
Contexto: Neste artigo, apresentamos uma investigação que objetivou identificar a mobilização dos processos do Pensamento Matemático Avançado (PMA) na elaboração de questões da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Objetivo: Identificar os processos do PMA mobilizados na elaboração de questões da OBMEP, a partir da análise de uma entrevista semiestruturada realizada com o seu Coordenador do Comitê de Provas e das questões das provas de 1ª e 2ª fases da edição 2025 da OBMEP. Coleta e análise de dados: Numa abordagem qualitativa de pesquisa, foi realizada uma análise dos dados coletados por meio de entrevista e, a seguir, da análise das questões das provas de 1ª e 2ª fases do Nível 3 da edição de 2025 da OBMEP. Resultados: A análise qualitativa da entrevista e das questões foi embasada na teoria de Tommy Dreyfus e evidenciou a mobilização de processos envolvidos na representação, tais como a visualização, a mudança de representações e tradução entre elas e a modelação, bem como de processos envolvidos na abstração, tais como a sintetização, a generalização e a rigorização. Conclusões: Apontam para a potencialização do desenvolvimento do PMA a partir das questões da OBMEP, especialmente, pela possibilidade de mobilização dos processos envolvidos na representação e na abstração de uma forma diferenciada da grande maioria das questões de Matemática elaboradas no contexto do Ensino Médio.
Contexto: Há uma lacuna conceitual persistente sobre o desenvolvimento profissional de formadores de professores de matemática (FPMs) no Ensino Superior. Objetivos: Caracterizar e interpretar as oportunidades de aprendizagem e o desenvolvimento da expertise de oito FPMs em uma rede colaborativa. Metodologia: Investigação qualitativa-interpretativa apoiada na Design-Based Research (DBR) ao longo de 28 meses. Contexto e Participantes: Oito FPMs de diferentes universidades brasileiras, organizados em duas subcomunidades de prática (Fundamentos e Prática/Estágio) no grupo ForMatE. Coleta e análise de dados: O corpus envolve triangulação qualitativa confrontando atas de reuniões plenárias (2024–2026), a reificação material de duas Tarefas de Aprendizagem Profissional (TAPs) e oito entrevistas individuais analisadas via matriz de cenários interativos. Resultados: A transição para um modelo colaborativo autêntico permitiu aos formadores externar vulnerabilidades, desconstruir hierarquias acadêmicas e problematizar práticas históricas de ensino. Diante de contingências logísticas e tensionamentos éticos ao simular protocolos via Inteligência Artificial, a comunidade operou inovação teórica expandindo o design para o conceito de representações da prática. As plenárias funcionaram como locus de legitimação global, promovendo andaimiamento mútuo entre matemáticos puros e educadores matemáticos. Conclusões: O movimento dialético de projetar e validar tarefas gerou uma inteligência compartilhada que materializou o princípio da simetria inversa, transformando a comunidade no próprio modelo de ensino exploratório que defende.