
Cet article examine les politiques éducatives haïtiennes élaborées entre 1804 et 1843 et leur résonance dans les débats contemporains sur l’éducation et l’humanisme solidaire. L’objectif est de mettre en dialogue les orientations éducatives issues de l’immédiat après-indépendance avec les réformes et initiatives actuelles, afin de réfléchir aux conditions d’une éducation fondée sur la solidarité et le bien commun. La méthodologie repose sur une analyse qualitative de textes constitutionnels (Haïti, 1805, 1816, 1987), de plans éducatifs nationaux (Haïti, 1982, 2018), de rapports éducatifs internationaux (Francisco, 2019 ; UNESCO, 2022), ainsi que de travaux académiques sur l’éducation haïtienne (Joint, 2005 ; Brutus, 1948 ; St Victor et Martiniak, 2024, entre autres). L’analyse est guidée par les contributions théoriques de Maritain (1936), Freire (1987), Francisco (2019) et M.-R. Trouillot (1990, 1995). Les résultats montrent que, si l’éducation fut dès l’origine conçue comme un outil de construction nationale et de formation citoyenne, son application concrète est restée marquée par une logique élitaire et exclusive. Cette tension, déjà présente au XIXe siècle, trouve des prolongements dans les défis contemporains liés à l’accès, à la qualité et à l’inclusion scolaire. En conclusion, l’article souligne la nécessité d’un projet éducatif qui, en tirant les leçons de l’histoire, s’oriente vers un véritable humanisme solidaire, capable de concilier mémoire nationale, justice sociale et avenir collectif.
Este artigo possui como foco temático os fundamentos para uma Educação Química Decolonial, com o objetivo de confrontar a colonialidade epistêmica presente no currículo hegemônico da área. Adota-se como método a análise a partir das Epistemologias do Sul, investigando como a ciência moderna-colonial, em especial a Química, promoveu o epistemicídio ao subalternizar saberes locais e tradicionais sobre a matéria e suas transformações em diferentes contextos socioculturais. Como resultados, evidencia-se que a descolonização do ensino de química requer a desconstrução de três pilares: o currículo universalizante, a narrativa histórica eurocêntrica e a didática de ensino bancária. Em contrapartida, são propostos princípios para uma práxis pedagógica intercultural fundamentada no diálogo de saberes, na contextualização radical e na problematização das relações de poder na produção do conhecimento químico. A educação química decolonial é compreendida, neste estudo, como uma práxis pedagógica intercultural fundada no diálogo horizontal de saberes e no reconhecimento de epistemologias indígenas, quilombolas e populares como legítimas e não como apêndices do currículo, mas como fontes constitutivas de uma compreensão ampliada e crítica dos fenômenos materiais. Conclui-se que a formação docente constitui eixo estratégico essencial para a construção de uma educação química emancipatória, crítica, comprometida com a justiça cognitiva e a pluralidade epistêmica.
Este artigo investiga a relação entre a violência escolar e as características das vizinhanças das escolas públicas de Minas Gerais, por meio da análise do survey aplicado pelo CRISP (Centro de Estudos de Criminalidade e Segurança Pública) em 2012. Foram ajustados modelos de regressão hierárquica logística para estimar a prevalência de furtos, agressões físicas entre pares, vandalismo e ofensas verbais envolvendo professores a partir de covariáveis como as taxas de homicídio e o nível socioeconômico (NSE) das vizinhanças. Os resultados indicaram um efeito escola-vizinhança sobre todas as categorias de violência, apesar de que a associação com a criminalidade é frágil e foi observada apenas entre os eventos contra o patrimônio ocorridos dentro e fora da escola. Para os demais tipos de violência escolar, quanto melhor a percepção dos estudantes sobre a relação com seus pares e equipe pedagógica, menor a chance de reportar violência. Isto evidencia que algumas características desafiadoras da vizinhança podem estar associadas a formas específicas de violência escolar. Porém, é possível mitigá-las investindo na melhoria das relações interpessoais e, assim, no clima escolar.
