
Problematizamos as formas facilitadas de morrer que atingem homossexuais em situação de violência na intimidade. Demos ênfase a regulação da sexualidade, a heteronorma e a homonormatividade para pensar os amparos legislativos à vida desses sujeitos. A partir do conceito de biopolítica de Foucault e necropolítica de Mbembe discutiu-se as diferenças entre deixar morrer e fazer morrer, entendendo que ambos podem resultar da ausência do Estado na proteção da violência entre casais homossexuais. Características como raça/etnia, classe social e performatividade de gênero cruzam-se a orientação sexual e estão diretamente relacionadas a quais corpos são deixamos morrer e quais são mortos simbolicamente pelo Estado. Por fim, a proteção estatal através de Leis punitivas não é suficiente para prevenção desses crimes, é preciso problematizar a colonialidade das verdades de gênero, estabelecendo políticas públicas que considerem as particularidades da violência nos relacionamentos homossexuais.
A Psicologia é um ramo científico relativamente novo e que ainda carece de alicerces metodológicos consistentes para sustentar suas investigações. Dado sua imaturidade, essa ciência ainda encontra dificuldades para delimitar seu estatuto ontológico, o que gera diversos equívocos epistemológicos e metodológicos. Diante disso, impõe-se uma questão fundamental para a elucidação do objeto da Psicologia: o problema mente-corpo. A proposta desse artigo, nesse sentido, é discutir o problema mente-corpo à luz da Fenomenologia de Edith Stein, buscando a partir daí uma fundamentação da Psicologia. Para isso, foram analisadas algumas obras da filósofa, a saber: “Causalidade Psíquica” e “Introdução à Filosofia”. Desse modo, através das investigações de Stein acerca da psique (que pode ser aproximada ao que se entende por mente no âmbito das ciências da mente) e do corpo, conclui-se que é possível conceber a questão psique/mente-corpo enquanto uma unidade-dual que se instancia no Leib.
O fenômeno suicídio, por ano, dizima cerca de 800 mil pessoas no mundo, apontando a importância de estudos fenomenológico-existenciais que possam discuti-lo como uma possibilidade que surge na vivência da liberdade de escolher entre viver ou morrer. Objetivamos discutir o fenômeno suicídio na contemporaneidade à luz da fenomenologia existencial de Sartre. Na contemporaneidade, nomeada por Bauman de Modernidade Líquida, tudo se passa numa rapidez imensurável e o homem não tem tempo de se demorar nas indagações sobre si. A ordem do dia é suprimir a angústia por meio de possibilidades, dentre elas, o suicídio. Para Sartre, o homem é angústia e não pode suprimi-la, vivenciando-a no contato com sua liberdade de realizar escolhas. Escolher implica que o homem haverá sempre de se deparar com a vivência da angústia. Concluímos que no suicídio, o que está em jogo é a negativa de ter que continuar a escolher, assim, o homem escolhe não mais escolher, pondo fim à sua existência.
O presente estudo tem como objetivo investigar as concepções e ações de familiares, professores e gestores escolares sobre a relação família-escola. Trata-se de uma pesquisa de campo qualitativa, cujos participantes foram sessenta pais/responsáveis, trinta professores e seis gestoras de seis escolas públicas de Ensino Fundamental I. Para conhecer as concepções dos participantes acerca da relação família-escola foram utilizados três roteiros de entrevista semi-estruturadas destinadas aos professores e gestores, e um questionário direcionado aos pais. As entrevistas foram realizadas individualmente e registradas por meio de áudio para posterior análise, a qual foi inspirada nas diretrizes propostas por Bardin (2008). Os resultados revelaram contradições e pouca clareza dos grupos pesquisados no que se refere aos seus distintos e inter-relacionados papéis, às formas de participação de ambos no que concerne às vivências dos escolares e o papel da escola.
O tema abordado pela pesquisa é o desenvolvimento ontogênico da personalidade, sob a ótica da autora russa Lydia Il’inichna Bozhovich, que está inserida na Psicologia Histórico-Cultural, desenvolvida por Vigotski com o auxílio de Luria e Leontiev. Assim, o objetivo que se coloca para a pesquisa é entender se a obra de Bozhovich segue os preceitos postulados por Vigotski de fato. Dessa forma, os principais trabalhos sobre personalidade de Bozhovich em inglês e espanhol foram lidos e sistematizados. A análise crítica dessa obra foi embasada em obras vigotskianas que tratam do mesmo assunto e a metodologia utilizada foi a revisão bibliográfica conceitual de abordagem qualitativa e objetivo exploratório. Os resultados obtidos com a comparação das obras de Bozhovich e Vigotski indicam que a autora buscou ampliar a teoria e as ideias vigotskianas, mantendo-se fiel às premissas da Psicologia Histórico-Cultural.