
RESUMO Este estudo teve como objetivo compreender a organização do trabalho nos centros de atenção à pessoa com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no contexto da pandemia da covid-19. Trata-se de pesquisa descritiva-analítica, de abordagem qualitativa, que contou com oito participantes de diferentes categorias profissionais, atuantes em centros especializados no atendimento a pessoas com TEA da região metropolitana da Baixada Santista, São Paulo, Brasil. Três rodas de conversa foram conduzidas por videochamada, a partir de um roteiro semiestruturado. A análise de conteúdo, na modalidade temática, foi utilizada para o tratamento dos dados. Os resultados apontam que houve mudanças na organização do trabalho para adaptar as rotinas e manter os atendimentos. Identificou-se a necessidade de fortalecer a formação dos profissionais para implementar o trabalho em equipe e a prática colaborativa no contexto da atenção ao TEA. Para o desenvolvimento de um trabalho integrado, faz-se necessário investir em programas de educação permanente para instrumentalizar as equipes dos serviços, tendo como meta promover atenção especializada e de qualidade, integralidade no cuidado e autonomia da pessoa com TEA.
RESUMO A sexualidade é uma dimensão essencial da vida humana, influenciada por fatores sociais, culturais, históricos e políticos, e vivida por pessoas com ou sem deficiência. Entretanto, pessoas com deficiência frequentemente enfrentam estereótipos e preconceitos que comprometem seus direitos afetivos e sexuais, sendo muitas vezes vistas como assexuadas, hipersexuais ou incapazes de estabelecer vínculos afetivos. Este estudo analisou as opiniões de pessoas com deficiência física ou visual e de familiares sobre estereótipos e preconceitos relacionados à sexualidade. Trata-se de uma pesquisa qualitativa com dez participantes adultos, recrutados por amostragem em bola de neve. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas, presenciais e online, organizados por análise de conteúdo temática e interpretados à luz da perspectiva foucaultiana. Os resultados evidenciaram capacitismo, assexualização, negação da maternidade e da paternidade, ausência de diálogo, barreiras familiares e sociais e escassez de programas e recursos educativos. Conclui-se que a sexualidade desses sujeitos permanece marcada por estereótipos e práticas capacitistas, indicando a necessidade de ações educativas e políticas inclusivas.
RESUMO Este estudo teve como objetivos descrever a saúde emocional materna, mais especificamente quanto aos indicadores de estresse, ansiedade e depressão; descrever a rede de apoio social de mães de crianças com deficiência; e correlacionar a percepção de rede de apoio com a saúde emocional materna. Participaram da pesquisa 25 mães de bebês entre três e 24 meses de idade atendidos em duas instituições especializadas. Foram aplicados instrumentos referentes ao estresse, com a Escala de Estresse Percebido (PSS); à ansiedade traço-estado, com o Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE); à depressão pós-parto, com a Escala de Depressão Pós-parto de Edimburgo (EPDS); e ao apoio social, com a Escala de Apoio Social (EAS). Os resultados apontam prevalência de indicadores clínicos de saúde emocional, principalmente ansiedade traço e depressão, presentes em mais da metade da amostra. Aproximadamente dois terços das participantes apresentaram pelo menos um indicador clínico de saúde emocional. Em relação à rede de apoio, a maioria relatou percepção positiva nas cinco dimensões avaliadas, porém cerca de 40% pontuaram abaixo da média do grupo, especialmente nas dimensões emocional e informacional. As análises de correlação mostraram associações negativas entre estresse, ansiedade traço e depressão e a percepção de apoio social, destacando-se a forte relação entre ansiedade traço e baixa percepção de apoio em todas as dimensões. Conclui-se que mães de bebês com deficiência apresentam vulnerabilidade emocional associada à percepção limitada de apoio social, evidenciando a necessidade de intervenções precoces voltadas ao fortalecimento da saúde emocional e da rede de suporte.
