
Este artigo propõe ações afirmativas para aumentar a presença feminina em posições de liderança e tomada de decisão em organizações públicas, visando a igualdade de gênero. Por meio de revisão de literatura e análise documental, o texto discute a importância dessas ações como instrumento para ampliar a representatividade feminina no setor público. São apresentados dados que evidenciam a sub-representação das mulheres em cargos de liderança, analisando os fatores que contribuem para essa disparidade. O artigo propõe medidas como cotas, programas de mentoria e capacitação, e políticas de conciliação trabalho-família. Experiências bem-sucedidas de países como Noruega e Suécia são abordadas. Para a efetividade dessas ações, destaca-se a necessidade de compromisso político sustentado, adoção de uma perspectiva interseccional e a participação ativa das mulheres. Conclui-se que, para serem eficazes, as medidas devem ser contínuas, baseadas em diagnósticos interseccionais e articuladas a políticas estruturantes de igualdade. O artigo ressalta o papel do protagonismo feminino e o compromisso do Estado brasileiro, especialmente com a implementação do Programa Federal de Ações Afirmativas (PFAA) – Decreto nº 11.785/2023 – para um serviço público mais inclusivo e democrático.
A burocracia brasileira permanece marcada por desigualdades de gênero, raça e classe, com elites majoritariamente masculinas e brancas concentrando o poder decisório. A literatura sobre burocracia representativa demonstra que a diversidade amplia a legitimidade institucional e a responsividade estatal, contribuindo para políticas públicas mais justas e eficazes. A sub-representação de mulheres, especialmente negras, em cargos de liderança reflete barreiras estruturais e culturais, como o “teto de vidro” e os “labirintos de gênero”. Promover a equidade na burocracia exige ações institucionais concretas — políticas de ação afirmativa, capacitação e mecanismos de transparência nos processos de promoção. Essa edição especial da Revista do Serviço Público reúne estudos que abordam o papel das mulheres na gestão do Estado, evidenciando que uma burocracia diversa é essencial para fortalecer a democracia e enfrentar desigualdades históricas no Brasil.
Este estudo tem como objetivo investigar a influência dos relacionamentos amorosos no ambiente de trabalho sobre a carreira das mulheres, com foco nas dinâmicas de poder e desigualdades de gênero, explorando de que forma o machismo estrutural influencia a percepção e as consequências de comportamentos sexuais no trabalho para mulheres, comparado aos homens. Utilizando uma abordagem qualitativa, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com funcionários da Caixa Econômica Federal. Os resultados indicam que as mulheres, especialmente quando em posições hierárquicas inferiores, são mais vulneráveis a assédio, estigmatização e instabilidade profissional, sobretudo após o término do relacionamento. A análise destaca a influência do machismo estrutural e das normas culturais na percepção e tratamento desses relacionamentos, aumentando o impacto negativo dos romances no trabalho para as mulheres. A pesquisa contribui para a literatura ao fornecer uma análise crítica das dinâmicas de poder e gênero nos relacionamentos amorosos no trabalho, propondo a necessidade de políticas organizacionais mais equitativas e inclusivas.
O ativismo institucional, repertório de ação política caracterizado pela atuação de militantes de movimentos sociais na burocracia estatal, foi adotado por diversos movimentos sociais no Brasil, principalmente a partir da redemocratização do país, como forma de concretização de demandas. Entre estes, parcelas de movimentos feministas também passaram a buscar vias de luta por direitos para além das instâncias tradicionais de representação e dos repertórios característicos da ação direta. Partindo da premissa que a presença de mulheres na estrutura burocrática do Estado é importante para a representatividade de gênero na administração pública, neste artigo, a partir de revisão bibliográfica, destaco resultados e momentos importantes do processo de institucionalização das demandas “de mulheres” no Brasil. Para tanto, recuperamos as teóricas feministas, principalmente aquelas que teorizaram sobre o “Feminismo de Estado”, e os estudos sobre movimentos sociais, para captar uma tentativa de linha do tempo na atuação dessas mulheres e em suas conquistas institucionais nos diferentes momentos da relação entre o Estado e movimentos sociais. Nesse sentido, destacam-se como resultados o levantamento de fatores fundamentais para o sucesso dessa incursão ao Estado, sendo eles o direcionamento político dos governos, com ênfase à esfera nacional, e as estratégias de acesso criadas pelas mulheres.
