
This article examines the socio-environmental and territorial implications of large-scale mining in the Andes, through the case of the Veladero project in San Juan, Argentina. It investigates how state development strategies, transnational geoeconomic interests, and plural conceptions of nature interact within a high-mountain socioecological system composed of mining infrastructure, glacial and periglacial environments, glacier-fed watersheds, downstream communities, and regulatory and scientific institutions. The article argues that Veladero reveals a tension between raison d’État, expressed in policies that prioritize investment, exports, and mineral production, and raison de système, understood not as an autonomous environmental imperative but as a strategic orientation that incorporates the interdependencies, feedback effects, and long-term vulnerabilities generated by decisions taken within complex socioecological systems. The theoretical framework combines neo-extractivism, the distinction between raison d’État and raison de système, Southern epistemologies, and climate justice. Based on a qualitative case study and documentary analysis, the findings show that the extractive coalition formed by state agencies and transnational corporations possesses greater institutional and material capacity than the fragmented actors that articulate systemic concerns, including scientific institutions, courts, affected communities, environmental organizations, and glacier-protection legislation. Extractive expansion is therefore a dilemma not for capital accumulation in itself, but for public authorities and societies confronted with confronted with the tension between short-term economic gains and the long-term reproduction of water security, ecological resilience, and territorially embedded ways of life.
Este artigo analisa projetos financiados pelo Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), no período de 2022 a 2025, com o objetivo de verificar a presença do conceito de Organização do Conhecimento (OC) e discutir suas implicações para a inovação. A pesquisa baseou-se na extração de dados da Biblioteca Virtual da FAPESP e na análise dos resumos dos projetos. Os resultados indicam que nenhum projeto utilizou explicitamente o termo, embora tenham sido identificadas iniciativas próximas a práticas de organização, como gestão de dados e curadoria da informação. Tal ausência revela uma lacuna conceitual e sugere a baixa visibilidade da Ciência da Informação no ecossistema da inovação. O estudo contribui ao evidenciar a necessidade de integrar a OC às políticas públicas de fomento, de modo a ampliar a apropriação social do conhecimento e fortalecer a articulação entre inovação tecnológica e responsabilidade social.
A realização da COP 30 no Brasil mobilizou debates na esfera parlamentar, tornando-se um evento relevante para a análise da comunicação climática institucional. Assim, objetivamos analisar como a COP 30 foi enquadrada nos discursos da Câmara dos Deputados, ao longo de 2025, identificando padrões discursivos e diferenças entre coalizões políticas. A partir de uma abordagem metodológica mista, examinamos 148 discursos, por meio de técnicas quantitativas, como a modelagem de tópicos, combinadas à análise qualitativa baseada na Teoria Fundamentada nos Dados. Os resultados apontam que a conferência foi apropriada de maneira diferenciada: a base governista enfatizou disputas legislativas e ambientais, enquanto a oposição priorizou aspectos econômicos e fiscais. Conclui-se que a agenda climática no Parlamento brasileiro apresenta forte partidarização, sendo mediada por posicionamentos ideológicos.
Este artigo investiga como os perfis da GloboNews e BandNews TV realizaram a cobertura da COP30 no Instagram, mostrando como o processo foi midiatizado e marcado por crises, conflitos e disputas simbólicas, em detrimento do debate climático técnico e resolutivo. O objetivo é compreender como esses enquadramentos foram produzidos, seus efeitos de sentido e as dinâmicas de poder que estruturam essa circulação, incluindo o papel do consumo simbólico e da construção do ethos de credibilidade (Maingueneau, 2008). A metodologia articula Análise Crítica do Discurso (Van Dijk, 2008) e os procedimentos do discurso manipulatório (Charaudeau, 2022). Os resultados revelam que temas de crise (ex. incêndio e falhas estruturais) foram narrados por meio de códigos de autoridade e projeções futuras, gerando maior impacto e engajamento. Além disso, a cobertura reforçou padrões de consumo simbólico centrados na emoção e na lógica da crise.
