
This article aims to analyze and understand the participation processes of young Brazilians from the Northeast in different affinity spaces linked to literacy practices in Spanish. We opted for a qualitative research of a virtual ethnographic nature where various scenarios of network interaction have been selected. The collected data set has allowed the establishment of a comprehensive model of the phenomenon studied from the coding and categorization carried out using Atlas.ti. Among the findings we must highlight the relevance of the Spirit fanfic platform as a motivating space with educational potential in learning Spanish as a foreign language.
In this study, we analyze the realization of -r in the coda position, with emphasis on the word-final position. The following phenomena may occur in this context: speech deletion (e.g., ‘vou fal[a]’ vs. ‘vou falar’ [I will talk]), writing deletion (e.g., ‘vou fala’ or ‘vou falá’ vs. ‘vou falar’ [I will talk]), and writing addition (e.g,. ‘eu corrir’ vs. ‘eu corri’ [I ran]). By reviewing existing research that analyzes such phenomena, we discuss how orality ‘leaks’ into writing. Studies examined show that speech deletion is more frequent than writing deletion; in both modalities, it affects verbs more than non-verbs (being practically categorical at the end of verbal infinitives in speech); and it is inhibited in monosyllables in both modalities. In writing, as shown by research results, the addition of -r seems to affect verbs more, especially verbs with a final stressed syllable or monosyllabic verbs. These patterns suggest that there is a relationship between the possibility of deleting the final -r in verbal infinitives, authorized by the stress of the final vowel, both in speech and writing, the normative pressure for this -r to be maintained in writing, and the addition of -r in writing as a marker of stress.
This study aims to characterize the writing tasks found in the Chilean secondary education Language and Literature textbooks, provided by the government. The analysis focuses on the skill the tasks seek to develop, the discourse genre, the textual sequence, the adopted didactic approach, and the underlying models of composition. To achieve this, a content analysis was conducted on 466 writing tasks in the textbooks, which were categorized according to whether they promoted reading comprehension or written production. For comprehension-oriented tasks, we identified the genre, textual sequence, and the specific reading skill involved; for production-oriented ones, in addition to genre and sequence, the stages of the writing process and the rhetorical situation were also made explicit. The results show that 80% of the tasks focus on reading comprehension, using instrumental genres for assessment. Only 10% are dedicated to writing production, which is approached from a process-oriented perspective and based on the notion of discourse genre. Thus, the textbooks prioritize writing as a means to develop reading comprehension, favoring a content-centered rather than process-centered pedagogy.
From the perspective of Variationist Sociolinguistics and under the auspices of Labov, this academic work, through quantitative research methods, aims to quantify, transcribe, and analyze the occurrence and productivity of the morphosyntactic phenomenon known as the anacoluthon. The research corpus consists of sentences extracted from oral narrative texts produced by 36 (thirty-six) male informants and 36 (thirty-six) female informants, teachers working in Basic Education in the public school system of the State of Paraná, from various areas of knowledge, ranging from Art to subject of Chemistry. The age of the male informants ranges from 25 (twenty-five) to 64 (sixty-four) years, while the age of the female informants ranges from 27 (twenty-seven) to 70 (seventy) years. To support our work, we draw on several scholars, such as Sacconi (1975), Bechara (1992), Cipro Neto (2003), Bortoni-Ricardo (2005), Labov (2008), Almeida (2009), Ilari and Basso (2017) and Castilho (2020), among other researchers and scholars of human language. The results show that the syntactic phenomenon of the anacoluthon constitutes an increasingly present linguistic reality in the speech of Basic Education teachers, regardless of the subjects they teach.
A comunidade surda, fluente em Língua Brasileira de Sinais (doravante Libras), enfrenta desafios significativos na escrita da Língua Portuguesa devido às diferenças estruturais entre as duas línguas. A Libras como L1 para surdos, como língua visual-espacial, possui gramática própria, sem uso de conectivos, preposições ou flexões verbais típicas do português como L2 para os surdos. Essa diferença resulta em produções textuais que, apesar de coerentes dentro da estrutura da Libras, são frequentemente vistas como incorretas pela sociedade ouvinte. Tal interpretação equivocada reforça o preconceito linguístico e afeta diretamente a inclusão de pessoas surdas, especialmente em concursos públicos que não oferecem provas em Libras. Os dados coletados através de formulários evidenciam que a maioria dos surdos entrevistados já enfrentou críticas ou discriminação por sua forma de escrever. O presente estudo reforça a importância de uma abordagem pedagógica e avaliativa mais inclusiva, com respeito à identidade linguística da comunidade surda, e propõe a necessidade de políticas públicas e educacionais que reconheçam a Libras como primeira língua e respeitem a escrita surda como parte legítima de sua expressão.