Esta revisão integrativa analisa a literatura sobre as barreiras que impedem a ascensão de mulheres a cargos de liderança no setor público, em um contexto global. A análise de 25 artigos publicados entre 2015 e 2024 destaca três principais obstáculos: preconceitos implícitos, falta de mentoria e políticas organizacionais inadequadas. A pesquisa evidencia a persistência de estereótipos de gênero e a resistência à mudança em culturas organizacionais dominadas por homens. Embora a presença de mulheres líderes possa influenciar positivamente a implementação de políticas mais inclusivas, ainda existem desafios significativos para alcançar uma verdadeira igualdade de gênero e representatividade ativa. A revisão destaca a necessidade de estratégias mais robustas e inclusivas para promover a liderança feminina no setor público, incluindo programas de mentoria, políticas que combatam o “teto de vidro” e iniciativas que promovam uma cultura organizacional mais justa e equitativa.
A igualdade de gênero é fundamental para o desenvolvimento socioeconômico global, embora desafios persistentes evidenciem disparidades significativas, especialmente no contexto brasileiro. Apesar dos avanços observados, como o aumento da representação ministerial, as mulheres continuam a enfrentar sub-representação em várias esferas, incluindo a participação restrita na submissão de pleitos para obtenção de financiamento externo para projetos relevantes. Esta limitação compromete não apenas a representatividade feminina em decisões estratégicas, mas também a eficácia na implementação de políticas públicas equitativas e inclusivas. Nesse sentido, com o intuito de compreender melhor esse desafio e de elevar a participação de mulheres em uma área estratégica do setor público, foi desenvolvido um projeto piloto de capacitação para governadoras, prefeitas e secretárias de entes subnacionais em financiamento externo para projetos com perspectiva de gênero. Esse estudo oferece um relato acerca do curso de capacitação promovido, explorando as percepções das gestoras acerca dos desafios específicos enfrentados e objetivando prover subsídios para o desenvolvimento de políticas públicas destinadas a promover a igualdade de gênero e a facilitar a participação equitativa das mulheres nos processos decisórios concernentes aos financiamentos externos.
O presente trabalho investiga o impacto do racismo e do sexismo na experiência profissional de mulheres negras na Prefeitura de São Paulo sob a ótica do pensamento feminista negro e da interseccionalidade. Utilizando uma abordagem qualitativa, foram conduzidas entrevistas semiestruturadas com mulheres negras que ocuparam cargos efetivos e comissionados na prefeitura ao longo dos últimos 15 anos. Os resultados confirmaram a hipótese inicial de que o racismo e o sexismo exercem um efeito profundo nas vivências dessas mulheres no ambiente de trabalho. Foi identificado um conjunto complexo de mecanismos relacionais que contribuem para a manutenção dos sistemas de poder interseccionais do racismo e do sexismo. Além disso, as entrevistadas demonstraram imprimir suas experiências e compromissos pessoais nas políticas públicas que lideraram, destacando a importância da diversidade na gestão e implementação de políticas públicas. Este estudo contribui para uma compreensão mais aprofundada dos desafios enfrentados pelas mulheres negras na gestão pública e destaca a necessidade urgente de abordar o racismo e o sexismo institucionalizados para promover uma maior equidade de gênero e racial no setor público.
