
Este artigo, proveniente dos resultados de uma pesquisa, destinou-se a apresentar a análise de um questionário, respondido por um sujeito que exerce seu trabalho profissional por meio da utilização de conhecimentos da Educação Informal. A partir deste contexto, o objetivo da investigação foi identificar indícios de compartilhamento de intenções em situações de Educação para o trabalho. Contamos com oito questões que buscavam evidenciar aproximações acerca da Teoria de Intencionalidade em relação à Educação para o trabalho. Para a análise dos dados, contamos com os pressupostos da Análise de Conteúdo. Os resultados aproximaram-se das concepções abordadas, possibilitando a evidenciação de indícios de compartilhamento de intenções para o exercício profissional que constroem a cognição do sujeito no exercício do trabalho como técnico de informática. As análises realizadas permitiram a elaboração de duas categorias e algumas subcategorias: Categoria C1 denominada por – Incentivo que move o sujeito para assimilação da dimensão do conteúdo, composta por duas Subcategorias: Vivências Pessoais (Sc1.1) e Experimentação Tecnológica (Sc1.2); Categoria C2 – Dimensão da interação desse processo de aprendizagem com uma comunidade, composta por duas Subcategorias: Espaços Virtuais (Sc2.1) e Empreendedorismo (Sc2.2). Com base nos resultados obtidos, aproximamos as propostas discutidas para o ambiente educativo informal relacionado à Educação para o trabalho, tendo por base teórica a Intencionalidade.
Jogos didáticos aprimoram as experiências de aprendizagem, pois têm o potencial de envolver e motivar os alunos, tornando o conteúdo educacional mais imersivo e agradável. No contexto do ensino de Química, observa-se que muitos estudantes enfrentam dificuldades em compreender os princípios teóricos, o que gera desinteresse e desmotivação. Diante desse cenário, o uso de metodologias ativas e materiais didáticos diversificados configura-se como alternativa eficaz para promover um processo de ensino-aprendizagem mais significativo e participativo. Com esse propósito, foi desenvolvido um material didático lúdico que integrou conceitos teóricos à prática. O presente relato apresenta o jogo elaborado no âmbito de um programa de formação docente e sua aplicação como recurso didático em turmas do 3º ano do Ensino Médio. A prática permitiu que os alunos aplicassem conceitos teóricos previamente estudados de forma prática e contextualizada, incentivando o desenvolvimento de habilidades como trabalho em equipe, comunicação e tomada de decisões. A aplicação da dinâmica gerou resultados significativamente positivos, evidenciando o fortalecimento do processo de aprendizagem e a intensificação da interação entre alunos e professores. A análise qualitativa, baseada em relatos não identificados dos estudantes, indicou que a atividade contribuiu de maneira relevante para a facilitação do processo de ensino-aprendizagem e para a fixação dos conteúdos trabalhados, favorecendo uma aprendizagem mais participativa e colaborativa. Além disso, os resultados ressaltaram, para a formação docente, o valor da utilização de estratégias lúdicas como recurso de engajamento dos estudantes.
O campo da educação dedicou-se à compreensão e promoção dos valores e princípios republicanos? É perceptível a falta de entendimento sobre dois conceitos principais, sendo eles: o de Democracia e o de República. Será que de fato o conceito República foi posto de lado pelo campo da educação? Esta pesquisa bibliométrica, de natureza quali-quanti, utilizou de uma base de dados na qual constam as teses defendidas em educação com nota do programa superior a cinco no período de 1996 a 2016, base construída pelo Grupo X. Verificamos que os temas que envolvem o conceito de República quase não apareceram e o modo como apareceram pode corroborar a afirmação de que esse tema fora abandonado pelo campo da educação. Entendemos esse fenômeno como nocivo, pois sem a presença da coisa pública, compreendida como o bem comum a todos, o conceito de Democracia se desvirtua e acaba sendo utilizado de forma banal.
