
Este artigo analisa a mobilização da linguagem cinematográfica em livros didáticos de História do Ensino Médio utilizados no Instituto de Educação Euclides Dantas (IEED), em Vitória da Conquista (BA), considerando dois contextos normativos distintos: anterior e posterior à homologação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Examinamos em que medida o cinema é apresentado não apenas como recurso didático, mas como fonte e agente da história, bem como tentamos identificar os limites e alcances das mediações teórico-metodológicas propostas para sua leitura crítica. Metodologicamente, realiza-se uma análise comparativa das coleções Oficina de História (Campos; Claro, 2013), adotada entre 2015 e 2017, e Moderna SuperAção! História (Alves; Oliveira, 2024), prevista para uso entre 2026 e 2029. Ancorado em referenciais que discutem a relação entre história, cinema e representação, notamos que, embora o audiovisual esteja amplamente incorporado aos livros didáticos, essa ampliação não tem sido acompanhada por orientações sistemáticas que problematizem a linguagem cinematográfica, os contextos de produção e as intencionalidades autorais. Conclui-se que o desafio central não reside mais na legitimação do cinema no ensino de História, mas na qualificação de seu uso pedagógico, de modo a favorecer leituras críticas das narrativas fílmicas e evitar sua redução a mera ilustração do conteúdo histórico.
Este artigo faz parte de uma reflexão sobre as teorias e as práticas dos bens comuns. Num primeiro momento, os comuns tomam como base os trabalhos de Christian Laval e Massimo De Angelis, tendo em vista a sintonia destes autores com reivindicações dos movimentos populares. É neste âmbito que o texto levanta a questão da natureza das pedagogias do comum: quais são seus principais vetores? O estudo desse problema torna possível contribuir para um uso atualizado das principais intuições de Paulo Freire, remetendo-as ao quadro geral das pedagogias críticas e, em seguida, confrontando-as com várias dimensões das pedagogias emancipatórias: pedagogias no modo menor (Tim Ingold), pedagogias de experiência e investigação (John Dewey) ou pedagogias de relacionamento situadas nos âmbitos dos estudos ecológicos, decoloniais e feministas. Isso permite esboçar um caminho que leva das pedagogias críticas a práxis educacional específica para os comuns e às pedagogias emancipatórias em sintonia com novos temas, como a ecopedagogia, a decolonialidade e o feminismo.
As propostas de formação docente ancoradas em referenciais que articulam currículo, territórios e demandas globais configuram respostas estratégicas às exigências contemporâneas. Este artigo analisa a influência da epistemologia da complexidade, da transdisciplinaridade e da ecoformação na formação de professores e seus desdobramentos na prática pedagógica, com foco no aprimoramento de políticas educacionais. Adota-se uma revisão de escopo qualitativa, com busca na Web of Science e triagem, via Rayyan, de 15 entre 142 estudos. A análise contou com suporte do VOSviewer e do Elicit. Os resultados indicam que tais referenciais promovem a integração entre saberes e problemas reais, tensionam fronteiras curriculares, fortalecem a colaboração e ampliam o compromisso com a sustentabilidade. No âmbito das políticas, evidenciam-se demandas por currículos mais flexíveis e integrados, maior articulação entre formação inicial e continuada e consolidação de arranjos colaborativos entre escolas e universidades frente a desafios territoriais e globais. As propostas de formação docente ancoradas em referenciais que articulam currículo, territórios e demandas globais configuram respostas estratégicas às exigências contemporâneas. Este artigo analisa a influência da epistemologia da complexidade, da transdisciplinaridade e da ecoformação na formação de professores e seus desdobramentos na prática pedagógica, com foco no aprimoramento de políticas educacionais. Adota-se uma revisão de escopo qualitativa, com busca na Web of Science e triagem, via Rayyan, de 15 entre 142 estudos. A análise contou com suporte do VOSviewer e do Elicit. Os resultados indicam que tais referenciais promovem a integração entre saberes e problemas reais, tensionam fronteiras curriculares, fortalecem a colaboração e ampliam o compromisso com a sustentabilidade. No âmbito das políticas, evidenciam-se demandas por currículos mais flexíveis e integrados, maior articulação entre formação inicial e continuada e consolidação de arranjos colaborativos entre escolas e universidades frente a desafios territoriais e globais.
Esta é uma resenha sobre o livro “Transtorno do espectro autista: uma brevíssima introdução”.
