Catástrofes climáticas como a ocorrida no Rio Grande do Sul (RS) em 2024 têm o potencial de produzir ou agravar diversas demandas em saúde mental (SM). A Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), que institui as bases da Atenção Primária à Saúde (APS), situa este nível de atenção como fundamental para o cuidado dos territórios em reconstrução, considerando a sua posição privilegiada nestes espaços. No entanto, a literatura tem identificado diversos desafios nessa atuação relacionados, dentre outros aspectos, à formação profissional, que demandam novas tecnologias de Educação Permanente em Saúde (EPS). Neste artigo discute-se a importância da APS para o cuidado à SM de pessoas e territórios no período pós-enchentes do RS, tendo em vista os efeitos desse desastre climático sobre a SM da população, bem como apresenta-se um dispositivo de EPS visando qualificar o cuidado em SM neste contexto, denominado Formação Técnico-Reflexiva, em processo de implementação. Tal dispositivo, pautado nos pressupostos da EPS, busca valorizar as experiências e a subjetividade dos profissionais de saúde e considerar aspectos técnicos necessários para a atuação em SM.
INTRODUCTION:This Experience Report explores the mobilisation of mental health professionals and students who responded to the catastrophic floods in Rio Grande do Sul (RS), Brazil, in 2024. Triggered by prolonged rainfall and exacerbated by urbanisation and the influence of El Niño, this event caused unprecedented devastation, with over 615,000 individuals displaced and severe socioeconomic impacts. This paper aims to describe the experiences of mental health professionals and students involved in psychosocial care provided to victims between May and July 2024 in rescue sites and shelters at Porto Alegre. METHOD:Drawing from the collective reflections of a multidisciplinary team, this report highlights the challenges, adaptations, and lessons learned during psychosocial interventions conducted in rescue sites and shelters. The 18 participants included were psychologists, psychiatrists, nursing students, and faculty members from prominent academic institutions, providing a diverse range of perspectives. Data collection was conducted using a structured questionnaire distributed via Google Forms, data analysis used thematic analysis (Braun & Clarke, 2006) to interpret the open-ended questionnaire responses. RESULTS:The report identifies significant gaps in disaster-specific planning and training, revealing how the absence of clear protocols led to disorganisation during initial responses. Despite challenges, mental health teams adapted flexibly and demonstrated resilience, implementing interventions that addressed acute emotional symptoms, grief, and long-term psychological impacts. Vulnerable populations, including low-income and racialised groups, faced compounded risks due to systemic inequities and inadequate public policies. Mental health professionals themselves experienced substantial emotional strain, navigating their dual roles as responders and affected community members. CONCLUSION:The findings emphasised the critical need to integrate mental health into disaster planning, prioritise training in psychosocial care, and adopt community-focused approaches to enhance collective resilience. This report contributes to disaster response discussions by providing insights into the lived experiences of mental health responders. It offers recommendations to strengthen preparedness and response frameworks, ensuring equitable and sustainable recovery for affected populations.
A deficiência e o amor são fenômenos complexos e em constante transformação ao longo do tempo, ao passo que são entendidos a partir de perspectivas distintas. Neste estudo, foram escolhidos o Modelo Social da Deficiência e a Teoria Triangular do Amor de Sternberg, para descrever tais conceitos. A justificativa por tais escolhas se dá pelo escopo social e abrangente de ambos os paradigmas. Considerando o estigma sofrido por pessoas com deficiência PCD nas diferentes esferas da sua vida, principalmente sobre as suas relações amorosas, este trabalho é uma tentativa de quebrar com preconceitos, ao passo que propõe uma revisão narrativa sobre estudos que analisam o amor de pessoas com e sem deficiência, com base em elementos do amor de Sternberg e da satisfação conjugal. Ao investigar trabalhos que utilizam a Escala Triangular do Amor de Sternberg (ETAS), busca-se traçar um comparativo entre as relações amorosas desses diferentes públicos e responder ao questionamento sobre uma possível diferença no amor entre pessoas com deficiência, quando comparado às relações amorosas de pessoas sem deficiência.