A partir da compreensão de que a desinformação compromete centralmente a consecução de metas para o combate às mudanças climáticas, esta pesquisa possui o objetivo de identificar, a partir da literatura, aspectos de interseção entre o negacionismo climático e a desinformação desenvolvidos na Ciência da Informação, de forma a contribuir para o aprofundamento das discussões neste campo do conhecimento. Trata-se de uma pesquisa aplicada, exploratória, do tipo bibliográfica e de abordagem qualitativa. A coleta de dados foi construída a partir da Base de Dados em Ciência da Informação (BRAPCI), SciELO, Scopus e Web of Science. Empregou a Análise de Conteúdo de Laurence Bardin em um corpus da pesquisa constituído por 23 documentos. Esse processo resultou na obtenção de unidades de registro organizadas em dez categorias semânticas: conceitos e definições; causas e fatores associados; financiamento e impulsionadores; estratégias e técnicas de desinformação; percepção pública e público-alvo; confiança e credibilidade; desconfiança e ceticismo; contextos geográficos e institucionais; mídia e comunicação; e, estratégias de combate à desinformação. Por fim, conclui que o negacionismo climático envolve desinformação que contempla desde aspectos conceituais e causais às estratégias discursivas e dinâmicas de circulação da informação, evidenciando a complexidade desses fenômenos nos ecossistemas informacionais contemporâneos.
Apresenta um panorama analítico sobre a incorporação e a evolução do princípio da informação no regime internacional ambiental, com ênfase nas Conferências sobre Mudança do Clima, desde sua edição inaugural em Berlim em 1997 até a última versão em 2025 realizada na cidade de Belém. A pesquisa adota abordagem qualitativa, baseada em análise documental e revisão de literatura científica, examinando como o princípio da informação, sob o ponto de vista do acesso, direito e uso, foram progressivamente institucionalizados no marco normativo e decisorial das COP. Os resultados evidenciam que a informação ambiental deixou de ocupar papel secundário, tornando-se elemento estruturante da legitimidade, da transparência, da eficácia e da justiça climática, ao mesmo tempo em que se insere em disputas epistêmicas e políticas que influenciam a formulação de políticas e a circulação de discursos sobre temas como Amazônia, transição energética e financiamento climático. Conclui-se que a consolidação de um regime informacional robusto é condição indispensável para o fortalecimento da governança climática global, especialmente diante dos desafios contemporâneos relacionados à desinformação e às assimetrias informacionais.
A justiça climática tem raça, gênero, classe e território. No Brasil, a realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30) em Belém/Pará, expôs uma tensão estrutural entre a retórica global de sustentabilidade e as práticas locais de exclusão racial, fenômeno que os autores identificam como o “paradoxo de Belém”. O artigo investiga como o enfrentamento ao racismo ambiental ascendeu à agenda governamental e internacional de decisões, utilizando a COP 30 como janela de oportunidade estratégica à luz do Modelo de Fluxos Múltiplos de John Kingdon. A metodologia é qualitativa, de natureza documental e bibliográfica, articulando o modelo analítico de Kingdon às noções de justiça ambiental e ecologia política de Henri Acselrad. A base empírica compreende documentos oficiais da COP 30, relatórios de organizações da sociedade civil, como Geledés, Dhesca Brasil e Instituto Pólis, e produções do jornalismo investigativo independente. Adota-se, ainda, abordagem metodológica colorida e interseccional, com a raça como eixo primordial de análise. Os resultados indicam que o acoplamento dos três fluxos durante a COP 30 produziu avanços discursivos inéditos, notadamente a inclusão histórica do termo “afrodescendentes” em documentos finais da UNFCCC, como o Objetivo Global de Adaptação e a Declaração de Belém sobre o Combate ao Racismo Ambiental. Contudo, a análise revela que as obras de preparação urbana aprofundaram o racismo ambiental em comunidades negras e tradicionais, como a Vila da Barca e o Quilombo Abacatal. Conclui-se que, embora a COP 30 tenha elevado a justiça climática antirracista à agenda internacional de decisões, a persistência do modelo colonial de urbanização em Belém evidencia que o avanço discursivo, por si só, não garante a implementação efetiva de políticas públicas.