O presente artigo dedica-se a apresentar o Varal de Problemas. Trata-se de um instrumento de método forjado com a finalidade de promover a produção coletiva de problemas junto a docentes integrantes do Núcleo Docente Estruturante de um curso de graduação em Educação Física. O instrumento foi delineado e posto em funcionamento em uma Tese de Doutorado que objetivou compreender os desdobramentos da naturalização da expressão “não escolar” sobre a formação inicial e a atuação profissional em Educação Física. Amparado pelo pensamento de Michel Foucault, o método foi concebido como prática móvel, sensível aos deslocamentos do saber e orientado pela construção constante de um percurso próprio. Assim, a partir da metáfora do varal como espaço de exposição, o instrumento convidou docentes a pendurarem respostas a dez questões norteadoras, através da plataforma Google Jamboard. As formulações registradas compuseram um campo visível de problemas, no qual se cruzaram perspectivas, tensões e singularidades. Na etapa seguinte, os participantes revisitaram os problemas em sessões individuais remotas, a fim de expandir, refinar e deslocar o que havia sido inicialmente registrado. Por se tratar de um procedimento que operou um cuidadoso manuseio do objeto de pesquisa junto aos participantes, o Varal de Problemas combinou organização prática e operacional com visibilidade coletiva e possibilidade de reelaboração. Dessa forma, produziu resultados enquanto mantinha em curso o exercício da problematização, recusando fechamentos interpretativos e potencializando o caráter instável e produtivo do processo de investigação.
A permanência no ensino superior está diretamente ligada à acessibilidade e ainda são poucas as pesquisas no país que apontam, com maior detalhamento, quais são as atividades desenvolvidas pelos Núcleos de Acessibilidade nas Instituições de Ensino Superior. A pesquisa identificou as atividades desenvolvidas em Universidades Federais a fim de relacionar essas ações com a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. O estudo qualitativo utilizou-se da análise documental e da aplicação de questionário, tendo participado cinco Núcleos de Acessibilidade situados na região sul do Brasil. Em maior grau foram verificadas ações voltadas à formação da comunidade acadêmica para minimizar barreiras atitudinais e o desenvolvimento de ações de articulação interna para a realização das adaptações necessárias. Os dados apontam o avanço das instituições com a educação inclusiva, impulsionado pelos Núcleos de Acessibilidade. Ao mesmo tempo, desafios foram notados, ratificando os já sinalizados em estudos pretéritos, como a transversalidade da educação inclusiva e a descentralização de serviços de acessibilidade.
O ensino da Língua Inglesa para estudantes com Síndrome de Down na Educação Básica das escolas públicas apresenta diversos desafios e, muitas vezes, não é eficaz devido à falta de estratégias pedagógicas inclusivas e metodologias adequadas às necessidades educacionais especiais desses estudantes. Assim, o objetivo deste estudo é mapear e analisar, através de uma revisão sistemática de literatura, utilizando o método da revisão de escopo, as principais pesquisas sobre o ensino de Língua Inglesa no contexto de educação inclusiva para estudantes com Síndrome de Down, buscando identificar métodos, abordagens e recursos que promovam um ensino eficaz e inclusivo. A análise dos estudos mapeados revelou uma escassez de publicações acadêmicas nacionais e internacionais que tratem do tema de forma aprofundada. Ao investigar as estratégias mais adequadas às necessidades dos estudantes com Síndrome de Down, este trabalho irá contribuir para o desenvolvimento de práticas pedagógicas que valorizem a equidade, a acessibilidade e a formação continuada dos professores, fortalecendo a educação básica brasileira.
Este artigo analisa os desafios da formação de professores indígenas no Amapá e no Norte do Pará, em um contexto histórico marcado por tensões entre políticas estatais assimilacionistas e as lutas dos povos originários por uma educação diferenciada, bilíngue e intercultural. A Constituição de 1988 representou um marco legal importante, ao reconhecer os direitos indígenas e prever uma educação específica. Contudo, a implementação dessas políticas permanece fragilizada. Destaca-se, como conquista relevante, a criação da Licenciatura Intercultural Indígena pela Universidade Federal do Amapá, resultado de intensas mobilizações e articulações institucionais. No entanto, a ascensão do ideário neoliberal impôs à educação uma lógica voltada à eficiência e à meritocracia, precarizando o ensino, fragmentando as políticas de formação e enfraquecendo o protagonismo indígena. A pesquisa, de base bibliográfica associada a pesquisa documental, evidencia que as escolas indígenas constituem espaços estratégicos de disputa entre a reprodução da lógica do capital e a afirmação das identidades étnicas. Conclui-se que, apesar dos avanços, persistem entraves estruturais e políticos, sendo fundamental garantir políticas públicas continuadas e valorizar os saberes tradicionais na construção de uma educação verdadeiramente emancipatória e intercultural.
