
Resumo O artigo investiga como a racialidade estrutura a experiência de estudantes negros na pós-graduação em Educação, examinando a tensão entre mérito e pertencimento. Adota-se o retrato sociológico, com três participantes selecionados a partir de levantamento anterior e entrevistas narrativas realizadas em 2022-2023. Os resultados mostram três modos de habitar o campo acadêmico - hiperadaptação, docilidade e ruptura -, todos atravessados por violência simbólica, sofrimento ético-político e inclusão condicional. Conclui-se que a meritocracia funciona como ficção reguladora que mascara hierarquias raciais e que democratizar a pós-graduação exige deslocamentos epistemológicos, éticos e institucionais.
Resumo Este estudo objetivou evidenciar os fatores que influenciaram e contribuíram para o processo de escola- rização na comunidade São João Batista, na ilha de Campompema, Abaetetuba (PA), nas décadas de 1930 e 1940. A pesquisa evidencia como a educação ribeirinha se estruturou em meio às adversidades, improvisos e forte participação comunitária. As narrativas dos moradores, com idades entre 90 e 100 anos no momento da pesquisa, revelam que a escolarização foi marcada por arranjos locais, pagamento direto aos professores, uso de espaços domésticos como salas de aula e materiais improvisados, como o papel costurado, penas artesanais e tintas naturais. Conclui-se, portanto, que a escolarização ribeirinha é um espaço de resistência, afeto e construção coletiva.
Resumo O texto analisa a produção das masculinidades a partir da presença de homens atuando como professores na educação infantil. Articula os estudos das masculinidades com pesquisas da área da educação infantil. Por meio de entrevistas de foto-elicitação, procedimento que amplia a interação verbal do investigador com os participantes do estudo a partir da análise de fotografias, com nove homens professores de cinco cidades brasileiras, identificamos a expressão da masculinidade dos homens que atuam na educação infantil. Nota-se neles uma masculinidade híbrida que se constitui em uma identidade de recurso, por meio da qual é possível comprometer-se com a mudança e, ao mesmo tempo, reproduzir preconceitos, revelando a ambiguidade de ser homem e atuar com bebês e demais crianças.
Resumo O objetivo deste artigo é analisar as lideranças nos diferentes segmentos de uma escola do Programa Ensino Integral do estado de São Paulo, considerando as potencialidades dos seus agentes, com destaque para a equipe gestora, e as limitações impostas pela Secretaria da Educação (Seduc-SP). Problematiza-se a seguinte questão: em que medida o programa favorece as lideranças distribuídas e democráticas ao mesmo tempo que as limita por meio de uma racionalidade gerencial, performativa e hierárquica? Entrevistas semiestruturadas e observações participantes foram os instrumentos de pesquisa. Os achados indicam distribuição e fortalecimento das lideranças nos segmentos limitados pelo próprio programa, que, apesar de aparentemente democratizante, representa os interesses da Seduc-SP.