
Resumo A fim de investigar a temática das dependências utilizou-se a logoterapia, fundada por Viktor Frankl, como perspectiva de análise. No mérito, o autor evoca a dimensão espiritual e propõe uma teoria baseada na análise existencial, vontade de sentido e autotranscendência. O objetivo deste estudo é demonstrar que o vazio existencial e a crise de sentido são causas possíveis do fenômeno das dependências. A pesquisa foi realizada com uma amostra de 76 sujeitos em situação de dependência química e sexual, não dependentes e voluntários de apoio ao tratamento oncológico. Utilizou-se o instrumento “Questionário de propósito de vida” (PIL-Test) para mensurar quantitativamente a capacidade de encontrar sentido, motivações e perspectiva de vida, e entrevistas semiestruturadas, para coletar dados qualitativos. Como principais resultados, obtiveram-se escores baixos para os grupos de dependentes e não dependentes, indicando a presença do vazio existencial e da crise de sentido, e pontuações altas para o grupo de voluntários.
Resumen Este artículo indaga en la importancia de la noción de autonomía humana al interior de las actuales discusiones que la filosofía médica conduce a propósito de la salud y la enfermedad. Para ello, se realiza el examen de las tesis de Georges Canguilhem referidas a lo normal y lo patológico, y su incidencia en las experiencias de salud y enfermedad. De igual modo, se examinan los presupuestos que permiten ampliar el campo de incidencia de los biopoderes en el dominio médico y psiquiátrico. Dado el carácter de este examen, este texto busca profundizar la discusión sobre la noción de autonomía, pieza angular del estudio filosófico que Canguilhem realiza de la medicina. Por medio de estos pasos, se argumenta la articulación de la noción de autonomía humana con la axiología médica de Canguilhem.
Resumo O artigo analisa a centralidade da noção de garantia de direitos nas políticas sociais brasileiras, com ênfase na assistência social, problematizando o uso recorrente da categoria “sujeito de direitos”. A partir da tradição marxista, especialmente da teoria da forma jurídica, argumenta-se que o sujeito de direito não constitui uma categoria universal, mas uma forma social historicamente vinculada às relações mercantis do capitalismo. Nesse sentido, discute-se como a incorporação dessa categoria nas políticas sociais produz uma tensão fundamental: ao mesmo tempo que orienta a ampliação formal de direitos, também opera nos limites de uma forma jurídica que expressa e reproduz as desigualdades que tais políticas pretendem enfrentar. Por fim, indicam-se implicações dessa contradição para a atuação da psicologia no interior das políticas sociais.
Resumo Este artigo investiga as particularidades da transferência erótica no contexto escolar, analisando a relação entre professor e aluno. Com base na articulação de relatos de entrevistas e conceitos psicanalíticos, foram elaboradas categorias para compreender essa experiência transferencial, considerando as especificidades das interações e a posição de cada indivíduo. Além disso, exploram-se aproximações entre os papéis de professor e analista, destacando suas singularidades e implicações. Conclui-se que o fortalecimento da interseção entre educação e psicanálise pode contribuir para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes no manejo desse fenômeno.
Resumo Este artigo analisa as expressões da violência política de gênero vivenciadas por mulheres eleitas ao Legislativo federal pelo Rio Grande do Norte. Ancorado no feminismo marxista e na abordagem materialista histórico-dialética, o estudo compreende a violência política como fenômeno estrutural, inscrito na dinâmica de reprodução social que articula patriarcado, racismo e capitalismo. A pesquisa baseia-se em entrevistas semiestruturadas com parlamentares eleitas entre 1990 e 2018, evidenciando como a divisão sexual e racial do trabalho condiciona o acesso, a permanência e o exercício do mandato político. Os resultados indicam que a violência política assume formas diferenciadas conforme as posições sociais, raciais e institucionais ocupadas pelas mulheres, manifestando-se por meio de práticas simbólicas, institucionais e diretas, como deslegitimação, obstrução do mandato e agressões. Conclui-se que essa violência atua como mecanismo de controle da presença feminina no poder, reforçando hierarquias estruturais de gênero, raça e classe.