
Esta pesquisa teve como objetivo mapear e analisar a produção científica brasileira que discute as relações entre a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a Educação Física no Ensino Fundamental, no período de 2017 a 2025. Trata-se de uma revisão sistemática do tipo integrativa, fundamentada no modelo PVO (Problema, Variável, Objetivo), com levantamento realizado nas bases SciELO e Portal de Periódicos da CAPES. Foram selecionados quinze artigos que abordam diretamente a temática. Os resultados revelam que, embora a BNCC reconheça formalmente a diversidade das práticas corporais, submete a Educação Física a uma lógica tecnicista e padronizadora, influenciada por interesses externos à escola. A análise evidenciou contradições, fragilidades conceituais e disputas político-pedagógicas, apontando para a necessidade de uma leitura crítica do documento, orientada por princípios emancipatórios e pela valorização da autonomia docente.
Este artigo busca, com base em estudos sobre os campos de experiência presentes na abordagem italiana de educação da criança pequena, propor o corpo como precursor da experiência no contexto da Educação Infantil. Para tanto, foram analisados documentos normativos italianos publicados entre 1968 e 2012, especialmente no que se refere aos campos de experiência. Parte-se do princípio de que a criança estabelece suas primeiras relações com o mundo corporalmente e de que as experiências vividas em movimento constituem sua corporalidade. Assim, o corpo configura-se como mediador das relações da criança com a cultura e com o meio, tornando-se a via pela qual as experiências são produzidas e significadas.
O objetivo do estudo foi verificar as estratégias adotadas por professores para ensinar para crianças o movimento das pernas no nado peito (pernada). Para isso, foram realizadas entrevistas com três professoras de natação. Os métodos utilizados foram analítico, misto e global, com predomínio de ensino por comando. As estratégias envolveram o uso de materiais, feedbacks, educativos e atividades lúdicas. Alguns erros comuns foram: pernada com flexão plantar e flexão exagerada do quadril. Duas professoras afirmaram que a pernada do peito é difícil de ensinar e a outra professora destacou a importância de ter paciência no ensino. Conhecer os métodos, estilos e possibilidades de estratégias de ensino é fundamental para uma intervenção pedagógica mais eficiente.
A Lei Brasileira de Inclusão torna dever do Estado promover o paradesporto por meio de políticas públicas. Assim, o objetivo deste estudo foi analisar as principais potencialidades e limitações da política pública de esporte do Paraná em relação ao desenvolvimento do paradesporto. A pesquisa, de abordagem qualitativa, empregou como instrumentos: roteiro de entrevista semiestruturado, análise documental e análise de conteúdo de Bardin (2011). Identificaram-se oito programas e projetos, além de quatro dimensões potencializadoras e cinco dimensões limitadoras. Por fim, as instituições analisadas demonstram a busca pelo desenvolvimento do paradesporto no Paraná. Entretanto, a atenuação dos limitadores depende de ações síncronas entre as secretarias municipais e a estadual.
Este estudo visa a analisar a distribuição e a oferta de vagas para o Profissional de Educação Física (PEF) nos Programas de Residência Multiprofissional em Saúde Mental (PRMSM) do Nordeste do Brasil. Tratase de uma pesquisa descritiva e documental. A coleta dos dados ocorreu em editais de seleção, nos ambientes virtuais de instituições públicas federais, estaduais e municipais da região Nordeste, entre outubro de 2024 e janeiro de 2025. Foram identificados sete PRMSM que ofertam 22 vagas, na maioria ao PEF bacharelado, distribuídos em quatro estados (Ceará, Pernambuco, Paraíba e Sergipe). Nota-se pouca oferta de vagas para o PEF em comparação com outras categorias profissionais, visto que a maioria dos PRMSM direciona a formação para atenção especializada e hospitalar.
O objetivo da pesquisa foi analisar as representações sociais construídas por participantes do projeto esportivo de inclusão social “Handebol, Inclusão e Cidadania”, com base nas experiências vividas antes, durante e após a participação. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, realizada por meio de entrevistas semiestruturadas com oito participantes, analisadas pelo método do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC). Os resultados indicaram repertório restrito de vivências esportivas antes do projeto e praticamente nenhum contato com o handebol. Durante a participação, destacaram-se os vínculos de amizade e a relação afetiva com os/as professores/as. Após o término, revelaram-se o desejo, as tentativas e as dificuldades de manutenção do vínculo com o handebol, bem como o impacto do projeto em outros aspectos da vida dos participantes.
