
O artigo propõe uma inflexão filosófica e epistemológica ao incorporar cosmovisões afrodescendentes e indígenas como perspectivas outras de mundo, capazes de deslocar o paradigma moderno que separa cultura e natureza, humanidade e Terra, sujeito e objeto. A base teórica articula a perspectiva descentrada de mundo de Habermas e a categoria dos “outros da modernidade” com as formulações de Antônio Bispo dos Santos e Ailton Krenak. O procedimento metodológico consiste em análise teórico-interpretativa, orientada por uma leitura hermenêutica dos textos e pela construção de um quadro conceitual sobre reconhecimento, currículo e convivência. Os resultados confirmam que a leitura da violência escolar como simples falha disciplinar, individual ou de gestão encobre uma gramática colonial que hierarquiza existências, memórias e pertencimentos. Conclui-se que a articulação entre descentração, confluência e pertença à Terra permite compreender a violência como uma crise do mundo comum e reposicionar a escola como microesfera pública de diálogo, reconhecimento e responsabilidade socioambiental.
O artigo discute uma experiência formativa desenvolvida em uma disciplina que articulou dois sistemas metodológicos: o Olhando Imagens (Ott, 1997) e o fichário de jogos teatrais de Spolin (2008). Essa articulação originou um instrumento denominado protocolo para a aula, materializado em fichas didáticas criadas pelos docentes da disciplina para cada etapa do sistema Olhando Imagens e, posteriormente, recriadas pelos licenciandos a partir de imagens-companheiras que elegeram para planejar uma sequência de aulas. A pesquisa, de natureza qualitativa, baseia-se na análise reflexiva da própria prática docente fundamentada na investigação narrativa (Hernández, 2013). Os resultados indicam que o sequenciamento entre experiência e teoria reconfigurou a relação dos licenciandos com o planejamento docente, sustentando a tese de que o protocolo opera não como restrição, mas como estrutura de limites produtivos capaz de potencializar o encontro com a Arte e qualificar a aprendizagem.
O artigo analisa as produções acadêmicas sobre os Conselhos Municipais de Educação (CME), em Portugal e no Brasil, que mobilizam as noções de território e poder local. Fundamenta-se nas discussões sobre descentralização da educação, territorialização das políticas educativas e gestão democrática, tomando território e poder local como categorias analíticas centrais. Metodologicamente, realizou-se um levantamento de teses e dissertações nos Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP) e na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) no recorte temporal de 2003 a 2024. Foram selecionados 12 trabalhos, analisados por meio das etapas de bibliografia anotada, sistematizada, categorizada e propositiva. Os resultados indicam que, em Portugal, os CME aparecem sobretudo como instâncias de coordenação e consulta vinculadas à territorialização de políticas nacionais; no Brasil, emergem como espaços potencialmente normativos e participativos, embora marcados por dependência do Executivo local. Conclui-se que território e poder local são categorias analíticas decisivas para fortalecer a democratização da gestão educacional municipal.
A violência no contexto escolar reproduz desigualdades historicamente naturalizadas nas relações sociais. Na Educação Física Escolar (EFE), essas violências incidem de modo particular sobre os corpos. Por meio de uma pesquisa qualitativa participante, este artigo tem como objetivo analisar a coeducação como possibilidade político-pedagógica de enfrentamento das violências de gênero na escola. Tendo como referencial teórico os Estudos Feministas, realiza-se uma releitura do conceito de aprendizagem da separação, visando aprofundar o debate sobre a coeducação na EFE. Em seguida, são analisados dados de uma pesquisa participante desenvolvida por uma professora-pesquisadora em uma escola estadual de Fortaleza/CE, a partir de uma unidade didática orientada por intervenção coeducativa em uma turma de Ensino Médio. Os resultados evidenciaram que as aulas coeducativas tornaram visíveis os conflitos de gênero, de modo a possibilitar intervenções pedagógicas adequadas para o enfrentamento das violências de gênero na escola.