
O enfrentamento da pandemia da COVID-19 é um desafio global, sendo o isolamento social uma das principais formas de prevenção do contágio. No Brasil, no entanto, a discussão sobre o isolamento tem se inserido na arena política de um contexto já polarizado. Nesse âmbito, a presente pesquisa buscou investigar o papel exercido pela moralidade e pelas Fake News na relação entre posições políticas e atitude frente ao isolamento social. Participaram da pesquisa 147 pessoas, que indicaram suas posições políticas e responderam a medidas de isolamento social, Fake News e moralidade. Os resultados indicaram que a posição política exerceu uma influência direta no isolamento social, independente da crença em Fake News e dos índices de moralidade. Conclui-se que a polarização política do país parece estar se transformando em um problema de saúde pública durante a pandemia.
A pandemia do novo coronavírus tem sido um dos maiores desastres das últimas décadas, um problema de saúde pública global. Tendo em vista que a atuação da psicologia das emergências e desasastes é essencial no apoio e suporte psicossocial, o estudo buscou mapear ações de saúde mental promovidas por duas instituições públicas de ensino superior do Amazonas. Trata-se de uma pesquisa multissituada a partir da análise de documentos públicos pautados em eixos: organização, prevenção e resposta. Percebeu-se o compromisso social e contínuo das instituições no trabalho de ações em rede de forma ética, política e solidária no contexto de colapso dos serviços de saúde estadual.
O artigo possui como objetivo avaliar os efeitos que a empatia, altruísmo e compaixão, mais variáveis sociodemográficas, possuem na permanência da adesão ao isolamento social demandado pela pandemia do Covid-19. O estudo foi quantitativo, longitudinal e contou com uma amostra de 200 pessoas de três estados brasileiros, que responderam duas vezes um questionário online (elaborado pelo Google forms), em intervalos de 30 dias, durante o isolamento social. Utilizou-se a escala Multidimensional de Reatividade Interpessoal de Davis; a escala de compaixão da Santa Clara (Brief Compassion Scale); a Escala de Atitudes Altruístas e um questionário sociodemográfico. Os resultados indicaram que houve aumento na dimensão da empatia de tomada de perspectiva entre a primeira e a segunda coleta e que os aspectos financeiros, a compaixão e a tomada de perspectiva aumentaram as chances das pessoas permanecerem em isolamento social.
No fim de 2019 o mundo foi surpreendido por um problema de saúde pública, a COVID-19. Como medidas para seu enfrentamento a OMS recomendou o isolamento social que, apesar dos benefícios para diminuição do contágio pode trazer consequências psicológicas. Este artigo buscou avaliar as características sociodemográficas e pessoais que podem influenciar no isolamento social. Participaram do estudo 1.914 indivíduos, com idades entre 14 e 86 anos, 77,7% mulheres, de 25 Unidades Federativas do Brasil. Observou-se que pessoas com ensino fundamental ou médio, com renda inferior a um salário mínimo, de etnia negra e que buscam informações sobre a pandemia em rede sociais são as que realizaram significativamente menos isolamento social. Pessoas que não aderiram ao isolamento apresentavam maiores níveis de afetos positivos e mentalidade sobre o estresse e menores níveis de Conscienciosidade. Os achados sugerem a importância de reconhecer características sociais e psicológicas relevantes para o engajamento em medidas restritivas.
A pandemia da COVID-19 resulta em estresse, especialmente para gestantes e mães de bebês. É importante propor recursos para elas lidarem com estressores específicos e, então, promover sua saúde e bem-estar. Dois recursos psicoeducativos (flyers), baseados na Teoria Disposicional do Coping, informações sobre COVID-19 e intervenções da Psicologia Positiva são apresentados neste artigo. A validade de conteúdo dos flyers foi analisada, adotando-se índices CVC ≥ 0.80. Cinco experts avaliaram qualitativamente, enquanto nove participantes, gestantes e mães, avaliaram os flyers usando uma escala Likert de 5 pontos. Elas responderam a um Google Form, enviado via Whatsapp, que incluiu TCLE, Protocolo de dados gerais e Questionário sobre clareza da linguagem, pertinência, relevância e apresentação dos flyers. Destaca-se a validade dos flyers para gestantes (CVC≥ 0.93) e para mães (CVC ≥ 0.86 e 1.0) como recursos úteis para essa pandemia da COVID-19.
A disseminação da COVID-19 exigiu medidas sanitárias para salvaguardar vidas, mas que também podem promover agravos ou exacerbar problemas preexistentes de saúde mental. Este estudo teve por objetivo desenvolver um mapa conceitual para dimensionar os impactos da pandemia provocada pelo novo coronavírus nos adolescentes. Foi desenvolvido estudo teórico baseado na construção de mapa conceitual e aplicação do Método Delphi. Os dados coletados indicaram que que medidas sanitárias de distanciamento social, fechamento das escolas e confinamento doméstico têm impactos socioemocionais nos adolescentes. A pandemia pode ser considerada um determinante social para saúde mental; ainda que os adolescentes não estejam necessariamente doentes, as restrições desencadeiam quadros de sofrimento e sintomatologia psicopatológica. O mapa conceitual desenvolvido permitiu organizar o pensamento sistêmico sobre uma dimensão da pandemia ainda pouco explorada cientificamente: a vivência dos adolescentes. Indicadores de saúde mental e bem-estar na adolescência também devem ser considerados no enfrentamento da pandemia.
