
Introdução: hanseníase é um grave problema de saúde pública no Brasil. Os Agentes Comunitários de Saúde desempenham papel fundamental no controle da doença na atenção primária, o que justifica a necessidade de investigar sua atuação diária. Objetivo: investigar, com base em seus relatos, os saberes e as práticas de Agentes Comunitários de Saúde acerca da hanseníase. Métodos: trata-se de um estudo descritivo e qualitativo, realizado com treze agentes em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, Brasil. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas e submetidos à Análise de Conteúdo, com o auxílio de um software de processamento de texto. Resultados: os achados revelaram saberes limitados, com concepções equivocadas sobre transmissibilidade, letalidade e situação epidemiológica. As práticas restringiram-se principalmente à identificação de lesões cutâneas, ao encaminhamento à unidade de saúde e à supervisão medicamentosa, indicando fragilidades na realização contínua da busca ativa e a presença de atitudes que podem perpetuar o estigma, como o distanciamento físico dos pacientes. Conclusão: o conhecimento insuficiente pode repercutir negativamente na prática, pois dificulta a identificação precoce e contribui para a manutenção da cadeia de transmissão. Recomenda-se o investimento em educação permanente para qualificar esses profissionais, mitigar preconceitos e fortalecer o controle da hanseníase nos territórios.
Introdução: a hanseníase permanece um relevante problema de saúde pública no Brasil, com situações clínicas complexas que frequentemente desafiam o manejo diagnóstico e terapêutico convencionais. Objetivo: avaliar a positividade do teste rápido anti-glicolipídeo fenólico I em pacientes atendidos em serviço de referência enquadrados em quatro situações de difícil manejo: suspeita ou diagnóstico de recidiva, falência terapêutica, reação hansênica de difícil controle e diagnóstico difícil de hanseníase. Métodos: estudo transversal realizado com 23 pacientes adultos, predominantemente multibacilares, atendidos em serviço de referência. Resultados: o teste rápido foi reagente em 15 casos (65,2%). Nos pacientes com suspeita ou diagnóstico de recidiva, o teste foi positivo em seis dos nove casos, auxiliando na reavaliação diagnóstica inclusive em um caso com exames convencionais negativos. Nos casos de reação hansênica de difícil controle, três dos cinco pacientes apresentaram resultado reagente, o que contribuiu para confirmar atividade bacilar subjacente. Nos casos de diagnóstico difícil, o teste foi positivo em quatro dos sete pacientes, o que motivou a repetição da biópsia, com confirmação diagnóstica em dois casos e embasou o início do tratamento em outros dois. Em ambos os casos de suspeita de falência terapêutica, os testes foram reagentes, o que corrobora a manutenção da atividade sorológica. Discussão: os achados demonstram que o teste rápido pode atuar como ferramenta complementar relevante, especialmente em cenários em que os exames convencionais são inconclusivos ou insuficientes para orientar a conduta clínica. Conclusão: o teste rápido anti-glicolipídeo fenólico I mostrou-se útil no manejo de situações complexas da hanseníase e precisa ser interpretado de forma integrada à avaliação clínica e aos exames convencionais disponíveis.
Introdução: a hanseníase é uma doença infecciosa, crônica e transmissível, que tem sido associada ao estigma social que levou à marginalização dos indivíduos portadores dessa doença, que quando não tratada de maneira adequada, pode causar danos permanentes como a incapacidade física e deformidades. É uma doença endêmica em regiões tropicais, como o Brasil. A Organização Mundial de Saúde, relatou 140.594 novos casos em 2021, com a maioria proveniente da Índia, Brasil e Indonésia. Objetivo: caracterizar o perfil epidemiológico das notificações de hanseníase no estado do Maranhão nos anos de 2019 a 2023. Metodologia: trata-se de uma pesquisa descritiva, documental de abordagem quantitativa. O estudo foi conduzido no estado do Maranhão, Brasil, e incluiu todos os casos de hanseníase notificados entre 2019 e 2023, registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação. Resultados: de 2019 a 2023, o Maranhão registrou 15.886 casos, com prevalência masculina (61,51%), parda (68,65%), faixa etária de 40 a 49 anos (17,92%) e com escolaridade de 1ª a 4ª série do ensino fundamental incompleta (19,82%). A forma clínica dimorfa (55,92%) e a classe multibacilar (85,21%) foram predominantes. A maioria apresentou mais de 5 lesões (40,56%) e evoluiu para cura (64,05%), sem incapacidades físicas (50,58%). Conclusão: apesar da maioria dos casos evoluir para cura sem incapacidade, a elevada proporção de formas graves reforça a necessidade de diagnóstico precoce. Destaca-se a importância de ações de vigilância e educação em saúde voltadas às populações mais vulneráveis.
Introdução: a hanseníase permanece como um importante problema de saúde pública no Brasil, especialmente devido ao diagnóstico tardio e às incapacidades físicas associadas. O grau de incapacidade física 2 é um marcador de gravidade e reflete falhas na detecção precoce. Objetivo: confirmar o grau de incapacidade física 2 atribuído ao diagnóstico de hanseníase e analisar o perfil epidemiológico dos pacientes no estado de Goiás. Métodos: estudo observacional e descritivo, baseado em dados secundários da Superintendência de Vigilância em Saúde de Goiás, referentes aos anos de 2023 e 2024. Foram incluídos pacientes notificados como grau de incapacidade física 2 ao diagnóstico. As informações foram obtidas do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, das fichas de Avaliação Neurológica Simplificada e do Sistema de Investigação do Grau 2 de Incapacidade Física. Os Departamentos Regionais de Saúde enviaram documentação complementar e fotografias das mãos, pés e olhos, avaliadas por especialistas para confirmação do grau. Resultados: em 2023, 34,5% dos casos inicialmente notificados como grau de incapacidade física 2 não foram confirmados após revisão especializada; em 2024, esse percentual foi de 30,0%. Entre os casos confirmados, observou-se predominância de baixa escolaridade, sexo masculino e classificação operacional multibacilar. Conclusão: a reavaliação do grau de incapacidade física 2 evidenciou inconsistências na classificação inicial, indicando fragilidades na avaliação neurológica. A correta identificação das incapacidades é essencial para qualificar os indicadores epidemiológicos, orientar políticas públicas e reduzir o impacto social e econômico da hanseníase.