O presente trabalho objetiva apresentar resultados empíricos sobre a institucionalização do ensino híbrido, analisando o abismo existente entre o treinamento instrumental e o letramento pedagógico na formação dos professores. Em termos metodológicos, a pesquisa utilizou questionários e entrevistas com 280 docentes de todos os estados do país, fundamentando as análises sob a lente teórica do Institucionalismo Habitado. Os resultados revelam que a ausência de amparo atinge a maior parcela dos profissionais, com quase 51% da amostra indicando não ter recebido formação específica da instituição. Conclui-se que o suporte institucional, quando ofertado, limita-se predominantemente a um treinamento técnico e mecanicista. Sem a qualificação pedagógica adequada, o espaço virtual conforma-se às antigas práticas transmissivas, reduzindo a tecnologia a um depósito gélido que consolida o enquadramento técnico da docência.
Este artigo analisa a institucionalização da Educação a Distância (EaD) na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), enfatizando as estratégias de gestão institucional e parcerias que permitiram a incorporação da EaD à estrutura universitária. Fruto de uma tese de doutorado, a pesquisa adota a abordagem qualitativa, utilizando análise documental e entrevistas semiestruturadas para compreender as interações entre a UFSCar e o campo da educação superior à luz da Teoria Institucional. Os resultados indicam que a parceria firmada entre o Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) e a UFSCar impulsionou a criação de estruturas organizacionais específicas, como a Secretaria de Educação a Distância (SEaD), bem como a incorporação progressiva da EaD na visão estratégica institucional. No entanto, desafios permanecem, incluindo a dependência financeira dos editais governamentais, a resistência de alguns professores em aceitar a modalidade e a necessidade de inovação pedagógica contínua. Portanto, sugere-se que a UFSCar continue desenvolvendo estratégias para superar essa resistência e institucionalizar a EaD, promovendo educação acessível e de qualidade socialmente referenciada.
This article aims to formulate a theoretical-conceptual proposal that serves as an analytical tool for the process of organic incorporation of Distance Education (DE) in public universities. The text is an excerpt from the author's doctoral thesis and part of the analysis of the data collected through the following procedures undertaken in the light of methodological triangulation: document analysis, virtual focus group, semi-structured interview, Delphi technique and virtual questionnaire. To analyze the data, qualitative and quantitative approaches were used, without losing sight of the Weberian sociological matrix. The study proposes, as a result, a scheme constituted by the elements: subjects-or groups of subjects-, organizational culture and bureaucracy. Through the analysis of the mismatches internally generated by the presence of DE, it becomes possible to apprehend the complex dynamics of the phenomenon, understanding its dialectical character based on the clashes that move the process that can either move towards institutionalization or deinstitutionalization, once that it is a continuum.
ABSTRACT The purpose of this article is to describe some of the obstacles that persist in the process of organic incorporation of public distance education (DE). We take, as a reference, the Universidade Aberta do Brasil (UAB) System. As for the methodology, we used methodological triangulation in the light of qualitative and quantitative approaches. Our epistemological matrix is the Weberian comprehensive sociology. Besides, we use dialectics as a conceptual instrument. Regarding the methodological procedures, we undertook: document analysis, virtual focus groups, semi-structured interviews, Delphi technique and virtual questionnaire. With the study, we discussed two main mishaps that still persist in the incorporation process: the UAB System as synonymous of DE and the institutionalization of precariousness. The research comes to the conclusion that overcoming the current funding policy and the coagulated ways of interpreting reality is an essential condition for organic incorporation.
Este artigo aborda a condução de revisões sistemáticas de literatura (RSL) mediadas pela ferramenta Parsif.al, destacando suas potencialidades e limitações. A RSL é fundamental na pesquisa científica, proporcionando uma síntese estruturada e replicável de evidências. O estudo descreve as etapas da RSL — planejamento, condução e documentação — e enfatiza a importância de protocolos rigorosos para garantir transparência e reduzir vieses. O Parsif.al é apresentado como uma ferramenta online e colaborativa que facilita o gerenciamento de RSL, desde a definição de critérios e seleção de bases de dados até a análise de dados. Apesar de suas vantagens, como organização e automação, o Parsif.al tem limitações, como a falta de análises avançadas e a necessidade de ferramentas complementares. Conclui-se que, embora valiosa, a ferramenta deve ser usada em conjunto com o julgamento crítico dos pesquisadores para garantir a robustez da revisão.