O presente ensaio propõe refletir sobre o corpo autista no contexto biopolítico contemporâneo, questionando os efeitos normativos que o reduzem à condição de anomalia. Com base em autores como Negri, Hardt, Deleuze e Spinoza, analisa-se como o corpo autista é atravessado por dispositivos de normalização, mas também como ele expressa uma potência irredutível ao biopoder. A investigação articula o conceito de comum como produção imanente da vida, deslocando a visão do autismo, enquanto transtorno, da falta para a criação de modos singulares de existência. Tornando-o capaz, portanto, de uma potência política que tensiona e amplia os limites do que entendemos por vida comum, a partir de uma compreensão de espectro que referenda a enunciação da Primavera Autista.
Este artigo examina a configuração, as desigualdades e as assimetrias na infraestrutura das unidades educacionais em áreas rurais, comparando-as com as escolas urbanas do Território de Identidade Piemonte da Diamantina, na Bahia. Utilizamos os microdados do Censo Escolar da Educação Básica de 2023 para verificar a presença ou ausência de desigualdades nas características das escolas dessas duas localizações. Os resultados indicam uma diferença estrutural significativa entre as escolas rurais e urbanas, com a precariedade da infraestrutura nas escolas rurais estando diretamente ligada ao processo de valorização dos profissionais da educação. Em áreas rurais, foram identificadas escolas que careciam de salas de direção e de professores, secretarias, laboratórios, biblioteca, refeitórios, banheiros e cozinha.
O objetivo do trabalho é analisar o documento Entrepreneurship in education, publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). De forma específica, pretende-se identificar a concepção de empreendedorismo e as formulações sobre a categoria valor presentes na publicação. Para isso, apresentam-se considerações gerais sobre as relações entre neoliberalismo e empreendedorismo de modo a situar este fenômeno dentro das estratégias contemporâneas de acumulação de capital. Em seguida, são analisadas as formulações da OCDE sobre empreendedorismo e educação, a fim de problematizar a relação entre empreendedorismo e criação de valor. Nessa perspectiva, retoma-se a formulação presente no capítulo IV de “O Capital”, que lança luz sobre como o valor é criado na sociedade a partir de transformações ocorridas nos processos de trabalho. Como conclusão da análise documental e com o retorno à formulação marxista da categoria “valor”, sustenta-se que perspectivas frágeis da noção de criação de valor, como aquelas subjacentes às ideias analisadas sobre educação e empreendedorismo da OCDE, contribuem para distanciar a formação educacional dos trabalhadores da compreensão sobre os fundamentos da dinâmica socioeconômica que determina as crescentes desigualdades de riqueza e poder na sociedade capitalista.
Novos artefatos, formas de comunicação e comportamentos são inseridos na sociedade em decorrência das transformações tecnológicas. Na atualidade, nota-se que essas mudanças estão presentes em vários objetos que interagem entre si de modo inteligente e sensorial, por meio da Internet das Coisas (IoT). Este estudo analisa as possibilidades e os impactos da IoT no cenário educacional, com base em experiências práticas desenvolvidas em duas escolas públicas municipais de ensino fundamental, localizadas no estado da Bahia, especificamente nas cidades de Vitória da Conquista e Mata de São João. A pesquisa é de natureza qualitativa, de cunho descritivo e analítico, fundamentada na realização de entrevistas semiestruturadas com docentes e gestores que participaram dos projetos. Para a análise dos dados, usamos o método da análise de conteúdo. Os resultados deste estudo concluem que a inserção da IoT é um campo de atenção na educação, pois está sendo utilizada como ferramenta de gestão e monitoramento da frequência escolar, com pouco vínculo com as práticas pedagógicas, limitada participação dos professores e da comunidade escolar no seu processo de implantação e acompanhamento dos projetos. Logo, a pesquisa contribui para a problematização da visão tecnicista da inserção de tecnologias no ambiente escolar, pela falta de debates sobre o uso dessas inovações e da garantia de direitos. Essas ações são importantes para assegurar que as tecnologias não sejam usadas apenas como instrumento de vigilância e que os dados gerados nas instituições de ensino sejam destinados a fins educacionais.