This article presents examples of complexities encountered in the translation of phraseological units, more specifically those of idioms. In the present text, it is searched the idiomatic equivalent in English for the expression ‘Pai dos burros’ in Portuguese. Throughout the text, some possibilities of idiomatic translation are discussed for the highlighted idiom. For this study, some assumptions from Lexicography and Phraseology, in interface with Translation Studies, are adopted, as represented by authors such as Welker (2007), Szerszunowicz (2013), Zgusta (2007), Tagnin (2013) and others. The problem arises when one considers that there are many levels intended for interlingual synonyms, that may be present in translation from language A to language B, where it is necessary to look for a functional equivalent that provides the target language reader with the same effect produced in the source language reader. As far as methodology is concerned, we sought to demonstrate a possible path based on the following steps: analysis of possible translation strategies for popular expressions; web search experiment for the literal terms ‘father of donkeys’, ‘father of mules’ and finally, ‘father of dummies’. As a result, it comes to the idiomatic equivalent ‘father of dummies’ for the expression in Portuguese pai dos burros as it is popular and jocularly addressed to dictionary.
Teve-se como objetivo descrever a implementação fonética do foco prosódico contrastivo na fala de crianças de dois grupos etários, falantes do Português Brasileiro, a partir da comparação de parâmetros acústicos. Como hipóteses, assumiu-se que: (i) a produção do foco seria marcada pelos parâmetros de duração, frequência fundamental e intensidade; (ii) a posição sintática afetaria a implementação fonética; e (iii) seriam observadas diferenças entre os grupos. Trinta crianças, organizadas em dois grupos etários (4-6 e 7-9 anos) participaram de experimento cuja tarefa elicitou enunciados com foco contrastivo, a partir dos quais realizou-se análise acústica, mensurando valores dos referidos parâmetros. Os resultados mostraram, por um lado, que as crianças diferenciam o foco contrastivo do foco de escopo largo e o marcam por meio de parâmetros considerados robustos para o PB; por outro lado, os resultados mostraram que a implementação fonética foi sensível à posição sintática, sendo a posição de sujeito mais desafiadora; e, por fim, que os grupos se diferenciaram quanto à implementação fonética, com crianças de 4-6 anos ancorando-se menos na duração do que as crianças com 7-9 anos, e mais na intensidade do que essas últimas, enquanto a frequência fundamental marcou a produção de ambos os grupos. Os resultados sugerem que o processo de aquisição do foco é marcado por instabilidades que se explicam tanto por fatores de natureza estrutural quanto pelo refinamento funcional dos parâmetros prosódicos de natureza fonética.
O presente artigo tem por objetivo abordar a relação fala-escrita e o problema da natureza da aquisição da escrita. Tal abordagem é orientada por uma perspectiva semiológico-enunciativa do vir a ser escrevente, perspectiva filiada à teoria da linguagem de Émile Benveniste, mais precisamente às suas teorizações sobre a semiologia e a enunciação. Em termos metodológicos, trata-se de um estudo teórico que é um recorte de um estudo teórico-analítico mais amplo, ancorado em dois corpora de escrita infantil, constituídos em sessões de coleta naturalísticas e longitudinais, realizadas em ambiente doméstico, ao longo de dois anos e seis meses, com duas crianças: uma menina, acompanhada antes do ciclo da alfabetização, e um menino, acompanhado durante o ciclo da alfabetização. Os resultados obtidos permitem sustentar três princípios: (1) a aquisição da escrita impõe duas grandes abstrações linguísticas à criança, uma abstração discursiva e uma abstração sistêmica; (2) a aquisição da escrita supõe dois tipos de conversões linguísticas pela criança, as conversões discurso-sistema/sistema-discurso e as conversões fala-escrita/escrita-fala; (3) a aquisição da escrita é um ato de instauração, na língua, da criança enquanto escrevente e leitora e, na criança, da língua enquanto sistema de signos e discurso escrito que remodela semiologicamente esse sistema.
