
A partir do conteúdo disponibilizado em espaços virtuais criados e mantidos por mulheres católicas adeptas da prática da modéstia no vestir, este artigo pretende analisar como corpo e estética são mobilizados no estabelecimento de distinções sociais, morais e religiosas entre fiéis de diferentes vertentes do cristianismo contemporâneo – notadamente católicas tradicionais e protestantes pentecostais e neopentecostais que são pejorativamente identificadas como “crentes”. Em um primeiro momento, examinamos a construção de um modelo ideal de “mulher modesta” a ser atingido no catolicismo a partir de discursos teológicos de fundo moral e técnicas corporais difundidas através de textos autorais, documentos da Igreja e ilustrações artísticas criadas por fiéis que se dedicam à divulgação da modéstia na internet. Posteriormente, considerando o impacto de múltiplos marcadores sociais da diferença, tal como classe e raça, examinamos como essa prática religiosa de inspiração mariana evidencia o entrelaçamento entre corpo, estética e moralidade a partir de argumentos de autoridade e categorias de acusação de que evidenciam tensões e disputas no campo religioso contemporâneo.
Neste comentário, sugiro que o texto de Rodrigo Toniol revitaliza elementos clássicos da reflexão antropológica por meio de um duplo deslocamento, teórico e empírico: a ênfase na materialidade e o foco na institucionalidade da Igreja Católica. Se a teoria das materialidades religiosas já foi bastante disseminada e compreendida, os impactos do renovado foco empírico no catolicismo ainda estão sendo elaborados. Há uma “Virada Católica” em curso nos estudos brasileiros da religião? Este comentário sugere que sim e estimula este debate sugerindo que este texto participa desta virada de forma significativa. A provocação prossegue ao perguntar: quais as consequências teórico-metodológicas desta Virada Católica?
Este texto é a resposta aos comentários de Adriano Godoy, Andrea Roca, Eduardo Dullo e María Pilar García Bossio. Nele retomo alguns dos principais pontos destacados por cada um dos autores e acrescento as razões teóricas que, embora não enunciadas no artigo original, sustentam minha proposta de uma análise material dos templos católicos.
A resenha analisa o álbum Lux, de Rosalía. No trabalho, a artista se refere a santas, místicas e iconografias de diferentes tradições (catolicismo, sufismo, taoismo, budismo, judaísmo). Ao percorrer capa, contracapa e principais faixas, o texto mostra como relíquias, auréolas, cruzes, flores votivas, joias e corpos martirizados são retomados e torcidos em direção a temas como autoamor, renúncia, erotismo, rebelião, perdão e morte. Para os estudos da religião, a resenha é relevante porque evidencia a circulação e a reconfiguração de repertórios devocionais no campo da cultura pop, articulando hagiografia, iconografia e práticas de devoção com debates atuais sobre gênero, corpo, agência e apropriação cultural.