
Este estudo visa compreender o circo social como uma metodologia para o alcance da educação emancipatória. De natureza qualitativa e exploratória, ancorado na pesquisa documental e de campo, analisa-se os fundamentos da educação popular, situando o circo no contexto socio-histórico como manifestação de vivência, sobrevivência e resistência na sociabilidade capitalista. Parte-se, aqui, do princípio de que a educação não é homogênea e que é no processo de reprodução de si mesma que deixa espaços intermitentes e descontínuos, os quais, ao serem movimentados pelas contradições entre as classes sociais, possibilitam a realização de atividades educativas emancipatórias, como a arte-educação e nela, o circo social. Focaliza-se aqui, o Circo da Alegria de Toledo, no Paraná, analisando suas ações junto às classes populares e em comunidades acometidas por um conjunto de desigualdades sociais que demandam intervenção contínua e sistemática do Estado, por meio de serviços sociais que mitiguem as situações de pobreza, violência e violação de direitos. Concomitantemente, contribui-se para a consolidação e fortalecimento do circo social no Brasil, o qual produz saberes e práticas que combinam e partilham a transmissão da tradição cultural da arte circense à dimensão socioeducativa, como uma ferramenta metodológica de caráter emancipatório.
Este artigo analisa como burocratas de nível de rua categorizam usuários de um serviço de acolhimento institucional para pessoas em situação de rua, bem como os potenciais efeitos materiais e simbólicos do uso dessas categorias. Os dados foram coletados a partir de entrevistas semiestruturadas com burocratas de nível de rua. Observou-se que as trabalhadoras, influenciadas por condições de trabalho adversas, criam duas categorias informais baseadas em julgamentos sobre os comportamentos, as características socioculturais e a trajetória de vida nas ruas dos usuários, sendo elas: a categoria dos usuários “organizados” e a dos “desorganizados”. Essas categorias influenciam os encaminhamentos realizados pelas técnicas, de forma que os usuários “organizados” são priorizados por serem considerados “merecedores” e com maiores “chances de sucesso”.
O artigo tem por objetivo mapear - de forma panorâmica e não exaustiva - os movimentos sociais e coletivos atuantes em Belo Horizonte que remetem à perspectiva de direito à cidade, analisando suas pautas e repertórios de ação coletiva nas duas primeiras décadas do século XXI, marcadas por insurgências e ativismos. Como lastro teórico, discute-se o conceito polissêmico de direito à cidade, estabelecendo um diálogo com a noção de interseccionalidade, em uma chave mais ampla que considera a dimensão socioespacial. A metodologia empregada, de natureza qualitativa e cunho exploratório, apoia-se em revisões bibliográficas e levantamentos documentais. O trabalho aponta para a ampliação e reconfiguração do tecido movimentalista, identificando uma pluralidade de atores coletivos despontam em cena, de novos atores a outros que se reorganizam: as insurgências e movimentos culturais; os movimentos e coletivos associados às novas ocupações urbanas; voltados para questões ambientais e urbanas; de gênero, diversidade, raça e interseccionalidade. Os movimentos e coletivos recorrem aos diversos repertórios de ação, com proeminência de formas de ação direta; desafiam e resistem às diversas formas de opressão e ao modo de gestão da cidade pautado no empresariamento urbano; ressignificam o cotidiano e os espaços públicos, desvelando múltiplas matizes do direito à cidade.
Discute-se no artigo a conjuntura social, política e econômica que o Brasil vivenciou de agudização da pobreza; desfinanciamento das políticas sociais; e agravamento da violência e do desemprego, sob a gestão do governo ultraneoliberal de Bolsonaro, agravada pelo contexto de crise sanitária da pandemia de Covid-19 e enfrentamento das expressões da questão social, particularmente pela Política de Assistência Social. Tem-se como objetivo analisar a regulamentação e a concessão dos Benefícios Eventuais nos municípios que compõem a Região Geográfica Imediata Cuité-Nova Floresta (PB), no período 2018 a 2022. Utilizamos o método crítico dialético, pois possibilitou reflexões importantes sobre o objeto de estudo na perspectiva de totalidade, contradição e historicidade. Como procedimentos metodológicos, realizamos uma pesquisa bibliográfica e documental. A pesquisa documental contemplou os Relatórios Mensais de Atendimentos dos Centros de Referencias de assistência Social (CRAS), As Leis Orçamentarias Anuais (LOA) e os Quadros Demonstrativos de Despesas (QDD), constantes nos portais de Transparência dos municípios contemplados na pesquisa. A Pesquisa indicou o crescimento dos atendimentos realizados nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), particularmente os relativos à demanda de concessão do Benefício Eventual na região, refletindo o recrudescimento das expressões da questão social.
O texto aborda estratégias feministas de enfrentamentos à violência contra as mulheres no contexto universitário, protagonizadas por estudantes do curso de Serviço Social. Esta pesquisa é de cunho bibliográfico, documental e de campo, com realização de grupo focal. Em relação ao método, adotou-se o materialismo histórico-dialético, fundamentado no feminismo marxista. A partir dos dados coletados, conclui-se que a presença de coletivos feministas na comunidade acadêmica tem impulsionado o debate acerca da violência contra as mulheres. Reitera-se, assim, a relevância do debate feminista como estratégia de enfrentamento à violência contra as mulheres, tanto na formação em Serviço Social quanto na militância estudantil.