Este artigo explora a desigualdade de gênero no contexto do serviço público federal brasileiro, de maneira ampla e então com um enfoque nos cargos de liderança. Apesar das mulheres representarem aproximadamente 45% da força de trabalho e serem maioria entre os ingressantes na administração pública, a participação feminina em cargos de alta liderança permanece desproporcionalmente baixa. A coleta e análise quantitativa dos dados foram realizadas pelas autoras, usando registros oficiais para examinar a distribuição de gênero nos cargos de liderança no serviço público federal. As mulheres apresentam uma participação percentual na análise agregada que sugere certa equidade, no entanto, na análise desagregada, nota-se que nos cargos mais elevados sua participação é bastante inferior. Os resultados apontam para um "efeito tesoura", em que as mulheres, apesar de igualmente ou mais qualificadas, são preteridas para cargos estratégicos, reduzindo sua participação nos cargos mais elevados.
Este artigo se ancora na literatura de burocracia representativa e na perspectiva da representação da filósofa Nancy Fraser para questionar a ausência de gestoras mulheres nos cargos mais altos de gestão na área de educação. A partir de um estudo qualitativo baseado na interpretação de dados secundários, analisamos como a parcela de mulheres decai quando comparamos a parcela de diretoras com a de gestoras nas redes municipais, estaduais e federal. A pergunta que buscamos responder é: por que uma categoria tão expressivamente feminina na base não se vê representada nas esferas centrais de tomada de decisão? Por que à medida que vai subindo de nível federativo (município - estados - União), diminui a porcentagem de mulheres na gestão? Foi possível observar que as profissionais das carreiras da área da educação enfrentam os mesmos desafios de gênero (visíveis e invisíveis) presentes em outras áreas, somados a conceitos machistas seculares que permeiam a docência, ainda muito presentes no imaginário coletivo.
Este estudo examina o fenômeno do teto de vidro em organizações públicas, a partir da questão: “Quais fatores determinantes afetam a progressão de carreira das mulheres no setor público, e quais propostas de melhoria podem ser implementadas para reduzir o fenômeno do teto de vidro?". Para tanto, realizou-se uma revisão integrativa, abrangendo artigos publicados entre 2014 e 2024 nas bases Scielo, Scopus e Web of Science. A análise temática revelou que desigualdades de gênero, políticas públicas ineficazes, barreiras estruturais e culturais, e desafios específicos do ambiente de trabalho impedem o avanço das mulheres em cargos de liderança no setor público. Foram identificadas estratégias para promover a igualdade de gênero e reduzir o teto de vidro, incluindo políticas públicas mais eficazes, programas de mentoria e medidas para conciliar a vida pessoal e profissional. Esta pesquisa contribui para a compreensão das dinâmicas que perpetuam a desigualdade de gênero no setor público e apresenta recomendações práticas para fomentar um ambiente mais equitativo.
De que forma a literatura aborda a atuação das mulheres nas burocracias estatais? Este artigo realiza uma revisão da literatura com base nesta questão, adotando como referencial a teoria da burocracia representativa, que aponta que uma burocracia diversa tende a alinhar-se com políticas públicas que atendam a uma sociedade diversa. Como estratégia metodológica, realizamos uma revisão sistemática da literatura, adotando uma metodologia rigorosa, identificando, selecionando e avaliando criticamente a produção científica sobre o tema. Os artigos mostram uma concentração geográfica de pesquisas sobre o tema nos Estados Unidos, com contribuições na Ásia, Europa, África e América Latina. Os resultados apontam que as mulheres ainda enfrentam uma significativa subordinação dentro do sistema patriarcal vigente. Nas burocracias estatais isso se reflete em segregação ocupacional, sub-representação e remuneração inferior. No entanto, alguns estudos analisados indicam evidências de que a presença de mulheres nas burocracias estatais pode contribuir para melhorar a gestão pública, bem como influenciar a tomada de decisão em favor das causas feministas. Destarte a representação feminina nas burocracias estatais esteja em ascensão, especialmente em algumas nações desenvolvidas, onde já ultrapassam a metade da força de trabalho, os desafios à equidade de sexo/gênero persistem, o que reforça a importância e necessidade de investigação e de intervenções estratégicas voltadas à ampliação da presença feminina nas instituições públicas.
