
A partir do ano de 2021, há, no Estado do Paraná, uma legislação específica para o sistema estadual de ensino superior, a chamada LGU – Lei Geral das Universidades. Os debates acumulados no período evidenciam que tal mecanismo legal tem características que aproximam o mercado produtivo da universidade, enfraquecendo sua autonomia. O presente artigo visa a evidenciar tais características a partir da análise de um artigo da referida legislação, efetuada sob as categorias universidade operacional e universidade interessada. Metodologicamente, o texto corrobora as categorias de análises a partir de estudos de Antonio Gramsci e Marilena Chaui e seus comentadores; e faz uma análise de fontes primárias, do texto legal e do ofício circular nº 96/2023/SETI-GS, no qual são indicados os cursos com matriculados abaixo da previsão legal. O artigo ainda apresenta os dados e indica, em suas considerações finais, elementos que vinculam as categorias de análise, a universidade operacional, que é interessada, aos elementos em cursos oriundos da legislação referenciada.
O presente artigo propõe uma reflexão crítica sobre o papel da Filosofia e da Teologia na América Latina a partir do pensamento de Ignacio Ellacuría, com ênfase em sua contribuição para a defesa e a promoção dos direitos humanos no continente. Rejeitando abordagens jurídico-formais de cunho abstrato, sustenta-se que os direitos humanos devem ser compreendidos como exigências concretas de justiça social, liberdade política e dignidade material. Com base na noção de filosofia da realidade histórica, desenvolvida por Ellacuría, argumenta-se que a filosofia deve assumir uma função desveladora das estruturas de opressão histórica e epistêmica que moldam a realidade latino-americana. De forma análoga, a Teologia da Libertação é apresentada como espaço de resistência e transformação, cuja práxis emerge das experiências vividas pelas comunidades populares. Ao reposicionar criticamente essas duas tradições de saber, nossa proposta é demonstrar a sua relevância para a formação de uma consciência crítica e para a constituição de práticas emancipatórias no contexto latino-americano contemporâneo.
Este artigo analisa os efeitos de um processo de formação continuada voltado ao ensino de medidas na Educação Infantil, fundamentado na Teoria Histórico-Cultural. O objetivo consistiu em analisar as contribuições da formação para a ressignificação das práticas pedagógicas de professores da rede municipal de Ariquemes-RO. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza aplicada, desenvolvida por meio de um experimento didático-formativo que articulou estudo teórico, análise crítica da prática docente e elaboração coletiva de uma sequência didática. Participaram quatro professoras da Educação Infantil, sendo os dados produzidos a partir de registros dos encontros formativos, planejamentos e observações. A análise foi conduzida pela metodologia dos núcleos de significação. Os resultados evidenciaram tensões entre práticas tradicionais, centradas no controle docente, e novas possibilidades pedagógicas orientadas à autonomia das crianças, bem como movimentos de permanência e reorganização da prática, impulsionados pela apropriação de fundamentos teóricos. Conclui-se que a formação continuada, estruturada como espaço de estudo crítico, favorece o desenvolvimento profissional e amplia as condições para um ensino intencional, sistematizado e comprometido com a promoção das funções psíquicas superiores.
Na educação pública, a adoção de sistemas apostilados tem se expandido, sobretudo, na educação infantil. Esse processo indica que tais materiais têm possibilidade de direcionar a formação das crianças dessa etapa. Diante disso, o texto objetiva analisar o modelo formativo implícito no sistema de apostilamento proposto para a educação infantil, tendo como fonte de estudo a coleção “Brincar e Pensar”, usada mediante três unidades de análise: a primazia da forma; o brincar; a experiência, a vivência e a linguagem. O texto adota a Teoria Crítica da Sociedade como referencial teórico, tendo caráter bibliográfico e documental. Os resultados evidenciaram que o modelo formativo presente na coleção observada intenciona a formação de sujeitos adaptados à sociedade capitalista, em vez de analisá-la. Consequentemente, considera-se que há a materialização da pseudoformação, uma vez que as atividades são técnicas, esvaziadas de conteúdos e privilegiam a vivência em detrimento da experiência.