O texto objetiva analisar a relação entre o Programa Mais Professores para o Brasil e os discursos de naturalização da docência como um ofício de sofrimento, mendicância e benevolência. Trata-se de uma pesquisa documental realizada à luz da Análise do Discurso filiada a Michel Pêcheux, tomando como corpus a documentação do referido Programa e enunciados que tratam os(as) docentes como coitadinhos(as) por suportarem um trabalho oneroso sem o devido reconhecimento social. Ao longo do texto, demonstra-se uma sintonia entre os discursos analisados e as medidas anunciadas pelo governo brasileiro no Programa Mais Professores para o Brasil ao esperar que as pessoas sejam atraídas e/ou permaneçam na docência mais por seu valor simbólico do que pelo retorno social e financeiro dessa atividade como profissão. Por fim, conclui-se que, ao não priorizar o enfrentamento das demandas materiais que circundam o magistério como exercício profissional, o Mais Professores acaba fazendo coro ao discurso de naturalização da docência como ofício de sofressor.
A Discalculia, uma dificuldade específica na aprendizagem matemática, afeta indivíduos sem distúrbios neurológicos, psiquiátricos, sensoriais ou emocionais. Este artigo aborda uma investigação de mestrado profissional sobre a identificação, diagnóstico, intervenção e inclusão de um estudante com Discalculia em uma escola na cidade de Assú/RN. O objetivo geral foi elaborar uma narrativa histórica destes processos de identificação, diagnóstico, intervenção e inclusão de um estudante discalcúlico em uma escola da referida cidade. A pesquisa foi qualitativa e envolveu entrevistas com pais, professores e psicopedagogos. Ao analisar as entrevistas, apontam-se: a importância de um diagnóstico precoce e preciso, o qual desempenha um papel fundamental na promoção do sucesso do aluno com Discalculia; profissionais qualificados para fornecer intervenções pedagógicas eficazes; a escola como uma mola propulsora para criar um ambiente inclusivo e de apoio ao estudante com Discalculia, permitindo sua total integração nos contextos educacionais e sociais e a família na implementação dessas intervenções.
Este estudo objetivou mapear a produção acadêmica acerca das licenciaturas no Brasil, no que toca as teses e as dissertações disponíveis no Catálogo de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), considerando o período entre 2015 e 2021. Os dados foram produzidos, em termos metodológicos, por meio de levantamento bibliográfico. Foram analisadas 89 teses e 311 dissertações, totalizando 400 produções acadêmicas. Como conclusão, pontua-se, entre outros aspectos, que os estudos sobre as políticas de formação docente, as licenciaturas específicas e o currículo são focos de interesse pelos pesquisadores. Do ponto de vista socioespacial, a Região Sudeste concentra a maior parte da produção acadêmica. Por outro lado, a Universidade Estadual do Ceará é a instituição que mais desenvolveu pesquisas acerca da temática. Essa realidade eleva quali-quantitativamente a produção acadêmica, no sentido geral, acerca da formação de professores no Brasil.
O artigo analisa a influência das diretrizes neoliberais nas políticas de educação superior, especialmente a partir da década de 1990, quando o Estado passou a reduzir seu papel no financiamento e regulação social, favorecendo a expansão do setor privado. O estudo considera que, tendo como referência a concepção neoliberal, que se tornou hegemônica, a educação superior passou a ser orientada por uma Agenda Global imposta por organismos multilaterais, com destaque para a Organização Mundial do Comércio (OMC). Tal entidade enquadrou a educação como serviço, contribuindo com a mercantilização do setor. Metodologicamente, o estudo é delineado através de análise bibliográfica e documental, com foco nas relações entre organismos multilaterais e políticas nacionais. Os resultados evidenciam que o Estado brasileiro adotou estratégias específicas que favoreceram a expansão da educação superior privada. Entre essas estratégias, pode-se mencionar a estruturação de programas de financiamento estudantil, parcerias público-privadas e flexibilização de normas e leis que possibilitaram a formação de grandes oligopólios educacionais, confirmando a centralidade da lógica mercantil e privatista na educação.