RESUMO Este artigo investiga os impactos de uma formação em audiodescrição nas práticas docentes para o desenvolvimento de atividades pedagógicas que possibilitem aos alunos com deficiência visual o acesso às imagens. Configura-se como uma pesquisaintervenção, de cunho qualitativo, pautada nos pressupostos bakhtinianos. O estudo foi organizado em três etapas: oficinas pedagógicas de formação em audiodescrição, observação da prática docente e planejamento e mediação docente. Participaram da pesquisa 29 professores e quatro estagiários que atuavam em uma escola pública de Ensino Fundamental. Contudo, na análise, toma-se como referência a atuação de uma professora de Língua Portuguesa, que se converteu em interlocutora e parceira durante a fase de planejamento e mediação docente. Os resultados indicam que a formação em audiodescrição provocou impactos nas concepções e nas práticas dos professores e, em específico, da professora de Língua Portuguesa. Ela passou a contemplar a audiodescrição em sua prática, abordada sob a óptica de um uso multissensorial e colaborativo. Ademais, revela-se que a formação, por si só, não é suficiente para o uso da audiodescrição pelos professores, sendo preciso assegurar, também, espaços de planejamento e reflexão sobre a prática, a fim de efetivar a articulação entre os professores do Atendimento Educacional Especializado e os da sala de aula comum.
RESUMO A Measure of Engagement, Independence, and Social Relationships (MEISR™) (Medida de Engajamento, Independência e Relações Sociais) é uma avaliação utilizada para compreender o perfil de participação funcional da criança nas rotinas familiares e suas necessidades de ajustes e estratégias para favorecer seu desenvolvimento. Essa escala está disponível oficialmente em dois documentos: para a faixa etária de 0 a 3 anos e de 3 a 5 anos. Os itens da escala estão relacionados à Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, versão para Crianças e Jovens (CIF-CJ), da Organização Mundial da Saúde. Assim, este estudo teve como objetivo realizar a adaptação transcultural das escalas para a língua portuguesa do Brasil. O estudo foi desenvolvido com base em seis estágios propostos por Beaton et al. (2000), mais um estágio adicional proposto por Wild et al. (2005): tradução; síntese; retrotradução; comitê de especialistas; estágio adicional - desdobramento cognitivo; análise qualitativa com a populaçãoalvo; e, após, o estágio final de análise do relatório do processo pelo autor da escala original. As escalas apresentaram equivalência cultural satisfatória e resultaram na MEISR™ - Medida de Engajamento, Independência e Relações Sociais, versão em língua portuguesa falada no Brasil, adaptada transculturalmente. Testes de validade posteriores poderão confirmar sua aplicabilidade e relevância no país.
RESUMO Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa que investigou os sentidos atribuídos à amizade por adultos surdos usuários da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como primeira língua. A pesquisa adotou abordagem de métodos mistos, integrando dados quantitativos, obtidos por escalas psicométricas, e dados qualitativos, provenientes de entrevistas semiestruturadas. Participaram 50 adultos surdos do estudo estatístico e quatro do estudo qualitativo. As análises indicaram níveis moderados de satisfação com as amizades, com destaque para o papel do apoio emocional e da comunicação na construção dos vínculos. Os resultados evidenciaram a centralidade da confiança, da atenção sensível ao outro e da presença da Libras como fatores que favorecem a qualidade das amizades. As relações entre surdos foram descritas como mais espontâneas e acolhedoras, enquanto as amizades com ouvintes revelaram tensões ligadas à barreira linguística. A discussão teórica foi estruturada em temas e eixos interpretativos que articulam afetividade, linguagem, desenvolvimento e inclusão. Conclui-se que a amizade constitui um espaço significativo para o reconhecimento subjetivo, especialmente quando ancorada em práticas comunicacionais como o uso da Libras.
RESUMO Este ensaio teórico-conceitual reflete sobre o desafio da gestão escolar na construção de escolas hospitaleiras, em busca de ultrapassar a inclusão como diretriz normativa ou imperativo de adaptação. Parte-se da questão de como acolher o outro, o “recém-chegado”, sem exigir sua transformação para que se adeque à escola. Mobiliza-se a noção de hospitalidade incondicional, de Jacques Derrida, que propõe abertura radical ao outro, anterior a qualquer condição ou julgamento. Essa perspectiva desloca a inclusão de uma política de integração para uma ética do encontro, desafiando a lógica de que a escola deve estar previamente preparada para receber o diferente. A hospitalidade incondicional exige que a instituição se comprometa a ser transformada pela presença do outro. Argumenta-se que a gestão escolar deve romper com o modelo de hospitalidade condicional, centrado em normas e controle, e adotar uma postura ético-política que sustente a convivência com a diferença. Tal posicionamento requer a atuação do gestor como articulador de práticas emancipatórias, flexibilização curricular e reconhecimento da vulnerabilidade institucional. A efetivação de uma escola hospitaleira demanda revisão crítica de currículos e avaliações, superando o modelo meritocrático e classificatório. Conclui-se que essa construção exige coragem política e transformações estruturais na educação contemporânea.
