
RESUMO O presente artigo apresenta reflexões acerca do processo de construção coletiva do documentário Mbyá Arandu: a sabedoria de viver entre dois mundos, que aborda a educação tradicional e a educação escolar Mbyá Guarani. O documentário foi realizado a partir da fala das próprias lideranças e professores das comunidades envolvidas com a elaboração deste audiovisual que se passa, majoritariamente, nas aldeias Mbyá Guarani situadas na região metropolitana de Porto Alegre (RS, Brasil). Buscando aproximar-se das compreensões de interculturalidade e de convivialidade na perspectiva filosófica guarani do Teko Porã (Bem Viver) em diálogo intercultural, as autoras tecem relações entre os momentos vivenciados nas com-vivências antes e durante as filmagens do documentário, salientando aprendizagens que frutificaram desses encontros. As reflexões aqui tecidas mostram como é possível, necessário e fecundo inspirar-nos na postura convivial e intercultural dos Guarani para revitalizar e ressignificar a educação escolar ocidental (branca), com a intenção pedagógica e humanitária de torná-la mais inclusiva e antirracista. Igualmente, o texto ressalta a importância de reconhecer e valorizar os conhecimentos, metodologias e sabedorias indígenas, neste caso, do povo Mbyá Guarani, como modo de reparação às violentas tentativas coloniais de apagamento cultural e epistemológico.
RESUMO Fazemos, do ponto de vista da educação antirracista, uma reflexão sobre a relação entre museu e escola na América Latina, discutindo processos de ensino-aprendizagem, curadoria e mediação intercultural nas relações escola-museu. Para isso, partimos da análise de documentos e bibliografias especializados, bem como da síntese de uma exposição científica-artística realizada no Planetário do Rio de Janeiro com foco na apresentação e discussão de cosmologias e cosmopolíticas afropindorâmicas. Argumentamos que é necessário construir outros processos de educação para compreender o papel histórico, político, pedagógico, epistemológico, científico e ético de escolas e museus de ciências na América Latina. Esperamos contribuir para o estabelecimento de novas experiências interculturais em escolas e museus das margens na região, ampliando as ideias sobre os processos de ensino-aprendizagem, curadoria e mediação em escolas e museus para o exercício pleno da educação antirracista como uma prática da liberdade.
RESUMEN Este artículo analiza la película Blak Mama (2009), dirigida por Miguel Alvear y Patricio Andrade, como un texto cinematográfico que encarna y resignifica los principios de la pedagogía liberadora de Paulo Freire en diálogo con categorías de los estudios culturales y de la teoría cinematográfica. A partir de conceptos como concientización, diálogo e inédito viable, se examina cómo la obra subvierte los símbolos oficiales de la cultura ecuatoriana mediante estrategias de parodia, carnaval e hibridez, transformándolos en espacios de negociación cultural. El film, protagonizado por tres recicladores devotos de la Virgen de la Merced, combina realismo mágico, surrealismo y elementos populares en una narrativa fragmentada y transgresora, donde lo popular y lo marginal se confrontan con lo oficial y lo hegemónico. El análisis se apoya en un marco teórico interdisciplinario que integra las propuestas de Freire sobre educación liberadora, las ideas de Mikhail Bakhtin acerca de la parodia y el carnaval, la noción de colonialidad del poder de Aníbal Quijano y la desobediencia epistémica de Walter Mignolo, junto con los aportes de Linda Hutcheon y Robert Stam sobre la parodia como crítica cultural y resistencia poscolonial. Desde esta perspectiva, Blak Mama se presenta como un espacio de resistencia cultural y de educación intercultural crítica que desestabiliza las narrativas dominantes, a la vez que celebra la capacidad de las comunidades para reinventar sus tradiciones y proyectar horizontes emancipadores.
RESUMO Neste artigo, abordamos concepções de masculinidades que contribuem para descolonizar o pensamento, impregnado por imposições construídas no plano sócio-histórico-cultural da modernidade/colonialidade. Por meio de um estudo do tipo pesquisa-ação, buscamos identificar o pensamento liminar em concepções de masculinidades elaboradas por estudantes do Ensino Médio em interações mediadas por uma prática pedagógica fundamentada na interculturalidade. Tomamos como material principal de análise os discursos dos participantes a respeito de discriminações e preconceitos nutridos pela masculinidade hegemônica e enfrentados principalmente por homens negros, sendo possível constituir uma categoria de análise provocada pela intersecção entre gênero, sexualidade, raça/etnia e classe social. A análise indica que o pensamento liminar dos sujeitos estabelece-se a partir da empatia e da solidariedade, uma vez que lhes permitiu usarem suas palavras para denunciar o racismo e afrontar a branquitude e a cis-heteronorma. Foi possível, ainda, reafirmar a necessidade de que a escola contemple possibilidades outras de construção do conhecimento, como as que se estabelecem por meio do diálogo, da conscientização e da criticidade.
RESUMO Este artigo tem como objetivo apresentar as experiências de formação da UEA com professores indígenas a partir do curso de Pedagogia Intercultural, que vem sendo ofertado desde 2018 na instituição. A proposta é destacar a criação e a organização do curso, bem como a construção do Projeto Pedagógico que se pauta na pesquisa e nas especificidades da interculturalidade e da alfabetização em línguas indígenas. Em segundo momento, apresentam-se dois relatos de cursistas sobre o trabalho que realizam com a alfabetização e o letramento no contexto dos Espaços de Estudos da Língua Materna e Conhecimentos Tradicionais Indígenas (EELMCT) da Secretaria de Educação de Manaus (SEMED/Manaus). Os dados, analisados com base em Larrosa (2002), Bettiol (2017), Cardoso (2024), Silva (2021), Freire (2010), mostram o avanço do curso no âmbito da Universidade do Estado do Amazonas e revelam as particularidades da formação de professores indígenas nas regiões onde a licenciatura foi e é atualmente ofertada. Espera-se com este trabalho contribuir com o reconhecimento das diferentes formações para professores indígenas no Estado do Amazonas que se apresentam, na UEA, com grande diversidade sociocultural e linguística.