Uma das questões mais desafiadoras das ciências da linguagem trata da relação entre significante e segmentação. Ao tomar como pressuposto a noção de cadeia significante da psicanálise lacaniana, esta pesquisa tratou os formalismos das ciências da linguagem na esfera da interdição ideológica quanto à possibilidade de tratar de marcas linguísticas como constitutivas do dizer, e não propriamente como perturbações ou instabilidades. Por meio de uma teorização sobre a língua e o significante em interface com os estudos do discurso, este artigo mostra de que forma, em uma narrativa oral contada por uma mulher não-alfabetizada, intitulada ‘Bom dia meu cravo, bom dia minha rosa’, o corte do significante escravo contribui para o controle da deriva dos sentidos. No fluxo narrativo, ao enunciar ‘cravo’ o sujeito-narrador mobiliza, no interdiscurso, o significante ‘escravo’. Esta forma de dizer de maneira deslocada é debatida na Psicanálise como um modo de redirecionar a pulsão por meio da negociação com o recalque. No caso, na memória coletiva há uma simbolização sobre a ‘escravidão’. No plano do imaginário, essa simbolização se refere à evidência de que o escravo trabalha sob a condição de servidão a um senhor, como um condenado, tal como aparece na fala da narradora. A necessidade de não ser lembrado sobre esta condição é o que assegura que esse conteúdo recalcado faça com que o sujeito permaneça na posição que se espera de um escravizado, a daquele que não questiona a sua condição. Desta forma, debatemos como o lugar do sujeito-narrador é atravessado por essa memória coletiva, também sob efeito do esquecimento número um em Pêcheux.
‘Qual seria o estatuto do comum nos estudos da linguagem?’ Ao que podemos inferir da entrevista dada pelo professor e pesquisador Manoel Luiz Gonçalves Corrêa, essa, talvez, venha a ser uma das questões que, atualmente, o inquieta nas discussões sobre heterogeneidade da linguagem. Professor sênior do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas (DLCV) da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras ((FFLCH), da Universidade de São Paulo-USP, Manoel Corrêa, como comumente é conhecido na esfera acadêmica, tem seus estudos voltados para os temas: escrita, letramentos e discurso. Sua trajetória científica é marcada por uma proposição de escrita, enquanto objeto do conhecimento, como heterogênea e discursivamente construída.
Este trabalho se fundamenta nos pressupostos teórico-metodológicos da Neurolinguística Discursiva e tem como objetivo apresentar um estudo de caso de uma criança que recebeu uma hipótese diagnóstica indevida de dislexia, justificado pelas chamadas trocas de letras na escrita. Tal hipótese foi elaborada em avaliação psicopedagógica, através de testes clínicos padronizados e de protocolo de avaliação da escrita baseado na psicogênese de Emília Ferreiro. Apresentarei dados do estudo longitudinal (junto à criança, focado na reflexão sobre a complexa relação entre fala, leitura e escrita) realizado com o objetivo de analisar e intervir no processo de aquisição da escrita. Os resultados mostram que o registro gráfico de processos fonológicos foi avaliado pela clínica tradicional como evidência de uma patologia relacionada à escrita e à leitura. A hipótese diagnóstica de dislexia inicialmente elaborada não se sustenta diante das análises de dados apresentadas à luz das teorias mobilizadas pela ND e pela análise da escrita em ato, momento no qual é possível flagrar as relações entre fala e escrita. Em conclusão, a Neurolinguística Discursiva ressalta a necessidade da mobilização de teorias linguísticas para avaliar a escrita inicial, de modo que se evite patologizar processos comuns e previstos no período de alfabetização.
Considerando que a literatura apresenta resultados divergentes sobre o desempenho perceptual de crianças com e sem transtorno fonológico (TF); o objetivo do estudo foi comparar o desempenho perceptivo-auditivo na identificação das sonorantes destas crianças, e analisar se haveria um efeito das subclasses (nasais, líquidas laterais e não laterais) e do nível de gravidade para as crianças com TF. Participaram 64 crianças, sendo 42 com e 22 sem TF, de quatro a oito anos, que realizaram o teste de identificação PERCEFAL envolvendo a classe das sonorantes. Os resultados mostraram que não houve diferenças perceptuais entre o grupo de crianças. Contudo, entre as crianças com TF, houve efeito do nível de gravidade e das subclasses. Crianças com nível severo apresentaram menor porcentagem de acertos e maior tempo de reação (TR) comparadas às demais. Além disso, para ambos os grupos, o TR dos acertos foi menor para as líquidas laterais do que para as nasais e líquidas não laterais. Conclui-se que o déficit perceptivo-auditivo observado está associado à gravidade do transtorno fonológico (TF), e não ao simples fato de pertencer ou não ao grupo clínico. O efeito das subclasses reforça que a dificuldade perceptiva não é homogênea, sugerindo a existência de distintas similaridades perceptuais na classe das sonorantes. A classe fonológica e o nível de gravidade deve ser levado em conta no processo de avaliação e reabilitação de crianças com TF.