ABSTRACT The educational assessment of students with multiple disabilities is one of the most complex challenges in contemporary inclusive education. This study examines how assessment is conceptualized and enacted in Chilean Special Education contexts and, on this basis, identifies analytical principles that may contribute to the development of an ecological-functional approach. A qualitative interpretive-hermeneutic design was adopted, combining documentary analysis of national regulatory frameworks with semi-structured interviews and a confirmatory focus group involving 18 technical-pedagogical coordinators from 14 special schools. The analysis was organized across three interconnected levels-normative, institutional, and procedural-and interpreted through quality-of-life domains: independence, participation, and well-being. Findings reveal strong conceptual convergence around comprehensive and contextualized assessment, but uneven operational implementation across schools, as reflected in heterogeneous institutional arrangements, locally constructed procedures, and the absence of shared analytical frameworks. Although many schools already employ practices compatible with ecological perspectives-particularly contextual observation and family participation-these practices often remain insufficiently systematized. Based on the multilevel analysis, the study identifies three interrelated analytical principles that may guide the development of an ecological-functional approach: ecological orientation, shared analytical language, and operational interdisciplinarity. Together, these principles reposition assessment as a situated and collaborative process aimed at understanding functioning, identifying supports, and enhancing participation.
RESUMO Este artigo tem o objetivo de apresentar alguns resultados de uma dissertação de Mestrado que, a partir de linhas de fuga e heterotopias criadas pelas crianças, buscou repensar as práticas pedagógicas inclusivas na Educação Infantil. Nesse sentido, reflete sobre os discursos e as práticas de normalização presentes nas práticas pedagógicas inclusivas, que estão intrínsecas ao cotidiano, como, por exemplo, no uso em demasia das folhas de papel como ferramenta pedagógica, em detrimento das experiências e das vivências. A pesquisa é fundamentada na Filosofia da Diferença e na Filosofia da Infância e, metodologicamente, constitui-se como um relato de pesquisa baseado em cartografias fotográficas infantis. A pesquisa revela como o acesso livre a câmeras fotográficas e a outras experiências estéticas pelas crianças da educação inclusiva coloca problematizações a respeito das potencialidades e dos efeitos das práticas pedagógicas que acontecem por meio do princípio da norma e de práticas que partam da/com a diferença (alteridade deficiente). Tais cartografias infantis dão fôlego e inspiração para repensar práticas e pensamentos quando se fala da inclusão na primeira infância.
RESUMO Este artigo apresenta um estudo de revisão de literatura acerca dos processos de in/exclusão na etapa da Educação Infantil, com enfoque no referencial dos estudos foucaultianos. Foi realizada uma busca nos seguintes repositórios digitais: Portal de Periódicos e Catálogo de Teses e Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), no Repositório Digital da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), no Repositório Institucional da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS) e no Google Acadêmico. Os seguintes indexadores foram utilizados: Educação Infantil; in/exclusão; Michel Foucault. O recorte foi de 2008 a 2023, pois, em 2008, foi publicada a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Foram selecionadas sete pesquisas, a partir das quais foi possível, por meio da leitura e do exercício analítico, a subdivisão em dois eixos. O primeiro enfatiza a ação pedagógica tensionada pelo olhar da patologização e da medicalização da infância. O segundo ressalta a centralidade no Atendimento Educacional Especializado (AEE) e no professor especialista, sendo possível observar que a ação pedagógica nos processos inclusivos tem se voltado à responsabilidade do AEE. Os estudos evidenciam a predominância de um olhar binário (dentro-fora), com base na deficiência da criança, mostrando que há necessidade de colocar em xeque o caráter produtivo desse olhar.