Introduction Universal newborn hearing screening (UNHS) has been widely and strongly advocated as an early detection strategy for hearing loss in children. This intervention aims to prevent delays in speech and language development, which, in turn, has long-term beneficial effects on the social and emotional development and quality of life of individuals. However, the implementation of UNHS programs is circumstantial in different settings, for different reasons. Objectives The present systematic review aimed to identify whether the implementation of UNHS programs are cost-effective, as well as their variations by localities. Data Synthesis A search was conducted in seven databases: PubMed (Medline), Scopus, Web of Science, Embase, CINAHL, Lilacs, and Cochrane Library. Studies that included a cost analysis of UNHS programs were eligible for inclusion. Studies on evaluations of preschool or school-based programs only were excluded, among others. A total of 1,291 records were found. Of these, 23 articles were analyzed in full. All articles identified the cost-effectiveness of the UNHS programs implemented. Regarding the UNHS protocols, a wide variation was observed in all aspects: tests used, period established between tests and retests, professionals responsible for screening, environment, and criteria for defining hearing loss, limiting the generalization of this information. All studies presented values related to the expenses with the program, but none of them showed statistical elements for the described analyzes or any theoretical basis for such. Conclusion It is necessary to estimate local specific issues, as well as the accuracy of the chosen tests and the NHS protocols used, so that more accurate analyzes on cost-effectiveness are possible.
Pregnancy loss can have a profound impact on a woman's psychological and emotional health often leading to a grieving process. Furthermore, the loss of a child is a risk factor for Prolonged Grief Disorder (PGD) according to the Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition-Text Revision (DSM-5-TR). This cross-sectional study investigated the associations between mental health, marital adjustment, family support, gestational age, and prolonged grief. We recruited 93 women who had lost a pregnancy and had a living child born after the loss. Maternal mental health and gestational age at the time of loss were the variables most correlated with prolonged grief symptoms. A network model further confirmed the results and highlighted the importance of adopting a systemic and interactive approach to these and the other variables of interest related to pregnancy loss. Raising awareness regarding mental healthcare and support networks for mothers after pregnancy loss is essential.
Abordar temas como morte, perdas e luto é uma tarefa complexa, embora estas sejam experiências que fazem parte da existência humana. O luto pode ser compreendido como uma resposta emocional do indivíduo diante da ruptura de um vínculo importante, que gera reações físicas, comportamentais e sociais. A presente revisão da literatura buscou refletir acerca dos avanços, dificuldades e limitações das abordagens científica e clínica. Para tanto, realizou-se uma análise crítica das compreensões acerca do luto, desafios para sua identificação e avaliação, assim como para a formação de profissionais da saúde que trabalham com enlutados. Ainda que se tenha observado progressos na abordagem do luto, ressalta-se a importância de novos estudos com o intuito de aprimorar intervenções direcionadas a esta população.
Casais inférteis que buscam tratamento experimentam um estigma social que pode acarretar a necessidade de privacidade e, por sua vez, comprometer o acesso ao apoio social. Este estudo de casos múltiplos, que envolveu a coleta de dados sociodemográficos, de saúde e entrevistas com quatro casais heterossexuais acessados por conveniência, objetivou examinar a sua percepção sobre o apoio social recebido após a revelação da condição de infertilidade e/ou de tratamento com técnicas de reprodução assistida. Os casos foram analisados individualmente e comparativamente. A partir das falas, destaca-se que todos revelaram algo sobre a infertilidade e/ou o tratamento em algum momento do processo, ainda que alguns tenham considerado não revelar. Percebeu-se tanto apoio como falta de apoio diante das revelações. A não revelação foi motivada pela autopreservação e pela evitação de pressão social. Os achados indicam a importância da intervenção psicológica para ampliar o apoio social dos casais.
