
Neste artigo, estuda-se o papel revitalizador das pequenas comunidades nos processos de (re)iniciação à vida cristã da Igreja Local (diocese). Com uma metodologia de análise histórico-teológica de cunho sintético, escolheram-se algumas formas comunitárias paradigmáticas para o cristianismo – entre essas, a comunidade primitiva de Jerusalém de Atos 2, 42-47 –, a fim de identificar como se davam ou se dão os processos eclesiais de transmissão da fé. Essa análise sintética foi, em seguida, complementada pelo estudo dos elementos centrais da teologia da Igreja diocesana para, na última parte, explicitarem-se as principais características das pequenas comunidades no concernente à transmissão da fé na diocese. Os resultados da pesquisa foram obtidos a partir de uma releitura teológico-pastoral das formas comunitárias paradigmáticas acima elencadas, fornecendo-se pistas para a efetiva recuperação da radical forma comunitária da transmissão da fé na diocese.
O presente estudo analisa o texto de Mc 11,12-25 como um ato profético-simbólico que transcende o milagre, integrando denúncia (11,12-14.20-25), anúncio (11,15-19) e ensino performativo (11,22-25). A maldição da figueira e a purificação do Templo articulam-se como juízo divino contra um sistema religioso infrutífero e revelam a cristologia paradoxal do Evangelho segundo Marcos: Jesus, como profeta escatológico e Filho de Deus (1,11; 9,7), redefine o culto autêntico. A intercalação literária destaca a conexão entre a figueira estéril (sem frutos fora de época) e o Templo corrupto (“covil de ladrões”), ambos condenados à inutilidade. Metodologicamente, empregam-se os métodos próprios da ciência exegética, tal como indicada pela Pontifícia Comissão Bíblica, numa análise morfossintática, exegética e teológica, para demonstrar que o episódio anuncia o fim do Templo como eixo salvífico, substituído por uma comunidade alicerçada numa fé autêntica, na oração e no perdão (11,22-25). Conclui-se que o gesto de Jesus, enraizado na tradição profética (Jr 7,11; Os 9,10), expõe a crise do judaísmo institucional e proclama uma nova economia da fé pós-pascal.
Diante das múltiplas calamidades que assolam a sociedade contemporânea, especialmente conforme observado no contexto da pandemia de Covid-19, a Igreja tem reafirmado seu papel como agente de assistência e humanização. Mais do que um bastião de esperança fundamentada na fé, a Igreja se revela como um espaço de amparo concreto, oferecendo suporte alimentar, psicológico, jurídico e trabalhista, entre outras formas de assistência, como evidenciado na literatura acadêmica. Nesse sentido, o presente estudo propõe uma abordagem panorâmica e histórica sobre as diversas manifestações do papel diaconal da Igreja ao longo dos séculos, analisando sua atuação assistencialista desde a Antiguidade até a era contemporânea, marcada pelo avanço das tecnologias da informação. Por meio de uma pesquisa bibliográfica de caráter qualitativo, busca-se demonstrar a relevância da Igreja na construção de uma realidade religiosa e teológica que, para além do desenvolvimento da fé dos fiéis e não fiéis, fomenta um engajamento social cada vez mais estruturado. Ao final do artigo, é dado como exemplo mais concreto a atuação da Igreja Universal do Reino de Deus como estudo de caso da práxis contemporânea. Os resultados indicam panoramicamente que, ao longo da história, a Igreja tem desempenhado um papel fundamental na promoção da saúde, educação, trabalho e desenvolvimento pessoal, consolidando-se como uma instituição atenta às demandas locais e à transformação social.
Concentrando-se em textos de Confissões XIII, este trabalho pretende aprofundar por remissões a excertos outros cada uma de três intuições que o parágrafo VII, 8 importa de Gênesis 1,1-2 – primeiro, a imagem de um “fundo” da criação, de que esta se formou e ao qual tende a voltar, mantendo a ela latente o caos; em seguida, a descontinuidade entre Criador, eterno, e criatura, efêmera; e por fim, a possibilidade e a expectativa de uma irrupção daquilo que consuma e eleva a vontade: o (verdadeiro) amor. Apoiado no arcabouço trinitário – e destacadamente pneumatológico – do Livro XIII (cf. Brachtendorf, 2008, p. 301), o trajeto como que miniaturiza o atributo central de cada Pessoa da Divindade cristã: a unidade abissal, a inteligibilidade diferenciadora e o dinamismo reunificador. Mapeado teoreticamente, o itinerário vai da teoria das paixões a uma metafísica do amor, recolhendo respectivamente elementos de uma “psicologia profunda” e de uma teologia da intervenção divina – a primeira e a terceira seções ocupando, por isso, maior espaço. No percurso se visitarão, com brevidade, passagens de outros escritos (O livre-arbítrio, A cidade de Deus, 83 questões diversas, De Trinitate) e de outros autores (Platão, Cícero, Plotino, Lactâncio); e, interagindo em particular com os comentários de H. Arendt e J. Brachtendorf, atentaremos a como e com quais desafios a faculdade da vontade surge e se desenvolve no decorrer desse corpus.
Este artigo objetiva tensionar a recepção do rito do lava-pés, ou Mandatum ou Lotium Pedum, nos seus principais livros litúrgicos ao longo dos séculos. E, dentro deste quadro extensivo da dinâmica histórica do rito, tomará como essencial a mensagem de que o lava-pés segue a ordem ritual deixada por Jesus naquela sua última noite junto aos apóstolos, e que a Igreja, Sua esposa, fiel a este depósito, celebra tal prática dentro da liturgia da quinta-feira santa. Diante do exposto, o artigo será norteado à luz da teologia da recepção, que, ora querigmática, ora pragmática, abrangerá de modo integral a evolução do rito nos livros rituais. Para isso, num primeiro momento, buscará compreender, nos relatos das Sagradas Escrituras, o que se entende sobre o lava-pés e seu real sentido dado por Cristo na sua recepção e aplicação. No momento posterior, será descrito historicamente o florescimento ritual acolhido pela Igreja, com desenvolvimento e auge no Ocidente. Na sequência, trará à razão uma nova norma promulgada a partir das mudanças das regras dadas pelo Papa Francisco, que fez com que o Missal Romano da terceira edição brasileira a recepcionasse, tornando-se meio espiritual e pastoral para a compreensão e participação dos fiéis na liturgia.