RESUMO O Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem apresentado aumento significativo de prevalência, o que tem impulsionado a presença de estudantes autistas em todos os níveis educacionais, inclusive no Ensino Superior. Diante desse cenário, o conhecimento dos professores sobre o TEA é um fator essencial para a promoção de práticas pedagógicas inclusivas e para a garantia do direito à educação. Esta revisão sistemática, conduzida segundo as diretrizes PRISMA, teve como objetivo analisar o nível de conhecimento de professores do Ensino Fundamental, Ensino Médio e Ensino Superior sobre o TEA. Foram incluídos dez estudos empíricos publicados nas bases PubMed e Web of Science. Os resultados indicam que, embora muitos docentes apresentem algum conhecimento teórico sobre o TEA, persistem lacunas significativas na formação prática, na aplicação de estratégias inclusivas e na compreensão das especificidades do espectro. Evidenciou-se também a escassez de estudos voltados ao Ensino Superior e à juventude autista. A discussão integra os achados aos princípios da promoção da saúde, da intersetorialidade e da justiça social, destacando que o conhecimento docente é um determinante social da saúde e da equidade educacional. Concluise que políticas públicas eficazes devem articular formação docente crítica e suporte institucional contínuo.
RESUMO Este artigo apresenta um fragmento de uma pesquisa de Doutorado desenvolvida com o objetivo de problematizar os efeitos da ausência de escuta das infâncias no contexto de seu retorno à escola após a pandemia de covid-19. O estudo problematiza como essa ausência de escuta atenta e ética tem contribuído para a intensificação de encaminhamentos médicos, a proliferação de diagnósticos clínicos e práticas normalizadoras na/pela escola. Fundamentada na Filosofia da Diferença, a pesquisa analisa laudos clínicos de crianças e reúne as perspectivas de 33 professoras de Educação Especial sobre o retorno às aulas presenciais no período pós-pandemia. O trabalho convida à reflexão sobre como as escolas e as práticas vêm enquadrando as infâncias, especialmente por meio de lentes patologizantes e modelos educacionais baseados em ideias padronizadas de desenvolvimento. Em contraponto, defende a necessidade de repensar as práticas pedagógicas a partir de uma escuta sensível à multiplicidade e à singularidade das infâncias, criando brechas para modos outros de conceber a educação e a relação com as crianças, para além das lógicas diagnósticas.
RESUMO A legislação brasileira estabelece cotas para pessoas com deficiência nas empresas e garante o direito de essas pessoas ingressarem no mercado de trabalho. No entanto, a inclusão de pessoas com deficiência no trabalho continua sendo um desafio significativo para a sociedade. Assim, este estudo descreve como a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) e a análise da atividade de trabalho, baseadas no princípio da ergonomia (Ergonomic Workplaces Analysis - EWA), podem ser utilizadas para auxiliar a discussão do processo de inclusão de trabalhadores com deficiência. Trata-se de um estudo descritivo de múltiplos casos. Participaram, de forma voluntária, três pessoas com deficiência, trabalhadoras de uma universidade privada na região metropolitana de São Paulo. Os dados foram coletados por meio de avaliações e entrevistas com os participantes, utilizando as ferramentas CIF e EWA. A CIF foi utilizada para identificar capacidades necessárias no ambiente de trabalho, enquanto a EWA avaliou os riscos ergonômicos e as exigências das tarefas. Houve divergências entre as capacidades exigidas pelo trabalho e as capacidades individuais. As duas ferramentas delinearam as capacidades, a relação com as tarefas e o posto de trabalho, apontando que são úteis para identificar barreiras e facilitadores para a inclusão de trabalhadores com deficiência.
RESUMO Este artigo apresenta uma análise contrastiva das políticas educativas desenvolvidas em escolas inclusivas com programas bilíngues para estudantes surdos (língua de sinais5 e modalidade escrita da língua portuguesa) no Brasil e em Portugal. O objetivo é analisar, em perspectiva comparativa, como essas políticas se materializam nos contextos escolares, identificando convergências, divergências e desafios estruturais para a efetivação da escolarização bilíngue de surdos. A pesquisa destaca a presença do intérprete educacional em ambos os países e problematiza as diferenças na atuação dos docentes surdos: em Portugal, atuam como professores de Língua Gestual Portuguesa (LGP), enquanto, no Brasil, são designados como instrutores surdos, com presença nem sempre assegurada, embora se observe avanço a partir da formação de pedagogos bilíngues. Metodologicamente, o estudo ancora-se nas filosofias da diferença, na análise de práticas discursivas e no conceito de Surdotopia, oferecendo uma leitura crítica das práticas educacionais bilíngues em ambos os contextos. Os resultados indicam a necessidade de fortalecer a formação docente e de consolidar estruturas político-educacionais mais sólidas e equitativas, fundamentadas nas especificidades linguísticas dos estudantes surdos, de modo a qualificar o ensino nos dois países.