O artigo tem por finalidade analisar o planejamento e a gestão escolar em municípios baianos atendidos pelo Programa Formação de Educadores do Campo. A pesquisa, de caráter qualitativo, utilizou questionário semiestruturado aplicado via Google Forms a 17.205 docentes de escolas do campo, oriundos de 260 municípios distribuídos pelos 27 Territórios de Identidade da Bahia. Os resultados indicam fragilidades na Educação do Campo, pois parcela expressiva dos docentes não planeja suas práticas conforme as Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo. Além disso, em alguns municípios, a gestão escolar limita-se a funções administrativas, sem efetiva participação na organização pedagógica e no fomento de processos democráticos de decisão.
A obra “A Crise da Narração” de Byung-Chul Han (2023) analisa a perda de narrativas coesas no mundo contemporâneo, impactando o sentido individual e coletivo. A proliferação de informação fragmentada e a cultura do like erodem a capacidade de narrar. Han dialoga com Benjamin e Sartre, mostrando como a tecnologia e o neoliberalismo transformam a narração em mercadoria, esvaziando seu poder de conexão e sentido, levando a uma crise da comunidade. O storytelling instrumentaliza narrativas para consumo, perdendo sua função terapêutica e de construção da subjetividade.
Esta pesquisa tem por objetivo identificar aproximações e distanciamentos entre Brasil e Espanha em relação à educação estética no curso de Pedagogia. Para tanto, foi realizada uma pesquisa documental, na qual foram analisados: a) a matriz curricular e a ementa dos cursos de “Grado en Maestro en Educación Infantil” e “Grado en Maestro en Educación Primaria” de uma universidade pública localizada na cidade de Madri, Espanha, ambos equivalentes ao curso de Pedagogia no Brasil; e b) a matriz curricular e a ementa do curso de Pedagogia de uma universidade localizada no Vale do Itajaí, SC, Brasil. Mediante a análise descritiva interpretativa, os resultados evidenciaram aproximações e distanciamentos no tocante à organização curricular, carga horária e oferta de disciplinas que contemplam a educação estética em ambos os países. Esperamos que esta pesquisa contribua para propiciar uma reflexão sobre as disciplinas curriculares que integram os cursos de Pedagogia, e que a educação estética seja cada vez mais vivenciada na formação inicial dos pedagogos.
O artigo explora o potencial da Teoria da Aprendizagem Significativa (TAS) no ensino de Física, destacando sua relevância na formação de estudantes críticos e competentes. Proposta por David Ausubel, a TAS busca explicar como novos conhecimentos podem ser integrados à estrutura cognitiva já existente do aluno, favorecendo aprendizagens com sentido e evitando a simples memorização. O objetivo do estudo é investigar e analisar como a TAS tem sido aplicada ao ensino de Física em produções acadêmicas brasileiras recentes (2019-2023) a partir de uma revisão bibliográfica de natureza qualitativa e teórica, com utilização da análise de conteúdo como aporte metodológico. Os resultados evidenciam tendências, aproximações e contribuições para o ensino de Física, ressaltando a importância de conectar os conteúdos à realidade dos estudantes e de promover uma aprendizagem que favoreça a compreensão crítica e reflexiva dos conceitos físicos. Nesse sentido, a aplicação da aprendizagem significativa na Física enriquece a compreensão da disciplina e promove uma visão holística do saber, capacitando os aprendizes para enfrentarem os desafios do mundo com uma perspectiva crítica e cidadã.
Este trabalho investiga a natureza das atividades mais frequentemente mobilizadas por professores de inglês no Ensino Médio Integrado (EMI) do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB) e analisa como essas práticas revelam o grau de familiaridade docente com as prescrições oficiais que regem o ensino. A pesquisa, de natureza qualitativa e descritiva, ancora-se nos pressupostos do Interacionismo Sociodiscursivo (ISD) e adota como base metodológica a abordagem da docência como trabalho. Os dados foram obtidos por meio de um questionário online respondido por professores efetivos do IFPB. A análise evidenciou que a maioria das atividades propostas se concentra em práticas de leitura e interpretação textual, bem como em um distanciamento entre as práticas docentes e os objetivos formativos propostos pelas normativas oficiais, revelando uma baixa familiaridade dos professores com tais diretrizes. Conclui-se que é necessário fortalecer a formação continuada e institucionalizar espaços de estudo e planejamento colaborativo, a fim de alinhar as práticas pedagógicas às orientações que regulamentam o ensino de inglês na Educação Profissional e Tecnológica no Brasil.
