
The depressive phenomenon is deeply related to the emergence of complexity that marks contemporary times. However, more than exhaustion from the effort to be oneself, the depressive suffering of the contemporary individual is more related to the alienation from himself and the fragmentation of one's relationships. This research aimed to unders-tand the depressive process as a creative adjustment in contemporary times, using Gestalt therapy as a clinical-episte-mological reference. Qualitative research was carried out based on a narrative review and a phenomenological metho-dology was used to analyze the selected contents. From this content analysis, the following categories were observed to deepen the results and discussions: 1. The theory of the self and the configurations of health and illness in Gestalt the-rapy; 2. Creative adjustment and its relationships with depressive suffering complexity; 3. Contemporary times, the cli-nic and creative adjustment. This study contributed to the understanding that depression in contemporary times is an eminently relational phenomenon and that a clinic that offers a creative and transformative psychotherapeutic care needs to be committed ethically, aesthetically and politically.
O presente artigo busca reconstruir o argumento de Wolfgang Blankenburg, que caracteriza a experiência da esquizofrenia como uma falta de habitualidade em relação às regras do jogo da vida cotidiana. Em sua obra “A perda da evidência natural: uma contribuição à psicopatologia oligossintomática da esquizofrenia”, Blankenburg explora o caso clínico de Anne Rau, uma paciente que descreve sua dificuldade em reconhecer e seguir as "regras do jogo" que constituem a vida cotidiana, referindo-se a essa experiência como uma perda da "evidência natural". Utilizando os conceitos heideggerianos de "conjuntura" e "contexto remissivo", formulados em “Ser e Tempo”, este artigo realiza uma análise fenomenológica da relação de Anne Rau com essas regras. A ausência de habitualidade com as regras do jogo da vida cotidiana se manifesta em uma aparente falta de tato, comportamentos percebidos como estranhos e uma desorganização evidente em suas ações e discurso. Para compensar essa falta de habitualidade, Anne Rau recorre a um esforço reflexivo excessivo, o que dificulta até as situações mais simples.
This paper explores the intersections between Emmanuel Lévinas' ethics of otherness and Gestalt therapy, aiming to understand how these approaches underpin care in psychotherapeutic practice, considering an ethical and political commitment to otherness. The research adopts a qualitative theoretical approach, reviewing the historical, phi-losophical, and epistemological aspects that support Gestalt therapy and articulating them with Lévinas' philosophy. It is based on the premise that Gestalt therapy transcends traditional conceptions by critically reflecting on its practice in dialogue with contemporary ethical-political demands. Concepts such as self-care, relational care, and responsibility towards the Other are explored, with a focus on the lived experience of the Other as central to the therapeutic process. From the Lévinasian perspective, ethics is emphasized as the first philosophy, contributing to a psychology that moves away from solipsistic practices. The results suggest the possibility of an ethical-relational care model, in which the pri-macy of the Other challenges ego-centered paradigms and proposes a therapeutic practice rooted in hospitality and com-mitment to otherness. It is concluded that the articulation between Gestalt therapy and Lévinasian ethics offers new perspectives on the therapist-client relationship
A ansiedade é uma das principais expressões de sofrimento psicológico no cenário brasileiro, sobretudo após a pandemia da COVID-19. Neste manuscrito, revisou-se conceitualmente a experiência de ansiedade a partir de Carl Rogers e outros autores ligados ao campo da Abordagem Centrada na Pessoa. Utilizou-se técnicas de leitura e realizou-se uma revisão narrativa com textos nacionais e internacionais que abordam a temática da ansiedade na perspectiva centrada na pessoa, o que permitiu a organização de dados dispersos e contextualização do desenvolvimento teórico do referido tema. Entre os principais resultados, observou-se a inexistência de uma definição uníssona do fenômeno da ansiedade e uma preocupação dos pesquisadores brasileiros em diferenciá-la da experiência de angústia. Uma síntese conceitual é proposta, localizando a ansiedade como uma resposta afetiva do organismo diante de dados da realidade que ameaçam o conceito que temos do mundo e de nós mesmos. A ansiedade corresponde a uma expressão da vivência humana orientada para a preservação do organismo diante de um funcionamento incongruente. Considera-se que este estudo pode contribuir com o aprimoramento teórico e fundamentação de práticas centradas na pessoa frente às demandas de ansiedade.
O artigo objetiva compreender a experiência de luto dos profissionais da saúde frente à perda de seus pacientes durante a pandemia de COVID-19 e investigar possíveis reverberações. Foi realizada uma pesquisa de campo em um hospital referência da rede pública de saúde do Estado do Ceará. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com 04 profissionais de diferentes categorias que atuaram na ‘UTI COVID’. O material coletado foi analisado de acordo com a Análise de Discurso de Michel Pêcheux. Como principais resultados evidenciados com a ajuda dos princípios da Gestalt-terapia, destacam-se: entrave ao abordar a temática, racionalização no afeto da relação equipe-paciente e a assimilação identitária como condicionante de sofrimento. É necessária a elaboração de intervenções em saúde mental pertinentes a essa realidade de manifestações e vivências especificas do luto, assim como abordar a saúde mental nos seus cursos de graduação, para que assim, essa temática possa ser exposta com menos desconforto pelos profissionais de saúde em seu processo de trabalho.