As Danças de Salão, além de sua dimensão estética e artística, integram práticas de promoção da saúde, especialmente quando compreendidas sob a perspectiva da saúde ampliada. Nesse sentido, este estudo teve como objetivo compreender as motivações para a prática dessas danças e suas inter-relações com o conceito ampliado de saúde. Para tanto, utilizou-se metodologia qualitativa descritiva, com entrevistas semiestruturadas realizadas com praticantes de Danças de Salão em espaços públicos e privados de Pelotas-RS. A análise dos dados revelou motivações como melhora de equilíbrio e de coordenação motora, além de prazer, socialização, autoaceitação e estímulo à prática de outras atividades físicas. As Danças de Salão mostraram-se potentes experiências de cuidado e vivência em saúde, promovendo autonomia e bem-estar integral.
Buscou-se analisar os fatores que influenciam a participação de alunas nas aulas de Educação Física. Foi aplicado um questionário a setenta estudantes dos anos finais do ensino fundamental de duas escolas públicas do município de Campos Sales/CE. A análise quantitativa e descritiva revelou que as barreiras são de ordem cultural, social e familiar, refletindo estereótipos de gênero historicamente construídos. Essa dinâmica se materializa quando 81,5% relataram preconceito familiar quanto à sua inserção em práticas corporais e 53,7% relataram que a família não incentiva a vivência de práticas corporais. A Educação Física escolar, quando pautada em práticas coeducativas e diversificadas, pode atuar como espaço estratégico de enfrentamento às desigualdades de gênero.
Analisaram-se os desafios e as perspectivas de professores de Educação Física ao ensinar as Práticas Corporais de Aventura nos anos finais do ensino fundamental. Para tanto, utilizou-se o método qualitativo descritivo, com entrevistas semiestruturadas com seis docentes de dois colégios estaduais de Maringá-PR. Os professores buscam integrar essas práticas por favorecerem ações interdisciplinares e o desenvolvimento integral do estudante. Contudo, esses profissionais enfrentam dificuldades ligadas ao risco controlado, indisciplina e limitado conhecimento específico. Para superá-las, aponta-se o uso de materiais alternativos, de recursos tecnológicos e de participação ativa dos estudantes. Conclui-se que o conteúdo, distinto do convencional, contribui para aspectos motores, emocionais e sociais.
A pesquisa teve como objetivo analisar de que forma a aplicação do Modelo de Responsabilidade Pessoal e Social (TPSR) pode impactar no comportamento nas aulas de Educação Física nos anos iniciais. Foram realizadas intervenções pedagógicas com o intuito de verificar o nível de responsabilidade e habilidade para a vida conforme a estrutura diária do programa do TPSR. A coleta de dados foi efetuada por meio de um questionário pré e pós-intervenção pedagógica e direcionado para os tópicos sobre conflito, autonomia e habilidade. Os resultados indicaram que, entre os parâmetros avaliados, a variável relacionada à autonomia apresentou alteração significativa, enquanto os demais itens analisados não demonstraram mudanças estatisticamente relevantes.
Este texto tem como objetivo apresentar um relato de experiência sobre o trato didático-pedagógico do tema saúde nas aulas de Educação Física em uma turma de 1º ano do Ensino Médio de uma escola pública da rede estadual de Goiás. São alçadas reflexões sobre a temática, visando desenvolver e ampliar o pensamento crítico sobre o tema, rompendo com os paradigmas hegemônicos construídos historicamente. Para isso, apresentamos uma sequência didática composta por oito aulas tomando por base o objeto de conhecimento ginástica e analisa mos os indícios de aprendizagem com base nas tarefas desenvolvidas pelos alunos. Apontamos, ao final, a necessidade de avançar na organização didático-pedagógica para superar a relação causal entre atividade física e saúde.
Este texto trata da problemática da Formação de Professores de Educação Física. O objetivo foi analisar as teses de doutorado defendidas no PGEDU/UFBA entre os anos de 2005 e 2022 e apresentar uma síntese do grau de desenvolvimento do conhecimento sobre o princípio da sólida formação teórica defendido pela ANFOPE. Analisamos, baseado no materialismo histórico dialético, nove teses defendidas na UFBA, instituição com o maior número de produções sobre essa temática no país. Recuperamos a lógica destes estudos e a dinâmica do real que eles expressam. Os estudos convergem na constatação da fragmentação e negação do conhecimento na formação inicial e apresentam elementos teórico-metodológicos para a formação em um curso único de Licenciatura Ampliada em Educação Física.
O objetivo deste ensaio é realizar uma análise sobre a construção curricular dos cursos de Educação Física da ESEFID/UFRGS frente à Resolução 06/2018, refletindo a respeito dos efeitos nas formações em curso. Foram considerados estudos sobre reformulações anteriores e documentos que embasaram a construção curricular vigente, além do Projeto Pedagógico dos cursos, à luz das teorizações pós-críticas sobre currículo. O texto destaca desafios como o equilíbrio entre demandas de mercado e formação crítica, a valorização do bacharelado em detrimento da licenciatura, a ausência de debates sobre marcadores sociais no bacharelado e as dificuldades dos estudantes na Etapa de Formação Comum.
