
O objetivo deste artigo é a avaliação qualitativa da mudança num intervalo de tempo. O tempo, como conceito chave na confluência do qual se iniciaram as observações sobre o movimento, foi problematizado de acordo com a teoria da intencionalidade da mente juntamente com a teoria da percepção interna (Brentano, 1874). Na medida do possível e para a observação objetiva, o método enquadrou o movimento do tempo no modelo aditivo dos esquemas da aritmética. Quando o contato das forças de contração manifesta uma mudança, é sempre a normalidade da consciência que é considerada em relação à mudança. A partir da atividade da consciência, assim heterogênea e direcionada aos conteúdos da experiência, um problema sobressai para a análise, a saber: a retenção da memória em seu ponto de vista quantitativo. Portanto, sendo esta retenção considerada como faculdade da inteligência humana, algumas contribuições são aqui propostas em face de uma teoria do reconhecimento já desenvolvida por Bergson (1889, 1939).
Este estudo buscou analisar o conto "Luamanda", da autora Conceição Evaristo, objetivando compreender os mecanismos pelos quais a autora desenvolve e constrói, no plano narrativo, discursos que se entrelaçam com as figuras de mulheres negras em relação aos vínculos afetivos vivenciados por elas na sociedade. Para realização da análise, foi utilizado como objeto de estudo, o conto "Luamanda", do livro Olhos d’água, sob as reflexões de teóricas como Lélia Gonzales, Grada Kilomba e bell hooks entre outras. As conclusões do estudo demonstraram a importância e a necessidade de as mulheres negras conhecerem as possibilidades de autoconhecimento para que consigam vivenciar relações de afeto.
O presente estudo empreende a análise de dois episódios do podcast Retrato Narrado a fim de refletir sobre os movimentos neoconservadores no Brasil e, mais particularmente, sobre os discursos extremistas brasileiros a propósito das políticas de inclusão, de reparação e de igualdade destinadas aos povos originários, aos afrodescendentes e à diversidade de gênero. Levando em conta os discursos enunciados no podcast, busca-se descrever os artifícios discursivos que balizam o funcionamento da estratégia política neoconservadora. Para tanto, recorremos, por um lado, aos estudos de Jason Stanley (2020), de Steven Levitsky e Daniel Ziblatt (2018) e de Enzo Traverso (2020), que descrevem aspectos do mesmo fenômeno no cenário internacional; por outro, retomamos as discussões de Michel Foucault (1988, 2010) sobre biopoder, racismo e fascismo.
Frases como “Precisamos dar voz a essas pessoas”, “Elas precisam ser escutadas” e tantas outras proliferam-se à sociedade, principalmente nos movimentos sociais de grupos que têm a humanidade (re)negada. As chamadas “minorias de direitos”, assim, criam estratégias de sobrevivência e de r(e)xistência em espaços vistos como monstruosos, como as ruas, esquinas, periferias, bailes funk, vielas etc. O pajubá – tecnologia transcestral e linguística criado pelas travestis – é um excelente exemplo em que as vozes que ecoam das paredes desses locais gritam palavras de ordem, defendendo o direito à vida e da margem como o centro. Portanto, este texto abordará algumas reflexões a partir da filosofia da expressão vocal, da filósofa e teórica Adriana Cavarero, em diálogo com o Neca (2021), de Amara Moira, monólogo totalmente escrito em pajubá, onde as vivências da sua puta-travesti são protagonizadas no palco da vida (e das ruas).