
RESUMO Perifobia é uma coletânea de contos da escritora paulistana Lilia Guerra, relançada em 2025. Nesta resenha, busca-se apontar como ela toma a periferia como centro de sua escrita e apresenta histórias que desafiam estereótipos raciais e desvelam vidas fascinantes, pondo em cena personagens que se reinventam em face da violência e da pobreza, filiando-a ao projeto político e ético de Carolina Maria de Jesus em Quarto de despejo, publicado em 1960.
RESUMO Apresenta-se aqui um documento colonial, intitulado “Directorio manual”, do acervo do Arquivo do IEB, que trata da escravização de indígenas na Amazônia setecentista. Escrito, provavelmente, por um jesuíta, aborda a espinhosa questão dos exames de cativeiros. A sociedade colonial amazônica era fundamentalmente baseada na escravização indígena. Nesse contexto, a inquirição sobre a legalidade dos mecanismos de escravização era uma questão recorrente. O documento revela a circularidade e a relação entre as doutrinas jurídicas e as práticas locais.
RESUMO Característica sempre realçada da escrita de Machado de Assis é a ambiguidade. Esta proposta busca reconhecer essa marca na materialidade textual do capítulo “O verdadeiro Cotrim” das Memórias póstumas de Brás Cubas, em que se pode apontar tensão entre as instâncias da enunciação e da narração. A ambiguidade machadiana configura uma forma narrativa que se ajusta às contradições da sociedade brasileira, controlada pelo tráfico e pela escravidão.
RESUMO Fala proferida por ocasião da homenagem feita pelo Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo ao artista Tom Zé pelo conjunto da obra e contribuição para a cultura brasileira. A cerimônia aconteceu no dia 24 de junho de 2025, no Auditório István Jancsó, na Cidade Universitária, campus do Butantã.
RESUMO Fala proferida por ocasião da homenagem feita pelo Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo ao artista Tom Zé pelo conjunto da obra e contribuição para a cultura brasileira. A cerimônia aconteceu no dia 24 de junho de 2025, no Auditório István Jancsó, na Cidade Universitária, campus do Butantã.
A obra Correspondência inédita e anotada – Alberto de Serpa – João Cabral de Melo Neto – O cavalo de todas as cores, organizada por Solange Fiuza e Arnaldo Saraiva, foi publicada no ano de 2025 com o timbre da Ateliê Editorial e nos apresenta a correspondência oficial entre dois escritores, o brasileiro João Cabral de Melo Neto (1920-1999) e o português Alberto de Serpa (1906-1992), É sobre esse volume, contemplando os ensaios assinados pelos organizadores e as cartas transcritas na edição, que versa a resenha.
RESUMO O presente ensaio examina a prática de conservação e restauro no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB/USP) a partir da comparação entre três tipologias de acervo em papel - documentos do Arquivo, obras sobre papel da Coleção de Artes Visuais e livros da Biblioteca - que compartilham a mesma materialidade, mas operam sob estatutos distintos. A partir de uma perspectiva ética, o texto discute como valores, riscos e princípios orientam as decisões técnicas e as políticas de cuidado. Três vinhetas revelam diferentes abordagens entre prevenção, conservação e restauração, ressaltando o papel do tempo como coautor: intervir é editar sua passagem sem silenciar a voz material do objeto.
Fala proferida por ocasião da homenagem feita pelo Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo ao artista Tom Zé pelo conjunto da obra e contribuição para a cultura brasileira. A cerimônia aconteceu no dia 24 de junho de 2025, no Auditório István Jancsó, na Cidade Universitária, campus do Butantã.
RESUMO Este artigo investiga a relação entre arte e ativismo feminista no início do século XX por meio das trajetórias de Regina Veiga (Brasil) e Laura Rodig (Chile), participantes dos movimentos sufragistas. Busca-se compreender a produção iconográfica sufragista do período, suas características, dimensões políticas e posição nas artes, analisando como essas artistas conciliavam sua carreira e militância. Com o apoio de conceitos de Howard Becker, Pierre Bourdieu, Aracy Amaral e Griselda Pollock, conclui-se que o engajamento político não rompeu a autonomia artística, mas exigiu mediação; a iconografia feminista envolveu ampla rede de ativistas, buscando criar uma identidade visual que persuadisse o público dos ideais emancipacionistas.
O artigo sintetiza duas dissertações sobre Tom Zé defendidas no Programa de Pós-Graduação em Culturas e Identidades Brasileiras do IEB/USP: Três ensaios sobre a Tropicália de Tom Zé: da “Era dos Festivais” à “Era dos Editais”, de autoria de Patrícia Anette Schroeder Gonçalves; e “Batiza esse neném”: mercado, MPB, samba e processo social em Estudando o samba, de Tom Zé, de autoria de Leilor Miranda Soares. Nas duas sínteses, são discutidas questões como a relação de Tom Zé com a Tropicália, alguns de seus recursos composicionais e performáticos e o lugar que o artista ocupou, ao longo do tempo, no mercado hegemônico.
