e abordará a regulação pertinente. O trabalho se baseará em fontes bibliográficas, documentos governamentais e análise da legislação pertinente.
O objetivo desse trabalho é triplo: (i) A partir dos trabalhos de Foucault (1979), trata-se de fornecer uma definição epistemológica do neoliberalismo, na sua versão hayekiana. (ii) Pretendo estudar as características dessa economia dos dados e mostrar como as estratégias das Big Techs correspondem exatamente à implementação das medidas preconizadas pelo neoliberalismo. (iii) Finalmente, mostrarei porquê essa onda neoliberal ameaça diretamente os fundamentos das democracias.
Drawing on sectoral data, this article examines two platform-mediated markets with contrasting trajectories in Brazil. The search engine sector illustrates an early phase of domestic platform emergence followed by rapid acquisition by large foreign technology companies and subsequent market monopolization. In contrast, the retail marketplace sector has evolved into the most diversified platform domain in the country, characterized by intense competition between international and domestic firms, as well as emerging initiatives aimed at developing a public retail platform.
The objective of this text is to make a brief presentation of the current transition of the global system of culture as part of capitalist restructuring, mobilizing the Sohn-Rethel concept of dual transition economy, in which two contradictory economic laws coexist, characterizing the critical situation experienced by the system since the transition of the twentieth century
This article questions the concept of techno-feudalism and proposes peripheral technocapitalism as an analytical alternative. Drawing on a Marxist perspective articulated with Latin American Political Economy of Communication, it argues that digital capitalism reconfigures rather than transcends capitalist logic. Advancing beyond Morozov (2022; 2023) and Yan (2024), the article integrates the institutional materiality of platforms, the constitutive role of attention and disinformation in digital valorization, and the specific forms of infrastructural dependency, regulatory asymmetry, and data colonialism shaping the Global South's insertion into technocapitalism.
The text explores the relationship between Christianity and Marxism, based on the work of Thomas H. Guback, heir and continuer of the tradition of Political Economy of Communicationsstudies, who became an Episcopal father at the age of 64. This is a good example of a "velho" who, like Paulo Freire and Terry Eagleton, remains militant both with Christ and with Marx and, furthermore, was able to confront with lucidity theor "metaphysical horror."
The issue of the digital economy reignites a central debate about the role of the State and planning in guiding economic development in strategic sectors, and in regulating digital platforms. Our work aims to present some of China's (PRC) development policies in the pursuit of the transition to a digital economy, and the role of the State in regulating platforms as a way of implementing digital sovereignty. The text will provide brief notes on China's development, based on a reading of the 13th (2016-2020) and 14th (2021-2025) Five-Year Plans, and regulations, including cybersecurity laws. The work will be based on bibliographic sources, government documents, and relevant legislation.
The article analyzes U.S. digital hegemony as a structural power model linking technological infrastructure, state regulation, and financial capital. Using a political economy of communication approach, it reviews policies, historical processes, and market dynamics that consolidated platform capitalism. It examines infrastructure privatization, the global expansion of tech firms, and shifting forms of regulation and competition. The paper argues that the current crisis signals reconfiguration rather than collapse. It advocates a democratic reconstruction of the digital ecosystem: limiting mass data extraction, strengthening technological sovereignty, and promoting informational justice.