
This article is offered as a postscript to and move beyond the arguments presented in the book Against School. That book dismantles the carceral logic and exclusionary architecture of modern schooling and proposes a ‘different’ education. This postscript connects the school’s ‘epistemological infrastructure’ to broader processes of extractivism and the development of modern capitalism within the global structures of European colonialism and environmental degradation. It moves beyond the trope of reversal and refusal to a more overtly contested posthuman critique. Sylvia Wynter’s notion of genres of man, framing the school as a sociogenic apparatus, serves to highlight the historical ontology of the school, placing it within the longue durée of imperial epistemologies of liberal humanism. The claim is that schooling is deeply imbricated, geo-physically and ideologically in the climate emergency and climate injustices. A ‘different’ future is discussed. Keywords: Anthropocene. Climate change. Colonialism. Curriculum. Environmental violence.
This article analyzes the prevalence and distribution of people with disabilities and people diagnosed with autism in Brazil by sex and age group, based on data from the 2022 Population Census. The study adopts a quantitative, descriptive approach and analyzes secondary data extracted from the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE) Automatic Retrieval System (SIDRA). The theoretical framework brings together disability studies, the biopsychosocial perspective of the World Health Organization’s (WHO) International Classification of Functioning, Disability and Health (ICF), the recommendations of the Washington Group, and debates on intersectionality. The results show an increase in the prevalence of disability across the life course, with higher prevalence among older people and a predominance of women in the older age groups. In the case of autism, prevalence is higher among younger age groups, and diagnoses are more common among boys in childhood, with this disparity narrowing in adulthood, suggesting historical underdiagnosis among women and older people. These findings provide a basis for planning educational policies concerning identification, accessibility, retention, and the provision of support throughout the life course. Keywords: Demographic Data. Sex. IBGE.
The cloze test was originally put forward as a method of measuring text readability. It soon, however, found other uses in various fields of research. The purpose of this literature review is to map the applications the cloze test has found over the 70 years since its inception. The review uncovers six broad areas of use: text readability, students’ reading ability and comprehension, language assessment and language learning, cognition and psychiatry, plagiarism detection, and, most recently, training and evaluation of language models. Each application necessitates a specific method for item deletion, varying answering formats, and distinct scoring strategies. The review delves into the academic discussions surrounding the cloze test, thoroughly examining both the criticisms and the advantages it offers in its varied uses. This ongoing dialogue and continuous discovery of new applications have allowed the cloze test to remain a relevant and adaptable tool. Keywords: Cloze procedure. Literature review. Authorship verification.
Neste artigo, analisa-se a escrita autobiográfica como prática formativa no Ensino Superior, investigando em que medida narrativas produzidas por estudantes de Pedagogia contribuem para a elaboração reflexiva da experiência e para a compreensão da própria historicidade. A pesquisa, de abordagem qualitativa interpretativa, fundamenta-se na análise documental e narrativa de produções escritas elaboradas em contexto avaliativo de uma disciplina do primeiro ano do curso. Os resultados indicam que as memórias escolares se organizam sobretudo em torno das relações pedagógicas e de experiências de reconhecimento ou violência institucional, evidenciando a centralidade da dimensão relacional da educação. Observa-se que a articulação entre teoria e experiência ocorre de forma desigual, sendo favorecida quando a escrita é acompanhada por mediações pedagógicas que estimulam a problematização do vivido. Conclui-se que a autobiografia pode constituir um dispositivo relevante de formação docente, desde que inserida em práticas que promovam o diálogo crítico entre experiência, conhecimento e contexto social.
Neste ensaio, propõe-se compreender a experiência educativa como intrinsecamente narrativa, na qual o sujeito organiza e atribui sentido à própria trajetória. O texto, de abordagem hermenêutica-narrativa, estrutura-se a partir de uma pesquisa qualitativa, com exploração bibliográfica, em grande medida fundamentada na obra de Paul Ricoeur. Ao articular a interpretação de cenas educativas oriundas da literatura à exegese de textos filosóficos e pedagógicos, busca-se dar a ver os enlaces entre narrativa e educação em três momentos: chamada, que convoca o aluno ao mundo comum e pergunta sobre sua identidade; travessia, movimento de construção de sentidos mediado pelo professor; e despedida, que marca os ensaios de enunciação em uma voz própria.