O objetivo do artigo é apresentar reflexões acerca das (contra)reformas do ensino médio no Brasil. Para esse intento, analisa as mudanças sofridas por este nível de ensino desde o final do Século XX, destacando elementos presentes em textos normativos como a LDB nº 9.394/1996, as DCNEM de 1998, a Lei nº 13.415/2017 e a recente Lei nº 14.945/2024. A metodologia utilizada na pesquisa é a bibliográfica e documental. A abordagem teórica fundamenta-se na análise da história do ensino médio no âmago das contradições entre capital e trabalho, refletindo a dualidade estrutural, econômica e cultural da sociedade brasileira. O texto aborda a histórica dualidade entre a formação propedêutica e a preparação para o trabalho e profissionalização, tecendo críticas às categorias de competência e empregabilidade por visarem a adaptação dos indivíduos à lógica do mercado. Como resultados, o artigo conclui que os instrumentos legais recentes tendem a acentuar a dualidade estrutural que historicamente marca o ensino médio. Eles aprofundam a divisão entre os alunos, em especial, preparando os da classe trabalhadora para ocuparem postos de trabalhos precários.
O presente artigo objetiva analisar determinadas formas de privatização do ensino superior em curso na Ibero-América, bem como algumas de suas implicações nessa etapa de ensino. A pesquisa se fundamenta na perspectiva histórico-crítica, empregando como procedimentos de coleta de dados a revisão bibliográfica e a análise de documentos de políticas educacionais. A revisão bibliográfica incide sobre a produção acadêmica acerca da reforma da administração pública e educacional e da privatização da educação. A análise documental enfatizou dados sobre o ensino superior na Ibero-América, contidos nos informes da Red Indices (2021 e 2022) e do Cinda (2024). A privatização do ensino superior tem sido implementada nos países da região ibero-americana por meio de concessões de funcionamento à esfera privada, substituição da regulamentação existente, subcontratações de terceiros, estabelecimento de parcerias público-privadas, bem como alterando a cultura acadêmica. Tais processos têm reduzido responsabilidades estatais e modificado suas práticas, inclusive no que se refere ao financiamento do ensino superior, em que se reduzem investimentos públicos, enfatizam-se a concorrência e o desempenho, além de se subsidiar a esfera privada. A desregulamentação tem possibilitado mudanças no ensino superior, implicando na diversificação institucional e na ampliação do acesso estudantil, particularmente por meio do ensino a distância, com implicações na qualidade educacional e na precarização do trabalho docente. Por fim, enfatiza-se que processos de terceirização e parcerias público-privadas, somados ao fomento da lógica da performatividade, baseada em processos avaliativos e na competição por posições em rankings educacionais, têm alterado a cultura acadêmica conforme demandas do mercado.
O presente artigo analisou as Parcerias Público-Privadas (PPPs), situando-as como um dos formatos de exercício da governança, considerada como a principal estratégia mercantil para desresponsabilizar o Estado de sua função da oferta integral dos serviços públicos no atual cenário. Evidencia-se que esse movimento de reestruturação estatal criou as condições favoráveis para ampliar o processo de privatização da educação superior. A análise da temática fundamenta-se nos princípios do materialismo histórico-dialético, por colocar em evidência as contradições e mediações imanentes ao processo de constituição das PPPs. Como procedimentos metodológicos, realizou-se revisão bibliográfica e análise documental. Na análise das PPPs, foram considerados o movimento global de governança, a sua historicidade na política pública brasileira e seus impactos sobre a educação superior, não apenas na oferta, mas também nas demais práticas universitárias. Discute, ainda, como esse fenômeno vem se configurando na UFRN e no Instituto Metrópole Digital (IMD). Por fim, conclui-se que as PPPs se desenvolvem com legitimidade e respaldo do Estado, permitindo que o setor privado introduza sua lógica mercantil no funcionamento dos serviços públicos, em especial, na educação superior.
O presente estudo buscou discorrer acerca das metodologias ativas enquanto instrumento didático pedagógico no processo de formação de professores/as, tendo por objetivo analisar de que maneira as metodologias ativas, enquanto recursos didáticos, contribuem na formação docente na contemporaneidade e teve como colaboradoras quatro estudante, sendo duas do curso de Licenciatura em Pedagogia da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e duas da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), sendo uma do curso de Licenciatura em Geografia e outra de Letras Vernáculas. Quanto aos procedimentos metodológicos optou-se pelas narrativas por compreender que tais procedimentos nos possibilitaria maior capacidade de análise no que tange ao objetivo da pesquisa. A partir das narrativas foi possível evidenciar que as metodologias ativas enquanto instrumento didático pedagógico contribuem de maneira significativa no processo de formação docente, uma vez que as mesmas favorecem ao/a profissional da educação maior aproximação com a realidade do/a estudante.