O objetivo geral deste estudo foi investigar os fatores que influenciaram a aprovação das pessoas inscritas no último concurso para Auditor Federal de Controle Externo do Tribunal de Contas da União (TCU), com ênfase na comparação entre resultados dos candidatos de sexo masculino ou feminino. Foi utilizada a base de dados demográficos dos candidatos inscritos e as notas em cada etapa do certame, com a indicação de aprovação. Além de análises descritivas e exploratórias das variáveis disponíveis no banco de dados quanto a perfil dos candidatos inscritos, ausentes e aprovados, assim como dos resultados por prova, foram utilizados o Teste T e o Qui-quadrado para comparar os resultados de homens e mulheres. Confirmou-se uma tendência de melhores desempenhos entre os candidatos do sexo masculino e maiores chances dos homens de serem aprovados no concurso.
Este estudo tem como proposta investigar a presença e a atuação das mulheres na esfera pública, através da análise das representações femininas nos periódicos mineiros Estado de Minas e Diário da Tarde nas décadas de 1930 e 1960. Utilizando-se de uma reflexão histórica e sociológica sobre a educação feminina e a inserção das mulheres no mercado de trabalho, o estudo evidencia as transformações e permanências na representação feminina ao longo do tempo, ao mesmo tempo em que desvela as sutilezas do discurso midiático, que ora legitimava, ora contestava a inserção feminina no espaço público. Busca-se iluminar as vozes femininas emergentes na administração pública, bem como os silêncios que frequentemente as circundavam, contribuindo para uma compreensão mais ampla e profunda das dinâmicas de gênero na política e na administração pública brasileiras. Ademais, a pesquisa suscita fortes reflexões sobre os estereótipos propagados e os padrões ainda enraizados em nossa sociedade, sublinhando a imperiosa necessidade de promover reformas e implementar processos que desafiem e desconstituam esses discursos assimétricos e perpetuadores da desigualdade de gênero.
A pressão de movimentos sociais foi essencial para colocar na agenda as políticas de promoção da equidade de gênero. Mas para que sejam implementadas, é importante que as novas ideias trazidas por essas políticas sejam apropriadas pelos atores responsáveis por tirá-las do papel. Esse trabalho explora como uma política pública ligada à temática de gênero é apropriada pelos atores que a implementam. Olhamos para organizações do setor de transporte público da cidade de São Paulo, responsáveis por políticas para combater diferentes formas de violência sexual. A partir de entrevistas e observação participante, analisamos como os conflitos e desafios desse processo são percebidos por quem atua nessas organizações, nas quais as discussões sobre as relações de poder entre gêneros são recentes. Por um lado, características do setor como o “isolamento técnico” e a predominância masculina em seus quadros constituem obstáculos a mudanças efetivas. Por outro, as relações de poder entre gêneros são desestabilizadas por ideias disruptivas, promovidas por movimentos feministas, que adentram essas organizações por meio da política pública implementada. Apesar dos avanços relatados, verifica-se que as mulheres ainda são responsabilizadas pelo enfrentamento ao assédio sexual e outras formas de discriminação de gênero nas organizações.
This case study employs an intersectional lens to find the mechanisms influencing black women’s experiences regarding leadership positions in the executive branch of Minas Gerais. It was employed a qualitative analysis by conducting ten interviews with black women, who either formerly held or occupied leadership roles in the executive branch when interviewed. Additionally, this study is framed within the scholarship on political representation, which explores the presence of minority groups in the political sphere, connecting their participation with policy outcomes. The central argument is that these women’s identity as black female leaders results in their unique political experiences and places them in specific roles in securing political representation for this group. Several mechanisms emerged: racial identity, misogynoir, family, personality traits and the presence of critical allies. This indicates that black women’s political reality is unique, considering they suffer from combined oppressions and that misogynoir affects only this group. Lastly, this research adds to the existing scholarship by addressing not only this group’s barriers but also mechanisms enabling this group to tackle oppression and achieve leadership positions.
While policymakers and academics have advocated for mission-oriented innovation policies to address global challenges, implementing those policies requires strong adaptive capabilities in innovation agencies, which are influenced by their legal-institutional design. This paper explores how the legal-institutional design of two Brazilian innovation agencies shapes organizational routines that affect the development of dynamic capabilities needed for missions. The findings enhance the understanding of these designs, offering insights for policymakers to (re)design more effective innovation agencies.