Este estudo tem por objetivo analisar o conhecimento de crianças e pré-adolescentes em relação aos termos que designam as forças de caráter e compreender como percebem a expressão desses traços nos próprios comportamentos e nos de outras pessoas. Foram entrevistados 17 participantes, de oito a 13 anos (M = 10,6; DP = 1,5). Para cada força foram feitas sete perguntas, que investigavam a definição do termo e exemplos da expressão da força nos outros e nos próprios entrevistados. As entrevistas foram gravadas e transcritas para análise de conteúdo, ao fim gerando categorias para cada força. As forças descritas com maior facilidade pelos participantes e suas respectivas definições foram criatividade (capacidade de criar coisas), curiosidade e amor ao aprendizado (busca de conhecimento e novas experiências), honestidade (falar a verdade), amor (comportamento de dar carinho), bondade (ajudar e cuidar do outro), trabalho em equipe (realização de trabalhos colaborativos em brincadeiras ou atividades escolares), perdão (08 categorias a respeito de sua definição, sem destaque para alguma) e esperança (desejar acontecimento futuro). Esses achados podem tornar mais acessível o desenvolvimento e a avaliação das forças nessa faixa etária.
RESUMO Este estudo investigou a Constelação da Maternidade em duas mães jovens (19 e 22 anos), com e sem sintomas depressivos. Através da análise de conteúdo qualitativa das entrevistas, as informações foram categorizadas conforme os quatro temas desse constructo: vida-crescimento, relacionar-se primário, matriz de apoio e reorganização da identidade. Não foram observadas diferenças entre as mães no primeiro tema. Nos demais, apesar das semelhanças com a mãe assintomática, a jovem com sintomas depressivos apresentou dificuldade no envolvimento com seu bebê, apoio social restrito e impasse relacionado à organização da identidade materna e reorganização interna perante as demandas desenvolvimentais. Esses achados indicam a necessidade de atenção à saúde mental de mães jovens durante o complexo processo de tornar-se mãe.
A perda gestacional (PG) é um evento complexo e potencialmente traumático, muitas vezes invisibilizado socialmente. A escassez de estudos sobre aspectos psicológicos relacionados à PG pela perspectiva masculina aponta a necessidade de ampliar a compreensão do tema. Este estudo objetivou conhecer as repercussões e o processo de luto decorrente de uma PG, assim como as diferenças entre as experiências de homens e mulheres que compartilharam esta perda, com base em um estudo de casos múltiplos (Yin, 2005), qualitativo e transversal, com três casais. Foram aplicados Ficha de Dados Sócio-Demográficos e Clínicos, Brief Symptom Inventory, Escala de Luto Perinatal e uma entrevista individual sobre a experiência de PG ocorrida nos últimos 12 meses. A análise dos dados revelou que a forma como o parto foi vivido, incluindo o manejo e cuidado das equipes, pode ser atenuante ou complicadora do processo de luto. A presença de rituais de despedida e ações de simbolização da perda, o sentir-se mãe/pai mesmo na ausência do filho e a flexibilização do papel de apoio entre o casal também repercutiram no processo de luto. A vivência corporal da gestação e da PG na mulher mostrou-se um importante demarcador da experiência feminina e masculina, tanto pela singularidade do processo psíquico que acarreta, quanto pela compreensão social de maior sofrimento feminino nessa situação, o que reforça a importância de dar visibilidade às dores de ambos.
Embora interações com amigos e parceiros amorosos ganhem importância na adolescência, ainda há controvérsias acerca da profundidade e da qualidade da vinculação amorosa. Buscou-se avaliar a percepção de setenta adolescentes gaúchos (12 a 18 anos), de escolas públicas e privadas de Porto Alegre e Canoas/RS, acerca do amor e do suporte do(a) parceiro(a) amoroso(a), e verificar suas associações com características sociodemográficas. Aplicou-se individualmente, em sala de aula, um questionário de dados sociodemográficos, o Inventário de Qualidade dos Relacionamentos Interpessoais e a Escala Triangular do Amor – Versão Reduzida. Os dados obtidos foram digitados em planilha no SPSS e analisados por meio de estatística descritiva e correlacional (Correlação de Spearman e comparação entre grupos via teste de Mann-Whitney, considerando as variáveis gênero, faixa etária, renda familiar, religião, escolaridade e presença ou não de relação sexual). Os adolescentes perceberam seus relacionamentos como importantes, considerando-os boa fonte de suporte, apresentando altos índices de intimidade, paixão e comprometimento e baixo nível de conflito. Encontrou-se associação positiva entre comprometimento e profundidade e intimidade e suporte, assim como entre maior idade e maior comprometimento. Ter relacionamento sexual associou-se a maior percepção de conflito e paixão. Os relacionamentos amorosos mostraram ser fonte de suporte para o desenvolvimento saudável desses adolescentes.