O texto analisa criticamente a transposição de modelos administrativos clássicos para o campo da gestão escolar pública por meio da análise da categoria “dilema ausente” de Torres (2004). Objetiva-se examinar criticamente os fundamentos normativos que sustentam a cultura organizacional escolar, evidenciando como a transposição de modelos tayloristas e fayolianos, especialmente sob a lógica da Nova Gestão Pública, fragiliza o papel formativo e democrático da escola. Busca-se, assim, compreender os efeitos históricos, epistemológicos, culturais e políticos dessas racionalidades na configuração da escola como organização, questionando a naturalização de práticas produtivistas, de controle e padronização. O texto propõe um deslocamento epistemológico, advogando por uma gestão entendida como prática política e dialógica, ancorada na escuta, na justiça social e na valorização dos sujeitos escolares. Ao recusar a padronização e o autoritarismo técnico, o artigo reitera a urgência de repensar a cultura organizacional escolar como construção histórica, situada e relacional, contrapondo-se à hegemonia de modelos universais, rígidos e desumanizantes. O estudo é desenvolvido por meio de uma abordagem qualitativa, com análise documental e revisão crítica da literatura, com especial foco nas contribuições de autores clássicos e contemporâneos sobre a administração escolar e cultura organizacional. Assim, recoloca no centro da análise a necessidade de uma escola democrática, plural e emancipada das amarras gerencialistas.
Para a construção da parceria entre escola e família dos estudantes público-alvo da Educação Especial (PAEE), entre outros aspectos, é necessário conhecer as perspectivas dos familiares sobre os serviços ofertados aos seus filhos. Em vista disso, o objetivo do estudo foi descrever e comparar a opinião das mães sobre os serviços oferecidos aos seus filhos PAEE matriculados na Educação Infantil e no Ensino Fundamental. Foi desenvolvida uma pesquisa descritiva, com a participação de mães de crianças PAEE, divididas em dois grupos: G1, com 20 mães de crianças matriculadas na Educação Infantil; e G2 com 20 mães de crianças matriculadas no Ensino Fundamental, até o terceiro ano. Foram coletados dados qualitativos por meio de um roteiro de entrevista semiestruturado. Quantos aos serviços da escola, em ambos os grupos ainda havia crianças que não recebiam atendimento da Educação Especial e, na maioria dos casos, a escola não realizava encaminhamentos para serviços públicos ou esclareciam dúvidas dos pais. Na categoria redes de apoio, ambos os grupos mencionaram a necessidade de profissionais especializados e apoio financeiro. Em relação aos serviços fora do ambiente escolar, a maioria das mães relatou recorrer aos particulares (G1) ou associar serviços públicos e particulares (G2). As diferentes demandas identificadas possibilitam refletir sobre como organizar programas e serviços voltados às mães de crianças PAEE.
O Programa Escola da Terra é uma das ações do Programa Nacional de Educação do Campo (Pronacampo) e visa a formação continuada de docentes que atuam em escolas no meio rural no Brasil, mediante parceria institucional entre instituições de ensino superior e o Ministério da Educação. Este texto apresenta um relato de experiência do Pronacampo desenvolvido entre 2023-2024 no estado de Rondônia, cujo objetivo é elucidar como se deu o processo formativo, em três módulos de seis encontros, assim como as principais discussões e resultados alcançados. A metodologia adotada é o relato de experiência das vivências in loco somadas à pesquisa bibliográfica. Destaca-se como relevante os seguintes aspectos: a formação de professores e professoras (leigos) de escolas rurais foi realizada ao longo dos tempos no estado, por meio de programas governamentais no formato de módulos; o modelo de ocupação e de desenvolvimento econômico incidiu sobre a possibilidade de formação docente; o fechamento de escolas rurais foi massivo e alterou a paisagem das comunidades; o Programa Escola da Terra alcançou docentes como o primeiro processo formativo em Educação do Campo e fez repensar e projetar práticas pedagógicas considerando a vida das/nas comunidades camponesas.