Este artigo propõe o conceito de Regime de Informação Climática (RIC) como categoria analítica interdisciplinar articulada entre a Ciência da Informação e o Direito Ambiental Internacional. Parte-se da hipótese de que os acordos climáticos globais, em especial os instrumentos negociados no âmbito da UNFCCC, a exemplo do Acordo de Paris, e cujos resultados mais recentes foram negociados na COP30, realizada em Belém em novembro de 2025, não constituem apenas regimes jurídicos, mas também regimes de informação que definem o que é reconhecido como informação climática legítima, quem detém autoridade para produzi-la e validá-la, e a quem ela serve. Mobilizam-se os fundamentos teóricos sobre regimes de informação, a partir de Frohmann e González de Gómez, aplicando-os criticamente à arquitetura informacional da governança climática internacional. Adota-se abordagem teórico-documental de natureza qualitativa, combinando revisão teórica integrativa com análise de instrumentos normativos internacionais. Como resultado, propõem-se as três dimensões constitutivas do RIC, a saber: normativa, epistêmica e geopolítica. Evidencia-se que as assimetrias informacionais estruturais da governança climática reproduzem e aprofundam desigualdades entre países centrais e periféricos, com especial impacto sobre territórios amazônicos e povos originários. Conclui-se que uma governança climática justa exige uma redistribuição do poder informacional inscrito nos próprios acordos internacionais.
O artigo analisa a visibilidade midiática e a agenda ambiental a partir do enquadramento noticioso do Portal G1 sobre a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, realizada em Belém, em novembro de 2025. O estudo examina a cobertura da Cúpula de Belém e dos momentos finais da conferência, com foco na relação entre COP30 e governo Lula. Adota-se metodologia híbrida, combinando análise de enquadramento e análise de conteúdo, com identificação de pacotes interpretativos em 95 notícias publicadas nos dias selecionados. Os resultados indicam predominância de tratamento factual e enquadramento crítico nos dias finais, com ênfase em logística, impasses e no incêndio ocorrido durante o evento, além de reduzida visibilidade a lideranças políticas e à dimensão geopolítica da conferência, projetando imagem de baixo impacto político e ambiental para o país.
Diante do cenário de crise climática e da exploração predatória da natureza, as bibliotecas passam a se posicionar como agentes do desenvolvimento sustentável, em consonância com as recomendações da IFLA. Nesse contexto, este estudo tem como objetivo analisar as noções de sustentabilidade que emergem da produção técnico-científica no campo biblioteconômico-informacional. A pesquisa se caracteriza como exploratória e descritiva, construída por meio de uma revisão de literatura, com a intenção de identificar trabalhos que abordam a temática da sustentabilidade. Para o desenvolvimento da pesquisa, fez-se necessário o diálogo com o debate ambiental e com a noção de desenvolvimento sustentável concebida ao longo das décadas, assim como sua incidência nas bibliotecas. Os resultados indicam que o campo biblioteconômico-informacional apresenta uma literatura orientada pelo desenvolvimento sustentável que, por vezes, desconsidera outras perspectivas possíveis, especialmente no que se refere à construção de propostas pedagógicas alinhadas às questões socioambientais. Assim, frente ao cenário de insustentabilidade do sistema, torna-se necessário o investimento das bibliotecas na dimensão educacional, a partir da educação em informação socioambiental, entendida como uma possibilidade de transformação social.
O encerramento da COP30 consolidou um desafio que ultrapassa a diplomacia ambiental: a disputa pela hegemonia dos regimes de informação que narram a crise climática no Sul Global. Neste cenário, a Inteligência Artificial Generativa (IAG) tensiona o valor testemunhal do registro territorial, convertendo o fotodocumentarismo em ativos do colonialismo de dados. O presente artigo propõe o Protocolo de Ancoragem Visual-Territorial (PAVT) como uma resposta técnica e política a esse apagamento. Diferente de abordagens que buscam a correção técnica da IA, o método fundamenta-se no confronto de escalas entre o dado de solo (fotografia documental) e o sensoriamento orbital para desmascarar a "transparência cínica" e a higienização operada pelo simulacro algorítmico. Através da Injunção de Ancoragem e apoiado na cosmotécnica de Yuk Hui e no olhar ch'ixi de Silvia Rivera Cusicanqui, o estudo demonstra que a soberania do dado visual reside na recusa da abstração digital, reafirmando o registro documental como um índice de verdade inegociável. Conclui-se que o PAVT atua como um dispositivo de resistência soberana, subordinando a técnica à materialidade do chão e protegendo a memória territorial frente à opacidade das Big Techs.