La relación entre el plagio y la integridad académica está siendo una preocupación para las instituciones universitarias. Se busca, a través de una revisión bibliográfica sistemática, conocer la perspectiva del alumnado y del profesorado universitario sobre el plagio, cuáles son las prácticas pedagógicas que han sido desarrolladas e implementadas, y las recomendaciones de las instituciones de enseñanza superior para promover la integridad académica. La revisión abarca el período de 2010-2026. Investigamos en la Web of Science los siguientes descriptores: plagio y enseñanza superior; integridad académica; ética académica. Constatamos que el enfoque a este tema ya nos permite entender el fenómeno. Las conclusiones apuntan a la necesidad tanto de una formación ética-evaluativa como de políticas institucionales.
A inteligência artificial (IA) vem transformando o papel dos professores e impactando significativamente sua identidade profissional e suas necessidades formativas. Esta revisão sistemática, baseada no protocolo PRISMA, analisa como a formação docente para a integração da IA, incluindo sua dimensão ética, vem sendo implementada em experiências formativas, tanto na formação inicial quanto na continuada. A partir da análise de um conjunto de artigos localizados em duas bases de dados internacionais (N = 19), examinaram-se o formato da formação, seus objetivos, as ferramentas utilizadas, os referenciais teóricos, os desafios encontrados e o grau de incorporação da dimensão ética. Os resultados destacam formações com forte base em competências, ao mesmo tempo que revelam uma integração fragmentada da dimensão ética em elementos como responsabilidade, transparência, equidade e inclusão. Os desafios identificados estão relacionados, principalmente, aos papéis desempenhados e às responsabilidades assumidas pelos docentes. Propõe-se o desenvolvimento de ações formativas que incorporem uma deliberação ética explícita, com base em uma perspectiva aristotélica, favorecendo a compreensão de episteme, techne e phronesis como fundamentos das interações pedagógicas em contextos mediados por IA.
Neste estudo, analisou-se o desenvolvimento do self dialógico de um jovem negro homossexual submetido a bullying homofóbico na escola. A pesquisa foi norteada pela Psicologia Cultural Semiótica e pela Teoria do Self Dialógico, adotando uma metodologia qualitativa, longitudinal e retrospectiva. Buscou-se identificar e analisar, no discurso narrativo do jovem, significações de si, vivências, experiências, expectativas para o futuro, bem como recursos pessoais, simbólicos e culturais utilizados como mecanismos de resiliência e superação do bullying. Os resultados demonstraram, a partir de uma análise interseccional, que o jovem de 25 anos, homossexual, negro, pobre e periférico, enfrentou a escassez de oportunidades, mas seu investimento na educação e sua dedicação persistente aos estudos foram os principais recursos de resiliência e superação das agressões homofóbicas sofridas nas diferentes fases de seu desenvolvimento.
El artículo aborda la crisis de la autoría y la honestidad intelectual en la investigación en Humanidades ante el avance de la Inteligencia Artificial Generativa. El objetivo es reflexionar cómo el giro dataísta y las funcionalidades de la Inteligencia Artificial Generativa cuestionan los conceptos tradicionales de autoría e individualidad investigativa. Mediante un análisis conceptual y ético, se desplaza la figura del autor como sujeto soberano, hacia una lógica probabilística sustentada en el acervo documental y cultural preexistente. Además, se aborda la tensión entre la verdad interpretativa y la algorítmica, advirtiendo sobre el riesgo de descualificación cognitiva. Como resultado se proponen la reconstrucción de la agencia epistémica bajo el paradigma enactivista y un enfoque antropocéntrico en la toma de decisiones. Se concluye que la tecnología debe funcionar como un andamiaje técnico y herramienta que, bajo un enfoque socrático, potencie la reflexión crítica, el juicio ético y la responsabilidad moral del investigador.
Este estudo teve como objetivo identificar o poder preditivo de variáveis sociodemográficas, laborais e familiares na explicação das dimensões da Síndrome de Burnout em professores da Educação Básica do Distrito Federal. Trata-se de um estudo quantitativo, observacional e transversal, com amostra não probabilística de 279 docentes. Foram utilizados um questionário sociodemográfico, laboral e familiar, o Spanish Burnout Inventory e o Survey Work-Home Interaction Nijmegen. Os dados foram analisados por meio de estatísticas descritivas, consistência interna e regressões lineares múltiplas com procedimento stepwise. Os resultados mostraram que as interações negativas entre trabalho e família foram os preditores mais consistentes do burnout. A interferência negativa do trabalho na família associou-se à menor ilusão pelo trabalho e a maiores níveis de desgaste psíquico, indolência e culpa. As interações positivas mostraram efeito protetivo, favorecendo maior ilusão pelo trabalho e menor desgaste psíquico. Concluiu-se que o burnout docente é multideterminado e demanda intervenções institucionais e políticas públicas voltadas à saúde mental.