A construção das carreiras acadêmicas para as mulheres sofre uma série de interferências introduzidas pela condicionalidade de gênero. Para as mulheres trabalhar na área da educação, em especial nos aspectos de produtividade e gestão, se apresentam como desafios a serem superados para que possam acessar postos de poder institucional. Destinadas aos espaços e afazeres domésticos, dentro da divisão sexual do trabalho, elas relutam entre as atividades domésticas e profissionais, na maioria dos casos com acúmulo de jornadas. Nas instituições de educação essa condicionante social, de afastamento das mulheres de espaços de poder, se reproduz. Esta pesquisa analisa como essa estrutura patriarcal se perfaz dentro da de uma Instituição da Educação Profissional, para isso se debruça sobre os aspectos teórico das mulheres, educação e trabalho doméstico e faz uma análise, com dados secundários, sobre um Instituto Federal. Os dados conduzem a compreensão de que o teto de vidro segue firme na educação profissional, dificultando que mulheres e negros acessem o poder institucional. Se verifica, portanto, a necessidade institucional de pensar na efetividade de ações afirmativas no ingresso de servidores no instituto; e para ampliar os índices de mulheres em espaços de gestão é preciso a construção de políticas afirmativas de incentivo a participação feminina nesses locais.
A lei nº 14.819, de 16 de janeiro de 2024, instituiu a Política Nacional de Atenção Psicossocial nas Comunidades Escolares tendo como um de seus objetivos a promoção de saúde mental nas escolas. Isso aponta para a necessidade de ampliação do debate acerca do tema da atenção psicossocial no âmbito educacional. Assim, este trabalho tem como objetivo realizar uma revisão sistemática para analisar as abordagens e práticas sobre a atenção psicossocial em contextos escolares durante a última década. As bases de dados selecionadas foram Lilacs, PePsic e Scielo, e para a sistematização do levantamento e organização dos resultados utilizou-se o método PRISMA. Foram encontrados 160 trabalhos e analisados 12 artigos conforme critérios de elegibilidade. A partir dos resultados, percebe-se que a escola é um território multifacetado carregado de paradoxos e reconhecido como espaço privilegiado para o desenvolvimento humano e formação. Notou-se que o cuidado em saúde mental nas escolas é atravessado por ações individuais e coletivas. Algumas pistas para a criação de práticas de promoção de saúde mental no contexto escolar, com base nos trabalhos encontrados, são: plantão psicológico, escuta qualificada, rodas de conversa, criação de espaços participativos, ações para a prevenção de violências e articulação intersetorial. Considera-se que o lugar da escola na rede de cuidado e na criação de práticas para a promoção de saúde e saúde mental não está definido, e que a lei nº 14.819 pode potencializar a corresponsabilização e a articulação com outras políticas públicas.
Este artigo, fruto de uma pesquisa de mestrado, tem como finalidade apresentar os resultados de um estudo desenvolvido no âmbito do Mestrado Profissional em Rede, Prof-Artes, da Universidade Federal da Paraíba - UFPB. O objetivo foi analisar de que forma professores sem formação específica nas diferentes linguagens artísticas, e sem formação em arte, estruturam e organizam o ensino do componente curricular de Artes. Para tanto, adotou-se como caminho metodológico o estudo multicaso, envolvendo duas professoras de uma escola municipal da cidade de Picuí, na Paraíba: uma licenciada em Artes Visuais e outra em Geografia. Como instrumentos de coleta de dados, foram utilizadas observações em sala de aula e entrevistas semiestruturadas. O referencial teórico foi construído com base em autores da área da educação, como Tardif (2014), Candau (2014, 2020), Nóvoa (2009, 2019, 2023) e Strazzacappa (2001, 2014, 2024), fundamentais para a compreensão das situações e dos dados coletados na pesquisa. Como resultado, foi possível concluir que as professoras participantes enfrentam os limites de sua formação, ao mesmo tempo que transformam as lacunas decorrentes da ausência de conhecimentos específicos em oportunidades de aprendizado constante, tanto com os alunos quanto com o próprio saber-fazer docente. Concluiu-se também que a designação administrativa para a disciplina reforça a polivalência, inexistente na formação do professor de arte, que é preparado para atuar em áreas específicas do conhecimento: artes visuais, música, teatro e dança.
