
O artigo tem como objetivo mapear e analisar concepções de Atendimento Educacional Especializado (AEE) e Educação Especial na documentação institucional dos Institutos Federais (IFs) da região Sul do Brasil. Foram mapeados 16 documentos institucionais dos 6 IFs da região, definidos a partir de documentos de regulamentação dos núcleos de acessibilidade e de atuação da modalidade da Educação Especial e do AEE. As análises, articuladas aos estudos da deficiência e da Educação Especial, indicam diferentes perspectivas, com foco na diminuição das desigualdades e na promoção da diversidade. Conclui-se que há concepções distintas, por vezes antagônicas e contraditórias, em relação à modalidade da Educação Especial na EPT. Entretanto, para além das recorrências polissêmicas sinalizadas nos documentos, a construção de instrumentos colaborativos e práticas engajadas na perspectiva do coensino, evidenciam não apenas as contradições e a ambiguidade do que tem se desenvolvido no campo, mas potência política e pedagógica.
Este artigo argumenta que a escola moderna é uma instituição “intolerável". Em oposição à apreciação da pesquisa educacional que busca mais e/ou melhor forma de escolarização para tornar a educação mais igual e inclusiva, nossa posição vai em oposição à escola europeia moderna enquanto instituição de normalização, na qual a igualdade e inclusão são impossíveis. A estratégia de inversão de Foucault é usada como meio de subversão para argumentar em prol de um fim para a escolarização. Concretamente, este texto destaca os fundamentos epistêmicos da escola moderna e, em particular, a dinâmica da normalização relacionada ao universal e à produção de desigualdades e indivíduos isolados. O artigo coloca a necessidade de ser “contra”, e não “a favor” da escola e a necessidade do abandono da “perspectiva redentora”. Propomos a necessidade de pensar a educação de modo diferente e separado da escola para instaurar outras educações; e, especificamente, a educação como atividade ética, exploração de limites e política do self.
O artigo problematiza as questões éticas e metodológicas envolvidas em uma pesquisa sobre os scripts de gênero com crianças pequenas, ressaltando a importância de expandir a compreensão da participação infantil nos processos investigativos. Fundamentado nos Estudos de Gênero e na Sociologia da Infância, sob uma perspectiva pós-estruturalista, o estudo teve como objetivo principal analisar as estratégias que as crianças mobilizam para burlar e ressignificar os scripts de gênero, muitas vezes naturalizados no cotidiano escolar. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa etnográfica desenvolvida com um grupo de 17 crianças de quatro anos em uma escola pública da Região Metropolitana de Porto Alegre. A investigação evidencia a necessidade de ampliar os entendimentos sobre as pesquisas participativas com crianças. Além disso, são tecidas reflexões sobre a ética na pesquisa com crianças, articulando-a no que chamamos de o antes, o durante e o depois da investigação.
Este artigo analisa o Projeto Político-Pedagógico (PPP) como instrumento de ação pública na implementação da educação antirracista em 168 escolas municipais de Ensino Fundamental de São Paulo. Fundamentado nos debates sobre colonialidade do poder e dispositivo da racialidade, o estudo aplica a matriz MAP³-EAEF para identificar evidências documentais de compromisso institucional com a equidade racial. Os resultados ndicam a predominância de níveis baixos a intermediários de adequação nas dimensões avaliadas, com maiores níveis associados à maior concentração de estudantes negros e ao cumprimento das metas do IDEB. As evidências sugerem incorporação desigual da agenda antirracista no planejamento escolar.
No Brasil, após a Proclamação da República, a educação e a escola foram palco de disputas que envolveram diferentes correntes ideológicas e filosóficas. Para a Igreja Católica não foi diferente, ela mobilizou o episcopado, o clero, as famílias e os católicos no combate ao ensino leigo e na organização das escolas católicas. Tratou-se de um projeto conservador de educação, amparado na política ultramontana e pelos interesses das oligarquias, que pretendiam modernizar a economia brasileira, sem abrir mão do tradicionalismo. O objetivo deste artigo é, portanto, descrever o discurso e a mobilização da Igreja Católica na promoção da escola e da educação católica nos primeiros decênios após a proclamação da República. Para a Igreja, a educação e a escola católica atenderam a interesses políticos e ideológicos com o objetivo de recristianizar a sociedade, a fim de restaurar o poder e a autoridade da Igreja frente ao Estado e à sociedade brasileira e, consequentemente, a educação foi muito doutrinal e pouco científica. Para este estudo foi utilizado como base documental as cartas pastorais elaboradas pelos bispos brasileiros.