O artigo explora os desafios e as perspectivas enfrentados pela Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, no contexto da implementação e institucionalização da Educação a Distância, a partir da experiência vivenciada pelos Institutos Federais – caso Minas Gerais. Utilizando uma abordagem qualitativa de análise de dados documentais, o estudo buscou compreender de que maneira as diretrizes organizacionais do Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, aliadas à indução dos programas federais de fomento e ao progresso da sustentabilidade financeira da Educação a Distância impactaram as políticas institucionais para a modalidade, no plano interno da Rede Federal, no estado em questão. Os resultados destacam a evolução significativa na integração da modalidade nas políticas institucionais dessas instituições, revelando, no entanto, um persistente obstáculo: lidar com a dependência do financiamento externo, oriunda das políticas públicas nacionais. Palavras-chave: EaD. Educação profissional tecnológica. Políticas institucionais de EaD.
RESUMO O objetivo deste artigo é descrever alguns dos principais entraves que persistem no processo de incorporação orgânica da educação a distância (EaD) pública. Partimos do Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB). Quanto à metodologia, usamos a triangulação metodológica à luz das abordagens qualitativa e quantitativa. Nossa matriz epistemológica é a sociologia compreensiva weberiana. Utilizamos, aliás, a dialética enquanto instrumento conceitual. Sobre os procedimentos metodológicos, empreendemos: análises documentais, grupos focais virtuais, entrevistas semiestruturadas, técnica Delphi e questionário virtual. Com o estudo, discutimos dois principais percalços que ainda persistem no processo de incorporação, isto é, o Sistema UAB como sinônimo da EaD e a institucionalização da precariedade. A pesquisa chega à conclusão de que superar a atual política de financiamento e as consequentes formas coaguladas de interpretação da realidade é condição indispensável para a incorporação orgânica.
A Cultura Digital tem modificado de forma significativa os processos educacionais, exigindo dos professores novas abordagens pedagógicas que abarquem a criticidade, a criatividade e a participação ativa dos estudantes nas atividades educacionais, tornando a aprendizagem significativa mais adequada às novas demandas da sociedade (Camargo; Daros, 2021). Conforme Kenski (2018), a Cultura Digital pode ser entendida como o conjunto de conhecimentos, práticas e valores que emergem juntamente com as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC). Desenvolve-se, portanto, a partir das interações no que Lévy (1999) chamou de ciberespaço, compreendendo percepções e visões de mundo que, em muitos sentidos, destoam dos pressupostos e axiomas de outrora. A Cultura Digital não se confunde com a noção de uma aprendizagem crítica e criativa. No entendimento de Gogus (2011), a própria ideia de aprendizagem ativa surgiu por meio das pesquisas e reflexões do filósofo pragmatista estadunidense John Dewey. Esse autor, já nas primeiras décadas do século XX, salientava a importância de um processo ativo no qual os discentes constroem seu próprio significado a partir da reflexão e do pensamento crítico. Por sua vez, o conceito de aprendizagem significativa remete às pesquisas de David Ausubel, psicólogo estadunidense que preconizava um aprendizado no qual o novo conhecimento deveria se associar às estruturas cognitivas prévias (Ausubel, 2003). As definições que precedem são importantes, porquanto precisam os conceitos e, desde a partida, superam uma associação imediata e superficial entre TDIC e processos educacionais críticos e criativos. As tecnologias tanto podem servir a práticas humanizantes, como também podem oprimir (Freire, 2015). Do mesmo modo que a inovação pedagógica pode ser construída mediante o uso de tecnologias analógicas e práticas que não necessariamente lancem mão de recursos tecnológicos mais recentes. Essa reflexão mostra-se mister, na medida em que ratifica a necessidade de pensar práticas pedagógicas imbuídas de TDIC sempre de uma perspectiva realmente crítica, preocupada com a superação de modelos educacionais bancários e opressores. Pois é nesse contexto de constante evolução tecnológica que é pertinente repensar os modelos tradicionais de ensino. “O grande desafio desse momento histórico é a prática de metodologias que possibilitem uma práxis pedagógica capaz de alcançar a formação de um sujeito criativo, reflexivo, colaborativo, capaz