
This study identified factors associated with satisfaction and difficulties during emergency remote teaching among professors at Brazilian higher education institutions. Data were collected using a structured electronic questionnaire addressing perceptions of remote teaching during the COVID-19 pandemic. Logistic regression analyses were performed. A total of 428 professors participated in the study, of whom 57.5% reported dissatisfaction and 63.3% experienced difficulties transitioning to remote teaching. The study highlights that favorable attitudes, such as positive expectations (OR=7.14; 95%CI: 4.33-11.8) and willingness to change (OR=3.73; 95%CI: 2.17-6.43), were the main factors associated with satisfaction. Lack of technical skills (OR=3.78; 95%CI: 2.13-6.70), inability to track student engagement (OR=2.51; 95%CI: 1.58-3.99), and female gender (OR=1.82; 95%CI: 1.14-2.88) were the main factors associated with difficulties related to remote teaching. This paper may contribute to the development of public policies and the promotion of actions by educational institutions.
Este artigo, promovendo a discussão do livro seminal de Michel Maffesoli sobre o “tribalismo pós-moderno”, publicado há mais de três décadas, no Brasil, revisita “O tempo das tribos” (1988). Maffesoli, na contramão de muitas análises sociológicas, trata de uma era dos afetos. Mas o que é o “afetual” para Maffesoli? A hipótese dele, com a qual corroboramos, é, se não um “declínio do individualismo nas sociedades de massa” (subtítulo daquela obra), pelo menos um imaginário cotidiano vitalista (um Carpe diem). E, a título de “desfecho”, assinalamos que o “afetual” pós-moderno – termo hoje não mais negligenciável para designar um estado de espírito, o Zeitgeist – atinge, quer queiramos ou não, todas as esferas da vida. Com a política, como no caso que tratamos aqui, preferencialmente, a partir de algumas considerações introdutórias, se dá o mesmo.
Este texto, sustentado nos pressupostos teórico-metodológicos da Análise do Discurso materialista (AD), analisa a escrita de mulheres indígenas do coletivo Mulherio das Letras Indígenas a partir de recortes de publicações de sua página no Instagram. Dividida em duas seções principais, que versam sobre as noções de escrita, escritura e autoria, e, após, sobre Literatura, LiteraTERRA e Lituraterra, a abordagem demonstra que as materialidades significantes produzidas pelo coletivo instauram um lugar de resistência através do texto literário, configurando-se como uma escrita de enfrentamento na qual as mulheres-autoras-indígenas afirmam a existência dos povos indígenas, denunciam violências e linearizam saberes ancestrais historicamente silenciados.
A partir de uma pesquisa aplicada de natureza qualitativa, ancorada na metodologia da pesquisa-ação, analisam-se as condições gerenciais, produtivas e tecnológicas da agricultura familiar na Zona da Mata mineira. Os resultados indicam baixa maturidade gerencial, forte dependência de políticas públicas de compra institucional e acesso incipiente à modernização produtiva e à inclusão digital. Esses elementos são interpretados como manifestações de um hiato linguístico entre os saberes camponeses e as linguagens técnico-burocráticas exigidas por políticas públicas e mercados, configurando formas de exclusão simbólica e violência estrutural. Argumenta-se que a agricultura familiar, embora central para a segurança alimentar, permanece marginalizada como sujeito epistêmico e social. Conclui-se que a superação dessas desigualdades requer abordagens interdisciplinares e extensionistas que integrem inclusão produtiva, gerencial e digital como dimensões constitutivas dos direitos humanos e do desenvolvimento rural.
Este artigo resulta de vivências com mulheres Potiguaras no âmbito do projeto de pesquisa-extensão “Partejar Potiguara”, desenvolvido em aldeias localizadas nos municípios de Rio Tinto, Marcação e Baía da Traição, no estado da Paraíba. O projeto teve como objetivo conhecer, mapear e dar visibilidade às práticas e aos saberes das parteiras potiguara, bem como compreender suas formas de inserção nos campos da educação, da religião, da saúde e da representação política. A pesquisa foi realizada por meio de visitas quinzenais às aldeias ao longo de um ano (2019), com entrevistas abertas e rodas de conversa, identificando mulheres que desempenham diferentes papéis de liderança em suas comunidades. O artigo busca evidenciar os processos de (re)existência dessas mulheres na produção e preservação dos conhecimentos e saberes tradicionais de seu povo. Conclui-se que as parteiras são guardiãs de saberes ancestrais e agentes de transformação social, cujas práticas fortalecem os vínculos comunitários e as estratégias de resistência em seus territórios.