A pandemia Covid-19 tem colocado diversos setores da sociedade diante da urgência de repensar as relações das pessoas com seus entornos. Neste ensaio propomos um quadro possível para a leitura das relações pessoa-ambiente no contexto da pandemia. Nosso argumento se centra na análise da espacialização das desigualdades sociais, raciais e de gênero, como fatores determinantes da disseminação da covid-19 e das diferenças em seus impactos, em paralelo a outras leituras que a psicologia ambiental vem apresentando para esse contexto. Assumimos que abordagens mais tradicionais apresentam limitações para a compreensão das especificidades latino-americanas, demandando revisões e reorientações de caráter teórico-epistemológico, e de cunho ético-político. Ao final, esboçamos algumas proposições, a partir de uma perspectiva crítica, para a construção de conhecimentos mais condizentes com a materialidade da vida de maior parte da população.
Objetivou-se investigar os fatores geradores de estresse no ambiente residencial de brasileiros durante o distanciamento social estabelecido para controle da pandemia de COVID-19. Realizou-se uma pesquisa de levantamento, com 2.000 brasileiros, que responderam a um questionário sociodemográfico e uma pergunta disparadora, respectivamente analisados por meio de estatística descritiva no software SPSS e análise textual no IRaMuTeQ. Os resultados organizaram-se em cinco classes que retratam fatores relacionados ao Estresse Ambiental vivenciado nesse período: “A casa convivência” indica Aglomeração e perda da privacidade; “A casa abrigo” é retratada como ambiente de segurança e enraizamento; “A casa conflitos” sinaliza a relação com problemas de saúde mental; “A casa multifuncional” demonstra a necessidade de organização da rotina e dos espaços; e “A casa fechada” expõe as dificuldades com a restrição da Mobilidade e com características físicas da casa. Concluiu-se que existem fatores no ambiente domiciliar que dificultam/facilitam a experiência de distanciamento social.
Além das consequências biológicas e econômicas, a pandemia causada pela COVID-19 tem gerado modificações na maneira como nos vemos e nos relacionamos com os outros e com a sociedade repercutindo em impactos na saúde mental dos seres humanos. Alguns fatores como o isolamento social, as sensações de estranhamento em situações de convívio social, os sentimentos de imprevisibilidade, vulnerabilidade e fragilidade frente a ampliação da consciência das nossas finitudes e da falta de controle sobre os acontecimentos tem gerado impactos na saúde mental. Tendo em vista o contexto gerado pela pandemia, o presente artigo tem como objetivo discutir sobre as possíveis contribuições da psicologia positiva como estratégia de manutenção da saúde mental e promoção de qualidade de vida, bem-estar e felicidade, no trabalho e em outros espaços de vida. Enfrentar positivamente as adversidades que caracterizam este momento, além auxiliar na preservação da saúde mental, contribui para o fortalecimento do sistema imunológico.
O mundo acompanha o surgimento e o avanço da COVID-19, o que tem mobilizado a comunidade científica a ampliar o conhecimento sobre a doença. No que tange aos trabalhadores, destaca-se a preocupação com sua saúde mental durante e após a pandemia. Nesse sentido, a presente pesquisa teve como objetivo investigar os efeitos diretos da ansiedade sobre as estratégias de enfrentamento do estresse (coping), em trabalhadores brasileiros, durante a pandemia da COVID-19, bem como o papel mediador das atitudes gerais sobre o trabalho em tal relação. Participaram do estudo 339 trabalhadores de ambos os sexos (73% do sexo feminino) e de diversas profissões. Os resultados indicaram que as atitudes positivas gerais sobre o trabalho mediaram a relação da ansiedade com as estratégias de enfrentamento do estresse focadas no problema. Implicações para a realização de intervenções junto aos trabalhadores em momentos de pandemia são discutidas.
Objetivou-se discutir o panorama da Covid-19 e impactos sobre a violência cometida dentro de casa, à luz da Teoria Bioecológica (TBE), e propor ações estratégicas para garantia de direitos e proteção. Constata-se que, em virtude da necessidade de permanência no lar, situações de risco podem ser maximizadas nos lares, agravadas pela ausência ou minimização da atuação de ambientes protetivos como escolas, instituições de assistência social e centros de saúde. Observa-se o aumento do estresse nas famílias decorrentes do medo do contágio e da morte, acrescidos pela sobrecarga de afazeres domésticos, preocupação com a subsistência, e outros fatores que diferem a depender das condições socioeconômicas. As características da pessoa, os processos proximais e o tempo são identificados a partir desse referencial. Conclui-se que a mobilização social é necessária para que ações estratégicas de combate e enfrentamento sejam incorporadas por todos e propostas medidas concretas para esse fim.
Este estudo objetivou analisar as representações sociais de internautas, a partir dos seus comentários a reportagens sobre a COVID-19 no Brasil. Trata-se de uma pesquisa de caráter analítico-exploratório, com abordagem quanti-qualitativa dos dados. Os dados foram processados pelo software IRAMUTEQ, para posterior análise de conteúdo. Dos discursos selecionados, emergiram três classes: Descrença no Sistema de Saúde, Desconfiança das Estatísticas e Desprestígio do Presidente. Os resultados ressaltam diferentes sentidos de ancoração dessas representações sociais e sugerem a vitalidade de um paradigma teórico classificatório que confere valor a objetos, pessoas ou fenômenos, hierarquizando-os em ordem de importância. Neste estudo, as representações sociais foram assentadas em valores negativos, convergindo seus sentidos para uma imagem única de descrédito nas instituições, nos governantes e na mídia. Esse cenário se mostra, especialmente, preocupante em razão da gravidade da crise decorrente da pandemia no Brasil e diz muito sobre o passado e o futuro do país.