De uma perspectiva linguístico-discursiva, este artigo visa discutir possibilidades de usos do podcast para fins acadêmicos, considerando as relações entre fala e escrita e entre práticas sociais de oralidade e de letramento na contemporaneidade. Propõe-se uma reflexão sobre a articulação entre os seguintes temas: (i) relações entre fala e escrita e entre oralidade e de letramento; (ii) desenvolvimento de práticas sociais orais e letradas por meio de usos do podcast no ensino superior; (iii) enfrentamento da desinformação e das fake news, em favor de uma educação científica. Parte-se de um cenário panorâmico de usos e consumidores do podcast no Brasil a fim de situar o interesse social nessa mídia contemporânea que traz traços da comunicação radiofônica. Uma síntese dos conceitos fala e escrita em textos seminais dos estudos linguísticos e de relações desses conceitos com práticas orais e letradas fornece a perspectiva a partir da qual é desenvolvida uma reflexão propositiva sobre criação de podcasts no ensino superior numa conjuntura marcada por esforços em favor da educação científica frente à desinformação e fake news. Nas considerações finais, são sistematizadas contribuições para uma reflexão sobre as relações entre fala/oralidade e escrita/escrita no processo de criação de podcast acadêmico, considerando-se o viés de uma discussão tanto teórica quanto aplicada.
Falar em alfabetização e em letramento no Brasil, hoje, é necessariamente encontrar a obra e o pensamento da professora Leda Verdiani Tfouni, referência fundamental pela profundidade e pelo rigor de suas contribuições teóricas sobre esses temas. Graduada em Letras Anglo-Germânicas pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), mestre em Aquisição da Linguagem pela University of California e doutora em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Leda Tfouni foi pioneira ao trazer para o debate brasileiro uma compreensão crítica e sócio-histórica dos processos que envolvem aprender a ler e a escrever.
‘Alguma coisa está [sempre] fora da ordem’. Esta é a principal inquietação que atravessa e define a trajetória acadêmica de Lourenço Chacon na busca por compreender o funcionamento da linguagem. Essa inquietação tem se traduzido numa rica, diversificada e movente produção científica que inclui artigos em periódicos, capítulos de livro e livros, nos quais o autor tem paulatinamente construído e consolidado conhecimentos sobre ‘aquilo que escapa’, tendo, portanto, como objeto de investigação mais amplo as ‘instabilidades da linguagem’. A busca pelo entendimento de que o instável é constitutivo da linguagem e, portanto, não algo que deveria ser ‘corrigido, adequado, reabilitado ou excluído’ da linguagem, tem levado o autor a explorar importantes temas, dentre os quais se destacam o das hesitações na fala infantil e o das relações entre fonologia e convenções ortográficas na escrita infantil.
Apresento características do que conceito como instabilidades da linguagem. Para tanto, analiso 30 anos de minha trajetória acadêmica, destacando três momentos fundamentais dela para a construção desse conceito. Ele recobre fenômenos observados na fala, na escrita e em suas relações. No primeiro momento, as instabilidades remetiam à duração de pausas na fala de sujeitos parkinsonianos, momento em que as instabilidades tiveram como locus de investigação a perspectiva textual-interativa. No segundo momento, as instabilidades passaram a remeter ao funcionamento de outras marcas hesitativas, ainda em sujeitos parkinsonianos – mas com deslocamento do locus da investigação: da perspectiva textual-interativa para a perspectiva discursiva de orientação francesa. Por fim, no terceiro momento, as instabilidades remeteram, essencialmente, a não coincidências da língua consigo mesma, na fala e na escrita de crianças. O locus de investigação, mais uma vez, foi a perspectiva discursiva de orientação francesa. Explico o funcionamento desse conjunto de dados, recobertos pelo conceito de instabilidades da linguagem, como decorrente de tensões, na linguagem, entre tentativas de ordenar o fluxo discursivo (ou seja, de estruturá-lo) e o acaso que lhe é constitutivo.
