
O texto propõe uma investigação heurística do espaço vivido, conduzida a quatro mãos em diálogo entre as obras "Futuro Ancestral", de Ailton Krenak, e "Do que eu falo quando falo de corrida", de Haruki Murakami. Na investigação, dois pesquisadores, uma corredora e um caminhante, tomam suas próprias vivências corporais como núcleo gerador de conhecimento, com o objetivo de investigar como diferentes modos de percorrer a cidade produzem relações distintas com o espaço urbano, e como essas relações iluminam, tensionam e problematizam as obras filosófica e literária de Krenak e Murakami. A partir da perspectiva da psicologia ambiental e da geografia humanista, o estudo busca compreender como o espaço vivido é construído por meio das experiências sensíveis e simbólicas de cada um. A abordagem heurística incorpora os relatos pessoais dos dois pesquisadores como vozes complementares de uma mesma busca interna. Krenak entende o rio como um ser e parte de sua família; Murakami, enquanto corre, sente-se parte do ambiente urbano. O estudo entende que o espaço vivido não é neutro, mas construído simbolicamente a partir de percepções, e que os modos de percorrer a cidade revelam dimensões distintas da experiência espacial, moduladas pelo gênero, pelo ritmo e pelo regime de atenção ao ambiente.
Pretende-se com este trabalho investigar a relação entre o campo da Indústria Cultural, o trabalho, a alienação, a estética e a padronização dos sujeitos, na interface com a profissão de influenciador digital. Assim, podemos dizer que o desenvolvimento científico, a racionalidade administrada e a razão subjetiva mergulharam a sociedade em uma crise sem precedentes. Neste sentido, as grandes narrativas caíram por terra e o projeto iluminista começava a ser questionado, pois a civilização caminhava rumo à barbárie e não para a emancipação. A Revolução Francesa e a Revolução Industrial jamais libertaram os homens de sua ignorância; apenas trouxeram como resultado a ilusão do conhecimento racional, que fortaleceu o embrutecimento dos indivíduos em seu processo de desenvolvimento social, político e econômico. Todos esses acontecimentos alteraram de modo significativo o processo de consciência dos sujeitos, no qual os mecanismos ideológicos de dominação dos indivíduos, como a Indústria Cultural, a pseudoformação, a modelagem e a figura do influenciador digital do Instagram, fortaleceram as representações sociais na deformação e modelagem dos sujeitos por meio de comportamentos submissos e alienados.
Este manuscrito teve como objetivo identificar e analisar as representações sociais de estudantes de educação física em formação inicial sobre as lutas. Utilizou-se o Teste de Associação Livre de Palavras como procedimento metodológico, aplicado a 39 estudantes. A análise dos dados foi realizada por meio das técnicas de análise prototípica e de similitude, com apoio do software IRAMUTEC. Os resultados apontaram que "Disciplina" e "Defesa" são os elementos mais relevantes do Núcleo Central das representações sociais do grupo, enquanto "Força" também aparece como um componente central. Assim, as lutas são representadas socialmente pelos estudantes a partir da ideia de disciplina e defesa. Conclui-se que, embora as lutas estejam presentes na formação inicial, os estudantes ainda não compartilham de uma compreensão que as considere como possibilidade de intervenção pedagógica, revelando a ausência de um pensamento social consolidado que reconheça as lutas como conteúdo educativo.
O presente trabalho objetivou analisar a compreensões, visões institucionais e perspectivas dos programas brasileiros de suporte à carreira esportiva. Foram investigadas as iniciativas do Programa Excelência para a Vida (Ministério do Esporte), Programa de Carreira do Atleta – PCA Transição (Comitê Olímpico do Brasil) e Programa Atleta Cidadão (Comitê Paralímpico Brasileiro). A metodologia adotada foi qualitativa, descritiva e exploratória, utilizando análise documental dos editais e entrevistas semiestruturadas com os coordenadores. Os resultados evidenciaram a importância de políticas para a formação continuada e o encerramento digno da carreira. A investigação revelou que a transição é um processo complexo marcado por desafios biopsicossociais. A dupla carreira, sendo a conciliação entre esporte e compromissos educacionais ou profissionais, é considerada um tópico emergente. Concluiu-se que o suporte ao atleta deve ser um investimento estratégico desde fases iniciais, sendo fundamental a colaboração interinstitucional para o fortalecimento de uma política nacional de apoio.
Ao problematizar as relações étnico-raciais estamos tratando das desigualdades sociais historicamente presentes em nossa sociedade e colocando esse debate no campo da formação humana, reconhecendo o papel da escola neste processo, visto que ela reflete os conflitos da realidade social. Neste contexto, este artigo elege tratar as problemáticas oriundos do Programa de Mestrado Profissional em Educação Física em Rede Nacional (PROEF), reconhecendo que os estudos desenvolvidos neste programa partem de problematizações oriundas do chão das escolas públicas de nosso país. Desde sua primeira turma, concluída em 2020, o PROEF evidencia em suas produções a presença da temática das relações étnico-raciais, e as pesquisas que tomam a intervenção pedagógica como centralidade o fazem com a intenção de superar práticas excludentes. Neste artigo realizamos uma pesquisa documental que tem como objetivo: reconhecer as problemáticas de pesquisa oriundas do PROEF quando tematizam as relações étnico-raciais. A partir da análise de conteúdo categorial por temática, evidencia-se como a violência social se reflete na escola, com destaque aos atos de racismo. Os estudos refletem sobre as possibilidades de intervenções pedagógicas antirracistas na Educação Física Escolar, apontando caminhos de investimento nos processos formativos para qualificação das suas intervenções nas escolas, especialmente nos processos de ensino de conteúdos específicos, tais como jogo, dança e luta. A elucidação da constituição destas problemáticas nos permite uma compreensão das necessidades que permeiam a prática pedagógica dos/as professores/as de Educação Física que vem denunciando ações racistas nas suas redes de ensino, assim como construindo possibilidades de uma intervenção pedagógica antirracista na Educação Física Escolar.