Speech delivered on the occasion of the tribute organized by the Institute of Brazilian Studies at the University of São Paulo in honor of the artist Tom Zé, in recognition of his body of work and his contribution to Brazilian culture. The ceremony was held on June 24, 2025, at the István Jancsó Auditorium, University City, Butantã campus.
O artigo analisa a obra e as reflexões de Luiz Sacilotto entre 1950 e 1970 a partir de três itens pouco conhecidos localizados em seu ateliê em Santo André: um anúncio publicitário que o tinha como garoto-propaganda; uma página da revista Acrópole sobre o projeto do edifício Mainumbi em São Vicente; e uma entrevista concedida pelo artista ao Museu Lasar Segall em 1977. Tais elementos abrem possibilidades para discutir sua produção não somente ligada ao histórico grupo Ruptura, mas acerca de outras atuações no ambiente urbano e na arte contemporânea. O estudo visa contribuir para a historiografia da arte concreta no Brasil por meio de novas leituras sobre o trabalho de um artista central para o debate concretista.
Reunião de escritos ficcionais de Nione Claudino, compondo painel temático de sua produção literária recente. Formada em Letras pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, a autora apresentou, durante seu mestrado na Middlesex University de Londres, sob a orientação de Jonathan Kemp, o processo de criação de seu primeiro romance. Em 2023, com “A vendedora de café”, foi vencedora do concurso Purorrelato, organizado pela Casa África, das Ilhas Canárias. Foi finalista do Prêmio Off Flip de Literatura na categoria Contos e participou pela primeira vez da coletânea Nós: textos de autoria feminina (2023). Além de Nós 2 (2024), participou da coletânea Tchê! (2025c) e teve seu miniconto “Ideal” publicado na Revista Tinta Azul (2024). Em seguida ocorreu a terceira participação na antologia Nós 3, com um conto e uma crônica (2025a; 2025c). Atualmente, vive em Marselha, França, dedicando-se à pesquisa literária enquanto finaliza seu primeiro romance.
O Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo lançou, em novembro de 2024, a Coleção Digital “Manuel Correia de Andrade: divulgador científico”. Trata-se de conjunto de textos, colunas de jornais impressos, de autoria de Andrade, que ressalta o seu papel de difusor científico, exercendo o compartilhamento do conhecimento produzido no âmbito acadêmico com a sociedade em geral. O artigo propõe analisar alguns dos conteúdos dos textos expostos na referida Coleção Digital e apontar os elementos de descolonialidade nesses documentos e nas reflexões do intelectual.
O artigo analisa as estratégias de exibição de vestuário em museus de Blumenau com o intuito de compreender o discurso proposto em relação à roupa exposta. O objetivo é investigar como as peças são apresentadas, seu significado retórico e sua contribuição para a narrativa histórica da cidade. O estudo, de abordagem qualitativa, teve como base pesquisa bibliográfica e de campo, observação e registros fotográficos, apresentando uma análise comparativa entre os museus. Concluímos que as exposições proporcionam o reconhecimento de categorias temáticas nos trajes e a identificação de personagens importantes para a história da cidade.
RESUMO O artigo apresenta uma análise do poema “Noite morta”, de Manuel Bandeira, de O ritmo dissoluto (1924). A análise busca demonstrar, considerando a especificidade estética do texto, o caráter desfetichizador do poema de Bandeira, tomando por base conceitos lukacsianos como “vivência receptiva” e “catarse”. A hipótese central é a de que o poema apresenta ao leitor um percurso que vai da singularidade da situação cotidiana à genericidade humana através da constituição de um sistema de ambivalências que remete o poema à tendência desfetichizadora da arte.
RESUMO Aos 76 anos, o ex-combatente Marcos Evangelista da Costa Villela Júnior escreveu uma “pequena história” na qual rememora, como testemunha ocular, a guerra de Canudos (1896-1897), na Bahia. A releitura desse documento possibilita a compreensão de um fato central na formação do Brasil como república e revela a formação de um campo de saberes subalternos que desafia as versões hegemônicas da guerra. A leitura comparativa de obras consagradas sobre Canudos propõe repensar a ligação entre oralidade e escrita a partir de noções como a “retórica da sinceridade”, em que o testemunho se combina com a narrativa e referências cultas de acordo com o nível de alfabetização do autor. Disso se deduz que se trata de uma pequena história que produz grandes efeitos, pois as estratégias de legitimação acabam por subverter a ordem da historiografia oficial e convertem o soldado republicano em um herói sertanejo.