
Este artigo analisa como burocratas de nível de rua categorizam usuários de um serviço de acolhimento institucional para pessoas em situação de rua, bem como os potenciais efeitos materiais e simbólicos do uso dessas categorias. Os dados foram coletados a partir de entrevistas semiestruturadas com burocratas de nível de rua. Observou-se que as trabalhadoras, influenciadas por condições de trabalho adversas, criam duas categorias informais baseadas em julgamentos sobre os comportamentos, as características socioculturais e a trajetória de vida nas ruas dos usuários, sendo elas: a categoria dos usuários “organizados” e a dos “desorganizados”. Essas categorias influenciam os encaminhamentos realizados pelas técnicas, de forma que os usuários “organizados” são priorizados por serem considerados “merecedores” e com maiores “chances de sucesso”.
O artigo tem por objetivo mapear - de forma panorâmica e não exaustiva - os movimentos sociais e coletivos atuantes em Belo Horizonte que remetem à perspectiva de direito à cidade, analisando suas pautas e repertórios de ação coletiva nas duas primeiras décadas do século XXI, marcadas por insurgências e ativismos. Como lastro teórico, discute-se o conceito polissêmico de direito à cidade, estabelecendo um diálogo com a noção de interseccionalidade, em uma chave mais ampla que considera a dimensão socioespacial. A metodologia empregada, de natureza qualitativa e cunho exploratório, apoia-se em revisões bibliográficas e levantamentos documentais. O trabalho aponta para a ampliação e reconfiguração do tecido movimentalista, identificando uma pluralidade de atores coletivos despontam em cena, de novos atores a outros que se reorganizam: as insurgências e movimentos culturais; os movimentos e coletivos associados às novas ocupações urbanas; voltados para questões ambientais e urbanas; de gênero, diversidade, raça e interseccionalidade. Os movimentos e coletivos recorrem aos diversos repertórios de ação, com proeminência de formas de ação direta; desafiam e resistem às diversas formas de opressão e ao modo de gestão da cidade pautado no empresariamento urbano; ressignificam o cotidiano e os espaços públicos, desvelando múltiplas matizes do direito à cidade.
Discute-se no artigo a conjuntura social, política e econômica que o Brasil vivenciou de agudização da pobreza; desfinanciamento das políticas sociais; e agravamento da violência e do desemprego, sob a gestão do governo ultraneoliberal de Bolsonaro, agravada pelo contexto de crise sanitária da pandemia de Covid-19 e enfrentamento das expressões da questão social, particularmente pela Política de Assistência Social. Tem-se como objetivo analisar a regulamentação e a concessão dos Benefícios Eventuais nos municípios que compõem a Região Geográfica Imediata Cuité-Nova Floresta (PB), no período 2018 a 2022. Utilizamos o método crítico dialético, pois possibilitou reflexões importantes sobre o objeto de estudo na perspectiva de totalidade, contradição e historicidade. Como procedimentos metodológicos, realizamos uma pesquisa bibliográfica e documental. A pesquisa documental contemplou os Relatórios Mensais de Atendimentos dos Centros de Referencias de assistência Social (CRAS), As Leis Orçamentarias Anuais (LOA) e os Quadros Demonstrativos de Despesas (QDD), constantes nos portais de Transparência dos municípios contemplados na pesquisa. A Pesquisa indicou o crescimento dos atendimentos realizados nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), particularmente os relativos à demanda de concessão do Benefício Eventual na região, refletindo o recrudescimento das expressões da questão social.
O texto aborda estratégias feministas de enfrentamentos à violência contra as mulheres no contexto universitário, protagonizadas por estudantes do curso de Serviço Social. Esta pesquisa é de cunho bibliográfico, documental e de campo, com realização de grupo focal. Em relação ao método, adotou-se o materialismo histórico-dialético, fundamentado no feminismo marxista. A partir dos dados coletados, conclui-se que a presença de coletivos feministas na comunidade acadêmica tem impulsionado o debate acerca da violência contra as mulheres. Reitera-se, assim, a relevância do debate feminista como estratégia de enfrentamento à violência contra as mulheres, tanto na formação em Serviço Social quanto na militância estudantil.
As discussões sobre território são indispensáveis para políticas sociais equitativas e emancipatórias na atualidade, sendo imprescindível a análise deste elemento enquanto sujeito vivo circunscrito na dinâmica social. A presente pesquisa dá enfoque a esse ponto do trabalho em políticas sociais, voltando-se para equipamentos públicos que atuam essencialmente em base territorial, neste caso os da atenção básica em saúde e proteção básica da política de assistência social, entendendo que esses equipamentos utilizam o território para ampliar o acesso aos direitos sociais, portanto devem contemplar as suas especificidades em seu engodo, agindo de forma articulada e intersetorial para promover o atendimento integral aos sujeitos. Como objetivo, elencou-se analisar a territorialização dos equipamentos públicos das políticas de saúde e assistência social no município de Ponta Grossa. Para tanto, realizou-se uma pesquisa descritiva e exploratória, a fim de conhecer as perspectivas sobre o fenômeno e delineá-lo, bem como utilizou- se geotecnologias para mapear a organização territorial das políticas de assistência e saúde no município de Ponta Grossa e analisar a convergência territorial das mesmas. Enquanto resultados demonstrou-se a interterritorialidade dos equipamentos destas políticas, seu potencial bem como sua relevância para o trabalho intersetorial.