Resumo. O presente estudo qualitativo e exploratório buscou investigar a experiência de mulheres que tiveram uma nova vivência de maternidade após uma perda gestacional (PG) ocorrida a partir de 20 semanas de gestação. Participaram desta pesquisa duas mulheres (de 24 e 27 anos), que responderam uma ficha de dados sociodemográficos, duas fichas de dados clínicos (referentes ao bebê falecido e ao filho subsequente) e uma entrevista semiestruturada sobre a nova experiência de maternidade após a vivência da PG. Por meio da análise de conteúdo (Laville & Dionne, 1999) das entrevistas foi possível constatar que a experiência de PG se caracterizou como um evento traumático, estabelecendo-se uma reação melancólica nas mulheres diante dessa perda. Constatou-se, também, o impacto da PG no investimento emocional na nova gestação e na relação com o filho subsequente. Considera-se necessário evidenciar esse fenômeno, reduzindo a sua invisibilidade, bem como desenvolver intervenções para auxiliar no manejo dessas gestantes, possibilitando um acolhimento adequado e uma escuta sensível diante da sua dor.
Resumo Este artigo analisou a percepção e os sentimentos de casais sobre o atendimento recebido nos serviços de saúde acessados em função de perda gestacional (óbito fetal ante e intraparto). O convite para a pesquisa foi divulgado em mídias sociais (Instagram e Facebook). Dos 66 casais que contataram a equipe, 12 participaram do estudo, cuja coleta de dados ocorreu em 2018. Os casais responderam conjuntamente a uma ficha de dados sociodemográficos e uma entrevista semiestruturada, realizada presencialmente (n=4) ou por videochamada (n=8). Os dados foram gravados em áudio e posteriormente transcritos. A Análise Temática indutiva das entrevistas identificou cinco temas: sentimento de impotência, iatrogenia vivida nos serviços, falta de cuidado em saúde mental, não reconhecimento da perda como evento com consequências emocionais negativas, e características do bom atendimento. Os achados demonstraram situações de violência, comunicação deficitária, desvalorização das perdas precoces, falta de suporte para contato com o bebê falecido e rotinas pouco humanizadas, especialmente durante a internação após a perda. Para aprimorar a assistência às famílias enlutadas, sugere-se qualificação profissional, ampliação da visibilidade do tema entre diferentes atores e reorganização dos serviços, considerando uma diretriz clínica para atenção ao luto perinatal, com destaque para o fortalecimento da inserção de equipes de saúde mental no contexto hospitalar.
RESUMO Este artigo objetiva descrever estratégias de ensino e aprendizagem inovadoras empregadas nas disciplinas de Psicologia do Desenvolvimento I e II do curso de Psicologia de uma universidade federal do sul do Brasil, como parte de um projeto vinculado ao Programa de Iniciação à Docência (PID) dessa universidade. Atividades e técnicas diversificadas e adaptadas aos diferentes conteúdos têm sido propostas para garantir a participação e o engajamento dos discentes, tais como observação, criação de jogos educativos, desenvolvimento de mapas conceituais, análise de materiais audiovisuais e artísticos, criação narrativa e discussão de casos. A realização dessas atividades e técnicas tem se mostrado eficaz na promoção da integração teórico-prática, considerando a realidade dos estudantes, e na construção de um raciocínio psicológico para a compreensão dos múltiplos fenômenos associados ao desenvolvimento humano.