O artigo objetivou mapear e analisar como as Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Graduação em Educação Física (DCNEF) foram abordadas pela literatura acadêmica produzida no contexto dos Programas de Pós-Graduação brasileiros. Metodologicamente, compreende uma revisão de literatura do tipo integrativa, baseada em teses e dissertações, publicadas no período de 2019 a 2024 e disponibilizadas na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações e no Portal de Periódicos da CAPES. Os resultados apontam as DCNEF como convergentes com as reformas neoliberais da educação, inclinadas a atender às demandas imediatas do capital, seja pela concepção de formação humana flexível ao mercado, seja pela ampliação de nichos de serviços educacionais.
O presente ensaio expõe uma reflexão, realizada a partir do método materialista histórico-dialético, sobre o recuo da teoria na formação de professores de Educação Física. Defende que as diretrizes curriculares nacionais, bem como a produção do conhecimento na área, apresentam regularidades que permitem afirmar a objetivação da negação do conhecimento e a consequente expansão do pragmatismo, do espontaneísmo e do reducionismo científico. Ao final, expõe perspectivas de resistência considerando como referência o desenvolvimento de uma formação para a transição edificada sob a unidade entre o pedagógico e o político.
Analisa a experiência de elaboração e aplicação de um Plano Geral de Treinamento Físico no Colégio Militar do Rio de Janeiro, em 1948. Para isso, assume o conceito de cultura escolar como categoria de análise e seleciona como fontes as publicações da Revista de Educação Física, os decretos que regulamentavam o ensino no Exército e no Colégio Militar e as edições da revista A Aspiração. Como referencial teórico e metodológico, recorre aos pressupostos do paradigma indiciário de Ginzburg (1989), da crítica-documental de Bloch (2001) e da análise dos impressos de Chartier (2002). Sinaliza indícios de uma prática escolar híbrida, fruto da mestiçagem do Manual C-21-20 e do novo paradigma difundido pela Divisão de Educação Física do Ministério da Educação e Saúde.
No currículo suscitam tensionamentos de modo que as disciplinas que o compõem tendem entre o universal e o relativo. Desse modo, o artigo tem como objetivo identificar tendências da formação superior em Educação Física no processo de adequação das Universidades Federais a Resolução CNE/CES nº 6, de 2018. Para tanto, foi realizada uma pesquisa documental no currículo das instituições que oferta o curso de Educação Física nas modalidades de licenciatura e bacharelado por meio da análise de suas disciplinas. Como resultado, observou-se que não há unidade entre os currículos das instituições; as disciplinas apresentam certa pluralidade, mesmo entre universidades da mesma região; não há consenso sobre certos conhecimentos universais, imprescindíveis para a formação do professor.
Este estudo analisou os processos de subjetivação profissional de estudantes de Educação Física da UNEB/Campus XII, pertencentes à primeira turma em formação sob o currículo resultante da reformulação orientada pela Resolução CNE/CES nº 06/2018. A partir de um procedimento narrativo coletivo, os enunciados discentes fizeram emergir três principais forças subjetivadoras: as docências formadoras, um desenho curricular comum-dividido e as articulações entre o mundo do trabalho e os imaginários da(s) profissão(ões). As ressonâncias evidenciadas indicam que as polarizações que atravessam as experiências dos estudantes estão mais associadas às próprias dicotomias da Educação Física, ressignificadas pelas ações micropolíticas no dispositivo curricular, do que às diretrizes.
O artigo analisa as contribuições teórico-metodológicas de um Festival de Dança a partir de uma unidade de ensino de Educação Física. A pesquisa partiu de uma abordagem qualitativa, tendo na hermenêutica-dialética sua ancoragem, na qual participaram 11 turmas do Ensino Médio e o professor de uma escola técnica pública do estado de Pernambuco. Os registros se deram a partir de uma entrevista semiestruturada; e, para análise, tomou-se como referência a análise de conteúdo categorial temática. O estudo revela que as contribuições teórico metodológicas desse Festival partiram da ação docente em que o conteúdo foi sistematizado e a práxis pedagógica foi condição basilar.
O artigo analisa a trajetória e os desafios da formação profissional em Educação Física, com ênfase na experiência da Universidade Estadual de Goiás na implantação da dupla formação (licenciatura e bacharelado integrados). Fundamentado no Materialismo Histórico-Dialético, critica a fragmentação da formação e a hegemonia do setor privado e de conselhos profissionais. Sustenta a docência como central à formação em Educação Física e denuncia os retrocessos promovidos por diretrizes recentes. A defesa da formação integrada é apresentada como resistência à lógica capitalista e também como estratégia de qualificação e ampliação da intervenção profissional em diferentes campos.