O objetivo do dossiê “Instabilidades da linguagem: fala, escrita e suas relações” é o de comemorar os 25 anos do Grupo de Pesquisa “Estudo sobre a Linguagem” (GPEL/CNPq) e, ao mesmo tempo, dar visibilidade a pesquisas que têm como interesse investigar as múltiplas possibilidades de abordar o instável da linguagem, em especial, o instável que se manifesta no acontecimento da fala e da escrita e nos acontecimentos em que fala e escrita se entrelaçam, buscando mostrar, sob diferentes bases teóricas e epistemológicas, ora convergentes, ora distintas, como a instabilidade é constitutiva da linguagem.
O presente artigo é decorrente de uma pesquisa qualitativa de doutorado que investiga, ancorada à teoria da Análise de Discurso fundada por Michel Pêcheux, o movimento discursivo e os efeitos de sentido que emergem em discursos de sujeitos-alunos de uma turma de etapa II (com 5 anos de idade), da educação infantil, em contato com as lendas folclóricas da Cabra-Cabriola e do Chibamba, ambas presentes no Ciclo da Angústia Infantil, postulado por Câmara Cascudo. O estudo busca investigar como os sujeitos se movem discursivamente, constroem sentidos e estabelecem relações de identificação com as lendas, especialmente em discursos sobre tonalidades de pele. Destacamos o uso do significante ‘cor de pele’, por meio do qual os sujeitos-alunos atribuíram sentidos às lendas. A pesquisa está inserida no campo dos estudos do discurso, analisando como as formulações discursivas indiciam efeitos da ideologia, memória discursiva e formações discursivas em circulação. Para isso, o trabalho contempla um recorte da coleta de dados realizada em uma escola municipal de educação infantil, localizada no município de Ribeirão Preto, estado de São Paulo, no início de 2023. Por ser de modalidade discursiva oral, os discursos foram primeiramente audiogravados, para posteriormente serem transcritos e analisados. Como resultados, observamos que o contexto sócio-histórico, as lutas sociais e a ideologia interpelam o discurso dos sujeitos e sustentam tanto a reprodução de formações discursivas dominantes quanto a produção de formações discursivas que se tornaram possíveis devido às transformações histórico-sociais.
O objetivo deste artigo é contribuir com a proposição de uma abordagem da relação estável-instável da linguagem, a partir de uma perspectiva linguístico-discursiva da aquisição da escrita. A abordagem teórica, construída na associação de fundamentos para a reflexão sobre o funcionamento da língua, do texto e do discurso, parte da concepção de escrita constitutivamente heterogênea (cf. Corrêa, 1997, 2004, 2013), para uma proposta de diálogo crítico com os pressupostos que definem o conceito de tradição discursiva (TD) (cf. Kabatek, 2004a, 2004b, 2005, 2006, 2008, 2012 e Koch, 2008), no âmbito da Linguística Histórica, especificamente a partir de três aspectos centrais da definição da teoria da linguagem coseriana: os entendimentos de língua histórica e social e o entendimento de língua como atividade. Como resultado dessa discussão, as considerações finais propõem o entendimento do conceito de TD como pertencendo ao âmbito da noção de enunciado concreto (unidade de comunicação verbal e real/virtual), caracterizada pelo traço da repetibilidade, ou seja, do que é fixo – estável – e lacunar – instável – na linguagem. Trata-se, em outros termos, de trazer para o âmbito da aquisição da escrita, por meio da concepção de escrita adotada, a alteridade em seu sentido forte (Corrêa, 2013) e, com ela, a exterioridade constitutiva do processo de escrita.
O objetivo deste artigo é analisar as orações relativas na escrita de alunos em processo de alfabetização com base em restrições de acessibilidade. Keenan e Comrie (1977) preveem restrições de natureza morfossintática para a relativização com base numa hierarquia de relações gramaticais; projetamos, todavia, uma nova perspectiva sobre essa questão, que, além de não considerar apenas motivações de natureza morfossintática, envolve principalmente outras de natureza pragmática, semântica e cognitiva, como proposto por Dik (1997) e O’Grady (2011). A hipótese fundamental do trabalho é a de que, diferentemente da proposta de Keenan e Comrie (1977), não há uma proeminência da relação gramatical de sujeito na relativização, mas a interferência de uma escala de topicidade e animacidade e de uma escala de distância entre a lacuna e o material de preenchimento na oração relativa, que tem natureza cognitiva e referencial.