
Este artigo analisa o papel dos núcleos de ocupação na constituição da fronteira Brasil-Bolívia, do período colonial até a emancipação política e consolidação dos limites internacionais. A partir de revisão bibliográfica teórico-conceitual e empírico-documental, além de entrevistas, o estudo evidencia os principais períodos de formação da fronteira e destaca os núcleos de ocupação como elementos fundamentais, inicialmente como marcos de afirmação territorial e, posteriormente, como vetores de integração.
This paper confirms the hypothesis that the liturgical dates of Tuesday of the First Week of Lent and Monday of the Fourth Week were opportunities for mendicant friars to produce sermons on commerce, avarice, usury, and simony. Initially based on seven sermons by Giordano da Pisa and Iacopo da Varazze, this hypothesis was tested with 19 sermons from other 13th and 14th-century Italian friars. Sixteen sermons addressed the subjects aforementioned, offering thus two markers for scholars to access the ethical economic discourse of the Italian friars.
Este artigo, recorte de uma dissertação de mestrado (LEITE, 2025), investiga de que maneira procedimentos idiomáticos presentes nos 26 Prelúdios Característicos e Concertantes para Violino Só, do compositor/violinista mineiro Flausino Valle (1894-1954), reverberam em duas composições autorais de Leite: Fantasia do Canto da Mata, para violino solo, e Estradinha de Terra, para viola brasileira.
Este artigo investiga como relatos de viagem de expedições portuguesas em Angola no século XIX podem ser mobilizados para reconstruir paisagens sonoras históricas e discutir sobre a importância da música e da musicalidade. A partir da análise textual e iconográfica das obras de Hermenegildo Capelo e Roberto Ivens, analisamos as descrições e representações sobre a música e a dança observadas pelos exploradores portugueses. Argumentamos que estas fontes, ainda que atravessadas por relações coloniais e processos de tradução cultural, permitem a reconstrução de paisagens sonoras históricas e discutimos, ainda, a interpretação contemporânea de uma partitura de Capelo e Ivens em dois eventos em uma cidade em Portugal[1]. [1] Para cumprir com os requisitos para avaliação cega e as normas da revista, que exigem a ausência de indícios autorreferenciais, menções a projetos, pessoas e cidades específicas foram removidas desta versão do artigo.
Ao longo dos últimos anos observamos ao avanço de pautas negacionistas nos diversos campo da sociedade, as quais impactaram desde campanhas de vacinação até a tentativa de relativizar dores e temas já superados pela ciência histórica. Nesse contexto, o período da ditadura militar passou a sofrer visões distorcidas e saudosistas, além de inúmeras manifestações públicas de slogans como “Volta AI-5”, “Militar já”, “fechem o congresso nacional” e “Um, dois, três, quatro, cinco mil, queremos os militares protegendo o Brasil”, dentre outros. Dessa forma, compreendemos que mais do que nunca é necessário relembrar o que foram os anos de ditadura militar e combater o negacionismo acerca do tema. Nessa perspectiva, é importante destacar as ações que preservam os lugares de memória e lutam contra o esquecimento do que foram os anos de ditadura militar e toda sua estrutura repressiva. Assim, lugares como as sedes do Doi-Codi, Dops, dentre outros e a política de preservação que felizmente foi despertada na sociedade brasileira nas últimas décadas foi responsável pelo tombamento de inúmeros desses locais. Por outro lado, como destacamos no início, tais espaços e políticas por memória e reparação seguem ameaçadas por projetos políticos negacionistas e relativistas. Assim, na presente entrevista entrevistamos a historiadora Deborah Neves a respeito de seu trabalho realizado no espaço do antigo DOI-CODI, centro de repressão durante a ditadura militar no Brasil.