
O debate apresentado neste artigo emerge das tensões e problematizações dos usos e funções do moinho de vento do pórtico de Joinville, que provoca controvérsias quanto a sua importância, ou não, como patrimônio cultural. Desse modo, tem por objetivo analisar e problematizar a imagem do moinho perante as ações e medidas que busquem a proteção do patrimônio cultural por intermédio de intervenções turísticas. A metodologia utilizada é qualitativa de natureza exploratória e interpretativa com base em Geertz (2008), com coleta de dados bibliográfica e documental, associada à busca de imagens do moinho nas plataformas digitais e à produção de fotografias de objetos que em sua composição apresentassem a figura do moinho. Após leitura, fichamento e sistematização do material, foi construído um banco de dados no programa Access. Os resultados mostram que o moinho desperta sentimentos conflitantes sobre questões relativas a representação, originalidade e autenticidade. No entanto, se por um lado o moinho não é reconhecido oficialmente como patrimônio, sua utilização está consolidada enquanto marca de destinação turística e seu uso vem sendo apropriado pela população como representação simbólica da imagem do lugar.
Este artigo assenta-se na análise dos “territórios culturais nordestinos do Brasil fora do Nordeste”, especificamente buscando compreender a formação simbólico-cultural deles para a cidade do Rio de Janeiro, tendo como foco a Feira de São Cristóvão. Como encaminhamentos teórico-metodológicos, foram elaborados levantamentos de cunho bibliográfico, com ênfase na análise dedutiva, servindo-se da história oral, cujo destaque se dá aos depoimentos de sujeitos que têm na migração seu protagonismo de vida, do cotidiano e do trabalho. A esses territórios físicos, culturais e sociais e suas imagens na cidade se vinculam as representações e a (re)invenção de si no lugar, no tempo e na relação com o outro, afirmando por meio da legitimação cultural a preservação da cultura popular nordestina e seus signos.
Este artigo problematiza, com base no conceito de nostalgia, duas comunidades virtuais do Facebook que abordam ideias de passado das cidades de Joinville e São Francisco do Sul, no estado de Santa Catarina. Com o fenômeno da globalização, que altera as noções de tempo e de espaço, a ideia de comunidade passa a ser vista como um refúgio. O medo de um futuro incerto faz com que essas comunidades remetam seu olhar para o passado, o qual, de maneira romantizada e nostálgica, representa um mundo perdido que deveria ser retomado. Comunidades virtuais, como a “Joinville de ontem” e “São Francisco do Sul e suas histórias”, tendem a exaltar um passado da cidade e acabam ressignificando patrimônios culturais. Os patrimônios da cidade passam a ser símbolos de uma suposta identidade coletiva local em risco de desaparecer. As discussões entre os membros das comunidades virtuais também podem levar à “invenção” de novos patrimônios, ao apontar bens culturais da cidade que consideram importantes e que querem ver preservados e/ou patrimonializados. Assim, pretende-se identificar e discutir quais as relações dessas comunidades virtuais e de seus membros com os patrimônios das respectivas cidades e quais os seus impactos no compartilhamento de sentimentos patrimoniais.
O presente artigo pretende realizar uma discussão sobre o papel da mídia brasileira no apoio à construção da hegemonia governista, na ainda jovem democracia que tentava se estabelecer na década de 1990 no país. Nossa questão estrutural é: a participação da mídia na manutenção da governabilidade interferiu na proeminência democrática de oposição organizada? Concluímos que os grupos opositores de cunho social organizado se fortaleceram e nenhum consenso foi alcançado.
Este trabalho de Sônia Regina de Mendonça é um estudo sobre os aspectos históricos e econômicas da sociedade brasileira no século XX, mais especificamente entre 1930 e 1980, período no qual a autora estabelece o objetivo de analisar as relações entre Estado e Economia no Brasil. Ao descrever o período citado, Mendonça apresenta hipóteses a partir de algumas características do processo de desenvolvimento econômico brasileiro, estabelecendo os marcos referenciais 1930, 1955 e 1964 como sendo os mais relevantes para o o desenvolvimento do capitalismo no país. Assim, a autora analisa os momentos históricos e os desdobramentos das políticas econômicas, destacando a interferência do Estado nesse processo, aspecto que teve como consequência as contradições existentes no modelo de desenvolvimento adotado no Brasil, e culminou na fragilização da economia, além de ampla dependência do capital externo e do empresariado industrial.
Este texto tem como proposta pensar a questão da leitura no Brasil do início do século XX, a partir de alguns elementos levantados por autores como E. P. Thompson e Roger Chartier acerca do analfabetismo. O debate permeia sobre a perspectiva da autonomia, ou seja, na busca do trabalhador brasileiro pela auto-formação dentro de um universo militante de caráter anarquista. Temos também a proposta de pensar algumas maneiras de se ter acesso à informação e formação propriamente dita dos militantes, consequentemente as ações promovidas pelos anarquistas com o objetivo de contribuir para essa formação.
