
Este estudo investiga os contributos das rodas de conversa no desenvolvimento profissional docente, elegendo o ensino da Trigonometria como elo integrador. A investigação foi guiada pela seguinte questão orientadora: de que forma as rodas de conversa na formação continuada podem ajudar o professor a repensar o seu jeito de ensinar Trigonometria? A partir desta interrogação, estabeleceu-se como objetivo verificar possibilidades didáticas quando unimos diálogo, experimentação prática e reflexão pedagógica coletiva; escrever perspectivas que sustentem o aprender com mais qualidade e aplicabilidade ao dia a dia. Metodologicamente, adotou-se uma abordagem qualitativa por meio da observação participante junto a 23 docentes das áreas de Matemática, Física e Química, numa universidade no Rio Grande do Sul. Os resultados revelam que a vivência prática integrando dinâmicas ao ar livre, desafios de medição real e o uso interativo dos softwares GeoGebra e Graphmatica; humanizou o conteúdo abstrato, convertendo-o numa ferramenta de leitura do mundo. As rodas de conversa pela sua disposição estética e funcional, olho no olho, oportunizaram um positivo sentimento de pertencimento e acolhimento mútuo, permitindo aos professores socializarem as suas angústias e construir emergentes caminhos didáticos, de um modo mais aberto e espontâneo.
O artigo apresenta análise crítica comparada das políticas de educação de tempo integral no Brasil, no Chile e no Uruguai, fundamentada no materialismo histórico-dialético e na teoria gramsciana (Estado ampliado, hegemonia, escola unitária). A pesquisa articula levantamento documental de marcos normativos oficiais e revisão da produção crítica marxista e gramsciana em educação. Demonstra-se que, sob heterogeneidade institucional, opera homologia estrutural: a ampliação da jornada escolar funciona, nos três casos, como dispositivo de modernização capitalista pedagógica sem ruptura com a dualidade de classe. Identificam-se quatro traços comuns: fetichização do tempo, intensificação do trabalho docente, subordinação do pedagógico ao assistencial ou mercantil, e ausência de hegemonia própria da pedagogia do tempo integral. O Brasil ocupa posição intermediária entre a focalização uruguaia e a mercantilização chilena, distante da universalização omnilateral. Conclui-se que superar esses limites exige transformações materiais, simbólicas e políticas, na passagem da modernização capitalista pedagógica para a escola unitária gramsciana.
O artigo visa, recortadamente, refletir sobre a Resolução nº 7 de 18/12/2018 da Meta 12.7 da Lei 13.005/2014 definida entre Ministério da Educação, Conselho Nacional de Educação e Câmara de Educação Superior. O Artigo 4º estabelece as “Diretrizes para a Extensão na Educação Superior Brasileira”; alinhado ao PNE (2014-2024) instituiu atividades curriculares mínimas de 10% da carga horária na graduação e demais licenciaturas, propondo ações interdisciplinares e dialógicas. No texto, intentamos demonstrar como as pesquisas podem contribuir para a construção de eixos temáticos vinculados a aspectos educacionais, sociais e culturais, nascendo das atividades de Extensão. Envolvido com a pesquisa de educação popular em tempo qualitativamente ampliado, desde a graduação até o doutorado em educação, apresentamos, como proposta extensional, em interação com o Artigo da Lei, os Centros Integrados de Educação Pública criados por Darcy Ribeiro. Estes Centros, em sua originalidade, estão repletos de camadas a serem escavadas. Oferecendo farto manancial de dados aos docentes e discentes que se interessem pela Extensão curricular a partir de seu modo de existência, instigados pela escola de tempo integral.
Este artigo problematiza as relações de saber-poder e verdade nas vivências religiosas e escolares de estudantes do Ensino Médio, analisando como esses discursos constituem modos de subjetivação que incidem sobre seus corpos. A metodologia qualitativa articulou o exercício arqueogenealógico de monumentos discursivos (cartas jesuíticas e debates no STF) a entrevistas focadas nas autonarrativas discentes. O referencial teórico fundamenta-se na ontologia histórica do presente de Michel Foucault (campos do saber, poder e ética), com contribuições de Nietzsche e Deleuze. Os resultados apontam os saberes religiosos como produtores de condutas no espaço-tempo escolar, evidenciando uma sinergia institucional microfísica na qual técnicas pedagógicas e preceitos morais se cruzam para fabricar corpos dóceis. Conclui-se que os estudantes do terceiro ano conformam suas ações a discursos morais prescritivos religiosos e educacionais por meio de mecanismos internos de vigilância contínua.
A institucionalização do Sistema Nacional de Educação (SNE) evidencia intencionalidades para o trabalho docente no Brasil, mesmo em tempos de insuficiência do Plano Nacional de Educação (PNE) em relação à valorização dos profissionais da educação, combinando principalmente, e de modo ideal, mecanismos para a melhoria de suas condições materiais e, de modo material-efetivo, a correlação da relação ensino-aprendizagem aferida pelas avaliações externas. Além da materialização dos mecanismos de responsabilização-regulação dos-as professores-as brasileiros-as, forjados pelas teses gerenciais em decorrência da ofensiva neoliberal sobre a educação, ocorre elevada dissimetria das condições materiais dos-as docentes em relação à diversificação de muitos fatores nos distintos sistemas de ensino. Neste sentido, tomamos como problema da presente pesquisa a relação entre a intencionalidade do SNE e as contradições do real concreto sobre o trabalho docente, tomando as redes públicas municipais de ensino do estado do Rio de Janeiro como universo da pesquisa, objetivando analisar os paradoxos entre a concepção de sistema e a condição do labor no magistério nos sistemas acima discriminados. Trata-se de uma pesquisa básica, de caráter explicativo, que se ancora no levantamento e análise de fontes bibliográfico-documentais advindos de instituições variadas. Como resultado podemos indicar elevado desequilíbrio entre os sistemas públicos municipais de ensino do estado do Rio de Janeiro, cabendo como exemplificação o não cumprimento do piso nacional em diversos casos. Portanto, conclui-se que há uma distância significativa entre a lógica sistêmica e o arranjo objetivo dos sistemas públicos municipais de ensino que incorrem no processo intensificação da precariedade docente