de trabalhar em grupo e resolver problemas reais” (Camargo; Daros, 2018, p. 4). Deve-se, ao fim e ao cabo, partir do aqui e do agora dos educandos (Freire, 1996). Mas há que se destacar que a integração das TDIC na educação necessita ocorrer de forma crítica e planejada, com práticas que visem ao fortalecimento do protagonismo e da autonomia dos estudantes em detrimento de abordagens tradicionais que assumem o professor como o único detentor e transmissor do saber. Posto isso, diversos são os desafios que abrolham na Cultura Digital. À guisa de exemplo, a difusão da Educação a Distância (EaD) no Brasil, mormente na formação de professores, tem levado a respostas por vezes emergenciais e sem um amparo crítico, como é o caso das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) de 2024 e sua associação imediata entre qualidade e presencialidade. É fato que a proliferação de propostas formativas a distância tem conduzido a experiências de mui baixa preocupação qualitativa, orientando-se por um viés notadamente mercadológico e subsumido à noção de eficiência quantitativa. Isso, porém, não invalida a relação histórica que a EaD tem para com processos de ampliação e democratização do acesso educacional, sobretudo em nível superior (Moore; Kearsley, 2013). Daí que o debate deve se deslocar para a preocupação de se construir uma nova matriz de qualidade para os cursos a distância, pautada por uma lógica ecossistêmica e à luz de uma perspectiva socialmente orientada (Ferreira; Ramos; Veloso, 2024). Para além da EaD propriamente dita, outro desafio que se impõe na contemporaneidade é a célere expansão da Inteligência Artificial (IA) generativa. Esta que vem ganhando cada vez mais espaço nos processos educativos, lançando novas possibilidades e óbices para estudantes e docentes. Para Sadin (2023), a IA possui, mais recentemente, uma faculdade tripla: interpretação de dados dos mais variados tipos; sugestão e formulação de “soluções” que induzem o processo de agência dos seres humanos; e tomada de decisão levando à realização de ações sem validação humana prévia. Os processos educacionais na Cultura Digital, portanto, não podem ignorar o avanço da IA generativa, bem como as implicações - positivas e negativas - para as relações sociais nas mais distintas esferas de ação. Da mesma forma, o metaverso é uma temática que eclode na sociedade coetânea. Eles podem ampliar as possibilidades de aprendizagem, proporcionando experiências cada vez mais imersivas e colaborativas. De acordo com Schlemmer e Backes (2008), os metaversos são tecnologias que se constituem no ciberespaço, materializando-se mediante criação de mundos digitais em três dimensões, de tal sorte que espaços para vivência e convivência engendram mundos paralelos. Diversas são as aplicações desse tipo de tecnologia nas práticas educacionais, como a criação de ambientes totalmente virtuais para interações de ensino-aprendizagem. Mas também surgem problemáticas, que não podem ser desconsideradas pelos profissionais da educação. Nessa senda, haja vista os desafios e as possibilidades contemporâneos, o presente dossiê Aprendizagem Crítica e Criativa na Cultura Digital: Desafios, Práticas e Inovações apresenta reflexões e pesquisas finalizadas e em andamento sobre inovações pedagógicas, uso de Inteligência Artificial generativa e de instrumentos facilitadores de pesquisa de revisão sistemática de literatura como o Parsif.al, temas relevantes como a institucionalização da EaD e a inclusão digital, ensaio sobre novas propostas didático-pedagógicas para a contemporaneidade como a ideia de uma Pedagogia do não-saber, projetos com uso de tecnologias digitais, dentre outros. Por meio desses e outros debates, este dossiê visa contribuir para o aprofundamento de discussões acerca do papel das TDIC na educação, por meio de um olhar crítico entre teorias e práticas. A Cultura Digital exige o domínio das mais diversas ferramentas tecnológicas e reflexões éticas sobre seus usos na educação, de forma que sua incorporação nos processos educacionais precisa levar os estudantes a desenvolverem seus protagonismo e autonomia, na construção de práticas pedagógicas que favoreçam a participação ativa, a equidade e o pensamento crítico, preparando-os para os desafios do século XXI. Dito isso, os artigos apresentados a seguir abarcam esses e outros temas relevantes para o desenvolvimento de práticas pedagógicas críticas e criativas na Cultura Digital, mais inclusivas e inovadoras. São textos que, sem se preocupar com tentativas de trazer respostas cabais, se