Este artigo, revendo Macroeconomia, analisa os elementos-chave da economia afetando as crises economicas; suas causas profundas sao determinadas e explicacoes sao feitas com simplicidade, para ser inteligivel para todos os publicos. A medida que a economia e baseada no credito, verifica-se que todas as crises sao financeiras, e sao devido ao grande acumulo de ativos financeiros toxicos por causa de seu alto risco; o excesso de liquidez, que os emprestimos causa, amolece as bases do sistema economico, ate que chega um momento em que o credito entra em colapso e os fundamentos do sistema perdem forca, assim que a economia vai rachar; isto e, que se encontra em crise. Palavras-chave: Crise economica; Liquidez; Endividamento; Inflacao; Desemprego. Abstract In this article, reviewing Macroeconomics, the main economic factors affecting economic crises are examined; the root causes are determined and explanations are made in a simple manner, with the intention of making them easily understood by everyone. Since the economy is based on credit, it is clear that all crises are of financial nature and are caused by the large accumulation of toxic financial assets due to their high risk. The excess liquidity that loans bring about softens the foundations of the economic system until there comes a time when the credit collapses and the foundations of the system lose resistance. Therefore the economy cracks; that is to say, crisis occurs. Keywords: Economic crisis; Liquidity; Indebtedness; Inflation; Unemployment.
Este artigo tem como objetivo investigar brevemente a trajetória do sindicalismo rural durante e após a chamada Era Vargas(1930-1945). Para tanto, analisaremos a trajetória do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Campos de Goytacazes, ao longo dos anos 1940, acompanhando o processo de formação de classe no proletariado rural campista na luta pela ampliação e aplicação das leis trabalhistas ao campo brasileiro.
Pretendemos discutir neste artigo os caminhos percorridos pelo Partido Comunista do Brasil (PCB) durante o processo eleitoral de 1945 na Bahia. Através, principalmente, do jornal A Tarde e do periódico comunista O Momento buscamos compreender quais as bandeiras levantas e disputas travadas pelo PCB nestas eleições. Nos interessa neste trabalho, também, entender como Carlos Marighella conseguiu, depois de dez anos longe do seu estado natal, se tornar o único Deputado Federal comunista eleito pela Bahia.
Ainda é bastante difundindo na historiografia brasileira o entendimento de que um abismo separava os trabalhadores rurais dos trabalhadores urbanos, no que se refere aos benefícios materiais da legislação social produzida no Brasil durante a Era Vargas (1930-1945) em especial, no período do Estado Novo (1937-1945). Apesar dessa compreensão predominante, nos últimos anos, pesquisas têm revelado que os impactos da Era Vargas no mundo rural foram maiores do que se imaginava.
O Método Paulo Freire, surgido nos anos de 1960 no nordeste brasileiro, baseava-se no diálogo entre educadores e educandos, de forma ativa, crítica e criticizante. Mais que aprender a ler as palavras, o método deveria ensinar a “ler o mundo e o seu contexto” o que possibilitaria a discussão de sua realidade e de sua inserção na sociedade brasileira. A questão principal seria a de estimular a reflexão crítica, a não aceitação passiva de interpretações dadas por outrem, possibilitando a redefinição de seu papel na sociedade. Dessa forma, se faz necessária à análise do método, considerando suas características de organização política com caráter revolucionário popular, tendo em vista a importância dada à conscientização das massas, desempenhando essa, o papel precípuo para a organização política.
Dispusemos de poucas fontes para traçar a trajetória de vida profissional e pessoal de Jacinto Luciano Moreira até o ano de sua filiação ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). O que sabemos a respeito deste momento da vida de Jacinto vem, basicamente, de três fontes: um pequeno trecho de efeméride; um “santinho” eleitoral, provavelmente de 1945-6, quando Jacinto disputou as eleições de 1947 pelo PCB concorrendo uma vaga no Conselho Municipal da cidade do Rio de Janeiro; uma reportagem publicada no início de 1947 em periódico do PCB. Ao cruzarmos as informações, percebemos que o conteúdo descrito é quase idêntico, o que nos levaria a deduzir certa confiabilidade nestas fontes. Porém, é preciso tecer algumas considerações metodológicas quando a fonte é um relato biográfico: primeiro, a propensão deste tipo de relato em se organizar em sequencias históricas inteligíveis, “como a do efeito à causa eficiente ou final, entre os estados sucessivos,” onde vida da personagem é retratada de forma teleológica, pautada por um “desenvolvimento necessário”; segundo, ao ter a chance de ser “o ideólogo da própria vida”, pautando-se numa “intenção global” o indivíduo (auto) biografado seleciona “certos acontecimentos significativos” e estabelece entre estes “conexões para lhe dar coerência”. Vemos, pois, que estas considerações metodológicas são pertinentes, já que não se pode descartar a possibilidade de Jacinto L. Moreira ter colaborado na produção dos textos destas fontes.