Este artigo apresenta reflexões sobre uma pesquisa de Mestrado desenvolvida no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Formação de Professores e Práticas Interdisciplinares da Universidade de Pernambuco, que teve o objetivo de analisar as práticas docentes no ciclo de alfabetização em relação ao uso de jogos didáticos para a aprendizagem do Sistema de Escrita Alfabética (SEA). Como caminho metodológico, realizamos uma pesquisa de campo, com abordagem qualitativa e de caráter descritivo, em uma escola pública municipal de Petrolina-PE, como também a análise documental dos manuais dos jogos de alfabetização. Os procedimentos metodológicos envolveram questionários, observações, entrevistas com duas professoras do ciclo de alfabetização e análise de manuais dos jogos didáticos. Contudo, para o presente artigo recorremos à Análise de Conteúdo (Bardin, 1977) dos dados provenientes das observações tecidas em sala de aula e das orientações contidas nos manuais dos jogos trabalhados pelas docentes. Os resultados destacaram os jogos didáticos de alfabetização como recursos potencializadores do processo de aprendizagem do SEA e a importância do planejamento e mediação docente. Além disso, também foram evidenciados os tateamentos (Chartier, 2000) realizados pelas professoras em meio ao trabalho coletivo, com vistas a contemplar as dificuldades apresentadas por alguns dos aprendizes em relação à escrita alfabética.
No presente artigo, analisa-se o conteúdo do Plano Estadual de Educação de Pernambuco/Brasil (PEE/PE 2015-2025) e sua materialização por meio de ações da Secretaria de Educação e de escolas públicas. À luz da Análise de Conteúdo, tecem-se considerações sobre o atendimento educacional de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) a partir de dados coletados em fontes documentais, bem como de dados captados no campo empírico da pesquisa. Nas conclusões, reconhece-se, por um lado, conquistas viabilizadas a partir do advento do PEE (2015-2025), ressaltando-se o fortalecimento de um conjunto de ações de formação continuada dos profissionais da educação, tendo sido notabilizado a melhoria do atendimento educacional às pessoas com TEA como eixo temático contemplado sistematicamente na agenda programática das formações efetivamente promovidas. Por outro lado, aponta-se também lacunas na execução de metas e estratégias do Plano que demandam maior vigilância das instâncias corresponsáveis pelo cumprimento dos compromissos pactuados com a sociedade e textualizados no PEE/PE.
Este estudo tem como objetivo compreender o conceito de mal-estar na docência e identificar, na literatura, fatores que contribuem para o desenvolvimento do mal-estar e adoecimento de professores na contemporaneidade. Baseia-se em uma abordagem qualitativa, utilizando a revisão bibliográfica da literatura científica sobre o mal-estar docente. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura. A busca ocorreu nas bases Scielo e Portal de Periódicos CAPES, contemplando o período 2015–2025, com estudos em português, inglês ou espanhol, a partir do termo “mal-estar docente”. Incluíram-se artigos revisados por pares com foco na educação básica. A seleção seguiu etapas de identificação, triagem por títulos/resumos e elegibilidade por leitura de texto completo, com remoção de duplicatas; ao final, foram incluídos 24 estudos (6 Scielo; 18 CAPES). O estudo visa compreender as perspectivas e conclusões já estabelecidas no campo acadêmico, identificando os fatores que contribuem para o desenvolvimento do mal-estar entre os docentes. Os resultados indicam que as condições de vida e de trabalho têm provocado numerosas situações de estresse, devido às incertezas e às intensas exigências impostas aos profissionais. A educação, inclusive, tem se revelado uma das profissões com maior incidência de adoecimento, com muitos profissionais desenvolvendo a síndrome de burnout ou até mesmo a depressão. Os resultados indicam ainda que o fenômeno compromete não apenas a saúde e o bem-estar dos professores, mas também a qualidade da educação, reforçando a necessidade de políticas públicas eficazes e estratégias institucionais para promoção da saúde docente. Conclui-se que enfrentar o mal-estar docente demanda uma abordagem integrada, que articule dimensões objetivas e subjetivas, visando à valorização e ao cuidado integral dos educadores.