Este artigo apresenta contribuições do materialismo histórico-dialético para o campo escolar, especificamente para a formação conceitual no ensino de Ciências e Biologia. O estudo se pauta no âmbito da Escola Soviética de Psicologia, liderada por Vygotsky, que se apropriou do materialismo histórico-dialético como aporte teórico-metodológico para a Psicologia Histórico-Cultural. Logo, este artigo tem o objetivo de identificar, no processo de construção de conceitos em Ciências e Biologia, o impacto dos cinco conceitos centrais do materialismo histórico-dialético: universal, singular, abstrato, concreto e generalização. Trata-se de um estudo exploratório, com análise de corpus proveniente de levantamento bibliográfico, realizado na plataforma Google Scholar, de onde se selecionaram artigos científicos, com recorte temporal de 2017 a 2023, resultando em um corpus de quatro artigos. Dentre os resultados encontrados, identificou-se que alguns conceitos apresentaram maior incidência e impacto, como abstrato, concreto e generalização, 100%, enquanto outros registraram pouca ou nenhuma ocorrência no material analisado; como singular, 25%, e universal, 0%, o que não desqualifica a relevância destes últimos nos processos de mediação escolar para a formação de conceitos científicos em Ciências/Biologia.
O presente artigo resulta de uma pesquisa que teve como objetivo explicar as concepções de tecnologia que fundamentam a inserção da inteligência artificial (IA) no campo educacional, em especial na educação profissional e tecnológica (EPT). Esse objeto se justifica no contexto da sociedade capitalista, no qual é crescente a inserção de tecnologias nas atividades humanas, em especial na educação, como por exemplo a IA. Para compreender esse processo, foi realizada uma pesquisa bibliográfica a partir de artigos, fundamentada no materialismo histórico-dialético enquanto método de investigação. Para compor o corpus da pesquisa, foram analisados 24 artigos acadêmicos que tratam da inserção da IA na educação/ensino, selecionados a partir do Portal de Periódicos CAPES. A maior parte da produção em questão oscila entre as perspectivas instrumental e determinista da tecnologia, em que a IA é apresentada como uma ferramenta neutra ou como uma força autônoma capaz de por si modificar o contexto educacional. Embora discussões críticas sobre tecnologia tenham sido identificadas, a concepção dialética não foi explorada, o que evidencia a necessidade de avançar na compreensão das relações e contradições sociais que permeiam esse contexto. Apenas um artigo abordou a EPT, o que representa uma lacuna e um potencial campo de investigação.
O Laboratório de Ensino e Pesquisa em História da Educação (LEPHE) é vinculado ao Departamento de Educação da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e preserva em seu acervo documental a história das instituições de Londrina e região. Este trabalho tem como objetivo apresentar as contribuições do LEPHE para a formação inicial dos Pedagogos. Para alcançar o objetivo proposto, foi desenvolvida uma pesquisa documental de abordagem qualitativa a qual buscou fontes digitais e impressas produzidas entre os anos de 2012 e 2024 que utilizaram o acervo do LEPHE, ou ainda, que resultaram dos estudos desenvolvidos nos grupos de pesquisa vinculados a ele. Os dados obtidos evidenciaram a publicação de quatro artigos, um livro e a produção de quatro trabalhos de conclusão do curso (TCC) desenvolvidos pelos graduandos na mesma instituição. Os resultados indicam que o LEPHE contribui com a formação de professores ao possibilitar acesso a diferentes fontes históricas para as pesquisas em História da Educação. O LEPHE possibilita aos futuros pedagogos o acesso ao passado e à constituição do presente, assim como, lança olhar sobre o futuro ao viabilizar o desbravamento das memórias acerca da organização escolar por meio de diferentes arquivos que permitem a compreensão da organização e da cultura escolar, dos métodos de ensino, das formas de organização curricular, da identidade das instituições educativas.
A presença de estudantes surdos nos anos iniciais da educação básica demanda políticas educacionais que garantam o acesso precoce à Língua Brasileira de Sinais (Libras), assegurando o direito linguístico e cultural previsto na Lei nº 10.436/2002 e no Decreto nº 5.626/2005. Este artigo analisa criticamente o concurso público realizado pela Prefeitura de Jataí (Goiás) em 2019, que previa vagas para “Instrutor de Libras”, mas cujas atribuições correspondiam, em grande parte, às de intérprete de Libras. O estudo baseia-se em análise documental do edital oficial e em referenciais teóricos sobre aquisição da Libras, identidade surda e a distinção entre professor/instrutor surdo e intérprete de Libras (Quadros; Karnopp, 2004; Skliar, 2013; Lacerda, 2009; Strobel, 2008; Perlin, 2013). Verificamos que, apesar de o cargo prever requisitos de nível superior (Pedagogia, Letras/Libras ou Licenciatura), a função descrita era a de tradução/interpretação entre português e Libras, restringindo a participação de candidatos surdos e inviabilizando o papel de modelo linguístico e cultural nos anos iniciais. Dos 18 inscritos, apenas 5 eram surdos, e nenhum obteve êxito em razão da discrepância entre cargo e atribuições incompatíveis com a surdez, além da ausência de acessibilidade adequada nas provas. Ao final, oito candidatos ouvintes foram aprovados, evidenciando uma prática que, além de distorcer o papel do instrutor de Libras, buscou reduzir custos salariais ao “rebaixar” a função de intérprete a um cargo de menor remuneração. A análise aponta para a manutenção de uma lógica ouvintista e economicista, em detrimento da construção de uma política bilíngue real para surdos nos anos iniciais. Assim, concluímos que o concurso representou uma oportunidade perdida de consolidar a presença de professores surdos na rede municipal, fragilizando o direito linguístico das crianças surdas. Contudo, defendemos a necessidade de redefinir os editais futuros, garantindo cargos de professor surdo de Libras, com formação superior e remuneração compatível, e de valorizar a atuação conjunta de intérpretes e professores surdos, reconhecendo suas funções distintas e indispensáveis.