O artigo, por meio de um referencial teórico marcadamente marxista, busca de forma preliminar, redirecionar, no âmbito das discussões sobre o mercado de carbono, as atenções para o trabalho necessário à existência dessa mercadoria financeira, o crédito de carbono. Trata de posicionar, a partir da ontologia do trabalho, a ineliminável necessidade da conversão dos povos das florestas em proletários, processo que necessita do Estado e do conhecimento científico, para a transformação dos fluxos naturais de sequestro de dióxido de carbono em um ativo financeiro. Ainda, explora situações e falas ocorridas durante a COP30 para subsidiar a construção teórica proposta.
O estudo analisa as narrativas audiovisuais produzidas pelo Coletivo Tamuatás do Tucunduba, no bairro da Terra Firme, em Belém (PA), como práticas de mediação da informação orientadas à justiça climática. Parte-se da compreensão de que a crise climática articula desigualdades distributivas, procedimentais e de reconhecimento, manifestando-se de modo específico nas periferias urbanas amazônicas, onde a precariedade do saneamento e a vulnerabilidade hídrica configuram experiências concretas de injustiça ambiental. O estudo é de natureza exploratória e delineado como estudo de caso, com base em pesquisa documental e análise crítica do discurso aplicada a materiais audiovisuais produzidos pelo coletivo. Examina-se de que modo tais produções operam como práticas de mediação da informação e de interferência informacional, instaurando contranarrativas sobre território, cultura e direito à água. Os resultados indicam que o Carimbó periférico, articulado à denúncia socioambiental, constitui dispositivo de autorrepresentação e resistência informacional, tensionando discursos hegemônicos e reivindicando reconhecimento e justiça climática situada.
Entrevista com Joelson Ferreira, assentado, liderança dos movimentos sociais, e um dos fundadores da Teia dos Povos, sobre agroecologia, crise climática e disputas políticas em torno da terra, do território e do conhecimento. A partir da experiência do Assentamento Terra Vista (Arataca, BA), Joelson Ferreira discute o papel central do solo na transição agroecológica, a destruição promovida pelo agronegócio e os limites das negociações climáticas globais, defendendo a retomada de saberes ancestrais e alianças entre povos.
Este artigo analisa como a Marcha pela Vida das Mulheres e pela Agroecologia expressa uma cosmovisão contra-hegemônica e articula a comunicação como processo de consciência-organização-ação para a disputa de narrativas sobre a crise climática. Parte da crítica à ontologia dualista que sustenta o capitalismo extrativista e orienta o modelo de transição energética hegemônico. Adota abordagem qualitativa e análise de conteúdo, com base em Bardin (2016), tendo como corpus as publicações do Instagram da Marcha, entre janeiro e março de 2025. A análise se estrutura em três eixos teóricos: corpo-território, comunicação como processo e disputas de narrativas. Os resultados indicam que a Marcha articula território, comunicação e ação política, na perspectiva da ontologia relacional, produzindo contranarrativas à transição energética dominante e afirmando alternativas baseadas na defesa da vida e da justiça socioambiental. Conclui-se que os movimentos organizados no campo podem indicar modos de comunicação emancipatórios no contexto da transição energética que superam a ontologia dual cristalizada nas narrativas hegemônicas.
Este trabalho apresenta discussões recentes sobre inteligência artificial para o bem social (AI4SG). Busca compreender como a IA tem sido utilizada para diminuir desigualdades, combater injustiças, promover diversidade, equidade e inclusão (DEI), além de apontar obstáculos e necessidades para o desenvolvimento de políticas públicas dentro desse segmento. A abordagem se inicia com dados gerais para depois enfatizar o cenário brasileiro. A metodologia inclui pesquisa bibliográfica sobre IA para o bem social e abordagens sobre diretrizes políticas e soluções tecnológicas, tanto nacionais quanto estrangeiras. É apresentado ainda um mapeamento exploratório de iniciativas no Brasil a fim de observar padrões e tendências. Os resultados indicam que o cenário observado se organiza em torno de esforços governamentais, ONGs, empresas e startups que atuam a partir de oportunidades de ação ou que são criadas para minimizar impactos negativos de viés tecnológico na sociedade.