O objetivo deste trabalho foi analisar as abordagens teórico-metodológicas que fundamentam ações de Educação Alimentar e Nutricional (EAN) desenvolvidas em escolas públicas brasileiras no âmbito da educação infantil e do ensino fundamental, à luz do pensamento pedagógico de Paulo Freire. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada em bases de dados como a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS/BIREME), Pubmed e Portal de Periódicos da Capes, com delimitação temporal de 2013 a 2024, nos idiomas português, inglês e espanhol. Compuseram o corpus desta revisão 48 artigos. A análise dos estudos possibilitou identificar que o tema mais recorrente nos trabalhos é a alimentação saudável, com foco nos alimentos, sua composição, funções e classificação por grau de processamento, ou como alimentos saudáveis e não saudáveis. Sobre as estratégias metodológicas, as mais citadas são: atividades lúdicas, oficina culinária, roda de conversa e horta pedagógica. Em síntese, e à luz do pensamento freireano, a EAN, conforme apresentada nos estudos analisados, carece de uma abordagem verdadeiramente crítica e libertadora, geradora de autonomia. Para alcançar esse patamar, argumenta-se que as lacunas apontadas precisam ser superadas, tomando a alimentação como prática social e política, e não apenas como técnica de autocuidado, priorizando o diálogo e a problematização, reconhecendo os sujeitos como construtores de saber, envolvendo a comunidade escolar de forma ampliada e contínua, e avançando na formação crítica dos profissionais da Nutrição.
Esta pesquisa é um recorte de um estudo mais amplo, realizado no âmbito do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Formação e Trabalho Docente na Contemporaneidade (GEPForT), vinculado à Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, e tem como objetivo compreender os desafios enfrentados por professores da Educação Básica no contexto pós-isolamento social causado pela covid-19. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa (Minayo; Sanches,1993). Participam da pesquisa 90 professores/as da Educação Básica, abrangendo as cinco regiões brasileiras: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Para alcançar os objetivos propostos, utilizaram-se, como instrumento de coleta de dados, um questionário misto (Minayo, 2004) e a técnica de amostragem em snowball (Baldin; Munhoz, 2011). A análise dos dados foi realizada com o auxílio do software Iramuteq e fundamentada na Análise de Conteúdo de Bardin (2016). Os resultados desta pesquisa revelam que os efeitos da pandemia de covid-19 continuam a impactar a escola e o trabalho docente, refletindo-se tanto no processo de aprendizagem dos estudantes quanto nas condições de trabalho e saúde dos docentes.
O problema da evasão e da permanência escolar nos institutos federais tem sido um dos principais desafios para a democratização do ensino oferecido pela rede federal. Este artigo tem o objetivo de contribuir para a elucidação desse problema, mais especificamente no ensino médio integrado dessas instituições, a partir de contribuições da psicologia histórico-cultural e de autores do campo educacional. Dados oficiais demonstram que cerca de um terço dos estudantes dessa modalidade de ensino não conclui seus estudos nessas instituições. Argumenta-se a necessidade de compreender o fenômeno da transição escolar como um importante aspecto que afeta a trajetória escolar, bem como a permanência ou a evasão dos estudantes. A análise procura esclarecer as relações entre desigualdade social, desenvolvimento psicológico, transições escolares e evasão escolar, destacando a natureza dialética dessas relações. Conclui-se pela necessidade de avanço na discussão teórica a respeito das mediações sociais e institucionais nos processos de transição escolar, assim como pelo aprimoramento das políticas e das práticas de permanência estudantil, considerando a questão da transição escolar como um dos fatores explicativos da evasão escolar.
O presente trabalho analisa a utilização de metodologias ativas de aprendizagem no Ensino Superior, com foco no trabalho colaborativo desenvolvido nas unidades curriculares de Métodos e Técnicas de Investigação Social e de Serviço Social de Casos, Grupos e Comunidades, da licenciatura em Serviço Social de uma universidade portuguesa. Centradas na participação ativa dos estudantes, as unidades curriculares assentam em metodologias promotoras da construção coletiva do conhecimento, do pensamento crítico e da interligação entre teoria e prática. Este artigo pretende analisar e discutir a perceção dos estudantes inscritos nestas duas Unidades Curriculares relativamente ao trabalho colaborativo realizado com recurso a metodologias ativas de aprendizagem, bem como identificar as competências por eles adquiridas e a importância que atribuem a estas experiências para a sua formação académica. A abordagem metodológica consistiu num estudo de caso descritivo-exploratório, privilegiando-se o inquérito por questionário como instrumento mais adequado para a recolha de dados. Foram obtidas informações quantitativas, analisadas estatisticamente, e dados mais descritivos e textuais(n=20), recorrendo-se a uma interpretação do seu conteúdo. Os resultados demonstram que o trabalho colaborativo entre Unidades Curriculares que utilizam metodologias ativas de aprendizagem favorece, por um lado, o desenvolvimento de competências fundamentais para a prática profissional,como a comunicação com públicos diferenciados, a adaptabilidade e flexibilidade,e por outro, estimula a reflexão crítica e o exercício de práticas investigativas e interventivas desde a formação inicial. Conclui-se que a utilização deste tipo de metodologia, especialmente no campo do Serviço Social, fortalece a aprendizagem significativa e prepara os estudantes para os desafios da prática profissional na sociedade atual.
