
O presente artigo integra uma investigação documental em prontuários de adolescentes que cumprem medida socioeducativa de internação em Goiás, no ano de 2019. Tem por objetivo explorar dados sobre escolaridade e experiências profissionais dos adolescentes, bem como de seus genitores. As informações presentes nos prontuários indicam trajetórias de descontinuidade e distorção idade-série, com boa parte dos adolescentes fora da escola em momento anterior ao ingresso na unidade socioeducativa. Suas experiências profissionais são marcadas por majoritária inserção no mercado informal de trabalho. Ainda que garantida pela legislação, a universalização da educação básica e o direito à capacitação profissional são aspectos fragilizados na trajetória dos adolescentes que cumprem medida socioeducativa de internação e de suas famílias. PALAVRAS-CHAVE: Escolaridade. Adolescente Institucionalizado. Mercado de Trabalho. Socioeducação.
O presente trabalho é um recorte de uma tese de doutorado, defendida em 2020, que analisou a implementação do PROCAMPO. Assim, busca-se analisar a trajetória histórica da universidade e da implementação da política do PROCAMPO para compreender como esta trabalhou no acesso à universidade das populações que compõem o campo brasileiro. A análise de dados foi organizada a partir dos microdados do Censo da Educação Superior de 2009 a 2018, de entrevistas e de análise documental de atas e documentos produzidos pelos cursos de Licenciatura em Educação do Campo. O que foi possível compreender desse movimento é que o PROCAMPO foi uma política que subverteu diversos paradigmas na universidade pública brasileira. PALAVRAS-CHAVE: Direito à Universidade. Educação do Campo. PROCAMPO.
A formação continuada de professores do campo é considerada fulcral para a construção da identidade de ser professor e para a construção de uma proposta de educação voltada para o desenvolvimento campesino. Este espaço formativo, o qual acontece tanto em serviço, no espaço escolar, como fora dele, nas universidades, nos institutos e nos movimentos sociais, é considerado como território de disputa e poder. Num empenho de compreensão, discutimos a formação continuada e sua relação entre teoria e prática nas resoluções e nas prescrições da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) à luz da categoria de análise “contradição”, do método materialismo dialético. Para isso, utilizamos pesquisa bibliográfica, análise documental e dados coletados por meio de questionários com secretários de educação e professores do campo dos quatro municípios pesquisados que fazem parte do Território de Identidade Velho Chico. Os resultados apontam formações com foco na epistemologia da prática pedagógica, condicionada a problemas que surgem no cotidiano da sala de aula, troca de conhecimentos, relatos de experiências exitosas e compartilhamento de angústias; formação concentrada nos conhecimentos essenciais: português e matemática (leitura, escrita e cálculo), com preparação para as avaliações externas e carência de formação continuada específica para a Educação do Campo. Por fim, acerca da centralidade na epistemologia da prática marcada pela educação rural, apontamos a práxis com a valorização dos conhecimentos construídos pela humanidade e a unidade teoria e prática. PALAVRAS-CHAVE: Educação do Campo. Formação Continuada. Prática e Práxis.
Este estudo tem como objetivo analisar como o Movimento Negro (MN) brasileiro, pós década de 1970, contribuiu na luta pela garantia do direito à educação da população negra brasileira. Para isso, realizamos uma pesquisa bibliográfica, com o emprego de revisão de literatura com base nos autores: Domingues (2007; 2008), Gomes (2012), Gonçalves e Silva (2000), Passos e Nogueira (2014), Pereira (2010), Alberto (2017), entre outros. Os resultados apontam que, desde sua reorganização em 1978, o MN atuou incisivamente para que o direito à educação da população negra fosse garantido, resultando em importantes conquistas, tanto no acesso como na permanência em instituições de ensino, em particular, naquelas de nível superior. Na atualidade, o refluxo das políticas de reparação e promoção da igualdade racial tem sido um grande desafio a ser superado pelo MN, requerendo sólidas estratégias de resistência. PALAVRAS-CHAVE: Movimento Negro. Racismo. Antirracismo. Educação.
Neste relato de experiência, apresentamos e discutimos o projeto Cultura afrodescendente, desenvolvido em duas turmas de 3º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública do centro-oeste paulista, com base na metodologia dialética, em que as atividades propostas perpassaram pela síncrese, análise e síntese de forma problematizadora, interativa e criativa, desenvolvendo a dialogicidade e a análise crítica dos conhecimentos sobre a África, entendendo-a como o berço da humanidade e reconhecendo a sua presença e importância na formação do povo brasileiro, instrumentalizando os/as estudantes para transformarem a forma de compreenderem e agirem no mundo. A partir da realização desse projeto, as crianças tiveram a oportunidade de (re)conhecer a cultura afrodescendente como inerente à nossa identidade e de minimizar as ideias preconceituosas e discriminatórias disseminadas ao longo da história. Durante a execução do projeto foi possível perceber que as crianças já se apropriavam do conhecimento e manifestavam mudanças em suas concepções e atitudes em relação às culturas africanas e às representações de si. PALAVRAS-CHAVE: Equidade Racial. Interdisciplinar. Educação Básica.