
Este estudo investigou clusters de engajamento e exaustão de 124 executivos de empresas privadas (M = 46,75 anos; DP = 7,34; 60,48% do sexo masculino) e sua relação com a autoeficácia ocupacional, o sentido do trabalho e as demandas de trabalho. A coleta de dados foi realizada por meio de um questionário online abrangendo as variáveis de interesse. A análise identificou três clusters: (1) baixo engajamento e alta exaustão (n = 43), (2) engajamento moderado e exaustão moderada (n = 52), e (3) alto engajamento e baixa exaustão (n = 29). O Cluster 1 apresentou menores médias de autoeficácia e sentido no trabalho, além de maiores médias de demandas. Os resultados sugerem que o engajamento no trabalho está associado aos recursos pessoais e laborais, indicando a importância de políticas organizacionais direcionadas a executivos que promovam a autoeficácia e o sentido do trabalho para a prevenção da exaustão e o aumento do engajamento.
Psicólogos do mundo inteiro realizaram uma transição abrupta dos atendimentos presenciais para a modalidade on-line em decorrência da pandemia da COVID-19. Este estudo visa identificar os aspectos que impactaram a prática dos terapeutas do esquema brasileiros a partir dessa adesão massiva aos atendimentos remotos. Trata-se de um estudo transversal e correlacional realizado a partir do levantamento de dados de 79 terapeutas do esquema, com diferentes formações, que, por meio de um questionário sociodemográfico e de instrumentos psicométricos, forneceram dados sobre seus comportamentos e percepções relacionados aos seus atendimentos por videoconferência. Os principais resultados encontrados foram: atitudes favoráveis à utilização da tecnologia, percepção de equivalência de qualidade dos atendimentos e da relação terapêutica se comparados aos atendimentos presenciais e preferência pelas técnicas de imagens mentais em detrimento das técnicas de cadeiras. Almeja-se que estes dados contribuam para a reflexão e a prática futura dos terapeutas do esquema no atendimento remoto.
A violência obstétrica envolve condutas negligentes, abusivas ou desrespeitosas por parte da equipe de saúde durante o ciclo gravídico-puerperal. Este estudo teve como objetivo adaptar culturalmente e validar o questionário para mensuração da violência obstétrica percebida por profissionais da assistência materna e obstétrica. O estudo foi conduzido em duas etapas: (1) adaptação semântica do PercOV-S e (2) análises fatoriais (exploratória e confirmatória). A amostra contou com 326 profissionais de diferentes regiões do Brasil. Utilizaram-se um questionário sociodemográfico e a versão adaptada do PercOV-PS. As análises incluíram a análise fatorial exploratória, a análise fatorial confirmatória, a análise de redes e o teste de Mann-Whitney. O instrumento PercOV-PS foi validado no contexto brasileiro, apresentando uma estrutura fatorial interna consistente e passível de reaplicação em estudos futuros. Os resultados indicaram que o instrumento apresenta validade e confiabilidade no contexto brasileiro. O PercOV-PS mostrou-se eficaz para futuras investigações, formação profissional, identificação e enfrentamento da violência obstétrica.
Embora o Questionário de Saúde do Paciente-9 (PHQ-9) tenha sido amplamente utilizado durante a pandemia da covid-19, para rastreio de sintomas depressivos, ainda há lacunas na literatura sobre suas evidências de validade na população brasileira durante o período. Assim, este estudo teve como objetivo avaliar as propriedades psicométricas da PHQ-9 no Brasil, através da Teoria de Resposta ao Item (TRI). A coleta foi feita durante cinco fases da pandemia, entre 2020 e 2023. Os softwares SPSS, R e RStudio foram utilizados para análise de dados. Participaram do estudo 9.229 indivíduos, e mais da metade dos respondentes apresentou sintomas de depressão. Foram encontrados bons parâmetros de ajuste no modelo e desempenho satisfatório quanto aos parâmetros de discriminação e dificuldade na escala. O perfil de respostas foi predominantemente dicotômico, e houve funcionamento diferencial dos itens a partir do gênero. Esta pesquisa contribui para o estabelecimento de parâmetros confiáveis para avaliar sintomas depressivos.
Este estudo teve como objetivo investigar os desafios da adoção na relação parento-filial em famílias monoparentais. Foram entrevistados nove mulheres e três homens, com idades entre 38 e 61 anos, pertencentes às camadas socioeconômicas médias e adotantes de crianças há mais de quatro anos. Os dados coletados foram analisados segundo o método de análise de conteúdo. Para atingir os objetivos deste estudo, foram analisadas duas categorias: desafios à parentalidade solo e perda e luto. Os resultados apontaram os “testes” dos filhos à autoridade dos pais e os sentimentos de perda e luto da criança como principais desafios. Concluiu-se ser relevante compreender o que subjaz ao comportamento dos filhos e considerar os traumas pregressos e as idealizações dos filhos sobre a família adotiva relativas a regras e limites, assim como as idealizações dos pais sobre a parentalidade. A elaboração do luto dos pais favorece o reconhecimento do luto do filho adotivo.