Este ensaio teórico analisa a transição da implementação linear para a Teoria da Atuação (Policy enactment) em políticas públicas, com ênfase na educação. A problemática reside na superação da dicotomia entre formulação e execução, reconhecendo a política como campo dinâmico. O objetivo é revelar como normas são interpretadas, traduzidas e recreadas por atores sociais na prática cotidiana. Metodologicamente, baseia-se em revisão densa da literatura, articulando o Ciclo de Políticas de Stephen J. Ball com modelos analíticos de implementação. Os resultados evidenciam que a política não é processo automático, mas de disputas e recontextualizações constantes. Conclui-se que a atuação de profissionais, especialmente professores como criadores de sentido, é fundamental para a efetividade das políticas, exigindo compreensão não linear, contextualizada e criativa dos processos educativos e governamentais.
Este artigo tem como objetivo analisar narrativas de professoras da Educação Infantil produzidas no contexto da pandemia de covid-19, compreendendo-as como epistemologia de resistência em um cenário de governança neoliberal. Fundamentado nas contribuições de Walter Benjamin acerca da experiência e de Mark Fisher sobre o realismo capitalista, o estudo inscreve-se no campo das pesquisas qualitativas de orientação narrativa, tomando como material de análise entrevistas realizadas com professoras da Educação Infantil da rede pública municipal. Argumenta-se que políticas educacionais contemporâneas, atravessadas por racionalidades tecnocráticas, tendem a capturar a prática docente por meio de processos de padronização. Como resultado, evidenciou-se que as narrativas docentes produzem fissuras nessa lógica ao reinscrever a experiência educativa em sua dimensão histórica e coletiva, afirmando o vínculo, o afeto e a brincadeira como formas cotidianas de resistência.
Este artigo objetiva investigar e problematizar as implicações das trajetórias constitutivas de professoras alfabetizadoras para a maneira como conduzem as práticas de ensino da leitura e da escrita. Trata-se de uma pesquisa qualitativa fundamentada na História Cultural e na perspectiva sociocultural do letramento, cujos dados foram produzidos por meio de narrativas escritas de 16 docentes da rede Serviço Social da Indústria de São Paulo (SESI-SP), coletadas em encontros formativos e analisadas à luz do Paradigma Indiciário. Os resultados indicaram que memórias de alfabetização, percursos formativos e experiências cotidianas influenciam diretamente as práticas docentes e que as professoras reinterpretam prescrições institucionais, elaboram táticas próprias e constroem ambientes alfabetizadores significativos, revelando a dimensão inventiva da docência.
Este artigo reflete sobre a técnica, as tecnologias, com particular atenção à inteligência artificial generativa (IAGen), e seus impactos sobre a vida na contemporaneidade. O eixo norteador do debate empreendido é a ética, pensada não como procedimento para o uso das tecnologias disponíveis, mas como caminho alternativo ao poder que fundamenta a técnica atual e que, ao mesmo tempo, é sustentado por ela. O posicionamento teórico aqui assumido inscreve-se no campo epistemológico dos estudos sobre a imbricação entre a teologia, o direito e a política, denominado teologia política. O método desempenhado é o bibliográfico, implicando, além da leitura de autores de referência, uma prévia investigação sobre o estado da arte das pesquisas acerca da IAGen no Brasil.
Este artículo aborda los resultados de un proyecto de investigación sobre cómo operan los discursos y prácticas racistas desde la perspectiva de estudiantes, docentes y personal de servicio en una universidad ecuatoriana. La metodología es mixta y combina la cartografía social con un cuestionario con formato de respuesta tipo Likert, aplicada a 939 integrantes de la comunidad universitaria. Los resultados exponen que el racismo no se limita a actos explícitos, sino que actúa como entramado estructural y cotidiano, y está inscrito en corporalidades racializadas, particularmente afrodescendientes, asociadas a roles de servicio y subordinación en este estudio. Se identifican estereotipos, prejuicios y jerarquías simbólicas que afectan la dignidad, el reconocimiento y las trayectorias académicas. Los hallazgos evidencian tensiones entre los discursos institucionales de inclusión y prácticas que reproducen desigualdad, situando en el centro del análisis a corporalidades racializadas del personal de apoyo, históricamente invisibilizadas en las investigaciones sobre racismo universitario.