Infertile couples seeking treatment experience a social stigma that can lead to the need for privacy and, in turn, compromise their access to social support.This multiple case study, which involved the collection of sociodemographic and health data and interviews with four heterosexual couples accessed by convenience, aimed to examine the perception of the couples about the social support received after the disclosure of the condition of infertility and/or of the assisted reproductive technology treatment.The cases were analyzed individually and comparatively.From the couples' statements, it is highlighted that all of them revealed something about infertility and/or treatment at some point in the process, although some considered not revealing it.Both support and lack of support were perceived from the revelations.The non-disclosure was motivated by self-preservation and by avoidance of social pressure.The findings indicate the importance of psychological intervention to expand the couples' social support.
ABSTRACT This article aims to describe innovative teaching and learning strategies used in the disciplines of Developmental Psychology I and II of the Psychology course at a federal university in southern Brazil, as part of a project linked to the Programa de Iniciação à Docência (PID)2 of that university. Diversified activities and techniques adapted to the different contents have been proposed to ensure the participation and engagement of students, such as observation, creation of educational games, development of conceptual maps, analysis of audiovisual and artistic materials, narrative creation and discussion of cases. Carrying out these activities and techniques has proven to be effective in promoting theoretical-practical integration, considering the students’ reality, and in building psychological reasoning for understanding the multiple phenomena associated with human development.
ABSTRACT This study analyzed the Motherhood Constellation in two young mothers (19 and 22 years old), with and without depressive symptoms. Through qualitative content analysis of the interviews, information was categorized according to four themes of this construct: life-growth, primary relating, support matrix, and identity reorganization. There were no differences between mothers in the first theme. In the others, despite the similarities with the asymptomatic mother, the young woman with depressive symptoms had difficulty to get involved with her baby, restricted social support, and an impasse related to the organization of her maternal identity and internal reorganization in the face of developmental demands. These findings indicate the need for attention to the mental health of young mothers during the complex process of becoming a mother.
O diagnóstico de câncer acarreta uma situação de crise para o paciente e seus familiares. Esse impacto é agravado quando as pacientes são mães, pois o tratamento repercute na vivência da maternidade. Esse trabalho objetivou descrever as experiências de mulheres em relação à maternidade no contexto da hospitalização por câncer. Trata-se de estudo qualitativo, exploratório-descritivo e transversal, no qual foram entrevistadas seis mulheres com filhos de 3 a 9 anos. Os resultados demonstraram mudanças na maternidade após o diagnóstico. Ser mãe emergiu como aspecto central na vida das participantes, sendo os filhos considerados a maior motivação para o enfrentamento da doença. As mães demonstraram estar fortemente vinculadas a seus filhos e perceberam bom suporte social. Destaca-se a dificuldade de cumprir com as tarefas da maternidade durante o tratamento e a necessidade de os profissionais de saúde auxiliarem as pacientes no cumprimento destas tarefas, dentro do que for possível nesse contexto.
Resumo A psicoterapia pais-bebê é uma modalidade terapêutica que enfoca a relação da díade/tríade pai-mãe/bebê, geralmente embasada no referencial teórico psicanalítico. No Brasil, são escassas as pesquisas sobre o tema. Este estudo teve como objetivo investigar o perfil de profissionais que atuam como psicoterapeutas pais-bebê em Porto Alegre e as características e especificidades deste campo de atuação. Trata-se de estudo qualitativo, de caráter exploratório-descritivo. Os dados foram coletados por meio de entrevista semiestruturada realizada presencialmente. Participaram do estudo 10 psicoterapeutas do sexo feminino, selecionadas por conveniência. Utilizou-se a Análise de Conteúdo proposta por Laurence Bardin para a análise dos dados. A possibilidade de intervir precocemente foi descrita como a principal motivação para a inserção na área, que ocorreu sem uma formação acadêmica estruturada. Possuir conhecimentos sobre desenvolvimento infantil, constituição de vínculos e dinâmica familiar foi citado como imprescindível para a atuação profissional. Quanto às características pessoais e técnicas, foram mencionadas a necessidade de identificação com a técnica e com o trabalho com bebês e de possuir formação sólida, pautada em estudo teórico, supervisão e análise pessoal. A importância da experiência prática e da observação de bebês enquanto ferramentas de aprendizagem também foi destacada, e constatou-se a necessidade de ampliar a visibilidade desse campo de atuação entre profissionais e público em geral.