
O objetivo deste artigo é analisar as concepções de gênero produzidas nos enunciados de agentes neoconservadores, inscritos nos Projetos de Leis (PLs) apresentados na Câmara dos Deputados do Brasil, entre os anos 2011 e 2020. É uma pesquisa qualitativa de natureza documental, com base nas proposições parlamentares sobre “ideologia de gênero” e educação. Foram acessados, no site da Câmara dos Deputados do Brasil, 24 PLs, considerando o recorte temporal da pesquisa. Os conteúdos foram categorizados em unidades temáticas e analisados como discursos no sentido foucaultiano, tendo por base as concepções teóricas advindas dos estudos de gênero e do conceito de neoconservadorismo. Os resultados apontam a distorção do conceito científico de gênero, como estratégia política para a produção de pânico moral em prol de um projeto conservador e para atacar os avanços democráticos em torno das pautas que promovem os direitos humanos das mulheres e de pessoas LGBTQIA+.
Este texto traz discussões de uma pesquisa motivada pelo interesse em identificar e analisar outras pesquisas que investigaram atividades de formação continuada, em especial seus programas formativos, buscando entender de que maneira esses programas abordam as facetas da alfabetização. Seu objetivo foi compreender em que medida os programas das formações continuadas voltadas para professores alfabetizadores analisados em teses e dissertações dos últimos dez anos contemplam os objetos de conhecimento relacionados às facetas da alfabetização propostas por Soares (2016). O estudo caracterizou-se como exploratório, em um delineamento bibliográfico, numa abordagem qualitativa. Elegeu-se como base de dados para levantar as pesquisas o repositório da Biblioteca Digital de Teses e Dissertações, delimitando-se a busca entre 2013 e 2024, utilizando-se palavras-chave relacionadas à formação continuada e alfabetização. Dos 682 resultados iniciais, apenas nove pesquisas enquadraram-se na proposta do estudo. A análise destas pesquisas levantadas teve como método a análise de conteúdo e como referência teórica a proposta de Soares (2016), que considera o processo de alfabetização constituído por três facetas principais: linguística, interativa e sociocultural. Como resultado da análise, observou-se uma predominância da concepção do letramento nos programas formativos, sendo contemplada a faceta sociocultural em sete das nove pesquisas analisadas, possivelmente pela influência das políticas nacionais de formação continuada, como o PNAIC. Observou-se, ainda, que, mesmo com a predominância da faceta sociocultural, as outras facetas também foram abordadas, porém de maneiras diversificadas em relação à quantidade e tipo.
Pensar a educação para as relações étnico-raciais nos currículos escolares, debates, discussões e, sobretudo, na formação inicial de professores, é um passo importante e necessário no processo de superação da discriminação racial e do racismo. Este estudo tem como objetivo principal analisar a percepção dos estudantes sobre currículo e as questões étnico-raciais na formação docente do curso de Pedagogia, para o enfrentamento ao racismo. A pesquisa se configura em um estudo de caso com enfoque em abordagem qualitativa. A coleta de dados materializa-se na pesquisa bibliográfica, documental e de campo, através de questionário estruturado. Para o tratamento de dados utilizou-se a Análise do Conteúdo de Bardin (2016). Os resultados apontaram para o fato de que os estudantes percebem a relevância dessa temática na formação de professores, uma vez que esse processo pode redimensionar o olhar, por meio de uma consciência crítica e reflexiva e da descolonização do currículo, das práticas pedagógicas, e principalmente das mentes.
Este artigo discute o caráter discursivo-ideológico enunciado com a instituição do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada - CNCA, considerando os modos como o discurso oficial se materializa na/pela atuação da referida política em ação, em cada uma das etapas iniciais da educação básica. Para os anos iniciais do ensino fundamental a implementação do CNCA tem sido realizada pelas redes de ensino na relação público-privado, com a gestão do eixo formação por parte dos institutos e empresas privadas. Na educação infantil, o eixo formação se materializa no reestabelecimento da parceria entre MEC-Redes-Universidades, em que estas últimas são as responsáveis pela formação dos professores dos grupos de quatro e cinco anos. Com base nos pressupostos teórico-metodológicos do ciclo de políticas de Ball, dos estudos sobre discurso e ideologia amparados em Bakhtin e Volóchinov, bem como nos “moldes” de uma Etnografia de Rede proposta por Avelar e Ball, lançou-se o olhar para os documentos que instauram o CNCA, observando-se como tais discursos ideologicamente diferem entre si e qual a lógica argumentativa que assegura a diferença na organização e gestão de uma política que se “desdobra” em duas, que instaura explicitamente, em nível nacional, o atravessamento de uma mudança de noção de governo para de governança em rede.