
Este texto tem como objetivo compreender, por meio de narrativas orais da professora aposentada Maria Antônia Moreira Caldas, de 93 anos, os modos de educar no município de Itapicuru, Bahia. O estudo fundamenta-se na História Cultural, conforme Chartier (1990), e adota a História Oral como metodologia, com base em Alberti (2005) e Thompson (1998). A pesquisa contribui para salvaguardar a memória educacional e possibilita a reflexão sobre a influência do passado nas práticas pedagógicas atuais, evidenciando a importância da trajetória dessa professora aposentada, frequentemente invisibilizada, e reconhecendo sua relevância na configuração da educação local. Conclui-se que os modos de educar dessa professora foram constituídos a partir das condições materiais e intelectuais do tempo e do espaço em que estavam inseridos.
Este artigo analisa narrativas de imigrantes haitianos e africanos empregados em frigoríficos do Oeste e Sudoeste do Paraná como resultado de uma pesquisa realizada entre 2016 e 2021. A proposta é discutir como esses imigrantes interpretam suas experiências migratórias avaliando perdas e ganhos pessoais. Para tanto, estimulou-se uma relação dialógica que pôs entrevistadores e entrevistados em condições isonômicas para a produção das entrevistas, evitando que as diferenças de etnia, idade e escolaridade, por exemplo, inviabilizassem narrativas espontâneas. Ao mesmo tempo, manteve-se uma escuta cuidadosa durante e depois das entrevistas, dedicando um tipo de atenção que flutuasse entre o tema inicialmente sugerido e outros tópicos evocados nas narrativas. Como resultado, foi possível concluir que o percurso desses imigrantes é marcado por dualidades estruturais e sentimentos conflituosos provocados pela decisão de migrar, pela distância de casa, pela própria condição de imigrante.
Este artigo analisa narrativas de colaboradories LGBTQIAPN+ na pós-graduação em Educação Matemática, discutindo como voz, sigilo e resistência se entrelaçam na produção e circulação de memórias. Metodologicamente, o estudo se ancora na Pesquisa Narrativa e em narrativas (auto)biográficas produzidas em entrevistas on-line, articuladas aqui em diálogo com a história oral para o dossiê. As falas mostram a voz como autoria e direito de narrar, mas também como risco quando a identificação pode gerar violência. O sigilo aparece como estratégia situada de permanência, sustentada por omissões seletivas, metáforas e deslocamentos. A resistência emerge em práticas cotidianas e coletivas de ocupação, redes e disputa de legitimidade acadêmica.
A trajetória de pós-graduandos pretos e pardos é marcada por conquistas e desafios profundos. Embora a Lei de Cotas (Lei n. 12.711/2012) tenha garantido acesso ao Ensino Superior, a permanência com equidade não é realidade. Este artigo, baseado em uma abordagem qualitativa com revisão bibliográfica e relatos de experiência, busca investigar os obstáculos deste percurso. As narrativas revelam barreiras econômico-materiais (bolsas insuficientes), psicossociais (solidão intelectual, microagressões) e epistemológicas (resistência aos saberes negros). Contraditoriamente, os relatos também evidenciam a potência transformadora das redes de apoio (coletivos estudantis e grupos de pesquisa) que atuam como trincheiras de acolhimento. Conclui-se que a equidade racial na pós-graduação transcende o acesso, demandando condições materiais e simbólicas concretas para a permanência digna e o pleno reconhecimento dos saberes produzidos.
Este estudo objetivou discutir sobre as vivências entrelaçadas ao processo de escolarização na comunidade São João Batista, na Ilha de Campompema, Abaetetuba-PA, no período de 1930 a 1940, de moradores locais. As entrevistas com moradores idosos revelaram memórias que destacam práticas educativas sustentadas por arranjos comunitários, vínculos familiares e saberes tradicionais. Isso evidencia que mesmo em contextos de precariedade de material e ausência de políticas públicas adequadas, a escola foi ressignificada como espaço de convivência, cidadania e afirmação identitária. Contribui-se, portanto, para a valorização das vozes locais e para a compreensão da escolarização em territórios amazônicos, apontando a necessidade de políticas públicas que reconheçam e fortaleçam essas especificidades.