O objetivo deste estudo foi apontar em que medida uma sequência de atividades investigativas em aulas de campo (SAIAC) favorece avanços na aprendizagem em ciências, considerando os objetivos de aprendizagem previstos na proposta. Os participantes do estudo foram alunos do Ensino Médio de uma escola da rede estadual de ensino. Utilizou-se o método da triangulação de dados para analisar os dados produzidos. A SAIAC é um modelo organizacional dividido em três etapas, a sensibilização, a experimentação e a elaboração. Os estudantes conseguiram avançar na compreensão dos conteúdos relacionados a ecologia. O conceito científico envolveu a mobilização de saberes discutidos anteriormente entre os membros do grupo e aprofundado com o auxílio da professora/pesquisadora. As atividades desenvolvidas, em diálogo com o ensino de ciências por investigação e com as aulas de campo, colaboram para sustentar a potencialidade de aprendizagem.
O artigo busca relacionar o pensamento pedagógico elaborado por Paulo Freire com o pensamento e a pedagogia decolonial desenvolvida na América Latina a partir da década de 1990. O objetivo central é defender o pensador brasileiro como precursor de uma pedagogia decolonial, embora não tenha utilizado o termo explicitamente. A partir de metodologia baseada em pesquisa bibliográfica, é feito um breve resgate da história da crítica ao colonialismo e à colonialidade, seguido da genealogia do pensamento decolonial, principalmente o latino-americano. Em seguida, expõe-se as principais características e autoras da pedagogia decolonial, bem como sua discussão teórica. Por fim, o texto apresenta as ideias e conceitos desenvolvidos por Freire que preconizam um posicionamento decolonial frente à educação tradicional predominante na história do Brasil. Contra ela, o autor propõe uma educação crítica, engajada, democrática e sensível, o que o aproxima da pedagogia decolonial.
O artigo versa sobre as particularidades que permeiam o percurso formativo de estudantes quilombolas no Ensino Superior, e apresenta uma reflexão sobre as confluências e atravessamentos presentes nesse processo. Os dados apresentados são parte de um projeto de mestrado que vem sendo realizado na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). De caráter exploratório e qualitativo, o estudo apresenta como estratégia metodológica a revisão da literatura e análise documental. Enquanto aporte teórico, o artigo alia-se às perspectivas trazidas pelas pesquisas sobre educação e políticas educacionais, bem como às reflexões étnico-raciais pertinentes, a partir de uma ótica interseccional. A pesquisa evidencia uma tendência de quebra da perpetuação da desigualdade existente entre negros e brancos no acesso às universidades federais, porém os dados denotam que ainda há baixa representatividade de estudantes quilombolas no ensino superior, além das dificuldades para o acesso a ele, bem como a permanência no curso até a sua conclusão, aspectos que são ainda mais sensíveis para tal público em específico.
A história da Educação Física no Brasil encontra-se permeada pela presença da dança desde as primeiras décadas do século XIX. Esta pesquisa teve como objetivo central problematizar os sentidos atribuídos pelos/as acadêmicos/as e egressos/as de um curso de formação de professores/as de Educação Física para a formação e atuação docente a partir das experiências vivenciadas em dez edições do Festival de Artes Corporais do Rio Grande. Foram entrevistados, via Google Meet, 23 sujeitos, entre egressos/as e acadêmicos/as com graduação em andamento, nos meses de outubro a dezembro de 2024. A partir da análise das entrevistas foram construídas três categorias em formas de pergunta: Quem tem medo de Dança e do Festival?; O tempo constrói sentidos?; Quem pode dançar? A reverberação, a partir da experiência com a disciplina de Danças/Festival mostrou-se no entendimento de que toda a manifestação cultural, política, estética e social passou a fazer sentido e a tornar-se pauta nos espaços educativos que os/as egressos/as atuam. Esse enfrentamento não se extinguiu na formação inicial, mostrando-se um posicionamento fundamental ao exercerem as suas docências.