O presente artigo traz dados de pesquisa realizada em uma instituição de ensino na qual buscou-se compreender em que medida a extensão e a pesquisa, desenvolvidas no período em estudo, incorporaram a formação socioambiental e quais as potencialidades e os limites presentes nesse processo. Definiu-se como recorte temporal o período de 2018 a 2023 – período de vigência do Plano de Desenvolvimento Institucional. Com base em fundamentos filosóficos e críticos, buscou-se compreender como a educação pode funcionar tanto como ferramenta de perpetuação do sistema capitalista quanto como instrumento de emancipação social. Com base nos pressupostos da formação humana integral, investigaram-se o contexto e os fundamentos filosóficos que direcionaram a implantação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás. A partir dessa base teórica e das análises empreendidas, verificou-se que a formação socioambiental assume papel central na construção da formação humana integral. Nessa direção, analisaram-se os projetos de pesquisa e extensão, desenvolvidos no IFG - Câmpus Jataí, verificando como abordaram a formação socioambiental, bem como as potencialidades e os limites dessas atividades para essa formação. Observou-se que a pesquisa e a extensão representam, no IFG - Câmpus Jataí, espaços privilegiados para o desenvolvimento de práticas de formação socioambiental.
O presente artigo tem por objetivo analisar como os porquês matemáticos aliados à aprendizagem significativa crítica podem contribuir para o ensino da Matemática. A fundamentação teórica baseia-se em autores como Lorenzato, Dante, Ausubel e Moreira, que defendem a curiosidade e a construção do conhecimento como elementos centrais do processo educativo. A metodologia adotada na pesquisa é de natureza qualitativa e abordagem exploratória. O estudo foi realizado com professores do Ensino Fundamental II, em escolas da rede pública, buscando compreender como os porquês matemáticos são apreendidos pelos estudantes e abordados pelos professores em suas práticas pedagógicas. A análise das entrevistas com os professores, foco principal desta pesquisa, foi realizada com base na Análise de Conteúdo, identificando 4 categorias: compreensão dos “porquês” matemáticos, percepção do ensino mecânico, formação inicial e lacunas no conhecimento matemático e estratégias didáticas e práticas pedagógicas. Além disso, como parte da pesquisa, foi elaborado um produto educacional: uma coletânea de porquês matemáticos organizados por eixos temáticos da BNCC, com foco na aprendizagem significativa crítica. Constatou-se que o trabalho com os porquês matemáticos, fundamentado na Teoria da Aprendizagem Significativa Crítica, favorece a compreensão dos conteúdos, uma vez que possibilita aos estudantes atribuir sentido ao que aprendem. Além disso, promove um entendimento crítico acerca dos conceitos matemáticos, contribuindo para a formação cidadã dos aprendizes.