O artigo parte da hipótese de que a financeirização da educação superior na região ibero-americana, a partir da década de 1990, representa uma reconfiguração profunda do campo universitário, associada aos processos de privatização e à difusão dos princípios do Estado neoliberal, sustentados pelos parâmetros e orientações das agências internacionais que operam como mediadoras dos interesses do grande capital. O objetivo central é analisar as dinâmicas de financeirização em países da região, evidenciando de que forma esse fenômeno sustenta e reorganiza a privatização da educação superior. Do ponto de vista metodológico, o estudo realiza uma revisão sistemática de literatura, que constituiu o corpus analítico. Os resultados indicam que o tema ainda carece de investigações sistemáticas na região: apenas Brasil e Chile apresentam produção acadêmica consistente entre 2020 e julho de 2025, com destaque majoritário para as contribuições brasileiras. As análises revelam que a financeirização do mercado acadêmico emerge como tendência de expansão dos grupos educacionais privados de capital aberto em bolsas de valores, fenômeno que redefine o papel da universidade, da formação científica e da produção de conhecimento, convertendo-os em ativos do capitalismo contemporâneo.
Este artigo analisa as tendências de mercantilização que permeiam os processos de internacionalização da educação superior no âmbito do Setor Educacional do Mercosul (SEM), problematizando as tensões entre as práticas de cooperação solidária e as dinâmicas de transnacionalização que caracterizam o atual cenário regional. Parte-se do questionamento de que as políticas e ações de internacionalização, originalmente orientadas pelos ideais de integração e solidariedade latino-americana, têm sido progressivamente influenciadas por lógicas de mercado e por atores privados, em consonância com a expansão de agendas neoliberais no campo educacional. A abordagem teórica dialoga com a crítica à neoliberalização da educação e com perspectivas latino-americanas de integração solidária. A metodologia baseia-se na análise documental de políticas, relatórios, atas de reunião de grupos de trabalho do SEM vinculados à educação superior, e acordos regionais. Espera-se contribuir para o debate sobre os rumos da integração educacional no Mercosul, evidenciando as contradições entre a internacionalização como instrumento de cooperação e sua apropriação pela lógica transnacional de mercado.
A expansão da EaD, capitaneada pelos oligopólios educacionais, funciona como um mecanismo fundamental de reprodução ampliada do capital fictício. Fundamentado no referencial teórico-metodológico do Materialismo Histórico-Dialético (MHD), com ênfase nas categorias de contradição e mediação, este estudo teve como objetivo principal compreender de que forma a crescente expansão das matrículas em EaD, liderada pelas holdings Cogna Educação e YDUQS, se insere nas leis de movimento do capital na conjuntura atual. O trabalho utilizou como técnicas de pesquisa o mapeamento no catálogo de teses e dissertações da CAPES, a análise documental dos relatórios gerenciais das duas corporações (2019-2025), e dados do Censo da Educação Superior (2014-2024). Os resultados evidenciaram que a Cogna e a YDUQS utilizam a modalidade EaD como principal alavanca para a estratégia de crescimento de valor, priorizando modelos que oferecem maior retorno sobre o capital investido. Esse movimento materializa a contradição entre a educação como direito social e sua subsunção à lógica da mercadoria. Observou-se, ainda, o papel contraditório do Estado, que atua como operador sistemático da valorização do capital educacional ao financiar a mercantilização por meio de incentivos fiscais, a exemplo do ProUni, os quais se configuram, na prática, como transferências de fundos públicos para a receita privada. Ademais, a reestruturação e as aquisições constantes realizadas pelas duas holdings aumentam o número de matrículas na modalidade digital e favorecem o acesso aos benefícios fiscais, consolidando seu crescimento e lucratividade no setor.
O artigo tem como objetivo analisar a expansão do EaD na Kroton, que integra a Holding Cogna Educação S.A, considerando o contexto da financeirização da educação e as implicações desse processo para o trabalho docente. A metodologia consiste em pesquisa documental cujas fontes primárias são os relatórios da holding educacional Cogna Educação S.A e dados do Censo da Educação Superior no período de 2011 a 2022. Os resultados mostram que no contexto da financeirização da educação e de expansão do EaD, os trabalhadores docentes passaram a ocupar uma posição funcionalizada e subordinada à lógica de rentabilidade financeira. Ademais, a precarização do trabalho docente na Kroton/Cogna se evidencia por meio da intensificação na relação professor/aluno e contratos de trabalho mais flexíveis.