O objetivo deste artigo é elucidar a significativa diferença entre as palavras ditas sinônimas ouvir e escutar em contextos de ensino de música em escola de música. Encontra-se aplicações errôneas no uso delas no cotidiano que geram a necessidade de esclarecimento que conduza à compreensões mais acertadas. A pesquisa é de natureza bibliográfica onde analisa-se o uso e as diferenças das palavras ouvir e escutar e busca-se fundamento compreensivo nos textos do filósofo alemão Martin Heidegger. Observa-se o robustecimento e profundidade de significados para a palavra escuta, em contraposição ao ouvir, que enriquece o diálogo teórico nas aulas de música e amplia os sentidos de percepção do que é proposto em aula. Apontamos diversas formas de exercer a escuta mas que são desconsideradas, tais como a escuta como ausculta, como observação, como dis-posição. As formas apontadas especificam melhor e conduzem a contextos de compreensão afastados da dúvida quanto aos seus significados.
Este estudo objetiva discutir a prática docente de professoras universitárias no interior do Amazonas. É um recorte da tese de doutorado intitulada: Os processos constitutivos da docência: trilhas formativas, saberes e práticas no Ensino Superior no Amazonas (AM), vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Educação (UFPI), ao Núcleo de Estudos sobre Formação, Avaliação, Gestão e Currículo (NUFAGEC), e financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM). É uma pesquisa qualitativa (Triviños, 2008), de abordagem Etnometodológica (Coulon, 2005) como teoria do social sob a égide das bases epistemológicas da fenomenologia de Schutz (2012; 2018), da teoria da ação (Parsons, 1974), dos cinco conceitos-chave de Coulon (2005), entre outros, realizada no Instituto de Ciências Exatas e Tecnologia (ICET), localizado na cidade de Itacoatiara (AM), no período de fevereiro de 2021 a julho de 2024. O dispositivo de produção de dados utilizado para esta discussão foi a observação participante (Angrosino, Flick, 2009). Realizamos análise interpretativa-compreensiva (Gomes, 2024), elaborada no percurso do estudo. Os dados revelam que as professoras desenvolvem sua prática docente com intencionalidade pedagógica e que estas foram construídas e/ou (re)elaboradas nas vivências experienciadas no seu percurso de vida-formação e profissão favorecendo uma ação didática e pedagógica que atende as necessidades formativas dos estudantes. Palavras-chave: Prática docente; Universidade; Intencionalidade pedagógica; Amazonas.
A profissionalização docente constitui um processo complexo, atravessado por dimensões históricas, culturais e relacionais que atribuem sentidos coletivos à prática educativa e influenciam a construção da identidade profissional. Diante dessa complexidade, este artigo tem como objetivo refletir sobre o trabalho docente em uma perspectiva psicossocial, fundamentando-se na Teoria das Representações Sociais e em seus desdobramentos nas noções de representações profissionais e socioprofissionais. O estudo analisa como essas representações configuram modos de ser e agir na profissão, ao mesmo tempo em que revelam tensões, contradições e disputas de reconhecimento presentes no campo educacional, por meio de uma abordagem teórico-conceitual. Os resultados evidenciam a relevância dessa perspectiva para interpretar os desafios contemporâneos da docência, especialmente em contextos marcados pela precarização, intensificação e mercantilização do trabalho docente. Conclui-se que a perspectiva psicossocial das representações profissionais e socioprofissionais oferece aportes significativos para compreender a formação, a valorização e o desenvolvimento profissional docente, podendo contribuir para ampliar o debate sobre políticas e práticas formativas.