The experimental regulatory environment, or regulatory sandbox, was formally introduced into Brazilian legislation by Complementary Law No. 182/2021. This law enabled public administration bodies and entities with sectoral regulatory authority to temporarily relax the application of regulations under their jurisdiction, subject to previously established conditions, in order to test innovative solutions and experimental technologies. Considering the possibility of adopting this practice by regulatory agencies to improve public policies and address public problems through innovation, this study was conducted with the objective of identifying the progress in the implementation of Complementary Law No. 182/2021 by federal and state regulatory agencies in Brazil. To achieve this objective, consultations were carried out on the official websites of Brazilian federal and state regulatory agencies, using search tools to identify information regarding the adoption of experimental regulatory environment programs. The results of the research indicated that 64% of federal regulatory agencies have adopted regulatory sandboxes, whereas at the state level only 10% have incorporated this practice. Based on these findings, it can be concluded that the diffusion of experimental regulatory environments in Brazil occurs unevenly between federal and state agencies, reflecting not only differences in institutional capacity but also distinct levels of regulatory inducement and intergovernmental coordination.
The implementation of the Management and Performance Program (PGD) at Ufersa raised questions about its impact on employee performance and well-being. Therefore, this study aims to analyze theinfluence of the PGD on the quality of life and operational performance of Ufersa employees workingremotely. This is a single-case, qualitative, descriptive, and cross-sectional study. Triangulation of methods wasemployed, including semi-structured interviews, document analysis of reports, and participant observation. Seventeen employees, eight managers, and nine non-management employees, were interviewed. The institutional reports provide quantitative results, while the participant observation and interviews providequalitative data, including subjective perceptions. Perceived benefits include flexibility, autonomy, increased satisfaction, and a sense of appreciation. Challenges include hyperconnectivity, sometimes difficultyconcentrating, compromised interpersonal ties, and difficulty in defining boundaries between personal andprofessional life, impacting both quality of life and operational effectiveness. The results provide support for public managers to improve telework programs, developing strategies to mitigate identified risks and enhanceemployee well-being and organizational efficiency.
Information use is central to external oversight, yet there are gaps in how different sources are mobilized in audit planning. This article analyzes how auditors in Brazilian Courts of Accounts use information, considering audit type and institutional capacities. Based on a survey of 226 auditors from 33 Courts of Accounts, we identify an informational core composed of legal and regulatory norms, internal administrative data, prior audit reports, information provided by audited entities, and the team's accumulated experience. Audit type differentiates informational diversity: performance audits mobilize more diverse repertoires than financial and compliance audits. Institutional capacities shape these variations. Technical units are associated with the systematization of the core, while specialized planning and intelligence structures expand the articulation across sources and, in some contexts, incorporate external sources. By treating planning as an institutionalized informational practice, the study highlights the role of organizational arrangements in a still underexplored stage of Brazilian external oversight.
In the Brazilian public sector, particularly among local governments with weak internal controls, incentives and opportunities exist for discretionary management of accounting results, potentially affecting the decisions of citizens and oversight institutions. Grounded in public choice and agency theories, this study investigates the practice of accounting manipulation in the budgetary outcomes of municipalities in the state of S & atilde;o Paulo, focusing on the "other current revenue" and "other current expenditure" accounts, which are utilized to achieve budgetary balance. The methodology is based on the analysis of unbalanced panel data from 645 municipalities in S & atilde;o Paulo over the period 2014 to 2022, employing fixed effects, random effects, and pooled effects models, and testing five hypotheses grounded in the scientific literature. The results provide strong evidence of result manipulation, particularly in smaller municipalities, with such practices being more pronounced in the "other current expenditure" accounts. As a contribution, the study underscores the importance of accounting for municipal heterogeneity and adopts a methodological approach that remains nascent in national literature. These findings further highlight the necessity of strengthening institutional controls and promoting fiscal transparency in the Brazilian public sector.