direcionam às inquietações e problematizações acerca da temática principal ora em tela. O ensaio teórico “Pedagogia do Não-Saber”, de Braian Veloso, objetiva propor formas alternativas de práticas pedagógicas mais alinhadas às demandas da sociedade contemporânea, resgatando diferentes referências e teorias na construção de argumentos válidos para defender, apresentar e discutir o que o autor chama, precisamente, de Pedagogia do não-saber. O artigo busca problematizar e propor uma crítica ao saber-em-si como instrumento de poder que se apresenta como mecanismo de segregação e hierarquização social, buscando uma forma alternativa de pensar os processos educacionais de nosso tempo, apresentando a Pedagogia do não-saber como resultado desse esforço. Veloso propõe um processo de ensino-aprendizagem pautado em quatro etapas: inquirição, construção, consubstanciação e subsunção. O artigo de Felipe Alves Cerquiare, Robson Parmezan Bonidia e Camila Dias de Oliveira Sestito, intitulado “A Era da IA na Educação: Explorando Potenciais e Desafios”, explorou a Inteligência Artificial e seus desafios e potencialidades na educação, por meio de contribuições teóricas e práticas. O estudo apresenta o projeto InteliGente, como meio de formação de estudantes e professores para o uso de IA generativa de forma ética e inovadora. O texto introduz, aliás, o InteliGenteCards, uma ferramenta interativa que auxilia no debate crítico sobre temas complexos como IA e ética. Os autores concluem que a integração responsável da Inteligência Artificial generativa pode democratizar a educação, desde que sustentada por políticas públicas justas e abordagens éticas sólidas. O artigo “A institucionalização da Educação a Distância no Brasil e a Formação de Professores: subsídios para se pensar o futuro da modalidade”, de Luciane Penteado Chaquime e Claudinei Zagui Pareschi, por meio de uma pesquisa bibliográfica e documental, analisa a Educação a Distância como modalidade importante para a democratização educacional no Brasil. Entretanto, os autores alertam para o fato de que as recentes mudanças nas políticas públicas colocam em risco o futuro dos cursos a distância, indicando a necessidade de se recuperar o histórico do processo de institucionalização da EaD no Brasil e sua relação com a oferta de cursos de formação de professores. Os resultados apontam fragilidades e limitações estruturais no Sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB), como a falta de financiamento contínuo e outros fatores que dificultam a institucionalização nas Instituições Públicas de Ensino Superior (IPES). Por seu turno, o artigo “Inovação Pedagógica na Avaliação dos Estudantes do Ensino Superior: uma abordagem 360”, de Nuno Ricardo Oliveira, apresenta a Avaliação 360 no ensino superior como uma abordagem inovadora que combina autoavaliação, feedback dos pares e avaliação do professor. Para o autor, essa metodologia pode promover uma avaliação mais holística e justa, tendo em vista o mercado de trabalho contemporâneo. A pesquisa descritiva e analítica destaca a importância da tecnologia, do feedback construtivo e do desenvolvimento de competências transversais. Conclui-se que a Avaliação 360 contribui significativamente para a formação integral dos estudantes. Já o texto “Metaverso y mídia digital: aprendizaje crítico y creativo”, de Ingrid Weingärtner Reis, Artieres Estevão Romeiro e Vania Ribas Ulbricht, analisa o uso do metaverso e das mídias digitais na educação como ferramentas para uma aprendizagem crítica e criativa. A partir de uma revisão bibliográfica e da análise do discurso, discute-se implicações para o ensino, considerando tanto o potencial transformador quanto as limitações relacionadas à dependência tecnológica. O estudo destaca que, com pensamento crítico, o metaverso pode ampliar o processo educativo, promovendo personalização, criatividade e inclusão. O artigo seguinte, “Training in Digital Skills for Students with Visual Disabilities”, de Jose Roberto Barboza Junior e Mario Chacón-Rivas, apresenta uma oficina realizada na Costa Rica para desenvolver competências digitais em 12 estudantes com deficiência visual da educação básica. Destaca-se a importância da formação digital acessível e inclusiva, apontando barreiras enfrentadas por pessoas com deficiência. As conclusões da experiência podem ser úteis para outras iniciativas de formação voltadas a diferentes tipos de deficiência. A experiência reforça a urgência de que instituições educacionais e organizações estejam comprometidas com a promoção da acessibilidade