
A política cognitiva gera espaços de agenciamentos que engendram modos de ensinar e de produzir conhecimento. Este artigo objetiva descrever experiências de ensino produzidas por docentes da área da saúde, mediadas por distintas tecnologias, que possibilitaram a experimentação de uma aprendizagem inventiva, conformando uma política cognitiva que direciona o professor para diferentes modos de ensinar e de se relacionar, seja com seus pares, com os estudantes ou com a tecnologia, contribuindo para a transformação dos regimes cognitivos. Este é um estudo de caso apoiado no método cartográfico. Percebe-se que, quando os professores produzem práticas pedagógicas não lineares e problematizadoras, estabelecem contradições com o instituído, possibilitando o estabelecimento de controvérsias, de articulações e novas associações entre alunos, professores e tecnologias muito mais potentes para a formação de profissionais da saúde com perfil humanista, crítico, inventivo e colaborativo.
O estudo discute a leitura de histórias e conversa de uma professora com seu grupo de crianças de 5-6 anos. Os diálogos foram videogravados e transcritos, sendo analisados qualitativamente os trechos em que os pequenos foram convidados a opinar, justificar e confrontar ideias a partir das histórias lidas. Os livros de literatura selecionados pela docente atendiam à critérios estéticos e traziam temas interessantes para conversar. Entretanto, em quatro das seis rodas de história observadas, a conversa parecia ser guiada, de forma doutrinária, em direção ao ensino de certos valores morais. Os dados apontam a necessidade de explorar outras possibilidades de mediação que promovam o pensamento das crianças e sua autonomia para se posicionar frente às questões controversas suscitadas pelas histórias lidas na roda.
O trabalho se insere no campo da formação continuada docente, com foco na experiência estética, e tem como objeto de estudo as contribuições da experiência em dança na formação de professores. Partindo de indagações sobre seu percurso formativo, a pesquisadora-dançarina troca cartas com colegas de profissão que também tiveram sua trajetória marcada pela dança. A pesquisa tem como objetivo compreender as contribuições da prática da dança para a formação docente e refletir sobre a experiência estética como produtora de sentidos do ser professora. As cartas trocadas foram analisadas com base no paradigma indiciário, buscando suporte no referencial teórico da teoria Histórico-Cultural. Como eixos de análise, destacam-se a dança como: forma de expressão; processo de criação; percepção de si e do outro. A pesquisa aponta para a urgência de se pensar em práticas formativas pautadas na arte, que valorizem os contextos, as trajetórias de vida e os saberes produzidos coletivamente.
Neste estudo, apresentamos os aspectos subjetivos na relação do adolescente com seus professores e com a escola, trazendo o conceito de sentido e significado na Psicologia Histórico-Cultural (PHC) e suas contribuições para o desenvolvimento humano. Realizou-se, a partir do diagnóstico qualitativo de uma pesquisa-ação vinculada ao Laboratório de Estudos da Subjetividade e Saúde Mental (LADES/UECE), a aplicação de questionários para os estudantes. Entre os principais resultados, evidenciou-se as relações de amizade e os conflitos com professores e colegas. Práticas de ensino e aprendizagem tiveram pouco destaque entre as respostas dos adolescentes. Concluímos que é preciso fortalecer os vínculos entre questões subjetivas e pedagógicas para que a escola atue na promoção de saúde, sendo a formação docente fundamental nesse cenário. Desenvolvimento emocional e subjetividade adolescente são apontados como temas relevantes para os processos formativos dos professores de Ensino Médio.
As licenciaturas em Educação do Campo têm como objetivo formar professores e gestores para atuarem por áreas de conhecimento em escolas situadas no campo. Orientadas pelos princípios da Formação por alternância, esse modelo educacional pressupõe planejamento, estudos e levantamento de informações na comunidade e sua socialização entre educandos e professores. Buscamos discutir as similaridades teórico-metodológicas entre a Formação por alternância, a Metodologia das Produções Narrativas e sua aplicação em estudo de caso com uma estudante do curso de Licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal de Viçosa. Foram realizadas entrevistas narrativas sobre os territórios educativos em sua comunidade, refletindo a trajetória pessoal, história local e contexto nacional. A Metodologia das Produções Narrativas contribui para recuperar diferentes sentidos da experiência educativa, compreender as vicissitudes da educação do campo e atualizar experiências enquanto sujeito do campo.