Esta pesquisa tem como objetivo evidenciar e tensionar colonialidades do ser e do saber relacionadas a gênero, sexualidade, suas operações e interseccionalidades em narrativas e memórias autobiográficas de infâncias e escolarizações de pessoas Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans, Travestis e Intersexo (LGBTI). Problematiza-se: como crianças rememoradas por adultos LGBTI resistiram a colonialidades sobre (seus) corpos, afetos e (r)existências dissidentes na infância e na escola? Para isso, o estudo dialoga com seis convidados, Giorgia Prates, Toni Reis, Nick Nagari, Pedro Jorge, Alícia Kruger e Amiel Vieira, que compartilham memórias (super)poderosas analisadas em perspectiva interseccional no movimento (po)ético-teórico-metodológico da Baitolagem. Apoiado em teorizações (de)coloniais, (trans)feministas, étnico-raciais e da Sociologia da Infância, o estudo evidencia experiências marcadas por processos de racialização, generificação, sexualização e (a)normalização de corpos e afetos, ancorados no adultocentrismo, bem como os modos pelos quais tensionaram pretensas normativas (coloniais) por meio de resistências e pintosidades verbais, simbólicas e desobedientes.
Este trabalho, fundamentado na epistemologia de Gaston Bachelard, analisa o uso da Inteligência Artificial Generativa (IAGen) na educação. Essa tecnologia não é compreendida como uma ferramenta neutra, mas como uma racionalidade algorítmica probabilística que funciona por meio de raciocínio implícito e predição estatística, a qual automatiza obstáculos epistemológicos. Argumenta-se que, na área educacional, o desafio reside na interação com essa tecnologia, muitas vezes realizada de forma acrítica, pois ela tende a reforçar experiências primeiras, como opiniões pessoais, além de aspectos ligados ao animismo e ao substancialismo. Tais obstáculos acabam sendo internalizados e dificultam a inovação pedagógica, podendo até paralisar novas iniciativas. Ademais, essa dinâmica contribui para uma lógica de datificação, na qual as interações sociais e os processos de ensino e aprendizagem são transformados em dados numéricos para análise e gestão. Esse cenário compromete o trabalho do professor, restringe a sua autonomia pedagógica e reduz as atividades educativas à execução técnica.
Este artigo destaca as contribuições da professora e pesquisadora brasileira Maria Passeggi para o campo da pesquisa narrativa em Educação, no seio do movimento biográfico internacional. Discute-se como seus estudos possibilitam (re)pensar a formação de modo ético e humanizado, ao centralizar a escuta, o acolhimento, a reflexividade narrativa e a capacidade de agir dos sujeitos da pesquisa, mesmo em contextos de vulnerabilidade. A partir de uma entrevista com a pesquisadora, são discutidas três dimensões centrais de sua trajetória e de seus estudos: a autoria docente como elemento formativo e emancipatório; o respeito à dignidade das participantes, especialmente nas pesquisas com crianças; e a ética do cuidado como princípio de valorização da vida. Os estudos indicam coerência entre vida, formação e produção acadêmico-científica de Maria Passeggi, em especial na compreensão da narrativa como prática ética, estética e política, suscetível de (trans)formar tanto quem narra quanto quem escuta.
Este artigo tem como objetivo refletir, a partir das narrativas de um jovem estudante de graduação, sobre seu processo de aprendizagem ao longo da vida e destacar suas contribuições para a formação docente. A pesquisa foi desenvolvida sob uma abordagem interpretativa, que articula a exploração bibliográfica com narrativas autobiográficas, utilizando métodos multimodais, como a cartografia de aprendizagem, o diário e as problematizações em torno do aprendizado do estudante e do próprio pesquisador. A partir de referenciais histórico-críticos, estabelece-se um diálogo com as narrativas, reconhecendo seu valor como instrumento metodológico de investigação. Conclui-se que o processo de aprender, além de seu caráter situado, integra dimensões fundamentais, como a biografia, os contextos universitários, as marcas das Ciências Humanas e a aplicação prática do conhecimento.