Este texto apresenta um excerto de uma investigação que buscou compreender como crianças bem pequenas e bebês podem se relacionar com a natureza na educação infantil e quais os desdobramentos dessa relação para eles. A pesquisa de campo foi desenvolvida em uma escola de educação infantil e se inspirou na proposta de investigação com crianças em contexto de Graue e Walsh (2003), estando atenta aos princípios da etnografia e da abordagem da pesquisa qualitativa como um todo. O referencial teórico foi sustentado na filosofia de Espinosa, na Psicologia Histórico-Cultural dos estudos de Vygotsky e em autores que discutem a relação entre crianças e natureza, como Tiriba (2005), Santos (2016) e Louv (2016). Com base nos estudos teóricos e de campo, foi possível indicar que a relação com a natureza pode provocar o aumento da potência de agir das crianças por meio de afetos alegres. A partir das observações das crianças envolvidas em proposições ao ar livre e com a natureza, foi percebido que quanto mais afetos alegres são provocados, mais as crianças desejam permanecer envolvidas com e em determinada situação – no caso, com a natureza. Nesse sentido, o estudo evidenciou que quanto mais se der o estabelecimento de relações afetivas alegres com a natureza, mais as crianças podem buscar, sentir, entender e viver essa relação, e mais: podem vir a se identificar com ela e desejar cuidá-la, demonstrando a importância desse convívio para ambas as partes.
Com o Plano Nacional de Educação de 2014 a 2024 (Lei nº 13.005 de 2014), os municípios brasileiros foram obrigados a elaborar seus Planos Municipais de Educação (PMEs). Nesta pesquisa, estudamos o PME de doze municípios do Sudoeste do Paraná. Trata-se de uma das regiões mais pobres do estado, composta, em sua maioria, de municípios de pequeno porte com uma economia que gira entorno da agricultura familiar de pequenos e médios agricultores. Os objetivos envolveram compreender o conceito de gestão democrática e o compromisso dos gestores em implementá-la. As fontes da pesquisa foram os textos dos PMEs disponíveis nos meios digitais. No estudo do corpus, empregamos a metodologia da Análise Textual Discursiva (ATD), que compreende três procedimentos: fragmentação, categorização e elaboração do hipertexto. Verificamos que o entendimento de gestão democrática das escolas sob jurisdição municipal resume-se à criação dos conselhos municipais de educação. Além disso, há pouca preocupação com a gestão participativa nas escolas e consequentemente medidas efetivas para que tais gestões fossem constituídas.
Neste artigo, investigamos a dimensão emocional das conversas e interações ocorridas nas visitas de sete grupos familiares ao Parque Zoológico Municipal Quinzinho de Barros (Sorocaba - SP), que foram gravadas por meio de câmera GoPro levada por uma das crianças de cada grupo. A partir do software Dedoose, os dados audiovisuais foram categorizados segundo protocolo que permite interpretar as interações pela lente da emoção. A análise indicou que a experiência da visita foi prazerosa, com predomínio de emoções de valência positiva (excitação, ternura, curiosidade e diversão) ou neutra (surpresa). Já as emoções de valência negativa mais identificadas foram a confusão, o aborrecimento, a piedade e o desapontamento. De modo geral, as emoções perpassaram os momentos de visualização, identificação de animais e observação de seus comportamentos, incluindo quando esbarravam em dificuldades para realizar essas atividades. Especificamente a excitação e a diversão estimularam o interesse, enquanto a surpresa, a curiosidade, a confusão e o desapontamento demonstraram potencial para promover o processo cognitivo e experiências de aprendizagem colaborativas a partir de quebras de expectativas. A ternura esteve relacionada à valoração estética, enquanto a piedade foi, principalmente, uma reação a informações sobre a morte ou risco de extinção. Já o aborrecimento foi mais recorrente no âmbito de conflitos pontuais entre os membros da família.
O artigo discute as evidências da indução das avaliações externas nas ações de formação continuada em uma rede municipal de ensino. Metodologicamente, utiliza-se a pesquisa documental como estratégia investigativa para caracterizar, descrever e analisar as ações formativas da rede que se relacionam às políticas da avaliação externa de larga escala entre os anos de 2013 e 2021. Como fonte documental, foram acessados arquivos da equipe de formação da Secretaria Municipal de Educação, contendo registros das formações realizadas. Os dados revelam, entre outros aspectos, a adoção de ações formativas atreladas à lógica da busca por resultados, com a indução de atividades alinhadas ao melhor desempenho dos estudantes nos testes, aspecto que indica a utilização do espaço de formação continuada com cerne na melhoria dos índices da rede nas avaliações externas de larga escala.