
O presente artigo tem como objetivo relatar e discutir uma experiência formativa sobre o ECA Digital, considerando suas implicações para a prática pedagógica e a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital. Adotou-se uma abordagem qualitativa, na modalidade de relato de experiência, com apoio de pesquisa bibliográfica. A discussão contempla temas relacionados à verificação de idade, à supervisão parental, à exposição de imagens, à exploração comercial e à prevenção de riscos no uso de plataformas digitais, considerando a responsabilidade da escola e das famílias. A proposta visa fomentar reflexões sobre os desafios contemporâneos relacionados à hiperexposição de crianças e adolescentes em ambientes digitais, além de discutir o uso consciente, ético e responsável do compartilhamento de registros virtuais nos ambientes escolares. O objetivo geral é relatar a experiência de um minicurso voltado à formação de professores, estudantes de licenciatura e profissionais da educação, com foco na compreensão crítica dos cuidados relativos à proteção da imagem, da privacidade e dos dados de crianças e adolescentes no ambiente digital e nas possíveis contribuições dessa formação para o uso e a concepção responsável de produtos digitais educacionais, à luz do ECA Digital. O aporte teórico apoiou-se principalmente no ECA Digital, criado pela Lei no 15.211/2025, em vigor desde março de 2026, que dispõe sobre a proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais. Metodologicamente, optou-se por uma perspectiva pedagógica participativa e dialógica, visando favorecer a mediação entre os conteúdos teóricos e as vivências dos participantes. Concluiu-se que este minicurso contribuiu para a compreensão dos fundamentos legais, reflexão sobre riscos e orientação para estratégias pedagógicas e protocolos institucionais. Em síntese, os resultados indicam a urgência de atenção contínua nas atividades pedagógicas relacionadas ao ECA Digital. Compreende-se que, a formação proporcionou aos participantes a oportunidade de debate e reflexão sobre a utilização responsável dos recursos digitais.
No presente trabalho realizou-se uma análise multitemporal das mudanças na cobertura da terra na Região Imediata de Bragança, Pará, Brasil, entre 1985 e 2023, utilizando dados do Mapbiomas para elaboração de mapas temáticos no software QGIS. A pesquisa buscou identificar tendências e padrões da cobertura da terra no decorrer do tempo, destacando as mudanças resultantes das intervenções humanas. A metodologia incluiu a análise temporal de dados da Coleção 9 do Mapbiomas, a partir de mapeamento temático. Os resultados mostram transformações significativas na cobertura da terra, com implicações na paisagem e no uso da terra e dos recursos naturais, principalmente pela substituição da formação florestal por pastagem, expansão urbana, mineração, degradação dos campos alagados e, pontualmente, dos ecossistemas costeiros como praia, duna e areal. Cultivos como dendê e soja podem se expandir no futuro. Os mangues oscilaram em área no período. o trabalho ressalta a importância das geotecnologias para estudos e para o planejamento ambiental dentro da Amazônia legal.
Este estudo tem como objetivo central analisar a evolução dos indicadores de liquidez e endividamento do Município de Manaus-AM entre os exercícios de 2018 e 2023, avaliando os impactos fiscais e patrimoniais decorrentes da pandemia da COVID-19. Trata-se de uma pesquisa aplicada, descritiva e com abordagem quantitativa, fundamentada na análise documental dos Balanços Gerais (Balanço Patrimonial e Balanço Financeiro) do município. A série temporal foi segmentada de modo comparativo em cenários pré-pandemia (2018-2019), pandêmico (2020-2021) e pós-pandemia (2022-2023). Os resultados evidenciam que a gestão pública municipal absorveu o choque exógeno provocado pela crise sanitária sem entrar em trajetória de insolvência. Embora a Liquidez Corrente tenha sofrido uma redução no período pós-pandemia, manteve-se em patamares que atestam ampla capacidade de cobertura das obrigações imediatas. Destaca-se a elevação estratégica da Liquidez Imediata durante o auge da crise, refletindo uma política de retenção de disponibilidades (caixa) para assegurar o financiamento de áreas emergenciais. O Grau de Endividamento atingiu o seu pico no primeiro ano da pandemia (28,55%), mas reverteu a tendência, encerrando a série histórica num patamar seguro e inferior ao cenário pré-crise (22,97%). Conclui-se que, não obstante as intensas pressões sobre a execução orçamentária e as finanças governamentais, o Município de Manaus apresentou resiliência fiscal, garantindo a sustentabilidade patrimonial e o estrito alinhamento com os preceitos da Lei de Responsabilidade Fiscal.
A compreensão das desigualdades socioespaciais urbanas exige considerar não apenas as condições materiais da cidade, mas também as experiências dos sujeitos que a vivenciam. Nessa perspectiva, o artigo tem como objetivo analisar comparativamente os conhecimentos geográficos produzidos por crianças-estudantes em três investigações realizadas em Fortaleza (CE), identificando as possibilidades e os limites de diferentes formas de observação e representação do espaço vivido. Fundamentado em uma abordagem qualitativa, de caráter analítico-comparativo, o estudo articula pesquisas desenvolvidas no bairro Pedras, sobre mobilidade e trajetos escolares; na Vila Peri, sobre leitura das paisagens e desigualdades socioespaciais; e com crianças migrantes venezuelanas, sobre cartografias afetivas. A análise, orientada pela compreensão de espaço vivido de Frémont (1980), organiza-se em três eixos: a cidade percorrida, observada e significada. Os resultados evidenciam que mapas mentais, registros de campo e cartografias afetivas revelam dimensões distintas e complementares da experiência urbana, expressando condições de infraestrutura, problemas socioambientais, percepções de insegurança e vínculos afetivos com os lugares. Conclui-se que as representações produzidas pelas crianças-estudantes ampliam as possibilidades de interpretação geográfica da cidade e oferecem subsídios para práticas de ensino de Geografia articuladas às experiências cotidianas, respeitando as singularidades e os limites de cada investigação.
A raiva permanece como uma zoonose de elevada importância para a saúde pública e a medicina veterinária, apesar dos avanços alcançados nas estratégias de prevenção e controle no Brasil. Este estudo teve como objetivo analisar as mudanças no perfil epidemiológico da raiva em animais domésticos no território brasileiro entre 2005 e 2025, com ênfase nas tendências temporais, na distribuição espacial e nos ciclos de transmissão viral. Foi realizada uma revisão da literatura, de abordagem qualitativa e caráter descritivo-analítico, fundamentada em artigos científicos e documentos oficiais do Ministério da Saúde e do Ministério da Agricultura e Pecuária. A análise das publicações evidenciou redução da transmissão associada às variantes caninas, relacionada ao fortalecimento das campanhas de vacinação e da vigilância epidemiológica. Entretanto, observou-se a persistência da circulação viral vinculada a reservatórios silvestres, especialmente morcegos, com repercussões sobre cães, gatos e herbívoros domésticos. Os estudos também demonstraram diferenças temporais e espaciais na ocorrência da enfermidade, com concentração de registros em determinadas regiões e manutenção de áreas de maior risco epidemiológico. A heterogeneidade dos sistemas de vigilância, a possível subnotificação e as diferenças metodológicas entre as pesquisas limitaram a comparação dos resultados. Conclui-se que o enfrentamento da raiva no Brasil exige estratégias integradas de vacinação, monitoramento dos reservatórios e fortalecimento da vigilância, fundamentadas na abordagem de Saúde Única e adaptadas às particularidades epidemiológicas regionais.