
Este artigo analisa a construção discursiva de Triumpho, no Paraná, como uma “invenção regional” articulada por elites político-intelectuais a partir do final do século XIX. Examina como narrativas memorialísticas, relatos de viagem, cartografia e legislação municipal estiveram relacionadas com a forja de uma identidade paranaense centrada no mito do progresso, atribuído ao labor do imigrante europeu e à exploração da erva-mate. Argumenta-se que essa narrativa, ao mesmo tempo que legitimou a ocupação do território, produziu um passado esterilizado, consolidando uma imagem idealizada do interior paranaense.
Resenha de DÍAZ, J. L. S. Introdução ao Antigo Testamento. Tradução de Wagner de Oliveira Brandão, revista e atualizada por Anoar Jarbas Provenzi. 4. ed. rev. e ampl. Petrópolis: Vozes, 2024. 445 p.
Este artigo propõe uma abordagem crítica dos gêneros dramáticos da antiguidade grega, ultrapassando os limites de uma leitura exclusivamente poética. Ao problematizar a consolidação de convenções e classificações canônicas sobre a tragédia e a comédia antigas, o texto evidencia como essas codificações ocultam disputas sociopolíticas que permeavam a produção teatral. Destaca-se a importância de atores sociais como os choregoi, os financiadores e produtores das peças, cuja atuação revela a dimensão política dos festivais dramáticos e o teatro como espaço de disputa simbólica. Por meio da análise de autores como Aristófanes, Eurípides e Antífanes, além de fontes materiais e retóricas, o artigo argumenta que a teatralidade grega antiga vai muito além da poesia: constitui-se como ferramenta estratégica de participação e tensionamento político em Atenas.
Este artigo busca analisar como a ideologia aristocrática, durante o reinado de Juan II de Castela, era sacralizada por meio das festas nobiliárquicas. Tais celebrações seguiam um protocolo cerimonial e ritualístico marcado pela ostentação de trajes suntuosos, objetos de luxo, banquetes e atividades lúdicas. A análise aqui proposta se apoia nas contribuições tanto da Nova História Política quanto dos Estudos Sensoriais. Serão exploradas a pertinência dessas duas perspectivas para o estudo da cultura política medieval; as formas de sacralização política da aristocracia; e, por fim, a maneira como tais celebrações eram representadas na documentação da época. Esses pressupostos servirão de base para a interpretação das festas realizadas na corte de dom Álvaro de Luna (1390-1453) em Escalona no ano de 1448, conforme descritas na Crónica de D. Álvaro de Luna, Condestable. Álvaro de Luna, Condestable de los Reynos de Castilla y León de Gonzalo Chacón.
Neste artigo, o objetivo é apresentar referenciais teórico-metodológicos e a dinâmica de construção coletiva de um dossiê didático, voltado para o ensino de História e sobre o tema Holocausto, no âmbito de um projeto de extensão. Como principais referenciais utilizados no projeto, destacam-se Pierre Bourdieu, com o conceito de habitus; Paulo Freire, a partir das diretrizes do livro Pedagogia da Autonomia; Jörn Rüsen, com o conceito de consciência histórica e sua proposição de formação envolvendo valores humanistas; e Peter Lee, com a literacia histórica e os conceitos substantivos e de segunda ordem. O diálogo estabelecido entre os/as participantes do projeto envolveu a criação de um dossiê didático, que mobilizou fontes do acervo e materiais produzidos pelo Museu do Holocausto de Curitiba, e outros documentos e acervos. Saberes diversos foram mobilizados e compartilhados, contribuindo para a produção de sequências didáticas voltadas para a educação básica. Elas envolvem problematizações sobre crianças, jovens e adultos no Holocausto, Direitos Humanos, pessoas com deficiência, eugenia, totalitarismo, racismo e propaganda, formas diversas de resistência, integralismo e nazismo no Brasil, e o ódio ao outro, dialogando com o período contemporâneo, e o nosso país.