digital, garantindo que todos, inclusive pessoas com deficiência, tenham oportunidades iguais de aprendizado e desenvolvimento pessoal. Ainda neste contexto de inclusão, o artigo “Jogos Digitais e Transtornos do espectro autista: Contribuições no Desenvolvimento de Habilidades” discute o potencial das TDIC, com destaque para jogos digitais, como ferramenta de apoio à inclusão educacional de estudantes com Transtorno do Espectro Autismo (TEA). A pesquisa, de natureza qualitativa e descritiva, foi realizada com uma aluna do 4º ano do Colégio Tiradentes, e buscou analisar os efeitos do uso de jogos digitais no desenvolvimento de habilidades acadêmicas, comunicativas, sociais e emocionais. Com o uso de jogos digitais, em sessões planejadas em sala de recurso multifuncional, observou-se um impacto positivo no engajamento e na aprendizagem dos estudantes. Os resultados apontam para a relevância do uso pedagógico das TDIC como estratégia inclusiva, especialmente quando associadas a intervenções adaptadas e ao reforço positivo, promovendo avanços na comunicação, autonomia e resolução de problemas. O texto de Marcello Ferreira, Daylane Soares Diniz e Andrei Simão de Mello, com o título “Conectando Saberes: Tecnologias Digitais como Dispositivo no Projeto Horta Mágica e na Educação Sustentável em uma Escola Integral”, analisa o Projeto “Horta Mágica”, realizado em 2024 na Escola Classe Ipê (DF), que integrou tecnologia e educação ambiental com foco na construção de inteligências coletivas entre estudantes dos anos iniciais do ensino fundamental. A pesquisa qualitativa utilizou observações, documentos e registros pedagógicos. Os resultados evidenciam práticas interdisciplinares, uso criativo de tecnologias digitais e valorização de saberes locais, promovendo aprendizagens sobre sustentabilidade, alimentação saudável e colaboração. A discussão teórica se apoia em Pierre Lévy e Michel Foucault. Apesar dos avanços, desafios como infraestrutura limitada e turmas superlotadas foram identificados. O estudo recomenda pesquisas futuras para aprimorar e acompanhar os efeitos do uso das tecnologias na educação. O texto de Gustavo Carvalho Maurício e Daniel Mill, “Condução de Revisões Sistemáticas de Literatura Mediada pela Ferramenta Parsif.Al: potencialidades e limites”, apresenta o uso da ferramenta Parsif.al na condução de Revisões Sistemáticas de Literatura (RSL), destacando suas potencialidades e limitações. O artigo destaca as etapas do processo, dentre eles: planejamento, condução e documentação, e mostra como a ferramenta auxilia na organização, colaboração e automação da RSL. Embora eficiente, o Parsif.al exige complementação com outras ferramentas para análises mais avançadas. O estudo conclui que, quando aliado ao julgamento crítico dos pesquisadores, o Parsif.al é um recurso útil e confiável para a realização de RSL. Por fim, o texto de Achilles Alves de Oliveira e Ruth S. Contreras-Espinosa, intitulado “A universidade e a formação de professores para a cultura digital: reflexões necessárias em tempos de desinformação, distorção e manipulação”, aborda os desafios da formação docente na cultura digital, com foco no papel das universidades públicas frente à desinformação e à manipulação algorítmica. Sustentando-se em revisão teórica, propõe-se uma formação crítica e emancipadora como resposta à crise informacional e às pressões neoliberais no campo educacional. Em um cenário marcado pela massificação das redes sociais, pela lógica algorítmica e pela crescente circulação de fake news, desinformação e discursos anticientíficos, os autores assevera a urgência de uma abordagem formativa emancipatória, fundamentada na pesquisa, no pensamento crítico e no compromisso com a democracia. Destarte, os artigos que compõem este dossiê lançam luzes sobre os mais variados desafios da Cultura Digital. Para além de denunciar problemas e apontar obstáculos nos processos de ensino-aprendizagem, as pesquisas e discussões trazem, inclusive, possibilidades para a construção de práticas mais inclusivas, significativas, criativas e, por isso mesmo, críticas. Com a consciência de que as pesquisas e reflexões não dão conta de abarcar, nem tampouco esgotar, toda a complexidade da educação hodierna, os artigos se contentam em contribuir para os debates mais recentes da área. Daí que os organizadores convidam diferentes pesquisadores e pesquisadoras, do Brasil e de outros países, que atuam desde a educação infantil ao ensino superior, para somarem esforços colimando atuar em prol de uma educação mais crítica, significativa e criativa.