RESUMO O objetivo deste estudo foi investigar as percepções de escolares sobre pessoas com deficiência (PCDs). Participaram 137 crianças de sete turmas, do terceiro ao quinto ano, de uma escola pública da região metropolitana de Curitiba. Foi solicitado aos alunos de todas as turmas que escrevessem as cinco primeiras palavras que lhes vinham à mente ao pensar em PCDs e, na sequência, uma entrevista semiestruturada e coletiva foi conduzida para melhor compreender como eles percebem a deficiência. Uma análise quantitativa e descritiva das palavras escritas e uma análise temática e indutiva das entrevistas foram realizadas. Constatou-se que parte significativa das palavras escritas expressava sentimentos negativos, como tristeza e pena (48,91%). A deficiência foi amplamente associada a comprometimentos físicos (46,82%) e supostas limitações (43,06%), além de ser confundida com doenças ou transtornos (13,87%) e traços de personalidade ou comportamentos negativos (8,03%). Poucas palavras manifestaram sentimentos e atributos positivos (15,33%). Durante as entrevistas, a maioria das falas focou em marcas corporais (23,36%), expressou sentimentos negativos (23,28%) ou mencionou supostas dificuldades e limitações das PCDs (21,89%). As percepções dos alunos são marcadas por estereótipos e associações negativas, ressaltando a necessidade de práticas educacionais que combatam estigmas, estereótipos e preconceitos e promovam uma compreensão mais informada da deficiência.
RESUMO Este artigo apresenta os resultados do desenvolvimento e da aplicação de três etapas de uma sequência didática sobre simetria de reflexão, voltada a um aluno do sétimo ano do Ensino Fundamental de uma escola municipal de Joinville, Santa Catarina. O objetivo foi verificar se a sequência, planejada com base nos princípios do Desenho Universal para Aprendizagem (DUA), pode potencializar o ensino de simetria para um aluno com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). A pesquisa utilizou observação direta e análise documental como procedimentos metodológicos. Os dados analisados, incluindo relatórios escolares e produções do aluno, foram interpretados à luz da análise narrativa. Como referencial teórico, foram utilizados autores que discutem o DUA e sua aplicação na educação inclusiva. Os resultados indicam que a aplicação da sequência promoveu a autonomia do aluno, permitiu a articulação entre diferentes níveis de dificuldade e favoreceu o uso ativo das ferramentas digitais por meio de feedbacks e identificação de erros, potencializando o ensino de simetria nas aulas de Matemática.
RESUMO As altas habilidades ou superdotação (AHSD) pertencem à Educação Especial, mas são desconhecidas em muitas realidades brasileiras, o que coloca à luz a necessidade de que elas sejam cientificamente abordadas e divulgadas. Diante do exposto, esta pesquisa objetivou analisar, a partir de indicadores bibliométricos, a produção científica sobre AHSD veiculada no Congresso Brasileiro de Educação Especial (CBEE). Trata-se de um estudo quantitativo, que utilizou a Bibliometria como ferramenta metodológica para medir o campo acadêmico relacionado ao tema em questão, especialmente no tocante às seguintes variáveis: temporalidade das produções, palavras-chave, subtemas, autorias e métodos. O corpus totalizou 200 trabalhos, e os resultados indicaram que a maior quantidade de produções sobre AHSD no CBEE ocorreu em 2018; as principais palavras-chave empregadas foram “altas habilidades/superdotação” e “educação especial”; a autoria revelou tanto o predomínio de trabalhos elaborados por pares quanto diferentes contribuições institucionais; os subtemas mais dissertados junto às AHSD foram “atendimento” e “identificação”; e os métodos desvelaram, por fim, a prevalência de pesquisas qualitativas. Concluiu-se, por meio da análise bibliométrica, que a produção acadêmica alusiva às AHSD requer maior visibilidade na comunidade científica, para que essa temática possa se expandir tal como as demais áreas da Educação Especial.
