
Resumo Inquérito sobre a produção de classicismo na figuração das letras do século XIX francês, com base no exame quantitativo e qualitativo de constelações de termos e de expressões que são artefatos de produção e doação de sentido. O classicismo escolar e o seu vocabulário; o destino tardio da tragédia, como campo privilegiado no qual se produz a contemporaneidade dos não contemporâneos. Corneille e Racine como personagens do século XIX.
Resumo Apresentam-se leituras das antologias Coração em África (1982) e Obra Poética (1994), do poeta são-tomense Francisco José Tenreiro, considerado o “inventor” da Modernidade nas letras da sua pátria. Consideram-se, nessas leituras, os preceitos da Negritude e o modo inaugural como Francisco José Tenreiro apresenta e articula seus pressupostos no cenário da poesia são-tomense. Analisam-se os trânsitos literários desse escritor, cujos diálogos extrapolavam espaços territoriais, demonstrando-se atento às (r)evoluções e às vanguardas do século XX. Seu primeiro livro, Ilha de Nome Santo, publicado em 1942, é considerado um marco dos ideais da Negritude nas letras africanas, escritas em língua portuguesa. Tendo falecido precocemente, deixou obras inéditas, que possibilitaram as edições de Coração em África (1982) e Obra Poética (1994).
Resumo A descoberta dos rastros da ditadura civil-militar dentro da própria casa leva a autora a uma série de trabalhos em artes visuais, entre eles uma viagem para uma floresta, provável local de desaparecimento forçado. A partir de uma imagem que surge durante a leitura de Antes do passado, romance de Liniane Brum, as autoras propõem um percurso em que sinalizam o trajeto dentro da floresta com fêmures de barro ao lado dos nomes dos desaparecidos. O artigo ainda comenta a tradição do kolossós diante da ausência do corpo morto, a partir das análises de Jean Pierre-Vernant e de Alberto Tassinari. Por fim, aborda o desaparecimento a partir da perspectiva do romance K. - Relato de uma busca, de Bernardo Kucinski.
Resumo O artigo analisa a peça Lady Tempestade, de Sílvia Gomez, concebida a partir dos diários de Mércia Albuquerque Ferreira, advogada militante que atuou na defesa de presos políticos durante a ditadura civil-militar brasileira. Discute-se que a adaptação teatral não funciona como simples ilustração documental, mas como recriação performativa do testemunho, na qual a memória íntima é convertida em ato público de rememoração coletiva. O conceito central de “rasura” (apagamento, risco, censura e lacuna) é interpretado como escolha estética e política que traduz trauma, resistência e os limites da linguagem diante da violência histórica. A encenação, mediada pela atuação de Andréa Beltrão e pela direção de Yara de Novaes, evidencia fragmentações, silêncios e repetições como dispositivos para elaborar o luto e reinscrever o passado no presente, produzindo uma “estética das ruínas” orientada à responsabilidade histórica.