Este escrito tem como objetivo relacionar as concepções presentes no ensino por competências e nas metodologias ativas, considerando a utilização das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC) como recurso didático-pedagógico, e verificar as implicações na prática pedagógica docente. O artigo foi elaborado a partir de uma pesquisa bibliográfica, de cunho exploratório-descritiva, por meio da análise da literatura no âmbito educacional. O estudo demonstrou que o ensino por competências emerge como uma abordagem importante frente ao que se espera da formação realizada nas escolas, da necessidade da maior funcionalidade dos conteúdos ensinados, possibilitando a aprendizagem por meio de mobilização de conhecimentos, habilidades e atitudes diante de situações e contextos diversos. As metodologias ativas, por sua vez, renascem, apoiadas nas ideias escolanovistas de outrora, repercutindo em aprendizagens ativas e significativas, visto a motivação advinda dos recursos tecnológicos digitais, por meio da ação do estudante diante de situações-problema pedagogicamente elaboradas. O docente assume, assim, o papel relevante de condutor dos processos de ensino e de aprendizagem, transformando a sala de aula em um ambiente dinâmico e interativo, a fim de proporcionar aprendizagens com sentido e significado e promovendo o desenvolvimento de competências.
A pandemia de Covid-19 trouxe uma série de implicações para a sociedade, incidindo diretamente sobre a educação na medida em que foram paralisadas as atividades presenciais como forma de conter a transmissão do novo coronavírus. Nesse sentido, visando mitigar os problemas decorrentes da paralisação das aulas, adotou-se aquilo que, apesar de algumas variações terminológicas, se convencionou chamar de Ensino Remoto (ER), opondo-o à Educação a Distância (EaD). Neste ensaio, temos como objetivo avaliar as aparentes distinções, problematizando-as. Para tanto, retomamos debates e discussões recentes, apresentando algumas antíteses para certas teses até então sustentadas. Concluímos que os esforços voltados a separar diametralmente as duas realidades são, em muitos sentidos, equivocados, porquanto não dão conta de balizar aquilo que só pode ser apreendido por meio da materialização num contexto histórico-social. Defendemos, sob esse prisma, que o ER, se se quer preservar sua dimensão emergencial, nada mais é do que uma configuração possível para tudo aquilo que chamamos de EaD, pois compreende, fundamentalmente, a separação no espaço e/ou no tempo entre os sujeitos, bem como o uso de tecnologias que viabilizam a mediação pedagógica.
O objetivo deste artigo é analisar o processo de institucionalização da Educação a Distância (EaD) pública em Portugal e no Brasil. Foram realizadas análises documentais e sete entrevistas com docentes, discentes e uma designer instrucional, todos com experiência na Universidade Aberta de Portugal. Ao fazer um diálogo entre as realidades, observa-se que, no Brasil, a institucionalização tem um caráter especialmente endógeno, resultando de políticas públicas que influenciam diretamente as instituições que tradicionalmente oferecem cursos presenciais. Em Portugal, a institucionalização da modalidade tem uma característica fortemente exógena, baseada nos embates entre as instituições que compõem o ambiente organizacional.