RESUMO No âmbito da proposta legal de educação bilíngue de surdos, o professor surdo tem como função o ensino da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Esta pesquisa objetivou, assim, investigar o trabalho desse profissional, analisando as estratégias utilizadas em oficinas de Libras para a promoção da aquisição da língua, bem como a valorização da Libras e da cultura surda. As oficinas, espaços de interação e desenvolvimento da linguagem, sem um formato rígido de aulas, constituíram o lócus de produção dos dados. Foram realizadas observações de duas crianças surdas de uma escola de Educação Infantil, inserida em um programa de educação bilíngue. Os instrumentos de pesquisa incluíram diário de campo e entrevista semiestruturada com o professor surdo. A apresentação e a discussão dos dados, organizados em dois episódios, evidenciaram a importância do brincar e do faz de conta como estratégias que possibilitam a aprendizagem de conhecimentos, como léxico, regras, emoções e sentimentos. Os resultados indicam que a ausência de diretrizes para a promoção da aquisição da Libras e de políticas educacionais específicas limita o reconhecimento e a legitimidade pedagógica do trabalho do professor surdo. Torna-se urgente, portanto, investir na formação desse profissional e fortalecer os mecanismos de sua contratação no contexto escolar.
RESUMO A inclusão de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em escolas comuns gera tensões e desafios e exige o enfrentamento dos questionamentos referentes às possibilidades de escolarização desse público. Desse modo, este estudo objetiva analisar implicações curriculares e inclusivas resultantes de uma ação coletiva focada no desenvolvimento do Plano Educacional Individualizado (PEI) para dois estudantes com TEA em uma escola municipal de Várzea Grande - Mato Grosso. A pesquisa-ação colaborativa, de natureza qualitativa e base empírica, foi a metodologia adotada, o que propiciou vivências para a (re)definição do currículo e a formação dos sujeitos participantes. Os PEIs, elaborados coletivamente, tiveram como premissa a criação de modos e possibilidades educativas que respeitassem as peculiaridades educacionais de cada discente. Além disso, os planos foram integrados ao currículo comum, bem como envolveram práticas pedagógicas e o Projeto Político-Pedagógico escolar. Após dois anos de desenvolvimento, este estudo contribui para pesquisas em educação inclusiva, em termos teóricos e metodológicos, pois evidencia o potencial da ação coletiva para transformar o PEI em artefato cultural curricular, construído a partir de responsabilidade compartilhada. Como resultado, a pesquisa promoveu participação e aprendizagem significativa dos estudantes com TEA e incentivou a coprodução de saberes, de modo a beneficiar todos os participantes.
RESUMO A Dupla Excepcionalidade é definida pela presença de alta performance, habilidade, talento ou potencial, associada a alguma desordem psiquiátrica, neurológica, comportamental, sensorial, física ou educacional. Considerando o duplo diagnóstico entre Superdotação e Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), esta pesquisa investigou evidências de validade, com base na estrutura interna, da Escala para Identificação do(a) Estudante Duplamente Excepcional - Altas Habilidades com Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade. O instrumento foi aplicado a 271 professores que ministram aulas do primeiro ao nono ano do Ensino Fundamental e que atendiam a um dos seguintes critérios de inclusão: a) atuar ou ter atuado com estudantes com Dupla Excepcionalidade; b) atuar ou ter atuado com estudantes com TDAH; ou c) atuar ou ter atuado com estudantes com Superdotação. Utilizou-se a Análise Fatorial Confirmatória (AFC), o alfa de Cronbach (α), o ômega de McDonald (Ω) e a Confiabilidade Composta (CC). Constatou-se a necessidade de redução do número de itens do instrumento, de 39 para 32, o que resultou na diminuição dos resíduos e na melhoria dos índices de validade e precisão. O novo modelo apresentou melhor ajuste, com excelentes indicadores, embora ainda com resíduos, o que pode indicar a necessidade de novos estudos de validação.