
Esse artigo apresenta os resultados de uma Revisão Integrativa da Literatura que objetivou discutir as concepções e explicações construídas em torno da medicalização da educação, identificando se elas se alinham a perspectivas críticas ou acríticas de Psicologia e Educação. A pesquisa foi realizada nas bases Scientific Electronic Library Online (SciELO), Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) e Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), contemplando produções publicadas entre 2017 e 2024. Foram selecionados 79 artigos, que constituíram o corpus final de análise. Evidenciou-se a predominância de concepções pautadas na biologização, patologização e individualização das queixas escolares, bem como na valorização dos laudos diagnósticos e da medicalização como solução para as contradições educacionais. Em menor número, identificaram-se perspectivas críticas voltadas à desmedicalização da educação. A lógica medicalizante permanece hegemônica, reforçando a necessidade da construção de análises que considerem as determinações históricas e sociais envolvidas nos processos de escolarização.
O avanço das tecnologias digitais tem ampliado as possibilidades de ensino e aprendizagem no ensino superior, especialmente em áreas de elevada complexidade visual, como a Anatomia Humana. Este estudo comparou o desempenho acadêmico de estudantes da área da saúde submetidos a três estratégias pedagógicas na disciplina de Bases Anatômicas de Órgãos e Sistemas: ensino tradicional (ET), recursos tecnológicos tridimensionais (RT) e ensino tradicional associado aos recursos tecnológicos (ET+RT). O desempenho foi avaliado pela nota final da disciplina, composta por avaliações teóricas e práticas. Os dados foram analisados por ANOVA de uma via, seguida do teste de Tukey. O grupo ET+RT apresentou médias superiores às observadas nos grupos ET e RT (p<0,001), enquanto ET e RT apresentaram resultados semelhantes. Os achados sugerem que a utilização combinada de metodologias tradicionais e recursos tecnológicos esteve associada a melhor desempenho acadêmico nas turmas analisadas.
Este artigo analisa a implementação da Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP), com suporte da plataforma Be Active, na disciplina de Contabilidade Empresarial do curso de Administração. O objetivo foi compreender como essa metodologia, desenvolvida em ambiente digital, favoreceu a aprendizagem e a colaboração entre estudantes, evidenciando suas potencialidades, desafios e contribuições percebidas pelos participantes. Trata-se de um recorte de uma pesquisa qualitativa e de caráter interventivo, realizada com observação participante, coleta documental e aplicação de questionários. Os dados foram analisados por triangulação das diferentes fontes de evidência, com articulação entre Análise de Similitude, Análise Prototípica, análise interpretativa dos dados qualitativos e cruzamentos entre variáveis. Os resultados indicaram potencialidades ligadas à organização do percurso investigativo, à aproximação entre teoria e prática, à mobilização da pesquisa e à colaboração, além de desafios relacionados à adaptação à metodologia e à necessidade de mediação pedagógica constante.
Este artigo analisa como a leitura do livro 'Quarto de despejo' contribui para o desenvolvimento do letramento crítico em alunos do Proeja. A pesquisa adotou abordagem qualitativa, de caráter exploratório e descritivo, com entrevistas semiestruturadas realizadas com quatro estudantes do Proeja, buscando compreender suas percepções e reflexões a partir da leitura da obra. A análise fundamentou-se nos pressupostos teóricos de Paulo Freire, articulando o conteúdo literário à formação de leitores críticos. Os resultados evidenciaram identificação dos alunos com as desigualdades sociais retratadas o que favoreceu a problematização da realidade, o desenvolvimento da consciência crítica e a vontade de transformação social. Com este estudo, chega-se à conclusão de que o uso de textos literários socialmente significativos com os alunos da EJA/Proeja potencializa o pensamento crítico e promove a emancipação dos sujeitos.
Fomos recebidos por ela, Vanda Witoto, no portão de sua casa, no Parque das Tribos, em Manaus, no Amazonas. Com um sorriso largo, um chapéu de trançado e um colar de fibras com um pingente vermelho de sementes e penas, convidou-nos a entrar. Passamos por um quintal com diversas plantas e resquícios de materiais de construção. Mais acima, ao lado direito, havia um deque de madeira com um grafite ao fundo e uma rede esverdeada em toda a extensão da área. Fomos convidados a sentar numa mesa com cadeiras e a experimentar o açaí recém batido em meio às folhagens de palmeiras. Vanda sentou-se na rede e começou a contar sobre aquele lugar, as reformas estruturais que conseguiram fazer, e a casa ao lado, pertencente a seus pais.