A atuação docente em sala de aula sempre foi algo desafiante. O surgimento de Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) e o potencial de suas aplicações com estudantes nascidos em meio à cultura digital ampliaram ainda mais a complexidade na prática pedagógica. Assim, metodologias que tragam a interação, a motivação e o protagonismo dos estudantes na construção de seu conhecimento são excelentes alternativas no processo de ensino-aprendizagem. Essa é a proposta da metodologia ativa “World Café” (WC), cunhada por Brown e Isaacs (2007), que prevê a construção coletiva do conhecimento utilizando questões significativas e discussões envolvendo uma dinâmica simples e direta. O presente trabalho é um estudo teórico-bibliográfico com análise da proposta WC e de pesquisas aplicadas nas práticas pedagógicas. Como a essência dessa metodologia está centrada na elaboração das questões e na condução das discussões, são indicadas alternativas para facilitar sua preparação. Além disso, as experiências nas práticas pedagógicas demonstram o potencial do WC em diferentes contextos, nas instituições de ensino. Ao utilizar o WC, o docente poderá empregar formatos não formais para direcionar discussões significativas e que poderão trazer o aprofundamento necessário sobre um tema, de maneira instigadora.
Propôs-se investigar as transformações do trabalho docente na sociedade grafocêntrica digital do século XXI. O uso intensivo das TDIC e de dispositivos portáteis de telecomunicação modificou a vida em sociedade, repercutindo sobre o exercício laboral. Objetivou-se responder a seguinte questão de pesquisa: a infraestrutura capitalista influencia as normas jurídicas e determina a invasão de períodos de não trabalho pelo teletrabalho? Quanto à metodologia, tratou-se de pesquisa qualiquantitativa, baseada em revisão geral de literatura, em autores como Amado (2018), Braverman (1981), Castells (1999 e 2003), Mill e Fidalgo (2009), Mill e Jorge (2018), e Souto Maior (2003), análise documental da legislação brasileira, no Direito Comparado e Direito Internacional dos Direitos Humanos e em dados coletados por meio de pesquisa de campo (questionário e entrevistas semiestruturadas). Como resultados, observou-se a influência da infraestrutura capitalista na precarização de direitos, recomendando-se a inclusão do direito à desconexão na legislação brasileira, bem como com a conscientização da classe em favor da luta por melhores condições de trabalho.
Ao analisarmos as perspectivas futuras para a educação a distância, compreendemos que o cenário que se apresenta é o de uma convergência desta modalidade educativa com a educação presencial resultando num processo de educação híbrida. Este ensaio se propõe a uma discussão da educação híbrida como novo campo educativo, criador de novas oportunidades de ensino e aprendizagem mais flexíveis e personalizadas. Por meio de uma discussão teórica, buscamos apresentar conceitos que conectam essa abordagem metodológica aos princípios da chamada Educação 4.0, que se caracteriza pela incorporação das tecnologias da 4ª Revolução Industrial ao processo educativo. Assim, concluímos que a Educação 4.0 é uma proposta que integra plenamente a educação híbrida, sendo uma tendência para o futuro próximo, bem como cria novos espaços que expandem as possibilidades para a aquisição do conhecimento ao longo da vida do indivíduo. Palavras-chave: Educação híbrida. Educação 4.0. Futuro da educação.
Este estudo objetivou investigar a integração das Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação(TDIC) nas escolas municipais de Jundiaí-SP, com foco nos desafios enfrentados pelos professoresem relação à infraestrutura e às condições de trabalho. A pesquisa qualitativa, realizada em trêsescolas de ensino fundamental, envolveu entrevistas semiestruturadas, observações e análisedocumental antes da pandemia. Os resultados revelam que, embora os professores reconheçama importância das TDIC para o engajamento dos alunos, a escassez de equipamentos adequados,a falta de suporte técnico e a insuficiência de treinamento especializado dificultam seu uso eficaz.Além disso, as sobrecargas de trabalho, como turmas numerosas e longas jornadas, impactamnegativamente o desempenho docente e a qualidade do ensino. Muitos professores recorrem a seuspróprios dispositivos para suprir as deficiências de infraestrutura. O estudo destaca a desconexãoentre a teoria da modernização educacional e a prática escolar, sugerindo a necessidade urgentede políticas públicas que melhorem a infraestrutura, garantam a formação contínua dos docentese ofereçam suporte técnico adequado, permitindo uma integração efetiva das TDIC nas práticaspedagógicas.