Dividido em duas partes, o ensaio é resultado da atividade de pesquisa em andamento - PhD, Doctor of Philosophy, no Departamento de Educação da Universidade Federal de São Carlos. (2025) Enraizado ao solo da filosofia de Gilles Deleuze e Félix Guattari, o objetivo é pensar a inventividade dos conceitos educacionais. Metodologicamente, a primeira parte, evidencia a inseparabilidade, indiscernibilidade dos conceitos, obviamente, sua caracterização; a segunda; relacionado ao mundo da educação, trata-se de compreender as variações conceituais deleuzo-guatariana, neste interim, equaciona a ‘escola’, evidentemente, a sala de aula, território de ensino e de aprendizagem. O método se sustenta no pensamento múltiplo e rizomático da filosofia deleuzo-guattariano. As fontes de pesquisa são extraídas das obras de Gilles Deleuze (1987; 1992; 2011; 2011 - vol. 1; 2011, vol. 2.) e das, em parceria com Félix Guattari. (1992; 2011, vol.1 e vol. 2) Docentes e discentes estressados, cansados, repetitivos e adoecidos; planos de aula e de ensino, amarelados e rotulados, ementas reproduzindo a mesmice de sempre; coordenadores, diretores, chefes e reitores em grande parte desorientados. Isso é visível em todos os níveis de escolaridade aqui no Brasil. Em que medida a filosofia de Deleuze e Guattari pode ser uma via operacional na filosofia da educação? Palavras-chave. Inventibilidade; Educação e Filosofia da Educação.
Este artigo investiga como uma proposta de produção de texto escrito da coleção didática “Se Liga nas Linguagens”, destinada ao Ensino Médio, contribui para o desenvolvimento do letramento social. A abordagem da escrita ocorre em uma simulação de situação real de uso, com foco nas experiências e conhecimentos centrados no indivíduo, permitindo que os alunos mobilizem saberes próprios para construir textos com significado autêntico. A fundamentação teórica está ancorada em autores como Soares (2009), Street (1984), Choppin (2004), Geraldi et al. (1984) e Bakhtin (1997), os quais concebem o texto como prática social e a escrita como ferramenta essencial para a interação e a construção de significados em um contexto sociocultural. A pesquisa se desenvolve sob uma metodologia quanti-qualitativa interpretativista, utilizando a Análise de Conteúdo de Bardin (1977) e a Teoria do Paradigma Indiciário de Ginzburg (1991), para examinar a estrutura da proposta e seus impactos no letramento dos alunos. Os resultados evidenciam que a proposta analisada apresenta elementos que favorecem o desenvolvimento do letramento social, pois estimula a articulação entre vivências individuais e práticas discursivas formais. Ao considerar a trajetória pessoal dos estudantes, a proposta os incentiva a refletir sobre sua identidade e a utilizar sua bagagem sociocultural na construção de textos. Além disso, possibilita que os alunos percebam a escrita como um instrumento de inserção em diferentes esferas sociais, preparando-os para interações que extrapolam o ambiente escolar. Dessa forma, a proposta analisada não apenas tende a desenvolver competências textuais, mas também amplia a percepção dos alunos sobre o papel da linguagem escrita na vida cotidiana, fortalecendo sua autonomia e sua participação ativa em práticas sociais diversas.
Este artigo analisa os desafios e as possibilidades da formação docente frente à incorporação da Inteligência Artificial Generativa (IA) na educação básica, tomando como eixo central a construção de práticas pedagógicas antirracistas. A partir de uma abordagem crítica, dialogamos com estudos sobre racismo estrutural, racismo algorítmico e formação docente, articulando tais reflexões às experiências de professoras negras que atuam na escola básica. Argumenta-se que a IA, quando apropriada de forma acrítica, tende a reproduzir desigualdades históricas e epistemológicas; entretanto, quando mediada por uma formação docente crítica e racialmente consciente, pode contribuir para práticas pedagógicas emancipatórias. O texto enfatiza a centralidade da educação básica como espaço estratégico para o enfrentamento do racismo e para a formação de sujeitos críticos diante das tecnologias digitais.
Esta narrativa produz reflexões relativas aos desenhos das crianças na educação formal, problematizando aspectos historicamente construídos nos campos da educação das artes visuais e da pedagogia. As reflexões partilhadas resultam de uma das experiências vividas pelo autor em seu Estágio Pós-doutoral, desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Arte e Cultura Visual, da Faculdade de Artes Visuais, da Universidade Federal de Goiás. Mais especificamente, na disciplina Fundamentos da Arte na Educação, para os estudantes da Licenciatura em Artes Visuais da mesma instituição, os quais produziram exercícios de recordar experiências pessoais vivenciadas nas aulas de Arte da educação básica e de materializar o recordado por meio de cartas “endereçadas” a alguém num futuro distante. As considerações produzidas partiram da carta escrita pelo autor-Estagiário que, em contraste, “endereçou” para uma pessoa do seu passado distante, sua professora da educação primária, indagando sobre a origem dos desenhos que apenas coloriu.