O artigo analisa as instituições de informação, especificamente museus e bibliotecas, como dispositivos culturais. As teorias de Foucault e Agamben para definir o dispositivo como uma rede que captura e orienta condutas e discursos são as referências para a argumentação. O texto destaca que, historicamente, essas instituições atuaram na consolidação da racionalidade capitalista e do colonialismo, promovendo uma hegemonia simbólica europeia e o apagamento de culturas consideradas "inferiores". Contudo, o texto argumenta que esses espaços também oferecem brechas para a resistência e descolonização. São apresentadas experiências empíricas que rompem com modelos tradicionais. Em Medellín (Colômbia), são apresentadas bibliotecas públicas que atuam na coleta de memórias locais e patrimonialização de saberes comunitários. Em São Paulo e no Rio de Janeiro (Brasil) são abordados exemplos de museus que trabalham com comunidades de favelas e utilizam o território e a vivência dos moradores como acervo principal para contestar narrativas oficiais. O estudo combina pesquisa de campo, documental e discussão bibliográfica. O texto conclui que a integração entre os campos museal e bibliotecário possui uma potência latente para fortalecer a coletividade e decolonizar imaginários, transformando instituições em "laboratórios culturais" voltados à emancipação social.
O artigo analisa como as decisões finais da COP30, reunidas no Belém Political Package, distribuem conteúdos de justiça social, metas quantificadas e financeiras, mecanismos de governança e implementação, status legal e institucional, e território com pluralidade epistêmica. Parte-se da hipótese de que o pacote decisório apresenta elevada densidade jurídico-institucional e procedimental, mas incorpora de modo desigual dimensões distributivas, territoriais e epistêmicas da justiça climática. Metodologicamente, a pesquisa adota abordagem quali-quantitativa, com base em análise documental e análise de conteúdo das 23 decisões publicadas no pacote, codificadas a partir de cinco indicadores analíticos. Os resultados mostram que as decisões concentram maior densidade em status legal e institucional e em mecanismos de governança e implementação, ao passo que justiça social e territorialidade aparecem de forma mais seletiva e menos transversal. Verifica-se que houve avanços relevantes na arquitetura multilateral da governança climática, especialmente em adaptação, gênero, tecnologia, perdas e danos e coordenação financeira. Contudo, tais avanços não se converteram, com a mesma intensidade, em compromissos distributivos robustos, critérios territoriais vinculantes ou incorporação ampla de saberes tradicionais e indígenas. Conclui-se que a COP30 reforçou a infraestrutura procedimental do regime climático pós-Paris, mas manteve limites relevantes quanto à materialização da justiça climática, da transição socioecológica e do protagonismo amazônico no núcleo decisório do multilateralismo climático.
Análise sobre as disputas pela soberania entre as plataformas digitais Google, Meta e Telegram e o estado brasileiro, a partir do Projeto de Lei 2630/2020, que determina regras para o funcionamento das empresas de mídia digital no país. A partir de uma análise de conteúdo, comparamos os argumentos das referidas plataformas digitais e concluímos que a disputa pela soberania daquelas com o estado brasileiro está diretamente relacionada ao tamanho de seus negócios. Além disso, os achados indicam intensa ativismo do Google, que empreendeu um conjunto de ações de comunicação estratégica, na tentativa de mobilizar a opinião pública em seu favor.
Objetiva-se com esse artigo identificar e analisar as atividades de mediação da leitura na ambiência da Biblioteca Social Afro-indígena meninas do Subúrbio, de modo a associá-las ao fortalecimento identitário dos leitores, segundo uma concepção afro-indígena. Para isso, foi aplicado um questionário online com a idealizadora e responsável pela Biblioteca, Dejanira Rainha dos Santos Melo, a fim de verificar os objetivos das atividades e categorizar quais se aproximam da possibilidade de fortalecer a constituição da identidade afro-indígena dos leitores. Como resultado, percebeu-se que as ações desenvolvidas pela Biblioteca Social Afro-indígena meninas do Subúrbio contribuem com a promoção da valorização identitária e com o empoderamento dos sujeitos envolvidos, em especial crianças e mulheres negras da comunidade. Assim, a mediação da leitura é um processo contínuo e dinâmico, capaz de acompanhar as transformações do sujeito leitor e de contribuir para a formação e consolidação de uma visão crítica de mundo, implicando, portanto, num dispositivo de transformação pessoal e social. Este processo não pode prescindir da dimensão identitária e, na sociedade vigente, isto implica em considerar tanto as múltiplas diversidades culturais, de gênero, econômicas, raciais e étnicas, quanto em compreender que esses marcadores sociais estão na base de uma série de desigualdades que marcam trajetórias individuais e coletivas, e que precisam ser consideradas pelas bibliotecas e pelos mediadores da leitura.