Este artigo traz uma análise do desenvolvimento de uma sequência didática, sobre órbitas de satélites e processo de imageamento da superfície terrestre, utilizando uma maquete como material potencialmente significativo. Esta maquete simula o movimento orbital de um satélite e a rotação da Terra. Trata-se de um dos produtos educacionais da pesquisa de mestrado profissional desenvolvida numa turma do último período de um curso técnico subsequente em Agrimensura. A análise das falas dos estudantes nos permitiu identificar que eles apresentavam concepções prévias de que os satélites não possuem órbitas fixas e que seu posicionamento poderia ser alterado de acordo com a necessidade. Ao final do desenvolvimento da sequência didática, os estudantes passaram a compreender que os satélites possuem órbitas fixas e que o imageamento completo da superfície terrestre só é possível a partir da combinação entre o movimento orbital do satélite e a rotação da Terra.
Este estudo integra investigações relacionadas à pesquisa de doutorado em Educação na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), especificamente na linha de pesquisa "Saberes e Práticas Educativas". Está ancorado nas análises do Grupo de Estudos e Pesquisas em Didática e Desenvolvimento Profissional Docente (Gepedi). A hipótese central sustenta que a teoria da Didática Desenvolvimental fundamentada na formação do pensamento teórico é ainda subexplorada no contexto educacional brasileiro, embora apresente contribuições significativas tanto para a formação docente quanto para a prática pedagógica. Assim, o presente trabalho visa sintetizar as suposições teóricas dessa abordagem, destacando suas raízes, em especial, a psicologia histórico-cultural de L. S Vigotski (1896–1934), desenvolvida no âmbito da União Soviética. O objetivo principal da pesquisa é apresentar uma síntese das contribuições teóricas da Didática Desenvolvimental e suas concepções histórico-culturais. Os objetivos específicos incluem: (1) delinear os principais sistemas didáticos soviéticos, como os de Zankov, Elkonin-Davidov-Repkin e Galperin-Talízina; (2) identificar as perspectivas didáticas brasileiras, como a Obutchénie por unidades e a Atividade Orientadora de Ensino; (3) analisar a relevância da Didática Desenvolvimental para a educação contemporânea; e (4) propor o aprofundamento de estudos sobre essa abordagem no contexto da formação docente. Como abordagem teórico-metodológica do objeto de estudo deste trabalho - a formação docente (inicial e contínua) - foram adotados procedimentos do método materialismo histórico-dialético e subjaz uma revisão de literatura fundada na metodologia construtivo-interpretativa. A pesquisa visa responder à problemática central relacionada à importância da Didática Desenvolvimental para a educação e suas contribuições para a formação docente. Os resultados apontam que a didática, como disciplina pedagógica, está profundamente vinculada à análise do processo de ensino, orientando a prática pedagógica ao considerar o papel ativo do aprendiz. A Didática Desenvolvimental reforça a responsabilidade da escola em promover a apropriação do conhecimento científico como elemento fundamental para o desenvolvimento psicológico e intelectual dos estudantes, contribuindo para a formação de sua personalidade. O estudo conclui que a formação docente deve basear-se na Didática Desenvolvimental, integrando princípios psicológicos e didáticos. Para transformar a educação, os professores precisam de uma compreensão científica dos processos de ensino e aprendizagem, promovendo o desenvolvimento do pensamento teórico dos estudantes.
O artigo analisa as políticas públicas educacionais a partir da articulação entre a abordagem do ciclo de políticas, proposta por Stephen J. Ball e colaboradores, e a Teoria da Atuação, formulada por Ball, Maguire e Braun. Com base em uma perspectiva crítica e contextualizada, o estudo questiona modelos tradicionais e linearizados de formulação e implementação de políticas, evidenciando que estas não são meramente executadas, mas constantemente reinterpretadas e traduzidas pelos atores que as vivenciam. A abordagem do ciclo de políticas propõe um modelo analítico composto por cinco contextos interdependentes: influência, produção do texto, prática, resultados e estratégia política. Esses contextos permitem compreender a política como um processo dinâmico e disputado, atravessado por múltiplos interesses, arenas e subjetividades. Em diálogo com essa abordagem, a Teoria da Atuação enfatiza o papel ativo dos sujeitos, sobretudo os profissionais da educação, como agentes estratégicos que interpretam e traduzem as políticas de acordo com suas culturas profissionais, experiências e condições institucionais. O conceito de “atuação” desloca o foco da política como produto textual para a política em ação, considerando os processos criativos e situados pelos quais os atores escolares ressignificam as diretrizes normativas. A partir dessa perspectiva, o contexto da prática é compreendido como espaço central para a análise, uma vez que nele as políticas ganham concretude e são moldadas pelas interações entre sujeitos, discursos e estruturas. O artigo demonstra que essa articulação entre o ciclo de políticas e a teoria da atuação contribui para uma leitura mais complexa e plural da política pública, superando visões tecnocráticas e valorizando as práticas e os sentidos construídos nos cotidianos institucionais. Por fim, destaca-se que reconhecer a política como processo não linear e contingente é também reconhecer sua potência transformadora — ou excludente — conforme as disputas e traduções que a conformam nos diversos níveis e espaços sociais.
O presente artigo analisa a Educação de Jovens e Adultos no Brasil com foco em seus avanços e retrocessos. Fundamentado no materialismo histórico e dialético, o estudo busca compreender as contradições históricas da relação trabalho e educação, bem como a subordinação da educação aos aspectos econômicos. Partindo das categorias trabalho e educação, o texto expõe a dualidade educacional oriunda do sistema capitalista que tem como foco a perpetuação das desigualdades sociais. Além disso, analisa as políticas direcionadas à EJA no Brasil que padecem com a falta de continuidade e com a subordinação aos aspectos econômicos no regine de acumulação flexível.
O presente artigo, investiga a trajetória e a força da mulher negra gestora educacional no município de Tucuruí/Pará. A partir do viés da Análise do Discurso, examina-se como a identidade dessas gestoras é construída em meio a desafios estruturais, sociais e culturais, e como o racismo e o sexismo influenciam seus percursos. Utilizando autores que abordam a negritude e o racismo, este estudo visa discutir as barreiras enfrentadas, as estratégias de resistência adotadas e as conquistas obtidas por essas mulheres. A análise contribui para ampliar o debate sobre a intersecção de raça, gênero e poder no contexto da educação.
A utilização de podcasts como ferramenta inclusiva nas instituições educacionais pode promover um ambiente de aprendizado mais acessível e adaptado para estudantes com deficiência, oferecendo novas possibilidades de engajamento e personalização no processo de ensino e também de inclusão escolar. Neste contexto, o presente estudo teve como objetivo discutir as potencialidades e os desafios dos podcasts na educação inclusiva, analisando como essa tecnologia pode ser utilizada para promover o aprendizado de estudantes com deficiência, em especial visual. A metodologia adotada foi uma pesquisa bibliográfica, com foco em publicações entre 2014 e 2024, que abordam a aplicação de tecnologias digitais inclusivas. Os resultados apontam que os podcasts oferecem vantagens como flexibilidade e acessibilidade, sendo úteis especialmente para estudantes com deficiência visual. No entanto, também foram identificados desafios, como a necessidade de adaptações para estudantes com deficiência auditiva e a falta de infraestrutura e capacitação docente. Conclui-se que, superados esses desafios, os podcasts podem enriquecer a educação inclusiva e responder às exigências do ambiente educacional contemporâneo. Recomenda-se que pesquisas futuras explorem estratégias para ampliar o acesso a tecnologias digitais na educação inclusiva e desenvolvam programas de capacitação contínua para educadores no uso pedagógico de podcasts.
Esse texto apresenta resultados de uma pesquisa, que teve como objetivo evidenciar os resultados de teses e dissertações que usam a resolução de problemas para o ensino de matemática em escolas do Campo. Este estudo caracteriza-se por uma abordagem de natureza qualitativa, de caráter bibliográfico, seguindo a tipologia estado do conhecimento, como um estudo interpretativo de trabalhos desenvolvidas em Programas de Pós-graduação de instituições brasileiras no período de 2002 a 2023. A busca foi realizada Banco de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Foi realizada a Análise de Conteúdo dos seis trabalhos selecionados, com o agrupando as unidades de registros, chegamos nas seguintes categorias: objetivos gerais, referenciais utilizados pelas pesquisas, contribuições da resolução de problemas e, principais resultados apontados nas pesquisas. Esperamos que este estudo possa incentivar e contribuir para futuras pesquisas que versem sobre a resolução de problemas em que discutem o ensino de matemática em escolas do Campo, em que abarcam a formação inicial de professores e, também, estudos que contemplem professores em exercício nessas escolas.